Fev 16

Há mudanças necessárias em Portugal

Há mudanças necessárias em Portugal que se fazem em menos de uma semana. Bastam meia dúzia de decretos, à Mouzinho da Silveira. Como foi no governo da Regência de D. Pedro, no Governo Provisório da I República e nos seis governos provisórios de Abril. Desde que não voltem os devoristas e que reforme quem sabe e pode viver como pensa. O que falta é coragem e um mínimo de patriotismo científico, capaz de nos livrar da permanente conspiração, reaccionária ou revolucionária, de avós e netos, com a geração da ditadura da incompetência como intermediária. Os bonzos não o conseguirão, mesmo que recrutem os endireitas e os canhotos do costume.

Uma coisa é a “révolution d’en haut”, a decretina, vagamente despótica, que se diz iluminada, outra o finge que muda para continuar tudo na mesma, com música celestial e discursos de fazerem chorar as pedras da calçada. Outra é mudar mesmo. Há quem não deixe, porque, em nome do poder pelo poder, o conquistou, o vai gerindo clientelarmente e não quer sair de cima nem fazer, ou saber. O feudalismo só acaba quando se extirpam as raízes da bandocracia, bem como as formas doces de compra do poder, extinguindo as pequenas cortes das guerrazinhas de homenzinhos que se julgam eternos, só porque os serviçais todos os dias os engraxam.

O conluio de patos bravos, banca e partidocracia, explorando o desejo de cada português ser proprietário de uma casinha não só nos endividou como agravou a hipótese de um mercado mínimo de arrendamentos prediais. O congelamento dura há mais de cem anos, uma herança da I República que o salazarismo manteve e o abriríamos reforçou. Logo, não há hipótese de qualquer regresso a um mercado que nunca houve, sem a instauração de condições que o permitam. Entre os remediados, vítimas da gleba hipotecária e os pobres, ameaçados pela fome, há todos os sinais de potenciais revoltas do desespero que pode tornar-se no calcanhar do presente Aquiles.

Os náufragos agarram-se todos aos restos de tábua, mas arrastarão na corrente os palermas que continuam a confundir o poder com a autoridade. Esta só a tem quem é autor. Não quem é mero actor ou simples auditor.

Portugal está doente. E todos os dias, em todos os grandes jornais do mundo dos grandes, há quem, não nos conhecendo, faça diagnósticos e aponte terapêuticas, para que aqueles que nos desgovernam há décadas continuem cata-ventos, delegados de propaganda médica, caixeiros viajantes e vendedores de banha da cobra. O único remédio para a cura é livrar-nos de tais curandeiros.

Fev 15

Farpas

Ouvi ontem o sotaque beirão de um homem certo num lugar errado. Um excelente juiz que o sistema obrigou a aventuras mediáticas onde é fácil determinarmos que não foi com ele que ocorreram as coisas que ele disse ter iniciado. Eu preferia um servidor público que, a nove meses do respectivo limite de idade, não fizesse epitáfios nem mandasse recados para os grupos de pressão que o minimizam como situado nas circunstâncias. Por outras palavras, este não é o estilo do necessário herói que a república precisa no lugar. Precisamos de um eu e não de um ego, rodeado de outros egos e egas…

A vontade de poder, o amor do poder e o poder pelo poder, a dois ou três anos do limite dito da idade, em quem tem angústia pela finitude e faz dos cargos uma história que quer contar aos netos, ou antevê uma perpetuidade dentro da coisa num outro cargo pode levar a que os jogos que ele controla saiam todos endogamicamente viciados, sobretudo quando encheu a coisa de amigaços, clientes, cunhados e jovens viúvos ou viúvas, todos donos da casa desesperados. O contribuinte é que paga e a instituição dita pública corre o risco de assim ser clandestinamente privatizada. O filme está, neste momento, a correr em muitas e variadas salas desta decadência com muitas troikas…

Adoro aquela retórica que se diz contra a retórica, uma retórica tão boa que até parece não ser retórica, onde a palavra, puxando a palavra, finge que faz acção. Porque, entre a teoria e a prática, tudo é praticamente teórico, quando não é teoricamente prático. Há séculos que nos enrodilhamos nesta armadilha de sermão, para que, dizendo eu que faço, possa ficar no vértice do argumento de autoridade, dizendo, do outro, que ele não presta, porque não faz, quando, muitas vezes, quem tem o poder, isto é, o monopólio da palavra, apenas a usa para não deixar o outro concorrer e, portanto, fazer. O bom saber, caso não seja fazer, é papagaio de papel. Há muitos operacionais do situacionismo que adoram transformar os conceitos em preceitos.

Se ninguém morre se a Grécia sair do euro é porque, um quarto de hora antes de morrermos, já estamos todos mortos, mesmo que digamos sermos “encore vivants”. Pobre Europa semovente, para que Merkel, Sarkozy e o restante PPE não percam eleições.

Um determinado senhor pede que eu seja erradicado de uma associação de que não faço parte. Agradeço o esforço, mas a sítios que ele pensa ser dono, sou costume ir por convite, precisamente para ele não me erradicar. Um problema de hospitalidade e de boa educação. Ou melhor, de berço.

 

Fev 14

Farpas 14 Fevereiro de 2012

Moody’s … É o nome que darei ao próximo rafeiro que adoptar. Desde que ele não me encha de lixo.

Até para o afastamento de um falso D. Sebastião há sempre literatura de justificação com a adequada teoria da conspiração. Um problema de mera ciumeira em dia de São Valentim, como se a suspeita de adultério pudesse ser invocada como justa causa. Afinal a Troika é um clube de reservado direito de admissão, mesmo que a bisbilhoteira seja de consabida má fama. Até exige ruinosas comissões pelas visitas aos túneis dos horrores.

Quem não for pela obediência à troika não será um bom português? E quem for a favor do reajustamento? E haverá algum? Ou seremos todos um “tertium genus” entre os coitadinhos e os piegas? Posso submeter-me para sobreviver, mas tenho de lutar para continuar a viver.

A história é o género literário mais próximo da ficção, pelo que as teorias da conspiração são como os prognósticos depois do apito final, são sempre confirmáveis, mas “a posteriori”. Até ao epílogo, há sempre uma série de acasos, alguns deles cómicos, funcionando apenas os acasos procurados pela vontade de quem tem princípios expressos através da mistura de entusiasmo mais pensamento. Mesmo que se perca. Aliás, a razão da força raramente é derrotada pela força da razão, mas, às vezes, acontece, desde que se saiba dar força à esperança.

O destino de um “whig” é como o de um “girondin”. Os “tories” consideram-nos jacobinos e estes utilizam contra eles a guilhotina, acusando-os de “contra-revolucionários”. Eles, como liberais, contra o construtivismo das revoluções, apenas querem uma revolução evitada, isto é, querem conservar o que deve ser, com metodologias reformistas e objectivos revolucionários. Apenas são velhos liberais, contra “neocons”, “neolibs” e revolucionários frustrados, incluindo os que se transformaram em situacionistas. Detestam as “révolutions d’en haut”, incluindo as dos déspotas esclarecidos, a partir do ministerialismo.

 

Fev 13

Farpas 13 de Fevereiro de 21012

Os gregos, mais uma vez, deram o triste espectáculo de um protectorado entretido com a procura do inimigo interno, depois de chafurdarem em abundantes teorias da conspiração. O jogo de activistas incendiários contra os polícias, onde a ordem que estes defendem está ao serviço de uma vontade estranha, é o melhor revelador da desadequação de uma aritmética parlamentar face a uma geometria social. Isto é, mais uma vez quebraram a espinha à Grécia, nesta invasão doce, para a integrarem num império administrado por governos de espertos.

O major português Luís Quilinan, residente em Londres, protesta contra o deputado de Manchester, Jacob Bright, que, no parlamento britânico, chamara a Portugal uma pequena Turquia, difamando os funcionários portugueses como ignorantes e corruptos: “Portugal é uma potência europeia que fez bancarrota de todas as qualidades que poderiam torná-la digna de respeito e confiança”. Quilinan desafia Bright para um duelo e, em Portugal, há grande mobilização de apoio a essa atitude, sendo-lhe oferecida uma espada de honra (4 de Abril de 1883).

Credores internacionais propõem que Portugal seja gerido por uma comissão internacional. Ribot, chefe do governo francês, em discurso parlamentar, fala numa intervenção colectiva de todas as potências interessadas (1892).

Hoje, a questão grega foi suplantada pela chicotada psicológica da falta de paciência e da emergência de Sá Pinto. Serão horas e horas de tempo de antena, a que assistirei com curiosidade. Qual Grécia, qual Turquia!

Não respondo a agentes provocadores. Mesmo que eles insistam. Nem os apago. Benvindos!

Fev 02

O patriotismo oficioso, discursalmente ministerialista, começa a cheirar a balofo

O patriotismo oficioso, discursalmente ministerialista, começa a cheirar a balofo, reumaticamente retórico. Mesmo que referendado por ex-ministros vitalícios. Chateiam.”
Uma associação de sargentos ou oficiais quando se passeia no Terreiro do Paço com uns cartazes faz uma manifestação de pressão. Um grupo de ex-chefes da tropa ou das polícias, quando se reúne com ministro numa refeição com televisões a transmitir, faz uma manifestação de massas de elites e também faz pressão. Ambas causam impressão. Isto é, brincam com o fogo.”

Antigamente havia comissários e altos comissários, agora vamos ter supercomissários, esses pilares da ponte do tédio que vai daqui para a troika. Não está na constituição, mas também não é inconstitucional. A outra margem ainda paga portagem, apesar da ponte já estar paga.”

Os nossos economistas já não sabem nada de economia de guerra. Os chineses sabem. Os angolanos também. Um dia de guerra custa mais que não sei quantos dias de greve geral. Elogiar Pequim e Luanda é não sabermos nada de contabilidade humana, sobretudo para com os sofreram o mal absoluto.”

Odeio ser tratado como colónia, protectorado ou mera gleba em servidão. Começo a sentir vontade de libertação nacional.”

Os tincos tancos dos conselhos de notáveis são cada vez mais exíguos com seus exangues que procriam discursos enlatados há décadas. Benza-os a divindade da espuma!”

O direito tanto não é lei que até há leis injustas e como tal podem ser declaradas pelos tribunais. Aliás, até o direito posto não é apenas o decretado pelo aparelho de poder do Estado, e já nem sequer é o nosso, dado que, pela constituição, ele se abriu ao que dantes se chamava direito natural. É assim há séculos, entre os civilizados. Até nem sequer é lei o que o príncipe diz e este está sujeito à própria lei que faz. Ministro é minis, isto é, menos que magistrado, de magis.”

A lei deve obediência ao direito. Pena que antigos ministros da democracia ainda julguem que o Estado de Direito é um Estado de Legalidade e que esta se confunda com o decretino. A nossa ditadura era assim. Temo que cheguemos ao “tertium genus” da democratura.”Este nosso ministro é de uma cartesiana clareza. Ficamos iluminados com esta liderança de divinal criacionismo. Yes, minister!”

Infelizmente, sinto-me colonizado.”

Eu gosto que o delegado do FMI em Lisboa diga bem do modelo Gaspar. Que o Oli Rehn nos elogie. Que a China e Omã comprem o que pusemos em leilão. Que Angola queira investir. Etc. Sem qualquer ironia. Pode ser que até ao fim do ano me devolvam parte da extorsão que me fizeram pela via fiscal.”

“Quanto mais além, mais além ainda” (Paul Claudel, “O Livro de Cristóvão Colombo”)”

 

Somos o frio mais quente da Europa, diz um meteorologista. Até somos um protectorado que quer ser bom aluno e continuamos a navegar como um jangada de pedra, agarrados aos penedos e à vista de costa.”

Um problema dos outros a nosso respeito e a nosso respeito. Até me lembra que num dos grandes casinos de Macau, os chinocas, em nossa homenagem, queriam pôr uma cena em tridimensional, com as aparições de Fátima. Lá lhes explicaram que não, que valia mais o Eusébio e a Amália. Ficou o bacalhau mais o pastel de nata, na cozinha. Embora, na altura, estivesse na moda a Água do Luso que, em Pequim, diziam ser afrodisíaca.”

Boa ideia. Jorge da Silva Paulo. Nem mais um dia organizado e obrigatório, de todas as instituições, incluindo o Exército, as Universidades, as Regiões, a Força Aérea, os Tribunais, as Autarquias, e a Marinha. Claro que era absurdo meter tudo no dez de Junho. Mas ficava mais barato. Até para evitar os discursos do costume.”

Há uma enorme distância entre o conservador do que está e o conservador do que deve ser. O primeiro é situacionista. O segundo é regenerador. Um está. O outro quer continuar a ser. Até para nascer de novo.”

 

Quem despacha nove século de história com um comunicado do Conselho de Ministros apenas merece que se mantenha a lucidez de parecermos ingénuos. Nunca o sermos parvos. Como diria Fernando Amado, nada como um pigmeu na cabeça de um gigante.”

A poesia das leis fundamentais sempre foi mais verdadeira do que a pretensa história, no sentido de mais filosófica (estou apenas glosando Aristóteles).”

Como sou mesmo tradicionalista, fiel às leis fundamentais, se, alguma vez pudesse ser eleito procurador do povo em Cortes Gerais, gostaria de eleger um rei, conforme a constituição política expressa por João das Regras, nas de Coimbra de 1385, depois de serem restauradas as Actas das Cortes de Lamego, conforme as Cortes da Restauração, de 1641. Podíamos e devíamos manter o nome de República, mesmo…

Um bom tradicionalista português é o exacto contrário de um reaccionário. Tem saudades republicaníssimas do consensualismo pré-absolutista, o da fibra multissecular que nos deu resistência e sabe perfeitamente distinguir os nomes das coisas nomeadas. Detesta todas as tiranias, desde as do despotismo ministerial com rei, às da república com ditadura, incluindo a daquele chefe de governo que um dia disse que gostava de ser primeiro-ministro de um rei absoluto. Um tradicionalista que quer conservar o que deve ser vive menos na utopia do passado e mais nas coisas boas do presente que nos podem regenerar.”

Sobre os feriados, invoca-se a concordata, mas nada dizem sobre aquele contrato de gerações, de que fizemos pátria. Este compromisso, dizem eles, os que se julgam porta da voz, pode ser revogado por uma conferência de imprensa, a três. Dois são ajudantes de sacristão.”

Álvaro faz comunicação ao país sobre o fim das memórias oficiais de João Pinto Ribeiro e Machado Santos. O escudo nacional em fundo nem se mexeu com esta comunicação do estadão, o tal que nem deve saber que as doze estrelas estavam no signo do quinto império do Padre António Vieira.”

Há coisas que nem é preciso desmentir. Bastaria pegar no mesmo telemóvel com que me questionaram ainda uma semana antes para cumprirem aquilo que poderia ser confirmado ou desmentido. Não pode um tipo escrever publicamente um artiguinho sobre “A corrupção como problema moral” num periódico intitulado “Revista da Maçonaria”, de cujo conselho editorial sou publicamente membro.”

Já uma vez me fizeram ministro, da defesa e tudo, num governo anticavaquista de 1985, tal como agora me transformaram em caçador, eu que nem tiros sei dar, em coisas tão secretas que nem eu próprio sei. Não pode um tipo escrever sobre tal venatória, como o faz há décadas, que logo o fazem ascender a comichões que causam crispações. Valia mais testarem a fonte e não darem guita aos gambozinos. Vou continuar a ler a “Arte de Furtar”, no capítulo das manobras de diversão.”

Abaixo o terrorismo. Incluindo o terrorismo de Estado, sobretudo quando se disfarça de terrorismo da razão. Com música celestial e literatura de justificação.”

Os pretensos brandos costumes fizeram-nos dos mais magnicidas do mundo. E as vontades suicidas continuam a empolgar os sectários. Já chega.”

 

Só há luz quando há trevas. Hoje, basta pensar em muitos mártires, de D. Carlos a Humberto Delgado, de D. Luís Filipe a Gomes Freire, de Machado Santos a Sidónio, de J. Carlos da Maia a Machado Santos. 1817, 1908, 1918, 1921, 1965. Os assassinos são sempre os mesmos. A começar pelos que não os respeitam.”

Como hoje se recorda amargamente o assassinato do rei, nada melhor do que não desejar o republiquicídio. O rei foi morto pelos monárquicos, bem antes do regicídio. Para, depois, os falsos republicanos matarem a república por morte lenta. Como os democratas de hoje, impedindo que a democracia funcione com o próprio povo que dizem servir.”

Não estou apelar a um golpe de Estado que é tecnicamente impossível. Nem a um tumulto. Basta um acordo de regime para um novo contrato social. Isto é, um presidente, os principais partidos, sindicatos e forças morais, com os grandes e tradicionais corpos do Estado, os armados, os universitários, os mestres-escolas e os magistrados, com os funcionários a dignificar e os empresários a ajudar.”

Já tivemos Estado velho, Estado novo, Estado a que chegámos e Estado exíguo. O Estado não passa de uma forma substantivada do verbo estar. Não é. Mesmo quando somos cada vez mais um Estado falhado. Quando isto acontece, só há uma solução: acabar com a subversão vinda do Estado-aparelho de poder e chamarmos o Estado-comunidade. Isto é, pormos o principado ao serviço da república. Se ainda houver povo.”

Consta que o governo já encarregou uma agência de comunicação de emitir versões em inglês e alemão da cerimónia de abertura do ano judicial, a ser remetida a vários ministérios das finanças, para assim demonstrarmos a nossa capacidade reformista. Em anexo, as reacções do nosso presidente sobre os 1 300 euros de reforma. Ou de como o país dos compadres e das comadres padece de grandeza de tornozelo torcido.”

Ontem foi o principal jornal da City. Hoje, o equivalente alemão. Vozes de certos donos do poder da geofinança. Expressam os grupos de pressão que se manifestaram em Davos que nos querem protectorado a longo prazo. Não sabem o que é uma pátria, muito menos o 1 de Dezembro e o 5 de Outubro. Se formos em tais análises do fiado, a longo prazo, estaremos comunitariamente mortos no curto prazo, mesmo que tratem alguns dos nossos ministros como exóticos bons alunos, com direito a palmas e a beijocas.

Fev 01

As palavras que denunciam o estado a que chegámos já foram todas discursadas

As palavras que denunciam o estado a que chegámos já foram todas discursadas. Continua a haver uma enorme distância entre aquilo que se proclama e aquilo que se pratica. Os discursadores não presidencializam, não ministerializam nem magistralizam como aquilo que dizem pensar. Por mim, apenas espero que venham umas criancinhas, representando o poder dos sem poder, que façam adequado furo no ovo e o voltem a pôr de espinha não torcida, em cima da praça do povo.

Pelo menos 73 pessoas morreram e centenas ficaram feridas na sequência de confrontos registados hoje em Port Said, no Egito, no final de futebol entre o Al-Ahly, treinado pelo português Manuel José, e o Al-Masry. A PSP registou, durante o ano passado, 2.872 casos de idosos encontrados mortos em casa. Os casos dizem respeito a pessoas com 60 ou mais anos, que morreram em casa sem qualquer tipo de assistência médica e que foram descobertas pela PSP, muitas vezes em conjunto com outras autoridades. Telegramas de hoje.

 

Jan 31

Farpas 31 de Janeiro 2012

Cavaquistas, soaristas e outros istas, seus satélites, não passam de ausentes-presentes. Desses que não fazem nem saem de cima da música celestial. Adiaram as decisões que a minha geração devia ter tomado. Que não tramem a próxima. Sejam pós-cavaquistas, pós-soaristas, pós-socráticos, pós-passistas. Assumam que não é a história que faz o homem, mas o homem que faz a história, mesmo sem saber que história vai fazendo.

Cavaco quer compromisso de regime (não citou a senhora D. Maria II que está farta destas cerimónias e até recorda que morreu a dar à luz). Paula da Cruz reconhece que não precisamos de fazer revoluções (devia estar a pensar no seu antecessor Costa Cabral). Marinho observa que, na política, há mentira, demagogia e irresponsabilidade (o bastonário não tem espelho). Pinto Monteiro diz é preciso dar à política o que é da política e aos tribunais o que é dos tribunais (resta saber se a alguém pertencerá tudo, se a césar, se ao Deus dará). Era melhor não haver mais aberturas no que não tem começo nem fim.

Presidenta do parlamento, depois de tanto Beccaria, o marquês e não as becas, evidentemente, foi de taliónica em penário e não teve tempo para comentar estes 250 euros, por 25 de polvo mais champô.

Quanto maior é o sectarismo, maior é a fragmentação fratricida. Até se entra na casa do parente e se abusa da intimidade familiar, chamando-lhe inimigo, em berraria de abuso, só porque se sabe que o dono da casa não faz o mesmo ao abusador.

Jan 31

Almeida Garrett

“Os indivíduos morrem; depois da morte vem a justiça, e começa a imortalidade das famas honradas. Eu não sou materialista religioso nem político, espero salvar a minha alma em Jesus Cristo, e o meu crédito na lembrança dos Portugueses: nessa esperança certa de ressurreição adormeço tranquilo ao som dos uivos infernais com que presumiam fazer-me desesperar nesta hora que cuidaram de morte.
Mas não é assim das crenças e opiniões políticas; essas não morrem, essas precisam desagravadas em vida dos que a professam, e por isso as vim hoje defender, e aos meus irmãos em doutrina, dos traiçoeiros ataques de seus inimigos. Por mim, ladrem todas as três gargantas do cão infernal, que nem me importa açaimá-lo de força, nem uma sopa lhe hei-de deitar para lhe calar um latido.
Como cidadão nunca renunciei um direito, nem que me custasse a fazenda, a vida, a pátria: tenho-o provado nos cárceres, no exílio, na miséria…
Como súbdito nunca faltei a uma obrigação: e não menos duramente asselei a minha lealdade…
Como português, nem um pensamento leve, momentâneo, – chegou a cruzar-me ainda no cérebro, de que não possa vangloriar-me à face do mundo…
Como funcionário público, quis minha boa estrela que ainda não estivesse em lugar a que pudessem chegar nem as suspeitas da inveja…
Fraco homem de letras sou, não presumo delas; mas nunca prostitui a minha prosa numa mentira, os meus versos numa lisonja… Falem esses opúsculos que a Nação portuguesa ainda tem a indulgência de ler.” (deputado Almeida Garrett, em 8 de Fevereiro de 1840)

Jan 30

Farpas de 30 de Janeiro de 2012. Sob o signo de Gomes Freire e da maçonaria

“Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las” (Alexandre Herculano, que repito, sempre).

Como hoje afirmei: nos últimos dois séculos, os tradicionais centros de memória e de valores que deram autonomia e identidade à comunidade nacional passaram pelo patriotismo científico das universidades, das igrejas, da maçonaria, dos grandes corpos de Estado e das forças armadas. Quem quiser decretinizar, apoucar ou diminuir a necessária aliança entre o Estado-aparelho de poder, ou principado, e o Estado-comunidade, ou república, que continue a dar tiros nos pés. Eu repito: Gomes Freire foi o mais brilhante general português na viragem do século XVIII para o século XX, no campo de batalha, no civismo e no exemplo de heroicidade. Querem continuar a enforcá-lo, matam-nos.

Já agora, o que escrevi em 2007.

Mais outra peça, do mesmo ano, sobre o mesmo general-mártir.

Benoliel retratou uma homenagem popular a Gomes Freire, no centenário do respectivo enforcamento. Aqui deixo a imagem.

Outra imagem que diz tudo. Como a Sociedade da Rosa. Para continuarmos a resistir aos esbirros. Destes iluministas, como Gomes Freire e Alcipe, me confesso seguidor.

Outro, também irmão de Gomes Freire. O Manuel Maria.

Ainda outro. Mais outro irmão. Se isto não é a pátria, não sabemos o que é a pátria.

Uma listagem mais pormenorizada, para uso de quem quer voltar a usar lixívia de revisionismo histórico. Contra as brumas da memória e os egrégios avós.