A qualidade de uma democracia não se mede por sabermos quem manda

A qualidade de uma democracia não se mede por sabermos quem manda, mas antes por sabermos como de institucionaliza o controlo do poder. Democracia não é sondajocracia. Aliás, Hitler obteve uma maioria numa democracia, a da República de Weimar, e a Inquisição era bastante popular, com pressões do braço popular em Cortes, quando o rei queria abrandar o terrorismo de Estado, e amplas adesões das massas aos autos de fé. Aliás, em determinados momentos de pânico securitário, mesmo dos nossos dias, se a pena de morte fosse a referendo, logo revogaríamos a respectiva abolição, constante do Acto Adicional à Carta de 1852 e do decreto de 1 de Julho de 1867. Depois de séculos de Inquisição e de quase meio século de autoritarismo, se eliminámos os aparelhos de repressão, manteve-se o subsistema de medo que os mesmos geraram e não se apostou na revolução cultural educativa que desse autonomia às pessoas, com a consequente meritocracia. Deixámos subsistir os colectivismos, herdados do beatério catolaico ou comunista, onde qualquer um para se libertar dos pecados adere a uma dessas seitas, dizendo que não recebe lições de democracia dos adversários e demonizando-os com um qualquer adjectivo depreciativo. O poder não é uma coisa que se conquista em “spoil system”, mas antes uma relação, uma relação entre os aparelhos e a comundidade, entre o principado da governança e a república dos cidadãos, onde a sociedade civil não se reduz à CIP e aos loibos que sabem uivar e que não podem institucionalizar-se no parlamento, para não fazerem concorrência aos senhores deputados que pretendem monopolizar a actividade disfarçadamente, num país onde o importante não é ser ministro, é tê-lo sido

Comments are closed.