Tudo como dantes sem ser palha de Abrantes, mas com muitas escleroses de brigadas do “yes minister”. No Portugal Contemporâneo, é o 76º parlamento, para o 126º governo, depois de cerca de 200 golpes de Estado, 5 revoluções, 8 reis e 8 presidentes eleitos pelo povo, em cima de 13 233 dias de Salazar quia. Os cinco partidões parlamentares entraram ontem em São Bento como se estivessem na fila para a inspecção militar numa direcção-geral que os funcionaliza em soldados rasos. E não repararam como a cerimónia de unidimensionalização estava quase a ser transmitida em directo… Poucos observaram que já não há esquerda nem direita no hemiciclo, mas um partido dito de esquerda que é do centro e vai governar à direita e que dominam os chamados bonzos, acicatados por endireitas e canhotos, transformados em simples satélites do centrão. O socratismo acabou, o gamismo continua. Raros notaram que as decadências em Portugal duram que se fartam. Têm o tempo do estertor do rotativismo, ou da nova república velha depois do sidonismo, ou do salazarismo depois das eleições Delgado. Porque todos os partidos pós-revolucionários são meras federações de grupos de interesse e de pressão em equilíbrio instável. Só o sentimento predador face ao poder os unidimensionaliza… Todos os grandes partidos são pilha-tudo, entre o unipessoal dos comandos e a ilusão das mobilizantes candidaturas presidenciais, perdendo a funcionalidade, onde, quanto menos maiorias absolutas, maior será a hierarquização face aos directórios partidários… Qualquer cidadão que sofra as agruras de qualquer um dos microcosmos da mesa do orçamento sabe de experiência sofrida que a crise de mobilização para bem comum nos encarquilha. Qualquer dos que ainda vivem encantados percebe que a falta de organização do trabalho nacional é provocada pela tradicional ditadura da incompetência que se apoderou dos organigramas e das chefias das ferocidades reformadoras da nossa decadência. Acontece a São Bento o que está a suceder em autarquias, direcções-gerais, escolas e quartéis. Todos vivem entre a renúncia e a greve de zelo, como antes do 25 de Abril de 1974, quando também dominava o ambiente de estado a que chegámos… Prefiro o Salgueiro Maia!