Junto segue, muito provocatoriamente, um hino da autoria do pai de D. Maria II, avô de D. Pedro V. e de D. Luís, bisavô de D. Carlos e tetravô de D. Manuel II. Tem estátua na Praça do Rossio em Lisboa e na Praça da Liberdade no Porto. E como regente instituiu a bandeira azul e branca como símbolo nacional, na sequência da deliberação das Cortes de 1821 que as fizeram laço nacional.
Author Archives: jamaltez
Rafael Bordalo Pinheiro
Rafael Bordalo Pinheiro. Para lembrar. Um passado presente, para quem tem saudade de futuro.
Guerra Junqueiro
“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
[.] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”
Guerra Junqueiro, “Pátria”, 1896.
Frapas 26 de Janeiro de 2011
Preparando a minha intervenção neste colóquio. Onde vou procurar demonstrar que a regeneração do Estado enquanto república, depois do vintismo e do cartismo, gerou escolas de quadros, onde a técnica estava ao serviço de uma estratégia nacional, visando o racional-normativo, onde os idealistas sempre foram os mais práticos, isto com os olhos no sonho e os pés no chão. Até a minha universidade, quando era federação vinda da sociedade civil, foi assim gerada, antes de ceder à tentação de decretino. Ou o espaço que vai de Gomes Freire a Moses Bensabat Amzalak.
Subscrevo inteiramente o grito de revolta de Manuel Alegre: “É um acto contra a História e contra a cultura. É um acto anti-história e anti-cultura”. Nem cito o ministro que veio a microfone dizer que, depois, se reforçará o 10 de Junho. Também sou radicalmente intransigente nessas matérias de mínimos de identidade patriótica. Lamento os ditos monárquicos que vieram fazer campanha contra o 5 de Outubro e os ditos republicanos que subscreveram o preconceito de o 1º de Dezembro ser dos monárquicos. Acabaram ambos alvarizados.
Acabei de prestar um depoimento à TSF sobre esta decisão do Governo. Apenas apelei a uma adequada revolta dos senhores deputados, em nome da comunidade das coisas que se amam. É uma matéria de não-disciplina partidária e de fidelidade a valores maiores, em nome de uma lealdade básica. Há algemas que libertam.´
“Antes de eu ser de esquerda, ou de direita, já era da Pátria. A Pátria é a minha política”. Palavras de Passos Manuel, em carta dirigida a José da Silva Carvalho, em Novembro de 1836.
Lusa, sobre Carvalho da Silva
O meu exame e do júri sobre o Doutor Manuel Carvalho da Silva.
Na SIC
A SIC, no lançamemto de Abecedário Simbiótico
Em torno do lançamento do meu “Abecediário Simbiótico” no Porto, na tertúlia do Café Astória, na praça diante da estátua de Almeida Garrett. Em nome do Sinédrio, do 24 de Agosto de 1820 e do desembarque no Mindelo.
Tertúlia Café Astória
Ecos da tertúlia do Café Astória, do passado dia 24 de Janeiro no Porto. Para efeitos de registo.
Entre irmãos e amigos, é viver o Porto que me deu cidade, a terra onde vivi minha meninice entre a Rua das Taipas e a Rua Duque de Loulé. Foi lá que aprendi a ler e a escrever.
É o chamado segredo de portas abertas para a Praça da Liberdade.
Farpas 23 de Janeiro de 2012
Se os empregados dos donos do poder, principalmente os bobos da corte, estivessem autorizados por lei a malhar nos exógenos minoritários, discriminando a raça, a etnia, a religião ou a ideologia, como durante esta açulada caça às bruxas, em nome do patrão, nunca coisas como a América, o Brasil ou outro mundo novo poderiam ter sido construídas, com espíritas, negros, protestantes, turquinhos, comunas, maçons, judeus, coxos, ciganos, papistas e beatos.
Farpas 22 de Janeiro de 2012
O Presidente da República foi vaiado este sábado à noite em Guimarães. Passos Coelho diz que os sacrifícios são para todos. Eu apenas gostei da aliança dos portucalenses com os catalães. Em nome de São Mamede.
Uma só declaração presidencial produziu imediata luta de invejas. O velho modelo da história que emerge quando as massas perdem a confiança no princípio da igualdade de oportunidades e os detentores do poder, como há vários governos, tentam instrumentalizar o “divide et impera”, no seu propagandismo barato de guerra aos coporativismos. A Karl Marx faltou-lhe esse capítulo, que é bem mais eficaz do que a luta de classes. Geralmente, perpetua o situacionismo.
A maior parte dos meus concidadãos no activo eleitoral deram maioria absoluta ao actual presidente. Sempre fiz parte da minoria, relativamente a Cavaco e aos cavaquismos. Por isso, considero que as críticas políticas não são o sinónimo de críticas à pessoa, mesmo quando quem a pessoa traz a vida pessoal e íntima para a praça pública, em discurso de átrio de Estado. Apenas estranho estes novos ares que quase clamam por chicotada psicológica. Presidente não é treinador descartável de clube de futebol.
Como diria o outro, o sueco assassinado, que era socialista e tudo, o problema da pobreza do nosso tempo não está em acabarmos com os ricos, mas antes em acabarmos com os pobres, principalmente com a pobreza, e com quem nos manda empobrecer a todos, para que alguns enriqueçam à custa disso.
Farpas 21 de Janeiro de 2012
Aníbal Cavaco Silva é o político português com o maior número de maiorias absolutas no plano da república maior. É quem melhor conhece e mais é reconhecido pelo povo que vota e alinha em sondagens. Porque fala terra a terra.
“A união do trágico e do cómico faz com que o riso não saia livremente, porque deixa uma sensação de pena. “(Ester Abreu Vieira de Oliveira)