Jan 03

Chegámos a novo tempo de Interregno

Presidente candidato caiu na esparrela do BPN. Estamos a discutir a árvore e não a floresta. Aquilo dava uma excelente série de costumes sobre o capitalismo do cavaquistão. A última cena poderia ser o anúncio de Alegre em defesa do BPP, com um livro de um qualquer patrão a ser apresentado por um qualquer destes ministros socialistas. Nem é preciso fazer ficção, bastam imagens de arquivo…

As brigadas do reumático de campanha cabem todas na mesma sala de espectáculo. Podia ser um concerto conjunto de mandatários de banda larga, para animar a malta, em procissão, mesmo sem “Te Deum” de música celestial

Um dos mil filhos de algo da honorária de Aníbal ainda há pouco conversava com um dos seus subs, integrante dos mil e tal da correspondente de Manel, ordenando-lhe não sei que léria: “grande chatice a nossa, compadre!”. Claro, chefe: “eles passam, nós é que ficamos…”. Até descobri o mesmo nome em duas. Um é o pai, o outro é o filho e este é neto de outro que, antes de eles o serem, já o era.

Na véspera da tragédia do 28 de Maio de 1926, um editorialista anónimo de jornal, que não era inimigo da democracia, definia o situacionismo apodrecido da 1ª República como uma ditadura da incompetência, dominada por bonzos e com muitos bailados de falsas alternativas, entre endireitas e canhotos. Subscrevo e repito.

Chegámos a novo tempo de Interregno. E, como diria o Mestre, “é a hora”. Que, “quanto mais ao povo a alma falta, mais minha alma atlântica se exalta”.

A nossa democracia está a perder o viço pelo indiferentismo e pela corrupção. Tem que ser reinventada e refundada. Basta contabilizar, somando os que estão a favor e os que estão contra. Todos juntos são bem menos do que os indiferentes. E todos sabem que quem manda efectivamente não são os candidatos nem os eleitos, mas os autores dos guiões que se escondem do palco.

Uma democracia não são votos. A ditadura que acabou em 1974 começou com votos em 1928, quando Carmona foi plebiscitado com muito mais sufrágios do que aqueles que receberam todos os partidos juntos nas eleições parlamentares de 1925. Em democracia pluralista, depois do voto em urna, há o voto permanente da cidadania e da participação.

O estado a que chegámos é uma desordem bem organizada. E os neofeudalismos da anarquia ordenada duram tempo demais, quando os injustiçados vão ao terreno do adversário e usam as armas que lhes são convenientes. Só através da guerrilha espiritual se pode indisciplinar a desordem que nos enjoa. Continuo a ser do contra o que está…

Democracia é aquele regime que permite golpes de Estado sem efusão de sangue, através da urna. Basta que na respectiva ranhura se introduza o adequado gesto do Zé Povinho, para que o voto volte a ser a arma do povo, derrubando os fundamentos da desordem instalada.

Primeiro dia útil do novo ano que nos é impostado. Já estamos mais pobres de pão, bem-estar e sonho. As redes de instalados que ocuparam a cidade mantém o quase monopólio da palavra que nos controla e resta-nos desobedecer por dentro, não cumprindo aquilo que os controleiros pensam que é o nosso destino.

Cavaco fez “um bom estágio para a recandidatura, sentado no andor do estadão, recoberto com o verniz do referencial de estabilidade, mas com os pés de pau de um dos principais causadores deste situacionismo decadentista” (JAM, J Negócios)

“O apoio do PS a Manuel Alegre tem esse significado: o de que Sócrates e o PS querem Cavaco a presidente. Não há quase nenhuma crítica ao actual presidente, há muitos consensos e um Cavaco Silva que se demarca da posição de decisor político e que coloca cada vez mais todas as coisas no plano da economia e da Europa: no plano metafísico. Isto traduz um país adiado” (JAM, DE)

 

 

Jan 02

Os governos que caem como caiu o que existia

Os governos que caem como caiu o que existia, embora simulem de vivos, estão já moralmente mortos”. Palavras de Alexandre Herculano sobre o normal anormal da nossa permanecente crise. O tempo verbal é indiferente. Foi passado, é presente, há-de ser futuro. Não somos bruxos, mas temos a certeza, sem condicional.

Já agora, parafraseando o mestre, uma rede social unânime numa opinião ou num hábito não seria rede, seria gado…

Jan 02

O venerando alertou

O venerando alertou, alertou e todos os dias nos diz que alertou. Até nos manda comprovar o alerta, que está no seu próprio sítio. O venerando apelou à união nacional, assim escrita em minúsculas, como sublinharam os portadores da voz que não têm os principais partidos. Isto é, quase todos disseram  nada, dizendo tanto quanto o próprio mote que lhes deu pretexto, esse mais do mesmo que nos embarga… Vira o disco e vai tocando o mesmo, nesta semântica onde até falta retórica, que mais um ano será da tal ciência das relações do negocismo. Mais um ano de frustrações transformadas em invejas e persigangas para gáudio de pequenos hierarcas, adjuntos, assessores e acedentes, nestas sucessivas repartições do domínio do senhor ninguém, com que se disfarça o comunismo burocrático, onde o enquanto o pau vai e vem, folgam as costas… “Os governos que caem como caiu o que existia, embora simulem de vivos, estão já moralmente mortos”. Palavras de Alexandre Herculano sobre o normal anormal da nossa permanecente crise. O tempo verbal é indiferente. Foi passado, é presente, há-de ser futuro. Não somos bruxos, mas temos a certeza, sem condicional. Adorei o teleponto e aquela boa propaganda porque não parece propaganda, a do presidencialês, emitida por quem é mais politicão dos políticos portugueses, mas que critica os decisores políticos, só porque, em construtivismo, se coloca abstractamente no majestático. Acabei de dizê-lo em público, na televisão, sublinhando que repetir os tópicos da pré-campanha é fazer campanha, fingindo não o fazer. “No primeiro dia do ano de 1974, tudo se passou como iguais dias dos anos imediatamente anteriores”. Palavras do venerando Chefe de Estado da república, Américo de Deus Rodrigues Thomaz, na véspera de ser despachado para o pretérito imperfeito, recolhidas de suas memórias chatas, longas e compridas.

Jan 02

Mais um ano de frustrações transformadas em invejas e persigangas

Adorei o teleponto e aquela boa propaganda porque não parece propaganda, a do presidencialês, emitida por quem é mais politicão dos políticos portugueses, mas que critica os decisores políticos, só porque, em construtivismo, se coloca abstractamente no majestático. Acabei de dizê-lo em público, na televisão, sublinhando que repetir os tópicos da pré-campanha é fazer campanha, fingindo não o fazer.

“No primeiro dia do ano de 1974, tudo se passou como iguais dias dos anos imediatamente anteriores”. Palavras do venerando Chefe de Estado da república, Américo de Deus Rodrigues Thomaz, na véspera de ser despachado para o pretérito imperfeito, recolhidas de suas memórias chatas, longas e compridas.

“Os governos que caem como caiu o que existia, embora simulem de vivos, estão já moralmente mortos”. Palavras de Alexandre Herculano sobre o normal anormal da nossa permanecente crise. O tempo verbal é indiferente. Foi passado, é presente, há-de ser futuro. Não somos bruxos, mas temos a certeza, sem condicional.

O venerando apelou à união nacional, assim escrita em minúsculas, como sublinharam os portadores da voz que não têm os principais partidos, incluindo um outro medina que não é carreira. Isto é, quase todos não dizem nada, dizendo tanto quanto o próprio mote que lhes deu pretexto, esse mais do mesmo que nos embarga…

Vira o disco e vai tocando o mesmo, nesta semântica onde até falta retórica, que mais um ano será da tal ciência das relações de que falavam varas de loureiros, quando confrontados com as inconfidências dos robalos e mais pescarias do negocismo onde quem teve unhas é que foi à apresentação do livro de sócras, quando o menino era d’oiro…

Mais um ano de frustrações transformadas em invejas e persigangas para gáudio de pequenos hierarcas, adjuntos, assessores e acedentes, nestas sucessivas repartições do domínio do senhor ninguém, com que se disfarça o comunismo burocrático, onde o enquanto o pau vai e vem, folgam as costas…

“Quando chegamos ao fundo do poço, só nos podemos levantar. Tal como eu, já muitos portugueses viveram momentos bem piores do que este, nos anos 70 e 80. Os tempos que correm são sobretudo um poço psicológico, porque trata-se de ver cair por terra muitas das expectativas que as actuais gerações tinham em relação ao futuro.” (In Correio da Manhã)

“O que nos faz falta em 2011 é esperança e sentido de mobilização. Mesmo que surjam coisas piores, vai de certeza aparecer também um caminho alternativo. Porque vale a pena continuar a reinventar e refundar Portugal” (JAM, id. ib.)

Já agora, parafraseando o mestre, uma rede social unânime numa opinião ou num hábito não seria rede, seria gado…

 

Jan 01

Os máximos consensos comuns

Os máximos consensos comuns, em tempo de decadência, podem ser iguais a mínimos, isto é, dos que pensam baixinho, e são meros divisores comuns, logo, abaixo de zero. Quem quiser enfiar a carapuça, que interprete as novas sobre certos psicopatas sentenciadores, desses que sabem gerir os silêncios por nada poderem dizer… Diz o calendário que começou um novo ano, mas ele começou doze horas mais cedo no sol nascente e durou outras tantas até ao poente nascer de novo. Por mim, nem em reflexões de mudança consegui deter-me… Os seres humanos são mesmo estúpidos quando se enrodilham no abismo. Mesmo sabendo que ele nos leva à perdição. Há sempre um acaso procurado que nos retira do redemoinho, desde que a procura seja mais forte do que as pulsões de memórias por cumprir. Se o além nos determinou viver, há que cumprir nosso dever por dentro, passando o testemunho de missão. Com a raiva de continuar vivendo e com o prazer de cumprir as tais saudades de futuro. Não chega a submissão do sobreviver. Importa lutar para continuar a viver, como ensinou Saint-Exupéry que morreu tentando, sem desistir. Porque hoje é dia um do um do um. E porque muitos se perdem no nome dos dias da semana, confundindo as divisórias e as marcas do ter de fazer, ter de telefonar, ter de cartear, ou essemessisar… Porque hoje não apetece odiar nem desprezar. Vale mais descobrir o silêncio do que vir a saber que o inferno podemos ser nós. Há encontros, reencontros, desencontros, memórias e permanecentes cumplicidades. Mesmo para quem chega antes, ou depois, só porque estando na rua do mesmo tempo, não ousou bater à porta entreaberta…

Jan 01

Os máximos consensos comuns

Os máximos consensos comuns, em tempo de decadência, podem ser iguais a mínimos, isto é, dos que pensam baixinho, e são meros divisores comuns, logo, abaixo de zero. Quem quiser enfiar a carapuça, que interprete as novas sobre certos psicopatas sentenciadores, desses que sabem gerir os silêncios por nada poderem dizer… Diz o calendário que começou um novo ano, mas ele começou doze horas mais cedo no sol nascente e durou outras tantas até ao poente nascer de novo. Por mim, nem em reflexões de mudança consegui deter-me… Os seres humanos são mesmo estúpidos quando se enrodilham no abismo. Mesmo sabendo que ele nos leva à perdição. Há sempre um acaso procurado que nos retira do redemoinho, desde que a procura seja mais forte do que as pulsões de memórias por cumprir. Se o além nos determinou viver, há que cumprir nosso dever por dentro, passando o testemunho de missão. Com a raiva de continuar vivendo e com o prazer de cumprir as tais saudades de futuro. Não chega a submissão do sobreviver. Importa lutar para continuar a viver, como ensinou Saint-Exupéry que morreu tentando, sem desistir. Porque hoje é dia um do um do um. E porque muitos se perdem no nome dos dias da semana, confundindo as divisórias e as marcas do ter de fazer, ter de telefonar, ter de cartear, ou essemessisar… Porque hoje não apetece odiar nem desprezar. Vale mais descobrir o silêncio do que vir a saber que o inferno podemos ser nós. Há encontros, reencontros, desencontros, memórias e permanecentes cumplicidades. Mesmo para quem chega antes, ou depois, só porque estando na rua do mesmo tempo, não ousou bater à porta entreaberta…

Jan 01

Contra todos os rolos unidimensionalizadores

Não chega a submissão do sobreviver. Importa lutar para continuar a viver, como ensinou Saint-Exupéry que morreu tentando, sem desistir.

Porque hoje não apetece odiar nem desprezar. Vale mais descobrir o silêncio do que vir a saber que o inferno podemos ser nós.

Há encontros, reencontros, desencontros, memórias e permanecentes cumplicidades. Mesmo para quem chega antes, ou depois, só porque estando na rua do mesmo tempo, não ousou bater à porta entreaberta…

Contra todos os rolos unidimensionalizadores, hoje sou copta, nas vésperas do respectivo dia de Natal. Estou com o povo dos faraós, na cidade de Alexandre!

 

Dez 31

Os nossos estúpidos programas ditos educativos

Os nossos estúpidos programas ditos educativos, ao deceparem o chão da pátria e as estrelas do além são tão atarracados que até podiam ser traduzidos e aplicados numa ilha do Pacífico. Ao cederem ao unidimensional do educacionês, perderam a diferença que nos devia dar o universal.

 

Como repetia José Régio em “A Salvação do Mundo”, eles, os do educacionês, ainda não compreenderam que a letra mata o espírito. Crescer tem de ser crescer para cima e crescer para dentro. Logo, um indivíduo autónomo apenas tem de aprender a preencher um livro com as folhas em branco, para que seja um homem livre, capaz de decifrar o mistério de viver…

Dez 29

Velhas operações da cunha

Muitos desesperados chamam, às velhas operações da cunha , actividades congreganistas e maçónicas, especialmente quando a dita é elevada a manobra da nova sociedade de Corte, hierarquista e neofeudal, daqueles favores pequenos que, com favores maiores, se pagam, por mais místicas que sejam as protecções de adro, sacristia ou passos perdidos com que se recobrem… Esta fragmentação patrimonialista que destrói a política e o espírito torna-se mais patente em épocas de apodrecido fim de regime, como as da presente degenerescência, onde, como cantava o Mestre, não há lei nem rei, ninguém sabe que coisa quer, nem o que é bem, nem o que é mal… Não sei nada de grego, mas sempre digo: O problema é não haver indivíduos (de “indivisus”), porque, para que eles o sejam, tem que haver moral, a ciência dos actos do homem enquanto indivíduo, como ensinava Aristóteles. Quando se economiciza a “polis” ou a moral, quando se politiciza a economia ou o indivíduo, a resposta individual é aquilo que a velha ideia da anarquia mística sugeria: resistência, revolta, futuro! Porque, da Corte, homem não é, vale mais quebrar do que torcer (Sá de Miranda, em glosa). A moral não depende do observador. É coisa que apenas fica dentro do observador, mas só quando ele tem capacidade (auto), por si mesmo , de editar as própria regras (nomia). E o gosto íntimo de as cumprir, respeitando a autonomia do outro. Isto é, tendo o limite de, no espreguiçar os braços não esborrachar o nariz do outro (imagem de Holmes Jr., um velho filósofo do direito, norte-americano…).  Não há liberal à antiga que não tenha um anarca respeitoso dentro dele! A revolta é mais enérgica do que a revolução (Mestre Camus mo disse, num livro escrito no ano em que próprio nasci). Aqui chego com o sabor amargo de sentir no lombo as unhas arreganhadas do caceteirismo mastigóforo, o da inquisitorial sandice que me quer agnóstico, ateu ou de outra revelada pelo mesmo livro, quando apenas me confesso homem religioso, contra o fanatismo, a intolerância e a ignorância, mesmo a que apenas espera indulto de príncipe e nos sugere o estado de escravos voluntários. Por dentro de muitas coisas com figura humana, continua a besta do costume, nomeadamente as muitas traduções em calão de um puritanismo multinacionalmente fundamentalista que usurpa velhos símbolos de libertação e signos da energia pátria dos egrégios avós, heróis do mar. Detesto os reaccionários que não assumem a tradição e nos embalam com um absolutismo apátrida que edita santinhos e pagelas, enquanto disfarça a cobardia com hóstias embebidas em vinhedo, arrotando dejectos em forma de palavra. Há quem não alinhe no binário do respectivo manual de procedimentos e exorcismos… Apenas sou obrigado a responder-lhes quando eles me processam em nome do Estado e com os dinheiros do Estado, mas para benefício próprio da conquista e manutenção do poder, com o minúsculo dos compadres e comadres que se auto-reproduzem em abortos clientelares, a coberto das seitas do venha a mim o reino do regabofe, usando o Orçamento de Estado como barriga de aluguer. Que o ano seja Bom em vez do Mau. Basta não elevarmos a causa do estado a que chegámos à falsa categoria de Messias, mesmo que todos os dias se autoderribe do andor do estadão a que o levaram. Basta rasparmos o verniz altissonante que lhe recobre os pés de pau…

Dez 28

Meditações de ano mau, à espera de outro melhor…

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Muitos desesperados chamam, às velhas operações da cunha, actividades congreganistas e maçónicas, especialmente quando a dita é elevada a manobra da nova sociedade de corte, hierarquista e neofeudal, daqueles favores pequenos que, com favores maiores, se pagam, por mais místicas que sejam as protecções de adro, sacristia ou passos perdidos com que se recobrem…

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Esta fragmentação patrimonialista que destrói a política e o espírito torna-se mais patente em épocas de apodrecido fim de regime, como as da presente degenerescência, onde, como cantava o Mestre, não há lei nem rei, ninguém sabe que coisa quer, nem o que é bem, nem o que é mal…

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Não sei nada de grego, mas sempre digo: O problema é não haver indivíduos (de “indivisus”), porque, para que eles o sejam, tem que haver moral, a ciência dos actos do homem enquanto indivíduo, como ensinava Aristóteles.

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Quando se economiciza a “polis” ou a moral, quando se politiciza a economia ou o indivíduo, a resposta individual é aquilo que a velha ideia da anarquia mística sugeria: resistência, revolta, futuro! Porque, da Corte, homem não é, vale mais quebrar do que torcer (Sá de Miranda, em glosa).

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A moral não depende do observador. É coisa que apenas fica dentro do observador, mas só quando ele tem capacidade (auto), por si mesmo , de editar as própria regras (nomia). E o gosto íntimo de as cumprir, respeitando a autonomia do outro. Isto é, tendo o limite de, no espreguiçar os braços não esborrachar o nariz do outro (imagem de Holmes Jr., um velho filósofo do direito, norte-americano…).

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Não há liberal à antiga que não tenha um anarca respeitoso dentro dele! A revolta é mais enérgica do que a revolução (Mestre Camus mo disse, num livro escrito no ano em que próprio nasci).

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Aqui chego com o sabor amargo de sentir no lombo as unhas arreganhadas do caceteirismo mastigóforo, o da inquisitorial sandice que me quer agnóstico, ateu ou de outra revelada pelo mesmo livro, quando apenas me confesso homem religioso, contra o fanatismo, a intolerância e a ignorância, mesmo a que apenas espera indulto de príncipe e nos sugere o estado de escravos voluntários.

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Por dentro de muitas coisas com figura humana, continua a besta do costume, nomeadamente as muitas traduções em calão de um puritanismo multinacionalmente fundamentalista que usurpa velhos símbolos de libertação e signos da energia pátria dos egrégios avós, heróis do mar. Detesto os reaccionários que não assumem a tradição e nos embalam com um absolutismo apátrida que edita santinhos e pagelas, enquanto disfarça a cobardia com hóstias embebidas em vinhedo, arrotando dejectos em forma de palavra.

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Há quem não alinhe no binário do respectivo manual de procedimentos e exorcismos…

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Apenas sou obrigado a responder-lhes quando eles me processam em nome do Estado e com os dinheiros do Estado, mas para benefício próprio da conquista e manutenção do poder, com o minúsculo dos compadres e comadres que se auto-reproduzem em abortos clientelares, a coberto das seitas do venha a mim o reino do regabofe, usando o Orçamento de Estado como barriga de aluguer.

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Que o ano seja Bom em vez do Mau. Basta não elevarmos a causa do estado a que chegámos à falsa categoria de Messias, mesmo que todos os dias se autoderribe do andor do estadão a que o levaram. Basta rasparmos o verniz altissonante que lhe recobre os pés de pau…