Estadão


Face ao continuado laxismo do Bloco Central, muitos têm que confundir o exercício do poder com pequenos e grandes tiques autoritários, onde a fala forte apenas disfarça o argumento fraco da habitual esquizofrenia do  Portugalório das minúsculas com a mania das grandezas. Onde o exagero dos sinais exteriores de poderio não consegue disfarçar o vazio de autoridade. Onde o hábito não faz o monge. Até porque os “teres” do que parece e do que aparece acabam por corresponder a um “não ser”. Porque o Estado a que chegámos não passa de um gigante com pés de barro, a que costumo dar o nome de estadão. Já a viagem pelos micro-autoritarismos sub-estatais continua. Ainda ontem ouvia ao vivo, e em directo, um discurso sobre o conceito de Estado de Direito de um ex-alto responsável pela reforma do estadão, para quem a administração pública apenas poderia protestar pelo recurso aos tribunais. Isto é, não reparava que a justiça sempre foi superior ao direito e este, superior à lei. E que mesmo uma ditadura, com tortura, pode obedecer ao princípio da legalidade, como acontecia com os pides no salazarismo. Julgo que precisamos muito de “glasnot” nesta falta de paredes de vidro de muitos segmentos de uma administração pública, onde a “perestroika” está cheia da velha mentalidade concentracionária. Os cursos rápidos de pluralismo e de Estado de Direito seriam benvindos, para extirparmos a subcultura de estadão caciquista que nos enregela, nesta “second life”, plena de cangalheiros com música celestial.

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