O ministro da consciência tranquila e da propaganda veio hoje confirmar à Lusa que sempre houve tiranetes na administração pública, isto é, veio hoje reconhecer que, sob o respectivo governo, continuam os tiranetes. Por outras palavras, face ao continuado laxismo do Bloco Central, muitos têm que confundir o exercício do poder com pequenos e grandes tiques autoritários, onde a fala forte apenas disfarça o argumento fraco da habitual esquizofrenia do Portugal dos pequeninos com a mania das grandezas.
Onde o exagero dos sinais exteriores de poderio não consegue disfarçar o vazio de autoridade. Onde o hábito não faz o monge. Até porque os “teres” do que parece e do que aparece acabam por corresponder a um “não ser”. Porque o Estado a que chegámos não passa de um gigante com pés de barro, a que costumo dar o nome de estadão.
Basta notar a entrevista televisiva com que Marques Mendes, outro ex-ministro da propaganda e do alinhamento dos telejornais, tentou responder ao gaiense Menezes, demonstrando como está para o PSD como Ferro Rodrigues esteve para o PS. Onde apenas se espera que o actual supremo revisor de contas acabe por fazer-lhe o vazio com que o antigo notário do regime despediu o actual embaixador na OCDE, na fase não-Pilatos do respectivo mandato belenense.
Já a viagem pelos micro-autoritarismos sub-estatais continua. Ainda ontem ouvia ao vivo, e em directo, um discurso sobre o conceito de Estado de Direito de um ex-alto responsável pela reforma do estadão socialista, para quem a administração pública apenas poderia protestar pelo recurso aos tribunais. Isto é, não reparava que a justiça sempre foi superior ao direito e este, superior à lei. E que mesmo uma ditadura, com tortura, pode obedecer ao princípio da legalidade, como acontecia com os pides no salazarismo.
Julgo que precisamos muito de “glasnot” nesta falta de paredes de vidro de muitos segmentos de uma administração pública, onde a “perestroika” está cheia da velha mentalidade concentracionária. Os cursos rápidos de pluralismo e de Estado de Direito seriam benvindos, para extirparmos a subcultura de estadão caciquista que nos enregela, nesta “second life”, plena de cangalheiros com música celestial.
Daily Archives: 19 de Julho de 2007
Parlamento
Lê-se no “Público” que quando os trabalhos foram retomados após o almoço tinham sido feitas 137 votações e aprovados 30 artigos. “Pelas minhas contas, estamos a discutir 462 alterações Ainda faltam mais de 300 votações”, resumia o presidente da comissão. Artigo a artigo, muitas vezes alínea a alínea, os deputados, munidos de muitas garrafas de água, eram chamados a votar ou a explicar o sentido das propostas. Que por vezes ficavam por dar. Questionado pelo CDS-PP sobre o sentido de um dos artigos da proposta do Governo, que ia receber o voto favorável do PS, o deputado socialista Manuel Mota alegou que tal já tinha sido discutido e que não valia a pena “perder tempo”. “Ficamos a saber que há uma norma que vai ser aprovada, mas não sabemos para que serve”, criticou Pedro Duarte. Por outras palavras, o ilustre parlamento parece ter trabalhado noite dentro no corte e costura da projectada lei da universidade e do restante superior de forma bem inferior, para que Gago possa ser digno sucessor da revolução dos homens sem sono e do reformismo de Veiga Simão, neste filho de pai que agora fica incógnito, sem ter que dar despacho sobre a Universidade Independente, o tal que foi solenemente prometido como rapidamente e em força, que quem diz ter força pode, afinal, não ter doutrina.
da comunidade das coisas que se amam
Foi dentro de nós, da comunidade das coisas que se amam, que tudo aconteceu Os cerca de duzentos mortos do acidente de São Paulo exigiriam que não mais se emitissem notas oficiais como as que informam não haver notícias sobre os portugueses na lista das vítimas. Deveriam exigir que, em primeiro lugar, se manifestasse dor e até dupla cidadania colectiva. Foi dentro de nós, da comunidade das coisas que se amam, que tudo aconteceu. Será também inadmissível que aproveitemos o pretexto para avaliar a Portela mais um, Alcochete e Ota. Vale a pena notarmos como são fracos os nossos elos informativos com o Brasil, onde os correspondentes, pelo telefone, fazem televisão e onde algumas redacções recebem notícias, nem sequer as procurando nos jornais brasileiros disponíveis na “net”. O Brasil, da Embraer, que ocupa um dos primeiros lugares do mundo na aeronavegação, vive em profunda crise de desinvestimento neste sector, como se tornou patente desde o acidente do GOL. Quem se desleixa em conter os ventos pode acabar por sofrer graves tempestades, numa área onde importa reconhecer que o seguro não deve morrer de velho. Hoje, não vale a pena criticar Lula, importa cuidar dos vivos e enterrar os mortos, quando eles são da minha querida segunda pátria.
Estadão
Face ao continuado laxismo do Bloco Central, muitos têm que confundir o exercício do poder com pequenos e grandes tiques autoritários, onde a fala forte apenas disfarça o argumento fraco da habitual esquizofrenia do Portugalório das minúsculas com a mania das grandezas. Onde o exagero dos sinais exteriores de poderio não consegue disfarçar o vazio de autoridade. Onde o hábito não faz o monge. Até porque os “teres” do que parece e do que aparece acabam por corresponder a um “não ser”. Porque o Estado a que chegámos não passa de um gigante com pés de barro, a que costumo dar o nome de estadão. Já a viagem pelos micro-autoritarismos sub-estatais continua. Ainda ontem ouvia ao vivo, e em directo, um discurso sobre o conceito de Estado de Direito de um ex-alto responsável pela reforma do estadão, para quem a administração pública apenas poderia protestar pelo recurso aos tribunais. Isto é, não reparava que a justiça sempre foi superior ao direito e este, superior à lei. E que mesmo uma ditadura, com tortura, pode obedecer ao princípio da legalidade, como acontecia com os pides no salazarismo. Julgo que precisamos muito de “glasnot” nesta falta de paredes de vidro de muitos segmentos de uma administração pública, onde a “perestroika” está cheia da velha mentalidade concentracionária. Os cursos rápidos de pluralismo e de Estado de Direito seriam benvindos, para extirparmos a subcultura de estadão caciquista que nos enregela, nesta “second life”, plena de cangalheiros com música celestial.