Deram-nos a lua para epopeia, com transmissão directa pela televisão e assim nos ilusionámos todos, homens do século vinte. Até a Mariner Ten tirou fotografias ao planeta Mercúrio. Mas Mercúrio continuou mais longe do que Paris e ninguém lá conseguiu chegar no comboio das sete… Contudo, por cá, sempre inocentes até ao trânsito em julgado, mesmo que o trânsito esteja engarrafado, antes das portagens eleitorais. O porta-voz do partido governamental não comenta telhados de vidro. Tem várias rachadelas do género na vivenda geminada do mesmo bloco, onde as portas já foram porteiros. Desejava que a política não se confundisse com casos de polícias e…guardiões. Mas até no Freepote, um arguido deixou de ser arguido, embora possa voltar a ser arguido, quando o lapso deixar de ser erro. Gosto de navegar no real que me dá o virtual. Depois de algumas horas de investigação da pesada, isto é, de crochetar restos de fichas da era pé-disco duro, vejo que passou a ventania e que o sol vai invadindo a tulha da minha biblioteca. E aqui venho navegar um pouco. Gosto de navegar no real que me dá o virtual. Espero que cheguem os nano-arquivos e as nano-bibliotecas! Contudo, de um lado, há irreverentes vanguardistas e reaccionários que, ao cristalizarem-se em seitas, geraram os tradicionais rebanhos miméticos dos citadores, glosadores e aduladores. É o permanecente colectivismo moral dos irmãos-inimigos E todos os dias me chega mais uma nova sobre a arrogância do micro-autoritarismo subestatal que, de cima para baixo, usa a maçaneta do estadão para disfarçar o medo que sente pela revolta do poder dos sem poder. O desprezo é a melhor arma dos que resistem ao assédio e nem sequer transformam o pretenso dono da coisa em inimigo. Que nome dar a um regime onde aquilo que o chefe diz tem valor de “lei” e onde o chefe não está sujeito à “lei” que dita aos outros? E quando, ao poder absoluto, se acrescenta a invocação da ciência certa? Chama-se fim da política e regresso ao espaço do doméstico, onde há um dono, ou um déspota, bem como a inevitável sociedade da corte, com acento no “ó” e sem direito a chapelinho “ô”. Têm a mesma origem etimológica. Quem me dera também poder usar o pretérito! Estamos encharcados em micro-autoritarismos, onde muitos são mais papistas do que o papão. Só que as garras dos primeiros rasgam as boas vontades e o papão perdeu a asa e não passa de mero tigre de papel! Também já não comprava o espesso há meses. Está mais fino. Admito que um socialista possa ser assim liberal. Apenas reconhece a hierarquia dos valores, onde o azul e branco ou o verde e amarelo são bem superiores a outras colorações. As duas primeiras vêm de 1820 que eu prefiro a 1910, a 1917 (Dezembro) e às imitações que lhe sucederam. Continuo a preferir Passos Manuel. Também li a entrevista do camionista Humberto Pedrosa ao mesmo Expressso. Um orgulhoso saloio, patrão da Barraqueiro desde 1967. Escapou à nacionalização porque era pequenino e depois foi comprando os desastres da nacionalizada, deles, a dita Rodoviária. Uma tecnologia que remonta às carreiras entre o Lumiar e a Ericeira, surgidas em 1915…Ou de como ser liberal é mais uma forma de vida do que uma ideologia. O liberalismo não é de esquerda nem de direita, porque a esquerda e a direita não são, estão! E o liberalismo pretende ser, pensando. Cada esquerda tem a direita que merece e vice-versa. Vale mais pôr os pés no chão deste portugalório e confirmar a esquizofrenia. Até dos que dizem que pensam, ditando… Só há esquerda se houver direita e direita se houver esquerda. Aqui voltámos à decadência. Há uma maioria de bonzos e uns acompanhantes da procissão, ora endireitas, ora canhotos, para que vire o disco e toque o mesmo… Já Maritain dizia que os governos mais fracos são os governos ditos de esquerda com temperamento de direita, tal como os mais fanfarrões são o vice-versa. Estou farto de complexos de esquerda e fantasmas de direita! Continuo de direita, liberal e tudo, nomeadamente azul e branco. Até parto dessa parcialidade para aceder ao universal, como a coroa aberta do manuelino assumiu o abraço armilar. Nunca quis ser da direita que convém à esquerda…sobretudo ao centrão mole e difuso do situacionismo. Mas porque sou de direita, assumo a atitude clássica do radical do centro excêntrico… Porque vontade geral nunca foi vontade de todos (Rousseau). Esta é sondajocracia… Vontade geral é quando cada um decide, desprezando os próprios interesses. Porque, se todos, quando escolhem, pensam apenas nos seus interesses, não há democracia. Vontade geral é quando cada um actua de modo tão exemplar que, dessa conduta, se pode extrair lei universal Só juntando Rousseau a Kant se pode fugir da guilhotina de Robespierre e do despotismo de todos. Ensinam a coisa, que agora repito, um António Sérgio ou um Karl Deutsch. Sondajocracia não é democracia e corrida ao “share” partidocrático também. Teatrocracia também não é comunicação, podemos comer gato por lebre! E gosto de ler antes de comentar. Já li http://www.cidadaosdebatempolitica.net. E subscrevi. Muito humildemente. Os pretensos intelectuais como eu padecem quase sempre da inveja do tribalismo e da endogamia. Acresce que até a maioria esmagadora dos docentes do chamado superior depende do acto de renovação contratual. Muito antes deste governo PS. Logo, a maioria do nosso ensino superior transformou-se numa sucessão de quintais endogâmicos, dependentes do carreirismo obedencial, a que chamam gestão democrática das escolas. Quem quiser safar-se não pode fazer blogues nem petições. Tem que saber colocar-se correctamente nos jogos de poder deste vasto neofeudalismo que imita a decadência partidocrática e repete os bailados da sociedade de Corte e da própria sacristia, onde os altares são os manitus supremos e os viúvos da dona maria da cunha , a tal que praticava a poligamia. Quem disser que não há corrupção, isto é, compra de poder, entre os pretensos intelectuais, mente…
Alberto João faz tourada à corda, põe tudo a gritar olé e dispensa as chocas…
O próprio PSD só retirou a inspiração marxista do respectivo programa no tempo de Cavaco Silva, já bem depois de o PS de Constâncio ter feito o mesmo. Por outras palavras, Alberto João aderiu a um partido assim originariamente “contaminado” e continua a ser o único político no activo que, ainda há meses, usava o vocábulo “fascista” para denegrir adversários incomodativos… Aliás, Marx militava num partido dito social-democrata da Alemanha (SPD), tal como Lenine pertencia à ala dita bolchevique do partido social-democrata da Rússia… Se, na Itália, se proíbissem organizações fascistas e neofascistas, nunca poderia ter existido MSI. Logo, os antigos neofascistas, agora ditos pós-fascistas, nunca poderiam ter acedido ao actual governo de Roma. E isto na pátria do fascismo originário. Tal como o PSD deve ser o único grande partido lusitano que teve na sua liderança um antigo ortodoxo marxista-leninista-maoísta. Se interditassem organizações comunistas, um sujeito como ele, por resistência, nunca poderia mudar de concepção do mundo e da vida… O perigo de mantermos ou alargarmos a tipicidade proibitiva através de um tópico polissémico, como fascismo ou totalitarismo, interpretáveis pelas mais nefastas diabolizações, implicaria sucessivas actualizações, conforme os ideias de defesa social de conjuntura. Teríamos de alargar a proibição a coisas como o terrorismo e o fundamentalismo e até, cedendo a alguns fantasmas e preconceitos de demagogos do palanque, do microfone, da barra ou do púlpito, estender a indeterminação a sociedade ditas secretas ou discretas, num crescendo paranóico onde costumam ser hábeis os herdeiros dos inquisidores, dos moscas, das formigas e dos pides, incluindo os marcados por alienígenas inspirações, entre SS e KGB. Não tardaria que seguíssemos alguns títulos, como o de Talmon, repetido por Paulo Otero, considerando como totalitária a própria democracia.
De Santana a Cavaco
Como alguns já devem ter notado, passei a aprendiz de algumas das novas redes sociais, como o “facebook” e o “twitter”, quando me convenci que os mesmos não eram apenas daquelas modas que não passam de moda. Evidentemente, o hábito não faz o monge, isto é, o meio não muda o essencial da mensagem e terei inevitavelmente o defeito dos blogueiros, ou melhor, terei os mesmos vícios que transporto para este blogue, isto é, continuarei a trilhar a travessa do fala-só, mesmo quando posso dar aulas através destes novos meios de comunicação social. Contudo, ainda utilizo os velhos sistemas e sou chamado a prestar meu depoimento a jornais, rádios e televisões.
Ainda hoje, a agência Lusa traz declarações minhas, tal como ontem. Aqui as reproduzo, com o lapso e tudo. Esta semana era do ICS, na passada, do ISCSTE, quando, efectivamente, sou da velha Escola Colonial que, por enquanto, começa também por I, mas como nesta até já um tal de Mendes Corrêa dá nome a prémio de politologia, não pode haver confusão que resista.
«O Santana percebeu que o poder tem que se conquistar pela via própria e aceitou ou teve que aceitar a chefia do governo sem ser pelo seu próprio esforço e acabou por ser vítima ou propiciar a utilização da bomba atómica da dissolução pelo Presidente Sampaio e agora voltou ao que sempre fez: a conquista do terreno, devagarinho, pelo seu próprio pulso», considerou o professor do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa Adelino Maltez. Para o académico, Santana Lopes é «um ´homo partidarius´», um «político profissional» que «precisa da política para conquistar o seu lugar ao sol», mas de quem a própria política também precisa, sendo nesse sentido um caso comparável aos do líder do CDS-PP, Paulo Portas, e do primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates.
«O Portas, o Santana e o Sócrates são três galos para o mesmo poleiro, homens de grande engenho, que aguentam vitórias e derrotas, fortunas e infortúnios e, portanto, têm os três o mesmo tipo de postura. O Portas e o Santana têm a vantagem que já perderam. O Sócrates vai de vitória em vitória e não o experimentámos ainda em derrota», considerou.De resto, o politólogo compara Santana Lopes a «um tsunami» que «permitiu que o PS tivesse uma maioria absoluta com Sócrates» e fez agora «antecipar a corrida à sucessão» do próprio líder socialista.
«Estes ensaios políticos de António Costa são uma colocação no terreno como sucessor de Sócrates se este não tiver a maioria absoluta. E o Santana mais uma vez está nesta base», defendeu.Ultrapassado o «grande erro» de ter aceite chefiar o executivo do país «por outorga de outrem», Santana Lopes está agora a «refazer o seu percurso» tendo como ponto de partida as conquistas políticas que chamar a si, nomeadamente «a vitória na Figueira da Foz e a vitória em Lisboa contra tudo e contra todos».
O politólogo do ICS prevê, por isso, que a disputa pela presidência do município de Lisboa vai ser «uma boa luta política» entre dois «militantes pós-abrileiros, já nascidos com maturidade para a política depois do 25 de Abril», dois políticos «muito bons» que «se estimulam mutuamente»
Já onte, no mesmo sítio, sobre Cavaco:
Apesar de advogar que “cada um é juiz é causa própria”, o professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Adelino Maltez considerou também não existirem sinais de que os 70 anos de Cavaco Silva estejam a condicionar o seu mandato.
“A pátria tem 800 anos, já houve candidatos de 80, por isso, de acordo com os actuais parâmetros, um Presidente com 70 anos está com plena vitalidade e maturidade, até mesmo com 75 anos”, declarou.
Além disso, acrescentou, “a própria função de Presidente da República implica maturidade, experimentação”, principalmente num país como Portugal, onde “sabiamente” há uma repartição entre quem tem o poder e quem tem “a chamada autoridade”.
E, lembrou, no tempo dos romanos “quem tinha a autoridade eram precisamente os mais velhos”, os senadores.
“A função do Presidente da República é a de ser o garante do normal funcionamento das instituições, alguém que tem algum poder moderador e autoridade”, continuou, sublinhando que são precisamente essas características que têm dado confiança aos portugueses.
Quanto ao futuro, Adelino Maltez salientou o “papel fundamental” que Cavaco Silva irá desempenhar se o Governo que sair das eleições de 27 de Setembro não tiver maioria absoluta.
“Vão ser dois anos muito intensos”, disse.
Cavaco, setenta anos. Como o tempo passa!
Setenta anos de Cavaco. Ainda tem mais dois para se recandidatar. E serão intensos. Especialmente depois das outonais eleições, quando começar a cair a folha, seja qual for o resultado. Do mais do mesmo, da alternância deste disco riscado, à eventual alternativa, entre Manela a coordenar, ou Jerónimo e o Bloco no poder.
Esperemos que Cavaco não queira ficar na história como o coveiro do regime e que ajude o povo a mandar o bloco central de interesses para o caixote de lixo da história.
Só que o povão é quem mais ordena e tem sempre o governo que merece. De qualquer maneira, do alto da sua maturidade, Cavaco tornou-se um desses árbitros que também joga. Como defesa central, ou avençado de centro, mas sem poder ser treinador. Jesus já foi recrutado e Mourinho não quer voltar.
Resta saber se a maioria do eleitorado prefere o situacionismo, mantendo o que está, ou optando pela alternância do vira o disco e toca o mesmo riscado, do tira PS mete PSD, tira PSD mete PS
Pode também surgir reviravolta. Há um PS que quer abrir as portas ao PCP e ao BE. Chame-se António Costa e tem o apoio de Alegre. Por enquanto só tem Saramago e pode conquistar Roseta. Reconheço a mudança, mas não vou por aí. Mas se o povão quiser, reconheço humildemente a alternativa. Em verso épico, voltaríamos ao contraciclo relativamente aos principais parceiros europeus, embora fosse possível a viagem para uma Índia que não vem nos mapas.
Setenta anos de Cavaco. O regime está velho. Basta recordar que Marcello Caetano tinha sessenta e oito anos quando Salgueiro Maia o meteu dentro de uma Chaimite. E Salazar, quando caiu da cadeira, tinha menos idade da que agora têm Soares e outros “senadores da democracia”. Alegre nasceu em 1936. Cavaco, três anos depois.
Neste manicómio em autogestão, onde as acções são anónimas, vindas da obra do Senhor…
Quando o Verão começa a crescer, as Universidades declaram as vagas e muitas entram em anúncios do sonhar é fácil. Falta um estudo da DECO, falta até intervenção da alta-autoridade para a concorrência, para que reguladores discriminem publicidade enganosa e abusos de posição dominante. Mesmo que um porta-voz de uma Ordem fale em concorrência desleal no acesso ao curso de medicina… Mesmo que o bastonete dos abacates mande que fujam dos cursos que lhe deram a licenciatura. Mas Gago diz que há novas saídas profissionais para direito, insinuando que, só antigamente, o curso não prestava…
Quando o partido situacionista utiliza o aumento das vagas na universidade pública como tema eleitoralista, quase apetece dizer que deveríamos revogar o presente sistema de “numerus clausus”, para que possamos voltar a respirar ar livre! No primeiro ciclo de Bolonha, deveríamos extinguir tal condicionamento industrial, para total liberdade de ensinar e aprender. No segundo, a efectiva igualdade de oportunidades da meritocracia! E se todos fossem para medicina, incluindo licenciados de outras áreas, apenas se concluiria que Portugal é um hospital de quarentena, uma espécie de manicómio em autogestão…
Parafraseando Garrett, poderemos dizer que a universidade já não é o que foi nem pode voltar a ser o que era. O que vai ser, nem Gago, nem o Conselho dos Reitores o sabem. Muito menos eu, os sindicatos e as ordens profissionais. Apenas sei que, com tanta reforma, tudo como dantes, em termos de palha de Abrantes e música celestial. Quando a ideia de revolução acaba em situacionismo, apenas damos razão ao velho Platão que, ao colocar a nostalgia como o antibacteriano específico contra a degenerescência, confirma que os ex-revolucionários, feitos reformadores, apenas entoam a cançoneta de António Mourão sobre o “Oh! Tempo Volta P’a Trás”.
Vejam-se tantos deputados que são professores universitários em privadas e concordatárias. Confirmem-se os casos de faladíssimos políticos que são universitários por serem políticos, enquanto encarregadíssimos universitários só o são, por serem, ou terem sido, políticos. Do lado universitário, para servirem como influentes de grupos de interesse e grupos de pressão e, do lado político, para usarem o cartão de visita de uma autonomia que não devia ser contaminada pelos hierarquismo do aparelho de poder do principado. Nem sequer faltam reitores que se candidatam a ministros, e ministros que esperam a nomeação como reitores pelos conselhos gerais que fabricaram, em nome da autonomia da sociedade civil, por acções que vêm não sei donde, benzidas ou laicizadas
E, fecundando-se uns aos outros, quase entram na lógica neofeudal da clausura autoreprodutiva do bloco central de interesses, a tal que destruiu a partidocracia e que vai concluir a desinstitucionalização da universidade, transformando-a em mais uma “longa manus” da partidarite. Não tardará o “outsourcing” do negocismo, da consultadoria e da avença, com projectos enlatados e traduzidos em calão por qualquer multinacional.
Berado dirá: se o capital não tem pátria, também as acções vêm não se sabe donde, porque até podem vir da obra de senhores que invocam o nome de Deus em vão. Já na universidade, dependente do decretino que lhe aprova um curso, ou lhe concede o favor de um despacho orçamental, capaz de pagar os vencimentos e as aposentações, apenas podemos concluir que ela é tão verticalmente pública quanto o ministerialismo que vai, de forma neopombalista, rebentando com os restos da autonomia.
Não faltam também os aposentados, jubilados e eméritos que, postos pelo favor do decretino na ilusão de activismo, saem da prateleira das memórias e recebem secretária de pau preto, secretária de carne e osso, mercedes preto, motorista fardado e muitas coordenações de projectos, enquanto legiões de dependentes pelo carreirismo, a eles se encomendam, até para as tradicionais viagens de turismo científico. O Zé é que paga, mas, para o mais do mesmo, nunca faz falta.
Os braços pombalistas e salazarentos, no entanto, continuam firmes e hirtos, na perspectiva de o Estado servir para que se punam todos os que tentem “verberar a maneira como o Ministério tem conduzido a questão”, e para que se conclua pela “indisciplina, irreverente e grave conduta”, com a consequente “impossibilidade de adaptação às exigências das funções que exerce” (texto dito universitário de 30 de Julho de 1962). O ministro-director que subscreveu a pulhítica é hoje reverendíssimo senador da democracia e ainda não pediu perdão pela falta de respeito ao prestígio da instituição universitária. O perseguido foi ministro educativo da democracia, mas logo saiu em revolta contra o novo totalitarismo do novo píncipe. Esqueceram-no. Um dos magistrados que confirmou a trama acabou provedor de justiça da também democracia. O processo está todinho de pp. 43 a 291 num livro publicado pelo advogado e irmão, compilado em Dezembro de 1973, impresso em Maio de 1974, em “Causas que foram Casos”, Lisboa, Seara Nova. O subsistema de medo do pós-autoritarismo continua. O novíssimo príncipe é o príncipe de sempre. Agora. Onde não há vésperas e é tudo crepuscular com sinais de borrasca. Já não há loucos que, com o juízo do bom senso, queiram grandeza.
Meditações pouco politiqueiras, aqui no Valbom dos Gaviões
Manel Carrascalão, sempre!
Muitos antes da chegada dos missionários ou dos governadores, vindos do reino, por estas ilhas se espalhou uma estranha mistura de gente, meio portuguesa, meio local, com nomes esquisitos, ditos Larantuqueiros, por causa do nome do porto da Larantuca, ou portugueses ditos pretos, ou Topasses, nome este que já terá sido usado em 1545 e que tem a ver com uma palavra malaia referente ao que fala duas línguas. É este o sincretismo genético donde brota este eixo foi dito de Flores, Solor, Timor. É este o sentimento do homem da rua, ainda hoje, aqui por estas bandas que fooram sandalosas e agora são petrolifereiras. Os Topasses chegaram antes dos soldados, dos comerciantes, dos burocratas do governador. E em 1975, quando, sem ainda sabermos bem porquê, os portugueses se ataurizaram, tudo voltou a ser tão topasse quanto no próprio no princípio, quando era apenas o verbo. Eles ficaram aqui em procura do seu lugar onde. E trouxeram do reino outros Topasses, em outras procuras de abraço armilar. Por mim, prefiro continuar a investigar sobre os Topasses que já aqui estavam antes de chegarem os reinóis e as suas bandeiras, incluindo ideologias e partidos. Pelo menos, esses não mandaram os dominicanos assassinar os jesuítas, como aconteceu nos primeiros tempos da missionação. Nem se passaram para os holandeses. Nem enviaram para cá como governadores da I República um Filomeno da Câmara ou um Teófilo Duarte. Deixaram que, pelo acaso, das greves da Marinha Grande, chegassem os Carrascalão e que, por outro acaso procurado, nos anos setenta, aqui assentasse o padre Felgueiras. E esses, aprendendo com os Topasses, ficaram Topasses, mudando ou não de cor, e assim ascendendo ao altar da metapolítica, naquilo a que se chama confiança. O português que se diluiu no outro, e que cumpriu seu destino armilar é que também se assume como o santo da minha confiança. Força, Manel, nessa luta contra a doença. Timor precisa do teu exemplo! Sempre!
Contra preconceitos de esquerda e fantasmas de direita
Tentem provocar as vacas sagradas do discurso de justificação geracional que sustenta o situacionismo e que foi transformado em programa do novo livro único do construtivismo… quem se mete com quem diz ter o monopólio da utopia leva logo uma carga de adjectivação diabólica. Uma das maiores hipocrisias da política é a do neodogmatismo que se proclama antidogmático, como aquele dos preconceitos de esquerda que malham nos fantasmas de direita, da direita que diz ser da esquerda moderna e dos libertinos que se benzem e vão à missinha. Prefiro continuar radical do centro… excêntrica e dizer-me de direita para irritar os situacionistas que se dizem de esquerda…
Ai de quem não se olha ao espelho, quem assim não especula, fazendo, pelo menos a necessária genealogia das falsas ideias feitas que marcam o respectivo discurso. Pode acabar a confundir o reformismo com encomendas feitas às consultadorias permanecentes que nos afundam em relatórios sempre prefaciados por falsos tecnocratas, como aquele que gostaria de ter sido o Diogo Freitas do Amaral de Sócrates, mas acabou por frustrar-se porque o original se lhe antecipou.
Com efeito, há uma pretensa direita que sempre foi conveniente para a esquerda instalada, mas que acabou por contaminar esta última, quando ela caiu na esparrela dos governos de esquerda com temperamento de direita. E há uma direita que, depois de rigorosamente enclausurada nas malhas que o império do cavaquistão lhe teceu, acabou por ficar repartida em sucessivas personalizações do poder. Daí que Portas reclame, justamente, 5% do eleitorado, para que a Teggy vá para vice-presidente do parlamento, enquanto Santana se veja com o dobro do mesmo eleitorado, dentro da sua quinta de quotas que mete sempre o que ele diz serem os monárquicos, junto com quem ele decreta como os ecologistas.
Quanto mais o PS e o PSD se transformam em empatas, nos domínios da sondajocracia, mais entram no rasga-não-rasga do mais do mesmo…Políticos que perdem o sentido do risco já eram. Só a complexidade crescente de aventura e de pragmatismo nos pode dar futuro. De outra maneira, o PS de socrateiros, cravinhos, alegreiros e outros náufragos corre o risco de ficar em primeiro, mesmo sem maioria absoluta. Política precisa-se: isto é, aventura e pragmatismo e não o mais do mesmo do rasga-não-rasga à espera da consultadoria e da sondagem.
PS: Galeria dos afundadores do regime. Como lá não consta o melhor ministro da educação de Abril, confirmo que valeu a pena homenagear ontem o Mário Sottomayor Cardia. Ele até me mostrou o plano que estava a preparar para a reforma do ensino da matemática que não chegou a emitir.
Para que a inteligência volte a casar-se com a honra, só uma nova atitude de confiança púbica
Estou cansado dos jogos florais entre PS e PSD, desses bombeiros pirómanos que usam palas nos olhos, em vez de se olharem ao espelho, por dentro das balbúrdias da gestão de interesses que agora se vão revelando como parangonas escandalosas. Deveriam ir além da proibição de candidaturas duplas, propondo ao país um inequívoco pacto contra a corrupção, salvaguardando a honradez da maioria dos políticos que os dirigem.
Julgo que um dos activismos declaratórios do Palácio de Belém poderia incidir sobre a necessidade de um pacto deontológico entre todas as candidaturas às próximas eleições. Pedindo desculpas ao povo português e à ideia de democracia, todos deveriam mostrar arrependimento pelos anteriores processos políticos que levaram grupos de interesse e grupos de pressão a irem além da sua chinela, entrando na zona de fronteira da própria compra de poder, estabelecida no condomínio do Bloco Central que mancha este rotativismo devorista. O Presidente, de cuja honradez não duvido, deveria ser o primeiro a mudar de atitude discursiva, até pelas consequências que, como líder do PSD, gerou a esse nível.
Infelizmente, a minha santa terrinha, depois do pioneirismo acusatório que recaiu num conhecido autarca e presidente de clube desportivo, voltou agora às primeiras páginas dos jornais, de novo com autarcas, patos bravos e altas figuras da partidocracia, nacional e local. As pedras da calçada continuam a chorar, mesmo depois das horas da despedida.
Não chegam as habituais andorinhas do falso moralismo que, eventualmente, façam ninho nos telhados da classe política. E os discursos ideológicos da esquerda ou da direita, ditas puras, não conseguem matar elefantes com fisgas, mesmo quando declaram exterminar moscas com armas atómicas. Para eliminarmos esta pandemia, além de isolarmos os que são transportadores do vírus, temos que passar da terapêutica à profiláctica. De outra maneira, continuaremos todos infectados…
Quem assim se enclausura face aos grandes problemas do nosso tempo, continua vergonhosamente só
Os nossos noticiários de política internacional continuam a ser dominados por transcrições em calão dos despachos das grandes agências internacionais. Salvo quando um hierarca do situacionismo vai dar uma volta e carrega, no avião, uns convidados, nesses provincianos passeios de propaganda doméstica. .
Em dia de funeral festivo de Jackson, Obama estava em Moscovo. Ambos já felizmente saíram da Cabana do Pai Tomás… Barroso, porque não tem armas nucleares para negociar, apenas pode ir a Moscovo fazer discursos e comprar água quente. Hu Jintao não vai ao G8 nem vem a Lisboa. O imperial-comunismo que resta tem Uigures turcófonos em revolta. Falem com Ankara. E não há sequer um repórter que ligue às eleições presidenciais da Indonésia. E que tal a integração de Portugal nos Estados Unidos do Brasil, como propunha Agostinho da Silva…
Preferimos os pormenores articulados do chamado código da estrada, os quais, quando não cumpridos podem levar a mortes. Especialmente numa cidade onde perdemos o sentido das regras, por tantas regras sem sentido que os poderes instalados vão aplicando apenas por causa do financiamento do erário municipal, através das multas da Dona Emel… Preferimos reparar como o relatório da CPI sobre o BPN segue o diapasão de uma qualquer sanfona do situacionismo, em candidatura autárquica.
Mas também é verdade ser preciso lançar âncora num qualquer lugar que nos dê fundura de casa, para que, a partir desse situado das circunstâncias, possamos aceder ao transcendente. Nessa raiz do mais além, a vida pode ser mais vida se olhar de frente a finitude, mesmo que seja o mar sem fim do Atlântico. Contudo, a minha cosmopolis, ou república universal, congratula-se com a recente encíclica papal, reclamando uma autoridade política mundial no respeito pelo princípio da subsidiariedade. É urgente a aliança de homens de boa vontade e o regresso aos fundamentos universais do ocidente, isto é, a conjugação do humanismo cristão com o humanismo laico. Este é um dos lugares comuns que permite o diálogo e a saudade de futuro. Chama-se abraço armilar e faz parte do sinal manuelino da nossa identidade. Foi amplamente descrito por Luís Vaz que não tinha um olho e gostava mais da contra-utopia que descreveu no canto IX do seu livro mais conhecido.