Out 15

É só ministros novos de um estado velho, presidentes passados

Não assisti ao debate. Apenas vi o resumo. Uma calimerada do costume, onde valeu sobretudo o relato de corredor de Vítor Baptista, contando dos cargos que lhe foram oferecidos pelo chefe de gabinete de Sócrates no Rato. Quase tudo na administração da comboiada, à boa maneira do que Salazar fazia aos mários de figueiredo…

É só ministros novos de um estado velho, presidentes passados, por cumprir, dores de alma, apertos de coração e noites sem dormir, orçamentadas, para que, dos bancários que lá foram, em romaria, apenas um seja banqueiro, e de família. Os regimes passam, só ele fica, neste capitalismo a retalho que nos agonia.

Neste salgado regime de transição, entre o que foi e o que há-de ser, com feitores da couve de Bruxelas e ministros velhos para mais velho estado novo, não há dia que frei tomás, ex-presidente, não lance seu pregão desbotado, de quentes e podres, para o mais do mesmo, neste mostrengo parido pelos pretensos salvadores que o geraram…

‎24 de Agosto de 1820, 9 de Setembro de 1836, 5 de Outubro de 1910, 28 de Maio de 1926, 25 de Abril de 1974, a música e a garra das revoltas por cumprir não podem justificar este situacionismo. Mudemos de letra, sem tiros à toa. Contra os bonzos, marchar, marchar!

Se houvesse sondagens nos últimos meses da monarquia constitucional, o partido republicano seria ultraminoritário, dominando as dissidências rotativas, como sucedeu nas eleições do Verão de 1910, antes do cair da folha. O mesmo sucedeu nas eleições de 1925, antes do 28 de Maio. Hoje, a nossa sondajocracia apenas disfarça a longa decadência em que nos entristecemos…

Vejo na SICN o jubilado auditor público Carlos Moreno. Já o tinha ouvido na TSF. Já espreitei o livro-manifesto que confirma os alertas de Medina Carreira, Ernâni Lopes e João Salgueiro. Vemos, ouvimos e lemos, mas podemos fingir que ignoramos. Preferimos a retórica propagandística do mais do mesmo. Quando acordarmos, tudo vai ser empobrecidamente cobarde.

Daqui a meia hora, vai chegar à dita casa comum da democracia, sujeita a disciplina de voto partidocrático, a tal “pen”, com adequada antiviruseira, rigorosamente vigiada pelos barrosais de Bruxelas. Esperemos que a formatação a que nos querem condenar possa ser corrigida pela cidadania daquele grito que foi dos heróis do mar e do nobre povo…

Já passam dez minutos da meia hora… os ministros e deputados continuam homens sem sono!
Para comentar a “pen”, o Expresso da Meia-Noite convidou um secretário de Estado, mas sem reparar que que ele já era membro deste governo, identificando-o pelo cargo anterior, onde aparecia mais vezes, especialmente a espreitar por trás do primeiro quando ele vendia redes tecnológicas no telejornal. Parece a velha série do homem invisível!

“Qualquer membro do parlamento pode telefonar-me a partir de agora”. Coitado! Nem dormiu nestas últimas noites, sempre em reuniões de conselho a dois e de conselho de todos os ministros… Passos Coelho ficou em brasa. Não vai ter fim de semana para engolir as 1 500 páginas…

Out 14

Os banqueiros, incluindo três que são apenas bancários, foram hoje a Teixeira do Terreiro

Os banqueiros, incluindo três que são apenas bancários, foram hoje a Teixeira do Terreiro. Espero que uma das soluções aventadas nos corredores perdidos seja uma encenação de novo orçamento, consensualizado por quem o ministro lacão qualifica expressamente como imaturo e com vontade de abismo…

Passos e Portas estão no jardim, lançando pérolas à multinacional partidária de que fazem parte. Espero que a bota bata com a perdigota, sob pena de a palavra perder sentido.

Out 13

Banqueiros lusitanos pressionam

Banqueiros lusitanos pressionam para que acabe a política em Portugal. Proposta de revisão institucional subordina o poder político ao poder financeiro. Desta é que o programa de suspensão da democracia parece viabilizar-se. Prefiro o banqueiro anarquista de Fernando Pessoa.

O porta-voz salgado dos banqueiros declara “ter confiança”, nos “políticos deste país”, para que se chegue a “uma plataforma de entendimento”. Espero que os feitores dos ricos não mantenham o estado a que chegámos como simples PPP (parceria público-privada).

Há um clube, de reservado direito de admissão, que marca o neofeudalismo desta desordem, tão minuciosamente organizada, pela incompetência que vai da Lisboa a Bruxelas e que gerou este mostrengo, entre a “fina-flor da plutocracia” e a casta banco-burocrática do rotativismo.

Out 12

Enquanto a cunha e a fuga ao imposto continuarem

Passei os olhos pela www.base.gov.pt. Coloquei o nome de alguns figurões, disfarçados em pequenas e médias empresas de regime. Notei também alguns hierarcas de certas instituições públicas que por elas foram beneficiados com a dignidade de consultadorias. Confirmei a pouca vergonha. E se cruzarmos gentes do PS e do PSD no regabofe, o resultado é mesmo de piolheira!

O mal é mais fundo, tem a ver com uma ideia de Estado por cima da comunidade, o tal que, um dia, é amigo, quando dele sacamos o subsídio, e que, noutro, é o ladrão que nos rouba. E a eurocracia agravou a doença. Ambos continuam estrangeiros, como um “l’État c’est lui”, resistindo àquilo que deveria ser a democracia de o “o Estado somos nós”…

Enquanto a cunha e a fuga ao imposto continuarem, não é possível o reconhecimento do mérito e a consequente igualdade de oportunidades, onde a justiça sempre foi tratar desigualmente o desigual, sem estes curtos-circuitos da sociedade de corte, agravada pelos filhos de algo da partidocracia!

O regresso à verdade impõe que saibamos os custos de propaganda de uns simples minutos de telejornal para uma comemoração ou uma homenagem, sobretudo quando esta reveste a forma de compra de um adversário, especialmente quando este assume o habitual estilo de verme dos chamados filósofos da traição! Eu também fui a www.base.gov.pt. para medir certos patriarcas aparentemente impolutos.

Todos os tipos do PSD que têm tacho de Sócrates, armam-se agora em arautos do entendimento entre os dois irmãos-inimigos. Não são apenas os adversários internos de Passos que andavam calados. Os bonzos que nos têm desgovernado são exactamente os mesmos, deste bloco central de interesses e do respectivo centrão mole e difuso. Por mim, serei sempre radical!

Ora aí está uma boa notícia, em termos estaduais: a eleição para o Conselho de Segurança. Um abraço ao Luís Amado. Um reconhecimento à máquina diplomática.

Out 11

Entre agências de eventos comemorativos e o canto do cisne desta sociedade de casino.

 

O problema não está entre o “se este orçamento passar” e o “se este orçamento não passar”, mas antes entre o “se este orçamento passar” e o “se outro orçamento passar”, mesmo que continue um primeiro-ministro do PS, se o patriotismo do Largo do Rato nos libertar desta viela de propaganda.
Felizes súbditos da coroa britânica: em quinze dias podem ouvir a voz do povo em eleições. Por cá, temos que esperar, durante meses, pela eleição de um referencial de segurança. Logo, aprovem um orçamento-cheque em branco e esqueçam-se de quem sufragou estas delongas constitucionais, incluindo as sopeiras do regime que bem pregam, como Frei Tomás!
Logo, há que pedir a integração na ilha do Príncipe, ou no ilhéu das Rolas, dado que não cabemos em Coloane. Mas como já há uma ponte para a Taipa, podemos optar por uma adequado financiamento chinês, dada a nossa potencialidade para casino com largos parques de estacionamento no interior desertificado…
Aliás, as despesas em eventos propagandísticos por parte do desgoverno e dos desautárquicos é uma vergonha que, de há muito existe, mas que só por estes dias começa a ser denunciado pelos grandes órgãos de comunicação social que dele beneficiavam. Já agora podem também elencar as próprias universidades e a seita a que os reitores chamam sociedade civil…
Nesta teledemocracia, só quando a tragédia ameaça é que nos deixam notar que ela estava a ser protagonizada por péssimos actores de comédia, dos tais que, mesmo sem festa, nos inundam de foguetes. O problema é que as canas nos estão agora a cair em cima…
Mesmo a própria universidade serve de palco para encenações de politiqueiros, ávidos de uma passeata de borla e capelo, ao mesmo tempo que a lei gaga que nos rege inventou essa de os reitores, os presidentes e os directores serem eleitos por aqueles que eles escolheram para os conselhos gerais, entre políticos e desempregados, banqueiros e empresários de regime…
O mal de Portugal está no facto de não podermos exercer o primeiro dos direitos do homem, que é mexer-nos, largar esta cadeia e procurar, na terra, outro lugar para o sonho do paraíso. Entalados entre o indiferentismo e o populismo já não podermos salvar o daquém, procurando o d’além…

Out 11

As despesas em eventos propagandísticos

As despesas em eventos propagandísticos por parte do desgoverno e dos desautárquicos é uma vergonha que, de há muito existe, mas que só por estes dias começa a ser denunciado pelos grandes órgãos de comunicação social que dele beneficiavam. Já agora podem também elencar as próprias universidades e a seita a que os reitores chamam sociedade civil…

Nesta teledemocracia, só quando a tragédia ameaça é que nos deixam notar que ela estava a ser protagonizada por péssimos actores de comédia, dos tais que, mesmo sem festa, nos inundam de foguetes. O problema é que as canas nos estão agora a cair em cima…

Mesmo a própria universidade serve de palco para encenações de politiqueiros, ávidos de uma passeata de borla e capelo, ao mesmo tempo que a lei gaga que nos rege inventou essa de os reitores, os presidentes e os directores serem eleitos por aqueles que eles escolheram para os conselhos gerais, entre políticos e desempregados, banqueiros e empresários de regime…

O mal de Portugal está no facto de não podermos exercer o primeiro dos direitos do homem, que é mexer-nos, largar esta cadeia e procurar, na terra, outro lugar para o sonho do paraíso. Entalados entre o indiferentismo e o populismo já não podermos salvar o daquém, procurando o d’além…

Out 10

una de las infinitas maneras que el hombre puede elegir para ser un imbécil

“O Ministério das Finanças não merece crédito..é uma barraca de farturas” (Medina Carreira, em directo).

O problema não está entre “se este orçamento passar” e o “se este orçamento não passar”, mas antes entre “se este orçamento passar” e o “se outro orçamento passar”, mesmo que continue um primeiro-ministro do PS, se o patriotismo do Largo do Rato nos libertar desta viela de propaganda.

“Ser de izquierda es, como ser de derecha, una de las infinitas maneras que el hombre puede elegir para ser un imbécil: ambas, en efecto, son formas de hemiplejia moral. Además, la persistencia de estos calificativos contribuye a falsificar más aún la realidad del presente, como lo demuestra el hecho de que hoy las derechas prometen revoluciones y las izquierdas proponen tiranías”. (Ortega, 1937)

Felizes súbditos da coroa britânica: em quinze dias podem ouvir a voz do povo em eleições. Por cá, temos que esperar, durante meses, pela eleição de um referencial de segurança. Logo, aprovem um orçamento-cheque em branco e esqueçam-se de quem sufragou estas delongas constitucionais, incluindo as sopeiras do regime que bem pregam, como Frei Tomás!

Out 09

Não voltes Zé Manel, não estás perdoado!

DGCI gasta 220 mil euros a comemorar aniversário. Kim Jong-un é o sucessor oficial. FMI avisa que Portugal será a pior economia da UE em 2015. Queixa-crime contra procurador-geral no Supremo.Tudo isto são parangonas. Tudo isto é triste, tudo pode não ser apenas fado.

Durão teme que país vá de “mal a péssimo”. Não voltes Zé Manel, não estás perdoado! Mesmo que seja para a comissão de honra dos elefantes de Aníbal, com sede ultramontana, e também para voltares a ser porreiro para o pá que tem nome de grego, mas só por acaso. Prefiro os golos a jogadores fora do prazo. Nani é que marcou, não foram os dinossauros de bancada!

Sócrates apresenta demissão em Belém a 29 de Outubro (é só parangona). Do jornal “i”. Numa notícia que termina com uma glosa a frase de Raymond Aron sobre a guerra fria: “”Acordo impossível. Chumbo improvável.” Noutro jornal é Torres Couto que regressa: “Costa seria melhor que Sócrates”. Pelo menos, seria melhor que o queijo limiano!

Quando Balsemão diz que “o Orçamento deve resultar não de uma teimosia de quem o propõe, mas de algo que possa vir a ter o apoio do maior número possível de partidos representados na Assembleia da República”, convenço-me que ele está bem informado junto de quem realmente manda: os credores internacionais. Sabem mais do que o triângulo situacionista: Aníbal, Durão e Sócrates.

… E enquanto à fome o povo se estiola,/ Certo santo pupilo de Loyola, /Mistura de judeu e de vilão, /Também faz o pequeno “sacrifício”/ De trinta contos – só! – por seu ofício /Receber, a bem dele… e da nação.” Escrito em 1969, ano da morte do poeta (22 de Dezembro). Ainda me recordo de um texto que nesse ano ele publicou em “A Capital”, em defesa da democracia!

Sampaio propõe revisão constitucional oportunista, pensando no encurtamento dos prazos para as dissoluções, por causa de eleições presidenciais. Por outras palavras, já admite que este governo possa ir à viola, como aquela que tocou nos areais do despedimento de Santana Lopes, com justa causa e intervencionismo belenense…

Barroso dá vitória futebolítica de ontem como exemplo. Paulo Bento a primeiro-ministro, já! E Mourinho, a presidente, imediatamente…

Out 08

O governo de Pequim acha obsceno

O governo de Pequim acha obsceno que um seu preso político receba o Prémio Nobel da Paz. Como o de Moscovo, da URSS, relativamente a Soljenitsine. Obscena é uma ordem global, onde o primado do ter sobre o ser acredita mais na facturação do que na liberdade.

Não tenho sinofobia, mas sou obrigado a reconhecer que a cultura do individualismo, desencadaeada pelo cristianismo romano, pelo Renascimento e pelo Iluminismo, é minoritária num mundo, onde já não funciona o princípio colonizador, em nome da civilização contra a barbárie: não devíamos ter transformado duas guerras civis europeias em guerras mundiais, guerras frias e globalizações!

Alerta laranja de mau tempo para Portugal continental…Teixeira dos Santos: PSD deve clarificar já posição sobre OE. Estou farto de parangonas trocadas. Vou mas é para a muita tranquilidade do Paulo Bento. Espero que não sejamos derrotados

Out 07

Contra as nacionalizações sacristas ou revolucionárias

Tanto sou contra as nacionalizações revolucionárias, como rejeito as episcopalizações do mesmo género patrimonialista. Se não houver contenção não tardará, como em 1917, que o sindicato em causa promova a criação de um partido, ou braço político, como o foi o CCP, que tanto deu raia em votos como lançou Salazar como deputado, ao lado de um administrador do banco de Alves dos Reis…

Estou farto de PEC I, PEC II e PEC III. Temo que novo PEC Santo entre num dos orgulhos multisseculares da sociedade civil portuguesa, ainda por cima através de uma sigla que me faz lembrar o velho Corpo Expedicionário Português, o comandado por Gomes da Costa.

O nosso hierarquismo paternalista tanto levou a que o partido “democrata-cristão” de 1917 nascesse de uma decisão institucional dos bispos, como, depois, com o mesmo protagonista, provocou que o partido único do regime autoritário nascesse de uma Resolução do Conselho de Ministros. Um lastro que ainda marca o tique centralista e concentracionário da presente partidocracia.