Jun 04

Chamem a Elisa! Chamem a Elisa!

Estava um pobre cidadão liberal a pesquisar a sondagem da LSE, que confirma a nossa entrada em contraciclo político face à Europa, quando as televisões nos anunciavam que Vital Moreira saíra em ombros no Bolhão, pouco depois de Sócrates clamar pela Elisa e de algumas vendedeiras gritarem que só votariam no “fêquêpê”, quando o Pinto da Costa se candidatasse…

Se fosse cidadão do Reino Unido, votaria naturalmente Liberal Democratic Party. Cá não há nenhum da família. Na Suécia, iria para o Folkpartiet liberalerna, ou para o Piratpatiet. Cá também não há. Como não há os irmãos peninsulares do Partido Nacionalista Vasco, os holandeses dos Democraten 66, os italianos da Italia dei Valori, os franceses do Mouvement Démocrate, os alemães do FDP, os flamengos do VLD, etc., etc.. Estive com eles na reunião de Dakar. Não desisto de me livrar da tenaz do PPE e do PSE.

Entretanto, lá me caiu uma notícia do “Público”, onde um banqueiro “mailava” a um bancário, propondo para o BPN o modelo da FLAD, com os mesmos nomes e tudo, para descanso de Manuela Ferreira Leite, assim desmentindo Vital Moreira, dado que tanto o PS como o PSD (CDS) estão plenamente irmanados no tradicional rotativismo devorista. Porque quando, numa das secções da mesa do orçamento (nomeadamente da universidade e das negociatas dos emplastros), ou da economia privada (mas sem ser de mercado), um dos manos inimigos é dominante, sempre consegue, para o parceiro, uma lista de comensais carimbados, para o adequado rapar do tacho, de acordo com a velha tradição dos regeneradores e dos progressistas. E seja qual for o resultado eleitoral, nunca o partido que perder fica a perder tudo, assim se garantindo que os feitores e capatazes são inferiores aos verdadeiros donos do poder, finalmente denunciados… Garanto-vos que, por tudo isto, não irei votar nos regeneradores alargados nem nos progressistas. Abaixo o devorismo! Já não me levam nessa do voto útil…

Jun 04

Micro-autoritarismo. Sondagem

Mas hoje pouco me estimulam as voltinhas campanheiras, não porque tenha saído a primeira sondagem a dar a vitória ao PSD e muito menos por causa da pouco dialogante disponibilidade do professor Vital face a uma entrevista ao segundo canal da televisão pública, onde quase ameaçou abandonar o directo vindo de Paredes de Coura, só porque a jornalista Patrícia em suave insistência o interrompia, como ele costuma fazer diante de outros debatentes. Além disso, não me apetece voltar a tentar descobrir quem eu colocaria como líder dos emplastros de campanha, dado que uma ex-ministra do PSD tem sido pujante nas aparições de segunda fila, como as imagens aqui dispersas recordam e os arquivos confirmam. Infelizmente, não posso ainda dar detalhado testemunho dos pequenos sinais de micro-autoritarismo subestatal que ontem me chegaram, embora sejam surpreendentes os sinais de “out of control”, onde se misturam oficiais das forças armadas ao serviços de ministerialidades clandestinas, em inequívocas operações de pressão sobre carreiras de simples funcionários, para que eles não abram a boca, com mais graves jogadas ao contrário, isto é, com bandos de burocratas em autogestão, tentando ocupar o vazio de política, através de manobras de bastidores, totalmente desrespeitadoras do princípio do controlo político, em nome do poder dos funcionários e da tecnocracia dos pequeninos. Por outras palavras, o descontrolo que marca o ritmo dos operadores judiciários também atingiu outras zonas cimeiras da administração directa e indirecta do Estado. Os habituais catadores de mensagens que emito neste blogue, especialmente a bufaria que é paga pela persiganga, de que algumas vezes tenho sido vítima, que descansem o “tonner”! Não estou a falar de casos em que esteja envolvido, de forma próxima ou remota, pelo que não precisam de levar a habitual fotocópia ao chefe, ou a um dos seus aliados ou ex-aliados do campo fascista cobarde ou estalinista persistente. Disso, falarei a seu tempo, quando me apetecer inventariar as manobras do mandarinato, onde algumas coincidências das imagens deste blogue não são apenas fortuitas, até para poder utilizar uma expressão de Vital Moreira, que tanto tenho atacado, mas que continuo a respeitar, porque, mesmo com erros, tem a honra de levar o combate a todas as trincheiras, pensando pela sua própria cabeça. O sistema degradou-se mais por causa dos feitores e capatazes desta conspiração de avós e netos e é, nestes momentos de crepúsculo, que os habituais pescadores dos tempos de vésperas costumam lançar torpedos salazarentos e emitir as vérmicas golpadas de salão e corredores. O processo de desinstitucionalização em curso, com cenas de tragicomédia, apenas anuncia que todas as vidraças do sistema já estão estilhaçadas, depois da “Intifada” da presente campanha. Pedimos desculpa por estas interrupções.

Jun 03

Comendas e caricas de abertura fácil, para uso no festival super-rock das europeias

Com a campanha para as europeias a entrar na segunda metade das suas voltinhas a um Portugal que os candidatos e campanheiros fingem ainda querer conquistar, o pelotão continua quase compacto e o antigo camisola amarela,o PS, anuncia que existirá uma vitória se conseguir mais deputados eleitos do que o principal adversário. Daí que se compreenda o belo pé de dança que ontem envolveu Correia de Campos, Ana Gomes e Hasse Ferreira, confirmando-se novo desaparecimento de Elisa Ferreira. A tecla da roubalheira do BPN, mas sem referências aos falhanços do Banco de Portugal e com total silêncio sobre o esquecido BCP, na véspera de Dias Loureiro ir prestar declarações à PGR, transformou-se numa bandeira de Vital Moreira que ainda não nos explicou a razão que levou o ex-conselheiro de Estado a ser um dos principais apresentadores do livro de propaganda de José Sócrates, dito o “menino de ouro do PS”.

 

 

Já Paulo Rangel tentou ontem encenar uma pacificação com Luís Filipe Menezes e Pedro Passos Coelho, a qual aliás saiu pífia, enquanto Paulo Portas não conseguiu mobilizar a presença de Narana Coissoró e de Adriano Moreira, dado que Freitas do Amaral está, muito avençadamente, a recolher legislação para a revisão do regime jurídico das fundações e Manuel Monteiro anda em cruzada no Minho contra Mesquita Machado. Só o PCP e o BE parecem alentados com aquilo que Mário Soares escreve no DN: a União Europeia, dividida, sem lideranças que se imponham e sem rumo certo, está a ficar à margem, o que se repercute, negativamente, em todos os países europeus.

 

 

Mais certeiro parece ter sido Baptista-Bastos: Nada do que dizem Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Paulo Rangel, Vital Moreira ou Nuno Melo suscita a mais escassa emoção ou o mais módico entusiasmo. O pessoal a quem se dirigem não os conhece, ou mediocremente dá por eles. A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos “políticos” algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição.

 

 

O desfile de nulidades e de apparatchiks de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento, incrementa o rancor e não conseguiu, em 35 anos, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia.

 

Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar.

 

Também António Barreto foi à SIC-Notícias bisturizar a decadência, confirmando como os povos da Europa não são parvos quando se desinteressam por um parlamento europeu, entidade que não é quem efectivamente manda e explicando o nível de mercado do Bolhão que atingimos, tanto quanto ao degradante espectáculo dos chamados operadores da justiça, como com os principais responsáveis pela escola pública. E a cena parlamentar de ontem com batuque de carteiras, entre Maria de Lurdes Rodrigues e Ana Drago, apenas confirmou a esquizofrenia.

 

Como ainda há dias confirmava o Jorge Braga de Macedo, no contexto desta balança da Europa, a democracia do parlamento está definitivamente superada pela tecnocracia da comissão, enquanto nos interstícios regressámos claramente ao directório das potências, neste projecto europeu de muitas velocidades e outras tantas hipocrisias. Logo, não é um abstracto mais Europa que nos pode salvar deste ameaçador “out of control”, onde se vai tornar maioria absoluta portuguesa um tripé de esquerda propagandística, marcada pelo complexo arrogante da co-incineração, a de Sócrates, onde os outros dois pés de galo serão os cunhalistas não reciclados do “nacionalizado, nosso” e os ideólogos do “radical chic”. Por outras palavras, o país mais à esquerda da Europa soferá as agruras de desertificar os restos de meritocracia que o poderiam regenerar e entrará na loucura de um distributivismo que o fará entrar no contraciclo.

 

Daí que discorde radicalmente das propostas apresnetadas pelo senhor seleccionador nacional das comendas e mais condecorações. Logo, emito esta lista alternativa para as seguintes:

Antigas Ordens Militares:

 

 

Ordem das Cagarras

Jaime Matos Gama (Grã-Cruz )

 

Ordem do Dragão

Professor Jesualdo Ferreira (Grã-Cruz )

Senhor Pinto da Costa (Grã-Cruz )

Reinaldo Teles (Grã-Cruz)

 

Ordem de Sant’Iago Mata Mouros

Fátima Felgueiras (Grande Oficial )

Valentim Loureiro (Grande Oficial )

Isaltino de Morais (Grande Oficial)

 

Ordens Nacionais:

 

 

Ordem do Rei das Berlengas

Diogo Freitas do Amaral ( Grã-Cruz )

Roberto da Luz Carneiro ( Grã-Cruz )

Charles Smith ( Grande Oficial )

António Morais ( Grande Oficial )

Manuel Pedro ( Grande Oficial )

Roberto Carneiro ( Comendador )

Tio do Sobrinho ( Grande Oficial )

Filho do Tio do Sobrinho ( Grande Oficial )

Joe Berardo ( Grande Oficial )

Ricardo Salgado ( Comendador )

Paulo Teixeira Pinto ( Oficial )

Filipe Pinhal ( Oficial )

 

Ordens de Mérito Civil:

Maria José Morgado ( Grã-Cruz )

Pinto Monteiro ( Grande Oficial )

Marinho Pinto ( Grande Oficial )

Paulo Rangel ( Grande Oficial)

Vital Moreira ( Grande Oficial )

Nuno Melo ( Grande Oficial )

Miguel Portas ( Comendador )

Ilda Figueiredo ( Comendador )

Roberto Carneiro ( Comendador )

Jorge Miranda (Comendador)

Maria da Glória Garcia (Comendador)

Alberto Costa (Comnendador)

Procuradoria Geral da República ( Membro Honorário )

Porta voz do PS para o Trabalho Temporário (Membro Honorário)

 

Ordem da Instrução Pública

Maria de Lurdes Rodrigues ( Grã-Cruz )

Walter Lemos ( Grande Oficial )

Mário Nogueira ( Grande Oficial )

Roberto Carneiro ( Comendador )

Veiga Simão (Comendador)

Mariano Gago (Comendador)

Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (Membro Honorário)

 

Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial Classe do Mérito Agrícola

Jaime Silva ( Comendador )

Manuel Pinho ( Comendador )

Roberto Carneiro ( Comendador )

Oliveira e Costa (Comendador)

Dias Loureiro (Comendador)

 

posted by JAM | 6/03/2009 04:39:00 AM

Jun 03

Eleições europeias.

Com a campanha para as europeias a entrar na segunda metade das suas voltinhas a um Portugal que os candidatos e campanheiros fingem ainda querer conquistar, o pelotão continua quase compacto e o antigo camisola amarela,o PS, anuncia que existirá uma vitória se conseguir mais deputados eleitos do que o principal adversário.  O pessoal a quem se dirigem não os conhece, ou mediocremente dá por eles. A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos “políticos” algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição. O desfile de nulidades e de apparatchiks de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento, incrementa o rancor e não conseguiu, em 35 anos, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia. Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar. No contexto desta balança da Europa, a democracia do parlamento está definitivamente superada pela tecnocracia da comissão, enquanto nos interstícios regressámos claramente ao directório das potências, neste projecto europeu de muitas velocidades e outras tantas hipocrisias. Logo, não é um abstracto mais Europa que nos pode salvar deste ameaçador “out of control”, onde se vai tornar maioria absoluta portuguesa um tripé de esquerda propagandística. Por outras palavras, o país mais à esquerda da Europa soferá as agruras de desertificar os restos de meritocracia que o poderiam regenerar e entrará na loucura de um distributivismo que o fará entrar no contraciclo.

Jun 02

Pedofilia

De qualquer maneira, os melhores momentos foram vividos por um popular espontâneo numa serração, quando equiparou os campanheiros visitadores de certos locais de trabalho a padrecas e sacristães, abusando do latim vulgar, na caça ao voto, quando bem poderia citar Robert Brasillach e acusá-los de turibuleiros que perderam o sentido dos gestos, diante dos altares, em regime de papa-missas. Com efeito, a liturgia das campanhas, com as visitas a feiras e a lares de cuidados paliativos, aqui e além, com viagens rápidas numa caldeirada de traineiras, para, depois, se desperdiçarem em comícios encenados, com mais bandeiras do que militantes e muita música de fundo, tal liturgia ainda marcada pelo ritmo gregoriano, anterior ao Vaticano II, já não está de acordo com as novas circunstâncias do tempo, a não ser para a selecção das velhas glórias do PREC, que se ficaram quase todas pela Intersindical e pelo PCP, em ritmo de festas do Avante. Só que o PCP não é um partido como os outros, dado ter uma dimensão metapolítica, com memórias de ordem religioso-militar, como nos ensinava o Professor Agostinho da Silva. A única coisa comparável em autentiticidade e mobilização de massas às missas de Jerónimo de Sousa são as peregrinações a Fátima, com sermões de D. José Saraiva Martins, ou as visitas da imagem peregrina aos santuários da outra banda, quando a presente campanha, apesar de tratar de uma coisa nebulosa, como é esse objecto político não identificado (OPNI), chamado União Europeia, não consegue integrar os candidatos a missionários do rito no hábito desleixado que os não faz monges daquilo que precisávamos. Quem se fia na virgem e não corre pode ainda pensar no salvamento das qimondas pelos elogios ao magalhães e pela distribuição de rosários de chipes pela maria de lurdes, apesar dos protestos dos jacobinos professores segundo o batuque de mário nogueira. Só que a mesa do orçamento nacional e europeu já foi chão que deu cerdeiras e uvas, quando apenas se vislumbra que as novas videiras produzam amarelecidas parras para a futura tanga deste saudoso oásis à beira mar plantado. Quando voltarmos ao ano de 1917 e as revoltas dos abastecimentos levarem a novos assaltos às padarias da fome, mesmo que não chegue a pneumónica nem sidónio, todos poderão concluir que o nosso vazio de metafísica não será propício a novas aparições do além e novos segredos para a conversão da General Motors. O “software” do magalhães já perdeu o prazo de validade, mesmo que se vista de Vital Moreira ou de Paulo Rangel. Qualquer “hacker” pode piratear coisa melhor para um desses telemóveis de última geração, onde vamos brincando ao “nintendo”.

Jun 01

Conspiração de avós e netos

Os engenheiros de campanha, desde os fabricantes das miudezas do “agenda setting” aos angariadores de figurantes para as excursões dos comícios, passando pelos falsos catedráticos em recrutamento cívico e pelos eméritos salazarentos em golpadas de salão, todos estes especialistas em casca de árvore, ao ritmo da cansativa música celestial do vira-o-disco-e-toca-o-mesmo, por mais que promovam conspirações de avós e netos entre a gerontocracia dos coloquiantes, em seminarismo de verão e sermões de fim de semana da televisão pública, e a verdura teórica dos jotas da tradução em calão, não conseguem disfarçar que o vazio de causas ocupou os interstícios daquilo a que chamamos campanha eleitoral. Quando agora peroram sobre a roubalheira bancária que atingiu o irmão-inimigo do partido feito à sua imagem e semelhança, atirando pedradas às vidraças do vizinho, é natural que, ao chegarem a casa, encontrem as suas quebradas. Isto é, com tantas bombas de fragmentação, todos têm o corpo de campanha cheio de estilhaços, ao mesmo tempo que lançaram alguns dejectos sobre o Banco de Portugal e a Presidência da República, enquanto se continua a lançar lixo sobre ambas as magistraturas. A campanha que agora atinge o seu auge apenas confirmou que o aparelho de poder do principado continua a asfixiar a comunidade, ou república, confirmando-se a falta de autonomia da sociedade civil e continuando-se este processo de desinstitucionalização em curso. Mas o que aconteceu aos professores, quase se repetiu com magistrados, polícias, médicos, farmacêuticos e todos os outros grupos que escapavam às garras do hierarquismo da administração directa do Estado e que não liam pela cartilha do pensamento único. Os resultados estão à vista, com o crescimento dos apoios sociológicos ao Bloco de Esquerda e à continuidade do cunha lismo, transformando a república dos portugueses num caso “sui generis” de contraciclo na União Europeia, onde a jangada de pedra está a rumar cada vez mais para o estrondo islandês, dado que os nossos glaciares assentam cada vez na subsidiodependência de um voto marcado por uma visita a uma unidade de cuidados continuados de um “Welfare State” transformado em conspiração de avós e netos, entre a economia salazarenta  e engenharia subsidiocrática do socratismo, à procura do primeiro “Magalhães” que nos iluda e obtenha a concessão perpétua pela autarquia de mais um terreno gratuito para o alargamento da fabriqueta…


Mai 31

Em memória de Campos Lima e do anarco-sindicalismo místico

Certas palavras que exprimem conceitos são nomes que, na verdade, não correspondem à coisa nomeada. “Progressista” era nome de um dos partidos do rotativismo monárquico, extinto em 1910. “Radical” é o qualificativo assumido pelo actual governo britânico, de maioria conservadora… “Anarquista”, então, serve para tudo. Para que especialistas securitários falem em guerrilha urbana. Para que o centralismo democrático da Inter colabore directamente com a polícia que já teve como comandante Ferreira do Amaral. E, sobretudo, para que se insulte a memória da CGT e do jornal diário que emitiu “A Batalha”…parece um discurso racha-sindicalista! Por isso, fui reler em cumplicidade de coração os escritos, sonhos e memórias de Alexandre Vieira e Campos Lima, que retirei da estante, para não poder ser alheio à energia que brota do obreirismo e tem que que respeitar o esforço e a autenticidade da manifestação de sábado. O tipógrafo em causa era anarquista e jornalista de “A Batalha”. “A Batalha” era o jornal diário da central anarco-sindicalista da nossa I República. Pela respectiva redacção também começaram a escrever tipos como Ferreira de Castro (sim, o autor de “A Selva), ou o historiador santomoense Mário Domingues. Anarquistas destes, venham eles! Anarquista começou por ser esse belo poeta Afonso Lopes Vieira, sim o autor do poema do “A 13 de Maio na Cova de Iria”. Era do anarquismo místico que bebeu em Tolstoi, aquela mesma fonte a que nunca deixou de ser fiel um tal de Mahatma Ghandi… a polícia britânica chegou a utilizar a mesma adjectivação para nele malhar… Anarquista se continuou a qualificar Sampaio Bruno, como quase todo o socialismo utópico, na senda de Proudhon, sem o qual não havia Europa, federalismo, sindicalismo, socialismo democrático, comunitarismo e outras coisas mais, incluindo Salvador Dali, “anrquista, mas monárquico”… Uma coisa é a boa organização da última manife, com elogios devidos a PSP e a Inter, até na repressão de quem quis estragar esse acto cívico pelo violentismo. Outra é arranjar adjectivos insultuosos para as mais belas correntes de pensamento da Europa e do Mundo. Eu que não rejeito essas raízes, protesto! Democracia não é paz dos cemitérios, é institucionalização dos conflitos, é assumirmos convergências e divergências, em sucessivas emergências, sem nunca haver síntese do fim da história, mas novas convergências e novas divergências, em estádios de complexidade crescente, onde se cresce para cima e para dentro. Foi assim que olhei para a última manife. Para ver, ouvir e ler os sinais do tempo. Estamos enredados em fragmentos e nenhum dos fragmentos do país que se manifesta tem suficiente força para se assumir como dominante. Logo, quanto mais fragmentação, mais necessidade temos de negociação, para que se estabeleça um qualquer consenso mobilizador. A Inter demonstrou que é bem mais do que a percentagem do PCP em eleições e sondagens. Em lugar de continuar a ser, como nos tempos da Guerra Fria, uma correia de transmissão do Partido, talvez tenha transformado o PCP no seu braço político no parlamento. Isto é, voltou às duplas origens. CGTP-Intersindical tem a ver com a fundação do PCP em 1921. Na dissidência da central anarco-sindicalista, dita federação maximalista. Na criação clandestinamente concedida pelo marcelismo de uma semente coordenadora sindicalista, onde a maioria dos activistas até vinha da JOC (Juventude Operária Católica)… Tenho pena que a central alternativa, nascida contra a unicidade, a UGT prefira ser ministra do trabalho, contra a contestação e pela concertação. Precisa mesmo de conserto… A Inter pode não representar a esperança da maioria dos trabalhadores por conta de outrém, mas não era bom para Portugal que esta força viva não fosse escutada e contratualizada para bem de Portugal. Precisamos, urgentemente, de baralhar e dar de novo (“New Deal”), de um contrato refundador da democracia, ainda nos quadros deste regime! *Para os devidos efeitos de ficha policial, confesso o meu passado curricular sindicalista: activista de comissão de trabalhadores, sujeito a despacho proibitivo de declarações públicas pelo senhor ministro, por acaso chamado António Barreto, então do PS; candidato à direcção do primeiro sindicato da função pública que só foi vencido pelo PCP porque o PS não conseguiu livrar-se dos trotskistas que o enredavam, apesar dos esforços unitários de António Guterres; fundador de um sindicato da UGT, ainda em actividade. A foto é de J. E. Campos Lima, saneado, por persiganga política, da Faculdade de Direito de Lisboa, mas autor de uma bela tese que editou em 1914: “O Estado e a Evolução do Direito”. Confesso também que já fiz várias greves, mesmo as declaradas pela Inter. Numa das últimas, já catedrático, fui o único da minha escola e até tive de apresentar requerimento formal…

Mai 29

Campanha Pimba

Campanha Pimba

Porque em Portugal continua a ser impossível a emergência de um grito de revolta liberdadeiro, como se expressa no chamado partido pirata da democracia sueca (http://www.piratpartiet.se), sou obrigado a sorrir entristecidamente com a polémica que rodeia o imposto “vital”, quase tão nebuloso para as massas que vão às feiras, quanto o testamento homónimo que o parlamento aprovou.

Noto que, na verdade, já pagamos impostos europeus, sem qualquer clandestinidade, desde a hora da adesão. Porque toda transferência de soberania para uma comunidade política supra-estadual implica a inevitável democracia fiscal desta, apenas lamentando não haver um adequado imposto mundial que bem poderia incidir sobre as transacções bolsistas, conforme propostas de um prémio Nobel. Um qualquer federalista ou um qualquer adepto de certos segmentos de república universal não pode desejar outra coisa, caso não padeça do pecado da hipocrisia.

Claro que o Professor Vital, ao pisar o risco dos qualificativos serenos e ao confundir o partido concorrente com as zonas de roubalheira, ficou tão excitado que até trocou o Leste com o Oeste alentejanos dizendo que as Minas de São Domingos são as de Aljustrel, talvez porque no subconsciente estavam as dos romances do volfrâmio de mestre Aquilino Ribeiro, que até rimam com Cova da Beira. Naturalmente, o adversário chama um figo a esses jogos florais e, com o verrinoso da Foz do Douro, mas sem pronúncia à moda do Norte, replicará com nova facada verbal, para que Manuel Alegre conclua, e muito bem, que nenhum deles está a querer discutir o mandato para a Europa que pedem ao povo. Por estas e por muitas outras, somos obrigados a concluir que esta campanha não tem passado de um péssimo filme de série B, dependente das cenas de outras longas metragens, desde o BPN ao abortado parto da eleição do novo Provedor de Justiça, neste mais do mesmo que nos vai minguando em entusiasmo cívico.

Mai 28

Cavaco e o pés de barro do cavaquistão, ou de como nos começamos a ver livres de certa tralha

Dias Loureiro não é Cavaco Silva. Tal como Cavaco Silva não se confunde com um qualquer dos seus apoiantes. Ou com a soma dos membros da respectiva comissão de honra, na sua última candidatura. Aliás, o lugar de Dias Loureiro dependia da confiança do Presidente. E a confiança pública que tem de se dar é ao espaço do poder do Presidente. Logo, a entrada e a saída do Conselho de Estado não dependem da opinião pública. Até porque se Dias Loureiro se mantivesse no Conselho, tudo aquilo que era para criticar em Loureiro recairia naturalmente em Cavaco Silva.

 

Loureiro deve estar de consciência tranquila, de acordo com uma expressão que, de tanto se gastar pelo mau uso, já não tem o sentido de autenticidade dos gestos. Porque nem tudo o que lícito é honesto, de acordo com o conceito do “honeste vivere” do velho estoicismo romano, um dos três pilares da justiça, ao lado do “alterum non laedere” e do “suum cuique tribuere”, coisa que no primeiro ano jurídico era muito bem ensinado por Sebastião Cruz nas aulas de direito de Coimbra, que deveriam ter sido assistidas por todos os nascidos em 1951, como eu.

 

É evidente que Presidente também deve estar em desconforto, porque certamente está melhor informado do que os cidadãos comuns e é particularmente conhecedor da metodologia típica de Loureiro. Mais nada. Não foi o presidente que conheceu El-Asir através de almoços, jantares ou lanches com Bill Clinton, ou o rei de Espanha, nem também foi o presidente que elevou tais circunstâncias das revistas cor-de-rosa a discurso de defesa diante do parlamento. O presidente é de Bloiqueime, mas não é tão provinciano, embora não tenha gostado de o ver ontem a falar ao país com o antigo candidato Joaquim Ferreira do Amaral em fundo.

 

Contudo, PS e PSD são irmãos-inimigos, para o bem e para o mal. O bloco central de interesses, ao permitir a criação destas plataformas giratórias entre o negocismo e a politiqueirice dá uma péssima imagem da classe política e a única solução não é a do populismo falsamente moral, mas antes a de um arrependimento que seja sincero, vindo dos principais partidos, os tais que deveriam promover um novo contrato social voltado para um adequado código deontológico, onde pedissem perdão ao povo pelas degenerescências a que deram guarida.

 

Não é solução o habitual truque das campanhas eleitorais. Como a de colocarmos o BPN como o inverso do Freeport, ou justificarmos o cavaquistão com os negócios de Macau do soarismo. Cavaco deveria ser o primeiro a denunciar o cavaquistão e o PS a livrar-se de certas tralhas reais da sua efectiva história. De outro modo, continuaremos a silenciar o caso BCP, correndo o risco de muitos outros BB nos explodirem numa próxima curva do caminho. E entre uns e outros venha o diabo e escolha.

 

E o presidente da república deveria ser solicitado pela partidocracia para um urgente acto de regeneração. Julgo que a maioria dos dirigentes dos principais partidos está de acordo com a liquidação deste estado a que chegámos. E tal passa mais por uma atitude do que por novas e velhas leis e novos e velhos magistrados…

Mai 28

O regresso de um artista português em tempo de queda dos anjos

Toda a  classe política e toda a classe dos homens de negócios ou da futebolítica suspenderam as respectivas actividades, como se tivessem que assistir em directo ao final de um mundial de futebol em que participasse a selecção de Madaíl. Nem uma conversa em família de um qualquer presidente da república teria este “share” qualitativo onde um novo herói ou velho artista português documentou de forma tão expressiva uma sucessão de queda dos anjos. O triângulo simbólico desta imagem a preto e branco é um excelente revelador das presentes circunstâncias, onde o bem tem pedações de mal, tal como o mal, amplas manchas de bem. Mas quem ousar atirar pedradas   às vidraças do vizinho do Bloco Central, pode chegar a casa e achar as suas quebradas. Os pés de barro do cavaquistão tornaram-se patentes, mas sem nunca termos visto em directo a terra do leitinho com mel do soarismo, porque não funcionavam da mesma maneira as comissões parlamentares de inquérito aos passaportes, aeroportos e malas com dinheiro de Macau, porque as memórias de rui mateus são infames e de má vingança, embora também por lá o mal tenha tido pedações de bem e o bem se misturasse com financiamento de campanhas eleitorais e belos investimentos em empregomania.  Reduzir os contonos do BPN a mero assimétrico do Freeport e nivelar os irmãos-inimigos do Bloco Central de interesses com muitas viagens à terra dos alibábás é não repararmos que a economia real tem muitos contornos de capitalistas à antiga, com pouca ética protestante e muitos bolsos cheios de dinheiro fresco, onde circulam outros tantos políticos e jornalistas desempregados à espera de uma avença. E feitores de ricos, feitos capatazes, ou sonhadores activos de projectos típicos de um  Portugalório das minúsculas com a mania das grandezas, tudo dava um excelente romance de costumes, onde, na primeira parte, poderíamos colocar a ascensão e queda da Universidade Moderna.  Os capítulos seguintes poderiam passar pela autobiografia de muitas campanhas eleitorais ou pelo sistema de avença de ex-ministros, reconhecendo que já antigamente eram as faculdades de direito que institucionalmente faziam as leis e que, agora, os ministros têm que recorrer a catedráticos em “outsourcing”, depois de eles terem sido ministros dos governos que os nomearam, para que o intelectual passe a intelectuário, especialmente se ele for francamente dotado no pagamento de dívidas de campanhas presidenciais. Mas sem deixarmos de incluir sobreiros abatidos e submarinos em águas profundas, muitos sobreiros, algumas companhias de águas, cervejas e refrigerantes colando cartazes de camapanha eleitoral ou magníficas instalações de pias instituições que nasceram de contrapartidas pela deslocação de campos de futebol legados para a regeneração da juventude pelo desporto e a beatice.