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Direita procura novas vias para conseguir sobreviver |
| Santana pondera criação de novo partido à direita
Pedro Santana Lopes está a ponderar a criação de uma nova força política que mobilize a direita e o centro- -direita, apurou o DN. O recente resultado em Lisboa, na perspectiva do ex-presidente do PSD, demonstra que o actual ordenamento partidário está à beira do esgotamento. “Não pode ficar tudo na mesma. Concordo com aqueles que dizem que estamos no fim de um ciclo”, declarou ontem Santana aos jornalistas que o interpelaram no Parlamento. Na sua opinião, “o centro-direita vai passar por uma grande reformulação. As candidaturas independentes em Lisboa são prenúncio de mudanças no sistema.” A nova força política poderá chamar-se Aliança Democrática Portugal (ADP). É essa a sigla já registada por Ricardo Alves Gomes, ex-adjunto de Santana no Governo, que abandonou o PSD em 2005 e mantém uma página “em construção” na internet com o logótipo da ADP – em tons verde, branco e azul. A palavra mudança será hoje certamente pronunciada nos conselhos nacionais do PSD e do CDS. Mas Santana não irá à reunião social-democrata, alegando motivos pessoais. A antecipação da eleição directa para a escolha do líder e do congresso nacional do PSD, decidida por Marques Mendes, e a “reflexão” anunciada por Paulo Portas no CDS indiciam que tudo já começou a mexer. Com alguma ironia, José Miguel Júdice recomendava ontem a fusão entre os dois partidos, em declarações ao Diário Económico. Isto numa altura em que Manuel Monteiro prepara a saída da liderança do Partido da Nova Democracia. Estarão mesmo reunidas as condições para uma reformulação da direita portuguesa? Há quem pense que sim. É o caso de José Adelino Maltez. “Há uma crise grave do sistema partidocrático. A situação está esclerosada”, afirma ao DN este politólogo, apontando o exemplo de Lisboa: “Somados os que se abstiveram aos que preferiram as candidatura dissidentes, há 74% de eleitores indiferentes aos partidos instalados ou que os rejeitam expressamente”. Este especialista em Ciência Política ironiza: “A direita que convém à esquerda chama-se Marques Mendes e Paulo Portas.” Entre os sociais- -democratas, sublinha, a mudança é difícil. E porquê? “Certos elementos encavacam o PSD. Incluindo Manuela Ferreira Leite, um D. Sebastião de saias que tolhe a criatividade do PPD profundo.” O problema, a curto ou médio prazo, será de todos: “Qualquer dia reparam que não têm povo.” Rui Ramos admite que a eleição em Lisboa “propicie mudanças no sistema partidário português, “caracterizado por uma certa rigidez”. Ao DN, este historiador reconhece a existência de um “cansaço dos eleitores”, devido à consciência de “existirem conchas partidárias que albergam realidades muito diversas”. Na sua opinião, não existe um só PSD – existem pelo menos três. E não há um só CDS – há dois, bem diferentes. Rui Ramos lembra que a direita “já foi refundada” em países como Espanha, Itália e França. Também ao DN, o politólogo Rui Oliveira e Costa recorda o mesmo. Mas adverte: “O país profundo, nesta matéria, é conservador. A principal dificuldade ao reordenamento partidário são as autarquias locais. O PSD é o partido do poder local e tem a presidência da Associação Nacional de Municípios. Nele uma mudança profunda só se fará da província para a capital.” |