Nov 09

Amanhando a terra das ideias…políticas

Ando atarefado na preparação de duas apresentações de livros. De um lado os Primores Políticos e Regalias do Nosso Rei, de António Freitas Africano, com estudo introdutório da minha autoria, que terá lugar no dia 23, na Faculdade de Direito de Lisboa, às 18 h e 30 m. Do outro, a Ciência, Política e Gnose, de Eric Voegelin (obra traduzida por Alexandre Franco de Sá), cuja apresentação decorrerá no próximo dia 15 de Novembro, às 21h00 na FNAC Colombo. Neste tempo de império do efémero das candidaturas presidenciais, prefiro lavrar a terra do eterno, demonstrando como um livro proibido dos meados do século XVII se propagou a meados do século XX e nos dá asas para vencermos o falso transcendente dos meros ideais de uma determinada conjuntura, como é o caso das modas que passam de moda, típicas do politicamente correcto, de que se alimentam os situacionismos. Eu, pelo menos, continuo à procura de politeia com paideia. Hoje, não, amanhã será!

Nov 09

Évora

Évora 9 de Novembro 2011

 

No mundo viveremos sempre entre a integração e a fragmentação, para utilizarmos os termos de J. L. Gaddis (1992). Seremos sempre um equilíbrio instável entre forças centrípetas, que apontam para a convergência, e forças centrífugas, que apontam para a divergência. O Estado soberano, contra o Estado-Nação; a mundialização, contra o identitarismo; a regionalização das integrações económicas e a globalização das economias, contra o proteccionismo e o autarcismo; para não falarmos da integração política, com o seu federalismo funcional, contra os princípios da cooperação política.

Porque tanto há uma globalização transnacional como uma fragmentação estadual, por vezes apoiada no inter-estadual. Porque os mundos da geoeconomia e da geofinança enfrentam o da geopolítica. E muitos outros contraditórios se irão acumulando, até porque a ordem, como concórdia dos cânones discordantes, nunca foi unidimensionalidade, mas vida.

Podemos até dizer, como Stanley Hoffmann, que, no âmbito das relações internacionais, há três mundos, o diplomático-estratégico, o económico-internacional e o meramente cívico. E que cada um deles gera círculos linguísticos, teias conceituais e percepções completamente diversas.

Apesar de alguns terem profetizado, que, a partir da segunda metade do século XX, tínhamos chegado a uma era planetária, já hoje podemos experimentar que o tal global é algo mais que a anárquica soma das várias parcelas que o compõem, dado que talvez ultrapasse a mera metáfora de uma network structure ou de uma linkage, onde se desenrolariam as relações humanas.

Este nosso todo o mundo já é mais do que o ninguém. Se ainda nem sequer se contratualizou como uma sociedade, marcada pelos laços de civilização, e está muito longe de constituir uma comunidade, animada pelos laços de cultura, segundo as teses de Ferdinand Tönnies (1855-1936), em Gemeinschaft und Gesellschaft, de 1887, sempre podemos detectar nele imensos sinais de instituições económicas globais e de uma espécie de governance, mesmo que não haja government.

Utilizando uma linguagem weberiana, podemos dizer que já não somos apenas sociedade, enquanto partilha de interesses. Já temos alguns sinais de comunidade, dado que se vislumbra uma espécie de aceitação de valores comuns. Já não vivemos apenas num modelo de ajustamento de interesses racionalmente partilhados, pois começamos a ter acções orientadas pelo sentimento de pertencermos a um todo.

Importa pois inventariar algumas das linhas fundamentais da chamada globalização, a que a originalidade dos teóricos franceses gosta mais de chamar mundialisation, e que nós, como portugueses, até poderíamos dar a bela designação de abraço armilar, conforme a poética profecia de Almerindo Lessa (1909-1997) que promoveu um simbólico colóquio sobre A Unidade do Género Humano, em Maio de 1965, naquilo que então era o Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, em colaboração com a Societé Pierre Teilhard de Chardin e o Centro Português de Estudos Europeus..

Não poucos salientam a própria existência de uma revolução global, expressão que começou a ganhar contornos de estabilidade nos finais da década de oitenta, entre os especialistas da ciência política e da teoria das relações internacionais, acabando por ser consagrada num relatório para o Clube de Roma, em 1991, da autoria de Alexander King e Bertrand Schneider, onde se falava que vivíamos the first global revolution, a primeira revolução global da história da humanidade, na qual o principal estímulo para a identificação e a sobrevivência das comunidades políticas já não viria dos tradicionais amigos/inimigos da velha pretensa essência do político, de Carl Schmitt e Julien Freund, mas antes dos inimigos globais de todas as comunidades humanas.

Isto é, partindo do clássico princípio, segundo o qual o nós precede o eu, que cada um só ganha consciência de si mesmo quando consegue estabelecer uma fronteira com o outro - o que tem levado à sobrevalorização da ameaça vinda de força, como principal elemento de desintegração -, King e Schneider consideram que só no nosso tempo ter surgido uma espécie de ameaça global. Paradoxalmente, foi esse risco maior, o elemento mais acelerador da mundialização, foi desse medo global que nós, todo o mundo, começámos, assim, a identificar-nos, que os homens todos começaram a ganhar consciência existencial da globalidade humana..

Mesmo o mais recente modelo cosmopolita salienta que os problemas ambientais como o aquecimento global do planeta, o buraco do ozono ou as chuvas ácidas não podem continuar a ser vistos como problemas locais, nacionais ou regionais, mas antes como problemas que afectam a humanidade como um todo.

Alguns, como J. E. Lovelock, em Gaia. A New Look at Life on Earth, de 1979, falam até numa nova concepção de natureza geocêntrica, que não pode ser considerada como exterior ao homem, como objecto que nos é estranho, e sobre o qual acrescentávamos, pela cultura ou pelo artificial alguma coisa de humano, mas antes como uma totalidade, onde devem incluir-se, como simples parcelas, as próprias relações humanas. Aliás, só agora é que ganham fundamentos científicos visionarismos como os do Padre António Vieira, que incluímos como epígrafe deste livro, da Terra como a mãe que nos cria e que, como tal, havia de se chamar mátria (Sermoens, Lisboa, MDCLXXIX, VI, p. 288, apud José Pedro Machado, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, Lisboa, Livros Horizonte, 1977, IV, p. 78).

Contudo, a revolução dos mercados assume hoje novo sentido com a emergência da chamada geofinança, dessa network structure por onde escorrem quotidianamente os fluxos das bolsas de valores de todo o mundo, e onde, minuto a minuto, podem pôr-se em causa empresas, moedas, Estados de todas as dimensões e até grandes espaços. Um quase esotérico sector, onde apenas saberão operar cerca de uma dezena de grandes holdings mobilizadores daqueles peritos que detêm as passwords desse esotérico processo. Esses novos poderes que, segundo Bouthros Bouthros-Ghali, transcendem as estruturas estaduais, gerando um poder mundial que escapa aos Estados.

Mais: no jogo das bolsas mundiais, todos os dias, cerca de 95% das divisas que mudam de mão prendem-se com actividades meramente especulativas, sendo ultraminoritárias as que correspondem a actividades clássicas, comerciais. Com efeito, o volume de operações de câmbio é cinquenta vezes mais importante que o do comércio mundial de bens e serviços (Andreff, 1995, p. 112).

Daí que propostas de criação de uma taxa mundial mínima sobre as transacções bolsistas, como a que veio do Prémio Nobel de 1981, James Tobin (1918-), tenham tido pouco acolhimento institucional têm tido, quando tal modelo de aplicação da justiça mundial poderia gerar um rendimento de cerca de mil milhões de dólares, quantia capaz de compensar os também milhões que morrem de fome ou de doença.

O mais importante dos novos poderes passa por esse fluxo marcado pelo imediatismo, pela desmaterialização, pela permanência e pelo planetário, ao mesmo tempo que ressurgem certas formas de inconsciente colectivo, como o revivalismo dos rumores, dos receios e da própria fé nas bruxarias. Passámos assim a viver nas teias de uma sociedade de casino, nessa nova religião dos mercados que tem como principais activistas os descendentes dos yuppies, que vão agitando uma massa informe de devotos de um pretenso capitalismo popular, marcado pela velha lógica do enrichissez vous.

A figura dos corretores aventureiros quase ameaça substituir a dos garimpeiros e dos achadores de volfrâmio, e a realidade quase se transforma numa ficção folhetinesca de telenovela, aproximando-se de muitos dos meandros do romance de Dona Branca. Aliás, podem reunir-se, sob os holofotes televisivos, os líderes das superpotências ou do G8, bem como as cimeiras da NATO, da UE ou da OSCE, mas não se conhece o rosto dos mestres do mercado, desses novos predadores para quem os valores da justiça e da honra parecem não contar.

A este respeito, importa sublinhar que revolução dos mercados, expressa pela livre circulação dos capitais, foi precedida pelo processo da desregulação e das privatizações. Assim, o poder económico desmaterializou-se, deixando de ter como base preponderante os chamado factores de produção da teoria marxista, como eram a terra, os recursos naturais e as máquinas, e passou a assentar em factores imateriais, como o conhecimento científico, a alta tecnologia, a informação, a comunicação e as finanças.

Com efeito, deu-se uma espécie de desmaterialização de certos mercados, onde não faltam as próprias mercadorias imateriais, como os chamados futuros puramente financeiros. O impacto da desmaterialização é, aliás, particularmente patente nas chamadas indústrias culturais, dos livros, da música, das artes plásticas, do cinema e até dos próprios títulos escolares, dado que hoje podem negociar-se mestrados e doutoramentos, quase virtualmente (Capella, 1997, p. 246).

O poder, incluindo o poder económico, transformou-se numa rede de poderes. Deixou de ser uma coisa, um patrimonium, um ter, e volveu-se em relação, numa rede de muitos micropoderes, em que os novos mestres predadores e conquistadores já não são apenas os detentores do capital nem os organizadores da era dos managers, mas antes os efectivos manipuladores dos tentáculos dessa rede, principalmente os que conseguem, por todos os meios, a necessária inside information. Surgiram, deste modo, novos grupos que, escapando às anteriores formas de representação e de legitimação política e social, logo manifestaram desprezo pelo bem mais precioso de qualquer democracia: aquela informação que permite a consolidação de uma opinião crítica.

Continuando a seguir o inventário do professor de economia de Lovaina, Ricardo Petrella, num artigo célebre Les Nouveaux Maîtres du Monde, publicado em Le Monde Diplomatique, de Novembro de 1995, esses novos poderes têm, com eles, legiões de aliados e colaboracionistas, desde os quadros da tecnociência aos criadores de símbolos, onde também é marcante o conúbio entre os universitários e os opinion makers, aliás paralelo à própria entrada dos grandes media no sistema dominante.

Aliás, estes novos elementos até diferem qualitativamente dos anteriores managers ou organizadores, denunciados em 1940 por James Burnham (1905-1987), do mesmo modo se distanciando dos chamados tecnocratas dos anos sessenta. Até vieram dar uma nova dimensão à chamada investigação científica, tornando caducas as velhas estruturas universitárias, quando algumas destas ficaram dependentes das empresas e das fundações transnacionais e se libertaram dos subsídios públicos, directamente recebidos das agências estaduais ou das organizações inter-estaduais. O grupo, cada vez mais cosmopolita, até ganha algumas características de casta apátrida, encontrando-se nas mesmas escolas de formação permanente e actualizando o velho receio da sinarquia, conforme as profecias de Saint-Yves d’Alveydre (1842-1900), para quem o mundo poderia ser conquistado por um sociedade secreta que integraria uma elite de técnicos e de representantes dos banqueiros.

Já não temos as sete irmãs das multinacionais petrolíferas, das grandes famílias que dominavam o tempo de mera troca de mercadorias que marcou o auge da revolução industrial. Passámos para a sociedade da informação, onde o novo bezerro de ouro é um produto que não se consome, como acontecia com o petróleo ou a alimentação, dado que se cria pelo uso e até pode reproduzir-se pelo abuso.

Como assinala Robert B. Reich, na sua obra The Work of Nations, de 1991, as actuais empresas multinacionais já não cabem no universo concentracionário dos modelos burocráticos e centralizados, tendo constituído uma vasta rede de entidades descentralizadas, de tal maneira ramificadas pelo mundo que até já não podem receber um bilhete de identidade nacional. As empresas em causa deixaram, definitivamente, de ter pátria, até pelas participações cruzadas que se foram estabelecendo entre as que representavam as principais marcas do mercado.

O cientista e filósofo húngaro Karl Polanyi (1886-1964) em The Great Transformation, de 1944, já referia a dinâmica interna da produção em massa de mercadorias, porque voltada sobre si mesma, levou a um crescimento ilimitado das trocas e a uma autonomização incontrolada do mercado.

O chamado fim do comunismo não foi, afinal, o fim da história, dado que a vitória dos modelos ocidentais significou a consagração de um estilo de organização marcado por factores totalmente diversos daqueles que poderiam ser captados por Karl Marx ou Lenine. Em primeiro lugar, surgiu a resposta teórica keynesiana, geradora daquilo que uns qualificam como consenso social-democrata e outros, como mero socialismo de direita. Seguiu-se o exemplo do New Deal de Franklin Delano Roosevelt, assente na aliança entre o capital e o trabalho. Avançou-se, depois, no compromisso fordista. E, na Europa Ocidental, social-democratas e democratas-cristãos promoveram a instauração de um Welfare State que acabou por ser eficaz, tanto para a superação do Warfare State, como para a competição com os modelos do socialismo real, de marca sovietista.

Acontece que, com o fim do mundo bipolar, mais do que a emergência de uma só superpotência, começou a desenhar-se um nebuloso império dos grandes países ricos, fundador do Grupo dos Sete, império esse que assenta em três moedas sólidas (dollar, deutsche Mark e yen), tem, como guardas avançadas, duas ou três praças financeiras fortes, núcleo duro que, pelos recursos, pelo poder de mando e pela atracção mimética, foi controlando quase todas as principais elites dos chamados países periféricos, e navegando num mar informativo manejado por agências como a Reuters ou a Dow Jones.

Com a chegada do euro, apenas nos apetece recordar que também o dinheiro não tem pátria. Aliás, o americano dollar tem origens etimológicas no alemão thaler, começando até por ser a designação dada pelos ingleses ao peso espanhol que circulava nas possessões sul-americanas, antes de se transformar na unidade monetária norte-americana desde 2 de Abril de 1792. E foi em nome da americanização que se instituíram o deutsche Mark, gerado pela ocupação americana, e o próprio Yen japonês. As três pessoas da tríade, estão, por dentro, unidas por uma neutra perspectiva circulatória…

A humanidade, depois de 1989 e do dobrar do milénio, também não chegou ao fim da história, porque logo se sucedeu uma espécie de balkamondialisation, com o regresso das nações e até das etnias, não se confirmando a previsão de um Kenichi Ohmae, o mr. Strategy, que proclamava o fim do Estado-Nação e a chegada de uma redentora entidade maior, a que chamava Estados-Região, porque, face à emergência de um capitalismo supra-territorial, os Estados apenas exerceriam funções transitórias no âmbito da organização e da regulação económicas.

Com efeito, o ritmo da política internacional que nos passou a marcar, depois da Guerra Fria, acabou por aproximar-se de modelos típicos dos anos vinte do século passado, dado que inúmeras Nações sem Estado voltaram a emergir. Os nacionalismos, muito particularmente os etnonacionalismos, eram, afinal, brasas por extinguir, que logo se avivaram com os novos ventos da história, quando estes sopraram as cinzas dos superpowers que os proibiam. O explodir do espaço controlado pelo imperial-comunismo soviético; os problemas que o Império Britânico deixou por resolver no Médio Oriente e no subcontinente indiano; a questão do renascimento árabe; ou as guerras civis africanas, afinal, não são causas, são sintomas. Por muito novas que fossem as maravilhas do século XX, nenhuma das forças instaladas no comando do universo foi capaz de construir um desses homens novos que as mesmas, repetindo o Iluminismo gnóstico, prometiam edificar sobre a pretensa tabula rasa do homem de sempre.

A globalização económica, onde a geofinança passou a comandar a geoeconomia, ao mesmo tempo que se desenvolveram instituições globais de vigilância como o G7/G8, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, vai levar a que se assista à eliminação do modelo de Welfare State e à crise das ideologias que o geraram, da democracia-cristã à social-democracia.

O dinheiro transformou-se no mais mobilizador dos valores universais do nosso tempo e, com ele, veio uma difusa forma de corrupção, onde se compram e vendem factores de poder, pelo simples uso da inside information. Porque a sociedade contemporânea, marcada pela difusão da informação, ao criar uma hiper-informação, teve que passar a assentar em redes de circulação, logo, quanto mais a informação de difunde, mais a rede se valoriza.

O poder deixou, assim, de ser uma pirâmide e transformou-se num labirinto, onde, ao mesmo tempo que os actores da decisão se multiplicam, se torna brutalmente desigual o acesso ao que é relevante, dado que raros sabem qual o local onde as fundamentais decisões são realmente tomadas.

A tal raça branca, apesar de não ser minimamente científico o próprio conceito de raça e dos mesmos brancos serem menos brancos do que aqueles que eles chamam amarelos e a quem estes chamam vermelhos, os ditos homens brancos, com que muitos confundiam a civilização ocidental, segundo alguns cálculos, se representavam 25% da população mundial nos começos da década de 1970, talvez não passem de um restritos 15% no fim da primeira década do milénio, porque o aumento do bem-estar gera o egoísmo da quebra de fecundidade, em nome do adiamento da entrada no mercado de trabalho e do comodismo da geração do filho único.

Continuamos, com efeito, a viver sobre uma bomba humana que ameaça o Planeta, para utilizarmos a expressão do professor de Yale, Paul R. Ehrlich. Porque ela não acontece exclusivamente nas relações do Sul com o Norte e não se detecta apenas nas praias vizinhas de Gibraltar, onde os polícias da Europa-Fortaleza tentam evitar o desembarque de muitos boat-people vindos de África. Ela é particularmente visível no interior do próprio Terceiro Mundo onde estão cerca de vinte e duas das actuais megalópoles com mais de dez milhões de habitantes, com essa quase quotidiana migração das populações camponesas para o sonho da grande cidade, à procura de pão, casa e luxo.

Com efeito, a população mundial que se manteve estável desde os tempos de Jesus Cristo ao ano mil, multiplicou-se por vinte no último milénio. Mas, na segunda metade do século XX, entrámos em ritmo quase febril: se em 1939 havia 2. 195 milhões de homens, esses números passaram para 4. 453 milhões em 1980 e para 4. 842 em 1985, prevendo-se que atinja os 8. 177 milhões em 2025.

Ora, as preocupações malthusianas dos demógrafos dos anos sessenta, defensores de zero population growth, temendo que a proporção geométrica do aumento do número de homens continuasse a ser acompanhada pela mera proporção aritmética dos recursos alimentares, levou à criação daquela engenharia desenvolvimentista, iludida pelo mero crescimento económico. Emergiram então os métodos do controlo da natalidade, bem próximos daqueles cálculos utilitaristas que justificavam a guerra como um processo de brutalidade higiénica, para a salvaguarda dos mais aptos. Só depois do rotundo fracasso dessas pretensas receitas universais é que começaram a surgir outras preocupações, mais assentes nas ideias dos que acentuam que cada homem é o próprio centro do mundo, apelando para uma análise qualitativa do fenómeno.

Basta recordar que em cada 100 homens (6.310 milhões, em meados de 2002), há pouco mais de 10 europeus, quase 6 norte-americanos, outros tantos da ex-URSS e menos que 9 sul-americanos, contra 22 chineses e 20 membros do subcontinente indiano, para pouco mais que 11 africanos, enquanto quatro quintos da riqueza mundial continua a caber a uma sétima parte da população do mundo.

 

Vejamos os seguintes dados do United Nations Population Fund, de 2001  (em milhões):

 

Total da população mundial em 2001

Previsão para 2050

Mundo

6 134,1

9 322,3

Regiões desenvolvidas

1 193,9

1 181,1

Regiões em desenvolvimento

4 940,3

8 141,1

Países menos avançados

675

1 829,5

África

812,6

2 000,4

Ásia

3 720,7

5 248,2

Europa

726,3

603,3

América Latina e Caraíbas

526,5

805,6

América do Norte

317,1

437,6

Oceânia

30,9

47,2

 

Se a população mundial, que triplicou nos últimos setenta anos, também se multiplicou por seis, nesse período, o volume de água utilizada. O crescimento demográfico é bem maior que a produção de alimentos, principalmente em África, apesar da América do Norte, da Europa e da Austrália continuarem excedentárias, graças a modelos de agricultura intensiva. Segundo a FAO, nos países em vias de desenvolvimento, há 800 milhões de pessoas que sofrem de má nutrição crónica.

 

Este aumento quantitativo do número de seres humanos dá-se perante o vazio de um conceito de justiça mundial e com a utilização de defeituosos conceitos de desenvolvimento. Basta recordar que sobrexplorámos os quatro principais sistemas biológicos que sustentam a vida humana, das terras aráveis às pastagens, das florestas à própria fauna dos oceanos, devastando e degradando a bioesfera.

A pobreza absoluta vai grassando. A fome choca-nos diariamente. A doença alastra. Gerámos milhões de refugiados. Transformámos o desemprego em mero número estatístico para a gestão dos macro-economistas. E apesar de muitos esforços, não nos revoltamos com o analfabetismo e, mesmo democratizando a instrução e a educação, não reparamos na explosão da iliteracia. Porque espalhando tantas canas de pesca, esquecemo-nos que não era pelo quantitativo que poderíamos ensinar a pescar.

A sociedade de massa gerou, com efeito, uma espécie de analfabeto educado, como nos ensina C. Wright Mills (1915-1962), dado que a educação perdeu a sua função crítica e passou a ser domesticada pelas necessidades da economia desta sociedade de massa com crescente especialização de funções, dado que se disfarça a existência de um poder invisível, fundado no arbitrário e manipulado por uma power elite.

Importa, contudo, assinalar, como gosta de recordar Fernando Henrique Cardoso, que talvez fossem os portugueses os inventores da globalização, ao gerarem aquilo que Toynbee identificou como a era gâmica da história. Do Infante D. Henrique à passagem das Tormentas, muitos marcos podemos assinalar, desde o engano de Cristóvão Colombo, de 1492, à chegada dos lusíadas a Calecute, em 1498, para não falarmos na descoberta oficial do Brasil, em 1500, ou na viagem de circum-navegação, de Fernão de Magalhães, em 1521. Esse dar novos mundos ao mundo, feito sonho de um novo mundo, que acabou por ser ponto de partida para aquilo que a todo mundo aconteceu em 1957, quando os russos nos lançaram além da própria terra. E para que, desse além-mundo, víssemos inteiro, num só retrato, o planeta azul. Não tardaria até que, com os norte-americanos, fosse dado esse pequeno passo para o homem pelas cinzas da Lua, quando Neil Amstrong, depois de agradecer ao Criador, proclamou que estávamos a dar um grande passo para a Humanidade.

Talvez importe reconhecer que no processo de ocidentalização do mundo, os dois povos ibéricos apenas foram agentes de um mais vasto movimento, acicatado pela imitatio da pax romana, num impulso, depois repetido pelo Império Britânico, mas que não deixa de estar presente no invisível soft power da actual República Imperial dos norte-americanos, com quem todos temos íntimas cumplicidades.

De certo que, como expressava um marinheiro português, chegado à Índia, procurávamos fazer cristãos e buscar canela. Por outras palavras, tanto traduzíamos o ideal de missionação, expresso na Cruz de Cristo, como também procurávamos rendas e abastanças.

Assim, a expansão europeia, se, por um lado, ousou estender à terra inteira o ideal da res publica christiana, volveu-se, por outro, no free trade do British Empire. Tanto surgiram missionários como negociantes, misturados com soldados e aventureiros, num movimento que, ora explorou as teias do comércio de escravos e as técnicas do corso e da pirataria, ora também levou a um diálogo de culturas.

Mesmo depois do mercantilismo, o século das Luzes, ultrapassando o cristianismo nas suas próprias raízes, foi às raízes estóicas do panteísmo e volveu-se em ideal do humanismo laico, mais ou menos ligado às maçonarias.

É desse encontro interior dos ocidentais que emergiu o processo da Revolução Atlântica, onde foram marcantes a Glorious Revolution inglesa, a independência norte-americana e o longo e doloroso processo da Revolução Francesa.

Segue-se a vaga das independências na América conformada por portugueses e espanhóis, nos começos do século XIX, para, em meados do mesmo século, termos a ilusão de uma Primavera dos Povos, a qual, contudo, precisou da Grande Guerra de 1914-1918 para ser aplicada à Europa Central. Uma ideia que só depois da Segunda Guerra Mundial se estendeu ao mundo afro-asiático e que teve de esperar pela queda do Muro, em 1989, para ser semeada na Europa do Leste e noutros territórios até então integrados na URSS.

Mesmo a conjugação da Revolução do free trade com a Revolução Industrial, apenas chegou a todas as sete partidas do planeta nas duas últimas décadas do século XX, depois de se ter estabelecido o modelo da mundialização pela Guerra e pelo medo de um confronto nuclear.

Nesta encruzilhadas, apetece-nos dizer, como Ernesto Sábato, que continuam a faltar mundiólogos. Há mundializações no plano das ideias, das religiões, da política ou da economia. Continua a ameaça nuclear. Começamos a ter uma consciência ecológica global. São evidentes as consequências de uma mundialização da cultura, expressos pelo cinema, pela música e pela televisão. São inequívocos os sinais de uma crescente unidimensionalidade de usos, costumes e consumos. Contudo, aquilo que devia ser o objecto central das nossas preocupações, continua a passar por disputas ideológicas, até quanto à própria qualificação desse todo. Porque dizer mundialização não é o mesmo que dizer planetarização, nem o globalista pode confundir-se com o cosmopolita. Quase apetece subscrever o que, a este respeito, proclamou Edgar Morin: o internacionalismo queria fazer da espécie um povo. O mundialismo quer fazer do mundo um Estado. O cosmopolitismo quer tornar-nos cidadãos do mundo.

Porque, se há um mundialismo jus-racionalista e revolucionário, que pretende realizar a mesma ideia abstracta em todo o mundo, ainda que se destruam as formas do ecossistema pré‑existente, há também os que proclamam o direito à diferença, ao particularismo romântico, considerando que a história não se escreve a priori, pois é o homem que, ao fazer‑se, vai fazendo a história. E a história não pode ser senão uma co‑criação de homens livres, como assinala Emmanuel Mounier (1905-1950).

Outra é a perspectiva daquele que diz pertencer ao mundo inteiro e não apenas a uma localidade ou a uma nação, esse velho ideal, segundo o qual, em todo o mundo, pode estar-se em casa, porque, como cantava António Sardinha, em todo o mundo, há terra portuguesa, desde que a alma a tenha na lembrança e a sirva sempre com fervor igual. A ideia básica é a do ideal estóico de fraternidade, assumida por Marco Aurélio (121-180) ou Séneca (4 a. C.- 65 d. C.), para quem a natureza faz de nós uma única família. Esta postura, amplamente reforçada pelo cristianismo, vai também aparecer como um dos três lemas da Revolução Francesa que, ao tentar laicizar os ideais cristãos, apenas repete os próprios ideais estóicos.

Porque, como dizia São Paulo (10?-65?), já não há grego nem judeu, nem circuncizado nem incircuncizado, nem bárbaro, nem cidadão, nem homem livre, mas Cristo que é tudo em tudo (Galatas 3:28 e Colossenses 3:11).

Por outras palavras, é a partir deste tópico que, felizmente, se confundem os pilares da própria civilização ocidental: o humanismo laico, de matriz estóica, depois reforçado pelo iluminismo maçónico e pelo posterior liberalismo ético, e o humanismo cristão, nessa aliança que as encíclicas papais referem quando apelam aos homens de boa vontade. Basta recordar que a expressão catolicismo vem do grego kath holon, isto é, “em geral” ou “universal”.

Em sentido mais restrito, o cosmopolitismo constitui uma tese de origem maçónica, equivalente à ideia ecuménica do cristianismo. Se no século XVIII tal ordem iniciática tinha como programa a constituição de uma república universal de irmãos, a ideia, radicada na filosofia estóica, tem como antecedentes as teses de Erasmo (1469-1536) e do jusracionalismo, com Grócio (1585-1645), defensor de um consensus gentium, Pufendorf (1632-1694) e Wolff (1679-1754), que cunhou a expressão ius cosmopoliticum. Difere contudo das velhas perspectivas da monarquia universal, dita cosmocracia.

Aliás,o primeiro a usar o termo cosmopolita terá sido o francês Guillaume Postel (1510-1581), em 1560, na obra De la République des Turcs, onde defende uma paz universal e uma unidade de todos os cristãos… mas sob o comando do rei de França. Entre 1791 e 1792 até chegou a ser editado um jornal com o título Le Cosmopolite, na linha do que, no século anterior, Pierre Bayle (1647-1736) qualificou como La République des Lettres.

Outro dos termos complexos, com que pretende desvelar-se o problema é o de ecumenismo, do gr. oikoumene, isto é, a terra habitada, o mundo inteiro. Contudo, a expressão tem uma conotação mais restrita, servindo, sobretudo, para qualificar a tendência para a união de todas as igrejas cristãs.

Mas alguns federalistas de marca horizontalista, como Hannah Arendt (1906-1975), defendendo a manutenção de uma dupla cidadania, colocam, ao lado das pertenças locais, regionais e nacionais, uma outra forma complementar, a da pertença à écumena.

Uma engenharia conceitual que tente assumir esta pluralidade de pertenças políticas, se for consequente, acabará por admitir que mesmo os Estados a que chegámos, com a modernidade, não podem esgotar o conceito da comunidade perfeita, havendo que continuar a procura da república maior que, inevitavelmente, nos levará à possibilidade de, sobre o mesmo território e a mesma população, poderem exercitar-se dois ou mais Estados, cada um deles perfeito nas áreas da sua natureza, mas repartindo as funções de acordo com o princípio da subsidiariedade. Porque tudo o que pode ser realizado por agrupamentos de nível inferior deve ser realizado por estes.

Porque cada Estado deve ser entendido, não como uma massa física separada da humanidade, mas antes como uma simples massa de actividades, para utilizarmos os termos de Arthur Fisher Bentley (1870-1957). Tal como cada indivíduo pode aderir a variados grupos, também os indivíduos, os grupos não-estaduais e os próprios Estados participam pluralmente em muitas massas de actividades, cumulativas ou concorrentes, mas nunca piramidalmente organizadas, como é dogma do verticalismo hierarquista.

Até podemos dizer, na senda de Albert O. Hirschman (1915-) que tal como os indivíduos face às comunidades políticas, também as unidades políticas, no âmbito das integrações políticas internacionais, ao quererem maximizar os respectivos objectivos, podem permanecer leais às entidades maiores em que se integram (loyalty), decidir tomar a palavra, tendo em vista uma participação activa no novo todo (voice) ou, então, numa terceira alternativa, optarem pela saída, pela deserção (exit) que também pode fazer-se através de uma mobilidade horizontal, pela passagem a uma nova situação de protesto dentro do todo (Exit, Voice, Loyalty, 1970).

Vivemos, com efeito, numa idade das redes, conforme as teses de Jean-Marie Guéhenno (1890-1978), dado que a anterior relação dos cidadãos com o corpo político de um Estado, prisioneiro de uma concepção espacial de poder, com essa pretensão de combinar num quadro único, as dimensões política, cultural e económica, entrou em concorrência quase selvagem com a infinidade de conexões que eles estabelecem fora dele, de maneira que a política, longe de ser o princípio organizador da vida dos homens em sociedade, surge como uma actividade secundária (1993, pp. 37-38).

Agora, o espaço deixou de ser o critério pertinente, resta saber se podemos continuar a acreditar na política, no regresso ao humanismo, nos valores clássicos das concepções geo-humanas.

Se a maçonaria apostou no clássico cosmopolitismo, eis que o socialismo do século XIX foi marcado por aquela ideia de internacionalismo que serviu de inspiração para as teses leninistas de revolução mundial que marcaram o sovietismo.

Em 1914 Lenine, embora defendesse o internacionalismo proletário contra o nacionalismo burguês, já reconhecia que em todo o nacionalismo burguês de uma nação oprimida existe um conteúdo democrático geral dirigido contra a opressão; e é este conteúdo que nós apoiamos sem restrições. Mas o líder do sovietismo sabia que, tal hibridismo tanto podia mobilizar um nacionalista para o internacionalismo, como desarmar nacionalismos pela mesmíssima mistura explosiva. Porque neste domínio haveria, sobretudo, que entender o movimento libertacionista, instrumentalizando a revolta em nome de uma ideia abstracta, mas desde que a mesma fosse susceptível de ser lida pelos mais contraditórios sonhadores dos amanhãs que cantam: as pessoas que não tenham examinado bem a questão acharão “contraditório” que os sociais-democratas de nações opressoras insistam na “liberdade de secessão” e os sociais-democratas das nações oprimidas na “liberdade de união”. Mas um pouco de reflexão mostra que não há nem pode haver qualquer outra via para a internacionalização e a fusão das nações, qualquer outra via da situação presente para aquele objectivo (ver Maltez, 1993, 207-209).

A globalização, parafraseando a definição da David Held e Anthony McGrew, publicada no Oxford Companion to Politics of the World, de 2001, pode ser considerada como um processo que levou a uma transformação radical na organização espacial das relações humanas e nas consequentes trocas de ideias, bens e serviços, gerando novos fluxos e redes de actividade, de interacção e de poder, entre as várias comunidades humanas, tendo surgido quatro tipos de mudança.

Em primeiro lugar, o alargamento das actividades sociais, políticas e económicas, que vararam fronteiras, regiões e continentes. Em segundo lugar, a intensificação das conexões e dos fluxos do comércio, do investimento, das finanças, das migrações, da cultura, etc. Em terceiro lugar, o aumento da velocidade das interacções e dos processos globais, bem como o desenvolvimento dos sistemas mundiais de transportes e comunicações, que incrementaram a difusão das ideias, dos bens, das informações, dos capitais e dos povos. Em quarto lugar, o crescimento, extensivo e intensivo, das interacções globais é acompanhado pelo aprofundamento do respectivo impacto, levando a que acontecimentos locais passem a ter difusão global, pelo que se tornam bastante fluidas as fronteiras que separavam os assuntos domésticos das questões globais.

Esta perspectiva ampla de globalização ultrapassa o conceito neutralmente tecnocrático do Fundo Monetário Internacional, que, em documento de 1997, ainda a  restringia à interdependência económica crescente, provocada pelo o aumento do volume e da variedade das transacções de bens e serviços, bem como pela difusão acelerada e generalizada da tecnologia.

Isto é, cada um vai olhando a coisa, conforme o sítio mental onde se localiza, a função que desempenha, o fim para que tende, a concepção do mundo e da vida que o sustenta e as lentes analíticas da respectiva área científica.

 

Assim, se passarmos para a tentativa de definição de um jurista, como Philippe Moreau-Defarges, podemos dizer que a globalização resulta da combinação dinâmica de três fenómenos: em primeiro lugar, a multiplicação dos fluxos e das redes, desiguais de região para região, que reduziram maciçamente o espaço e o tempo; em segundo lugar, o embaratecimento do custo das comunicações; em terceiro lugar, a consequente densidade das interdependências. Desta forma, emergiu uma sociedade civil universal e um espaço público planetário, produzidos tanto pelos meios de comunicação como pela actividade das organizações não-governamentais (1999, p. 215).

Acresce que também passámos a identificar problemas globais, como a alteração do clima, a necessidade de preservação das florestas, o tráfico de droga e os movimentos de capitais.

Desta forma, continuando a seguir o mesmo autor, a própria globalização gera novos problemas jurídicos. Primeiro, porque os actores internacionais reclamam mais transparência e mais previsibilidade na gestão da interdependência. Segundo, porque a multidimensionalidade dos problemas suscitados pela globalização implica que a complexidade em causa tenha que ser domada. Terceiro, porque dá origem a um espaço público mundial, que tem em germe uma espécie de sociedade mundial.

Já o professor de Filosofia do Direito da Universidade de Barcelona, Juan Ramón Capella, fala numa mundialização desigual das relações sociais e numa globalização multifacetada que impõe uma nova estrutura ou campo de poder: a forma Estado perde a sua primazia, ao subordinar-se a um soberano privado supra-estadual, de carácter difuso. Surge assim um campo de inter-relações, onde há nova redistribuição de funções (1997, p. 239).

 

Acrescentaremos, a este respeito, que, a partir da década de noventa do século XX, a radical alteração do ambiente internacional comprimiu, de forma drástica, a margem de manobra dos factores internos de poder, de tal maneira que o sistema político quase deixou de ser uma consequência da soberania, correndo o risco de, no plano interno, tornar-se mero subsistema face à economia e à sociedade.

Diante do desafio de tal mundialização, a reflexão sobre o fenómeno político, libertando-se daqueles quadros que pareciam duradouros, foi obrigada a ter saudades do futuro, dado que, para conseguir entender-se o nascimento do amanhã, temos de voltar a peregrinar pelas origens, a fim de ultrapassarmos certa ditadura de um pretenso processo histórico, que acompanhava o gnosticismo da modernidade.

Com a queda do muro de Berlim em 1989 e o subsequente colapso do sovietismo, ruiu aquela velha ordem mundial, estabelecida pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial, e que viveu, durante quase quatro décadas, segundo o ritmo de uma bipolarização fomentada pela Guerra Fria. Contudo, com a emergência da questão do Golfo Pérsico, em 1990, que levou à operação Tempestade no Deserto do ano seguinte, logo verificámos que, afinal, não tínhamos atingido o gnóstico fim da história, mas que, pelo contrário, talvez começássemos a viver um regresso da história, muitas vezes, traduzido num retorno às questões não resolvidas pelos tratados que encerraram o ciclo da Grande Guerra de 1914-1918.

Esses acontecimentos do fim da década de oitenta do século XX, desde a ascensão de Gorbatchov à queda do muro, com a imediata implosão da URSS, foram até menos causa do que consequência da tal revolução global

A superpotência URSS não era suficientemente poderosa para ser autárcica. Podia ter armas como os SS-20, mas deixara que um simples Cessna pilotado por um teenager alemão aterrasse na Praça Vermelha. Podia ter iniciado com o Sputnik e, depois, com Gagarine, a era da astronáutica, mas não sabia produzir transístores nem máquinas fotocopiadoras. Era suficientemente poderosa para amedrontar o mundo com as bombas termonucleares, mas não conseguia domar os mujaheddin no Afeganistão nem controlar os chechenos. Tal como os norte-americanos não aguentaram o voluntarismo pertinaz dos guerrilheiros vietcong, que também assumiram a sua eficaz mistura nacional-comunista.

Podemos não ter chegado ao almejado fim da história, mas assistimos a uma radical mudança, onde se detectam, entre outros, os seguintes sinais políticos dos tempos:

Em primeiro lugar, com o findar da Guerra Fria e com os sucessivos acordos entre norte-americanos e russos, tornou-se um facto consumado a abolição da guerra entre os principais centros estaduais de poder.

Em segundo lugar, deu-se a inequívoca emergência de um novo centro mundial do poder estadual: o conglomerado das unidades políticas ocidentais, com ramificações mundiais, assentes numa vasta rede de instituições internacionais, lideradas pela ONU, que redobraram a legitimidade da ordem internacional.

Em terceiro lugar, incrementaram-se modelos democráticos, entendidos à maneira ocidental, que se tornaram numa espécie de símbolo do desenvolvimento político.

Em quarto lugar, emergiu um outro direito internacional, assente em novas instituições, como os tribunais internacionais especiais, destinados aos julgamentos dos crimes de guerra e genocídio sobre o Ruanda e a Jugoslávia.

Podemos assim inventariar cinco grandes parcelas da chamada revolução global: a revolução técnico-científica; a revolução da informação; a revolução dos mercados; a revolução demográfica; e a revolução da guerra. De qualquer maneira, todas elas são marcadas pelo ritmo de uma revolução biossocial, que se liga ao crescente aumento da automação; ao crescente aumento do lazer; e ao crescente aumento da média da vida humana (Freyre, 1973, p. 51).

Grande parte das perspectivas sobre relações internacionais continua a ser dominada pelo discurso daqueles que se dedicam profissionalmente às matérias dos negócios estrangeiros, da foreign policy ou da politique étrangère. Dessa arte de conduzir a negociação entre os Estados, para utilizarmos a clássica definição de uma expressão que foi pela primeira vez usada em 1796 por Edmund Burke (1729-1797). Se a diplomacia logo passou a abranger o campo mais vasto das relações entre Estados, organizações internacionais e entidades equiparadas, consideradas sujeitos formais de direito internacional, nela sempre foi dominante a execução da política externa de um Estado, através daquele pessoal especializado a que chamamos corpo diplomático.

Com efeito, a diplomacia continua a ser uma discípula dilecta da arte política, dessa arte de governar os povos, e não é por acaso que, mesmo nas Faculdades de Direito, antes de haver matérias de história das relações internacionais, se institucionalizaram disciplinas de história diplomática. Também o direito internacional público se desenvolveu pela via institucional do estudo das organizações internacionais, antes de surgir uma disciplina globalista do fenómeno das próprias relações internacionais, e de começar a procurar-se uma teoria geral do fenómeno, além da diplomacia pura.

Aliás, num pequeno Estado como o português, a matéria começou a ser estudada de forma empírica, atendendo ao peso de certos negócios na nossa política externa. Por isso é que a abordagem científica das relações internacionais foi iniciada na escola universitária que se dedicava ao estudo da política e do direito coloniais, ou ultramarinos. Pela mesma razão, quando, depois, explodiram as questões da política e do direito da integração europeia, e do comunitarismo consequente, foram os cultores destes ramos que desenvolveram tais processos.

Os recursos científicos portugueses sempre foram bens escassos e nunca se desperdiçaram em divagações doutrinárias por domínios etéreos, onde deixamos que continuem a pontificar os grandes deste mundo. Curiosamente, foi na entidade herdeira da Escola Colonial, fundada em 1906, que, nos anos sessenta do século XX, se lançaram os primeiros estudos universitários sobre a integração europeia.

Importa também assinalar que as representações diplomáticas permanentes apenas surgiram na Europa a partir do século XV, revelando que o Estado começava a ser pensado, e praticado, como unidade permanente, como assinala Max Beloff. Assim, Veneza e Génova, já no século XVI, têm relações diplomáticas normais com o Império Otomano, recebendo, sobretudo, a tradição do Império Bizantino. Aliás, Veneza talvez tenha sido o primeiro Estado a organizar os seus arquivos de política externa de forma sistemática.

Em França, Richelieu (1585-1642), em 1626, organiza um ministério dos negócios estrangeiros e, com Luís XIV (1638-1715), já surgem embaixadas permanentes e em Roma, Veneza, Constantinopla, Viena, Haia, Londres, Madrid, Lisboa, Munique, Copenhaga e Berna.

É neste ambiente que D. João V emite o alvará de 28 de Julho de 1736, onde surgem as três primeiras secretarias de estado, base dos actuais ministérios. Voltada para dentro do espaço estadual, estrutura-se a dos Negócios Interiores do Reino. Visando o império, surge a da Marinha e dos Domínios Ultramarinos. E, olhando para os outros Estados, emerge a dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Só mais tarde, por alvará de 15 de Dezembro de 1778, é que vai acrescentar-se a dos Negócios da Fazenda que, contudo, só entra em funcionamento em 6 de Janeiro de 1801. Aliás, as secretarias são coordenadas por um ministro assistente ao despacho, equivalente ao actual primeiro-ministro.

Com efeito, o modelo iluminista posterior à Paz de Vestefália era bem simples e não podia deixar de juntar os negócios estrangeiros à guerra. Mas num Portugal que vivia a vertigem da reprodução do Estado a nível do espaço ultramarino, principalmente num tempo de edificação do Brasil, matéria que ocupava o principal esforço das nossas relações externas.

Só depois da Revolução Liberal e no momento da própria separação do Brasil é que, por decreto de 22 de Setembro de 1822, a matéria dos Negócios Estrangeiros se separa da Guerra. Curiosamente, é a partir de então que Lisboa passou a ter que viver segundo o ritmo da chamada balança da Europa, quando nos tornámos totalmente dependente dos modelos dominantes no Velho Continente, ao sermos obrigados a uma ruptura com o Novo Mundo, que fomos construindo, principalmente naquilo que era, até então, a América Portuguesa.

Resta saber se, face ao desenvolvimento dos meios de comunicação em sentido amplo, as actividades clássicas das missões diplomáticas não se transformarão em sítios meramente protocolares, dada a mobilidade dos mais altos responsáveis políticos. Para não falarmos de alguns grandes globetrotters da política internacional, como Kissinger ou João Paulo II, importa assinalar que, mesmo no caso português, as grandes linhas da política externa passaram a ser representadas na cena internacional pelos próprios chefes do governo, transformando-se os ministros dos estrangeiros e os seus diplomatas em simples assessores dessa unificação.

A efectiva realidade do contacto de indivíduos e grupos fora dos canais das entidades políticas instituídas, levou a que, desde sempre, tenha procurado teorizar-se, de forma prática, o enquadramento de tal troca de pessoas, ideias e mercadorias. Pelo menos, desde que os romanos chegaram à societas gentium e que os medievais, sob inspiração da Igreja Católica, assumiram e praticaram a res publica christiana.

Surgiu, entretanto, o Estado Moderno, primeiro, com o chamado Estado Absoluto que, começando por ser patrimonial se transformou em paternalista, depois, com o Estado do Povo Soberano, que, iniciando-se no Liberal, ousou ser Democrático e começa agora a querer ser de Direito e até de Justiça.

Nesta sequência, se há os que defendem a mera organização internacional, que apenas pode actuar inter-estadualmente, outros advogam a integração internacional, já de carácter transnacional. Contudo, os chamados integracionistas dividem-se por vários modelos.

Uns continuam na senda do método da hegemonia, considerando que todos os centros políticos particulares devem ceder perante um deles. Outros defendem que deve instaurar-se uma sociedade política mundial, um governo mundial, com ligação directa entre esse centro político e todos os homens. Um terceiro grupo, por seu lado, apenas sugere a criação de um directório, ou uma aliança, entre unidades políticas dominantes.

Hegemonia, que, etimologicamente, quer dizer acto de caminhar à frente, vem do grego hegemon, o chefe ou comandante, chegando, em Roma, a significar o mero poder absoluto. Só no século XIX é que o termo passou a ser usado em matéria de relações internacionais, visando qualificar o papel de um Estado dominante, face aos que são por ele influenciados. Surgiram assim os Estados directores, as potências hegemónicas, feudalizando multidões, bem alinhadas, de Estados secundários.

Hedley Bull (1977, pp. 214-215) define a mesma hegemonioa como a situação onde uma grande potência exerce a sua liderança usando esporadicamente, e não habitualmente, a força, ou a ameaça da sua utilização, distinguindo-a dominação (o uso habitual da força) e da primazia (o uso habitual da negociação).

Na verdade, o Congresso de Viena veio estabelecer novo mapa político da Europa, ao abrigo de uma balança de poderes que garantiu a paz global europeia durante cerca de quarenta anos. Talleyrand considerava, então, que deveriam estar representados todos os Estados: os mais pequenos e os maiores, inteiramente independentes da força. Contudo, logo reconhecia que só as Grandes Potências têm a ver com o todo, dado que as pequenas apenas poderiam intervir no sistema particular onde se inserissem: les grandes puissances seules, embrassant l’ensemble, ordenneraient chacune des parties par rapport au tout.

Consolidou-se assim uma divisão entre Estados Directores e Estados Secundários, repetindo-se o processo com a ordem internacional surgida da Segunda Guerra Mundial, quando surgiu uma hierarquia mundial do poder que, conforme Adriano Moreira, consistia em duas superpotências, grandes potências (os restantes membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, dotados de poder atómico), potências médias, pequenas potências e Estados Exíguos (1989, p. 39).

Numa observação da distribuição da população e do rendimento, Karl Deutsch, em 1954, observava que sete dos Estados então existentes abrangiam quase sessenta por cento da população e do rendimento do mundo (China, Índia, URSS, USA, Paquistão, Indonésia e Japão). Que havia catorze Estados de grande porte, isto é, com mais de quarenta milhões de habitantes, cinquenta e nove de porte médio (entre cinco e quarenta milhões de habitantes) e sessenta e três Estados pequenos.

Isto para além dos Estados Honorários e dos chamados Estados Exíguos, como o Liechenstein, o Principado do Mónaco e a República de São Marino que, embora com a formal capacidade jurídica dos demais Estados, têm limitações no uso da respectiva soberania, parcialmente desempenhada pelos vizinhos protectores, não sendo também membros de pleno direito da Organização das Nações Unidas.

Aliás superpotência diz-se em inglês superpower. Um Estado que, no plano internacional, dispõe de suficiente poder militar e económico que lhe permite ter uma influência global ou mundial, pelo que é capaz de pressionar um qualquer outro Estado durante um longo período de tempo e de ter acções efectivas em zonas dependentes de outro Estado, sem necessitar que o mesmo lhe dê de consentimento.

O princípio da hierarquia das potências teve importantes reflexos entre nós, principalmente a partir das invasões francesas. Porque, desde então, passámos a ter que ser bons alunos das potências que nos secundarizavam e, apesar da memória de uma anterior grandeza, logo integrámos o ranking  dos pequenos e médios Estados, daqueles que, no contexto de uma hierarquia de potências, têm de gerir dependências, para poderem ser independentes. Isto é, que estão condenados a praticar a chamada acomodação, esse processo de ajustamento face a um conflito, em que grupos ou forças, sem resolverem a fonte real do conflito, fingem que deixam de ser hostis, ao estabelecerem um modus vivendi, ou um modus non moriendi, que só não é harmonia porque, de um momento para o outro, quando um qualquer solista tem suficientes interesses para desafinar, tudo volta, num ápice, à berraria da lei da selva.

A expressão vem de commodus, de cum mais modus, o mesmo que com modos, com medida. Aquela atitude que tenta evitar atritos, procurando sempre a conciliação. Até se diz que a acomodação, quando é provocada pela cobardia, gera o conformismo, diferindo da acomodação corajosa, levada a cabo por quem é norteado por um sincero desejo de paz.

Esta hierarquia subjacente às relações internacionais também pode ser manifestada pela criação de uma aliança ou de um directório entre as principais potências dominantes, os tais great powers. Ainda hoje, no plano da integração europeia, muitos falam no regresso ao directório, quando assistimos aos esforços da locomotiva franco-alemã, para não citarmos o caso das alianças que sustentavam o mundo bipolar da Guerra Fria.

Refira-se que aliança vem o latim ad ligare, o mesmo que juntar a, expressão que entrou no vocabulário contemporâneo através do francês alliance. No plano das relações internacionais, é uma forma permanente de colaboração ou de cooperação entre Estados e pode dizer-se alinhamento, quando não é formalizada através de um escrito. Em qualquer dos casos, as entidades participantes na aliança conservam, formalmente, a respectiva independência ou autonomia. Também, de origem francesa é a expressão bloco, de bloc, que, no plano da política internacional, quer dizer um grupo de Estados que se juntam sem prévio tratado ou aliança, sendo exemplo do processo o grupo de Estados que se juntaram contra a França revolucionária.

Por outras palavras as sucessivas ordens mundiais do mundo contemporâneo acabaram sempre por ser meras situações de anarquia ordenada, através de um neofeudalismo dos donos do poder mundial, criando teias onde se diluíram muitas esperanças movidas pelos sentimentos da paz e da justiça.

Já quanto à ideia de governo mundial, importa assinalar muitos dos grandes impérios do passado a tentaram assumir, nomeadamente sob a forma de monarquia universal. Felizmente, nunca nenhum deles conseguiu concretizar essa embriaguez hegemónica, para utilizarmos uma expressão de Norbert Elias, em Humana Conditio, de 1985, nenhuma atingiu a dimensão de um Estado global unificado, governado a partir de um único centro.

Contudo, as várias civilizações nem por isso deixam de constituir, para utilizarmos a linguagem de Arnold Toynbee, um só mundo (One World), uma super-civilização, sem bárbaros nas fronteiras. Este mesmo autor falava em cinco civilizações: a ocidental-cristã (Western), a cristã oriental (Orthodox Christian), a islâmica (Arabic… now incorporated with the Iranic into the Islamic society of to-day), a indiana e a chinesa, referindo que todas elas ousaram transformar-se em Estado Universal.

Segundo as respectivas teses, cada civilização seria produto de uma minoria criadora, que responderia a sucessivos reptos, desenvolvendo-se. Primeiro, elas cresceriam através de uma espécie de élan, that carries them from challenge through response to further challenge and from differentiation through integration to differentiation again (II, 1934, p. 128).

O crescimento aconteceria quando, ao desafio, se segue uma aceitação, provocando novo desafio e assim sucessivamente. Haveria, contudo, um momento de paragem, quando a minoria deixa de ser criadora e apenas procura conservar o poder que deixou de merecer, levando a que o povo, ou proletariado, a deixe de seguir.

Passa-se, então, ao estádio de Igreja Universal, aquela que nasce da existência dos humilhados e ofendidos da conjuntura interna (o proletariado interno), para se unir aos bárbaros vindos do exterior (o proletariado externo). Só depois viria a desintegração, já no momento da instituição do Estado Universal.

Noutra perspectiva, e ainda com linguagem actual, diremos que se alguns preferem um novo centro marcado pelo unitarismo, outros defendem uma estrutura federal. Mas, entre os não unitaristas, se há teses federalistas propriamente ditas, que advogam o imediatismo de um novo contrato, eis que também surgem posições marcadas por aquilo que alguns qualificam como o federalismo funcionalista e gradualista, o chamado federalismo sem dor, de Robert Schuman e Jean Monnet, que prevê a transferência para o novo centro de apenas algumas funções dos anteriores centros políticos.

Numa posição terceirista, surgem também os que, na linha de Kant, advogam uma república universal, entendida como uma exigência ética, no sentido de levar cada Estado existente a comportar-se como se todos os Estados existentes, formassem um Estado Mundial, uma civitas humana, a fim de poderem limitar-se os poderes do Estado-Leviatã. Esses que, indo além do Iluminismo, mergulham no próprio conceito de Cícero (106-43 a.C.), sobre a república, ou coisa comum, que tanto exige a multitudo, como a communio, uma comunidade de intereses e de fins, sempre norteadas pelo consensus iuris.

É a posição assumida por Wilhelm Röpke que defende um plano global de luta contra o espírito de guerra, o nacionalismo, o maquiavelismo e a anarquia internacional, capaz de inverter o facto da soberania dos Estados tender para o absolutismo, por gerar a identificação da massa com a nação e com o Estado, marcado por um maquiavelismo que é não apenas uma má moral, mas também uma má política (1945/1947, pp. 22, 41, 39 e 57)..

Na mesma senda, o referido Arnold Toynbee, em nome da mãe terra (Mother Earth, 1976), se defende uma cidade mundial, rejeita um governo mundial, dada a importância dos Estados historicamente existentes, que deveriam encaminhar-se para um novo Estado mundial federativo. Qualquer tentativa de eliminar do mapa político os Estados actuais, como aconteceu com os prussianos, e de redesenhar totalmente o mapa, não seria uma tentativa de política prática.

Utilizando a terminologia da escola funcionalista norte-americana, a integração internacional poderá ser definida como o processo através do qual os agentes políticos transferem, para um novo centro político supranacional, lealdades, expectativas e actividades políticas (Ernst B. Haas, 1966, p. 70), assentando em doutrinas e em instituições que têm como objectivo a aplicação de um direito universal acima das jurisdições nacionais, segundo as quais pode atribuir-se, a uma entidade superior aos Estados, aquele poder decisório que penetra na tradicional jurisdição interna dos Estados.

Foi, aliás, o cientista político britânico, de origens romenas, David Mitrany (1888-1975), quem, primeiro, fez uma aplicação dos modelos funcionalistas ao fenómeno da integração internacional, em 1943, ao considerar negativo o modelo de integração da Sociedade das Nações, defendendo a criação de uma rede de organizações internacionais, com vocação técnica e com um objectivo utilitário, tendo em vista a realização de tarefas concretas e necessárias. Tudo em nome da velha ideia, segundo a qual são as funções que determinam os seus órgãos apropriados, nomeadamente um instrumento executivo adaptado à sua actividade própria. Até porque a maior parte das funções poderão ser organizadas com o consenso dos governos nacionais mais interessados.

Invocando o cepticismo entusiasta do fundador do conservadorismo, Edmund Burke, segundo o qual o governo é uma tarefa prática, livrando-se de formas constitucionais para prazer dos visionários, aconselhava que, finda a guerra,  a manutenção da paz não deveria assentar em grandes instituições supranacionais, mas através da cooperação dos Estados, no sentido da realização de objectivos bem concretos, respondendo a necessidades económicas e sociais. Até porque não asseguraremos a paz no mundo se a organizarmos segundo o que a divide, pelo que os elementos de um sistema funcional poderiam começar a sua actividade sem autoridade política geral. Um objectivo pragmático seria o único mobilizador, apesar de poder também constituir um ponto de partida para posteriores projectos, já mais ambiciosos.

Em nome da conciliação de interesses comuns pretendia ajustar a liberdade nacional à organização internacional. A ideia acabou por influenciar a modelação do próprio sistema da ONU e, depois, serviu de inspiração a Jean Monnet para o lançamento do projecto europeu.

Mas foi no próprio ano da institucionalização do modelo do Tratado de Roma e da subida ao poder de De Gaulle que a escola funcionalista norte-americana de ciência política, pela pena de Ernst B. Haas, analisando o processo de construção europeia marcado pela integração económica da CECA, começou a falar em integração funcional, considerando que decisões económicas limitadas seriam as mais aptas para a obtenção de escolhas políticas cruciais, as quais seriam provocadas mais por convergências de interesses do que por opções políticas.

Neste sentido, referia poder existir a passagem automática de uma união económica para uma união política, dado que a dinâmica ascendente da integração permitiria que a mesma se estendesse progressivamente a outros sectores económicos, a sectores políticos e até a outros países. E isto, porque o novo centro político, gerado pela integração sectorial económica, entraria em relações directas com os principais actores sociais e políticos, os grupos de interesse e os partidos políticos, pelo que as próprias crises levariam ao reforço da integração e da comunidade por ela gerada. No fim do processo, atingir-se-ia, inevitavelmente, um novo Estado de natureza federal.

Para se conseguir tal objectivo, bastaria o desencadeamento do processo de estabelecimento de uma instituição supranacional num determinado sector económico, que levaria automaticamente à cobertura de outros sectores (Haas,1958).

O choque gaullista e o consequente desaparecimento do motor federalista, ao mesmo tempo que se começavam a pôr em causa os mecanismos do Welfare State do pós-guerra, levaram a que o próprio Haas tivesse que modificar a sua teoria em 1964. Assim, é obrigado a temperar o seu determinismo sócio-económico, reconhecendo que a lógica da integração funcional já não é automática, mas probabilista: trata-se de um processo frágil, susceptível de voltar atrás e a sua evolução depende de muitas variáveis, entre as quais destaca o poder das lealdades nacionais e das lideranças, as quais podem ser distintas dos automatismos integracionistas.

Por outras palavras, a Comunidade passa a ser perspectivada segundo o velho modelo realista da balança de poderes, traduzindo-se num equilíbrio entre forças integracionistas e forças anti-integracionistas. A integração deixa de ser um mero processo, sem referência a um fim político, e trata de mergulhar, mais uma vez, no domínio dos valores, nomeadamente nos da democracia e do Estado de Direito, o que, para além das lideranças políticas, implicaria o próprio apelo à participação dos cidadãos.

Partindo de alguns destes pressupostos da nebulosa federalista, eis que, entre nós, o Professor Adriano Moreira ensina que essa mesma integração internacional tanto poderá ser federalista como funcionalista, salientando que, nesta última, há as seguintes variantes: integração económica (zonas de comércio livre, mercados comuns e mercados únicos), a integração social (livre circulação de mercadorias, serviços, capitais e pessoas), a integração política (institui novos mecanismos de decisão política, nomeadamente poder legislativo, poder executivo, poder judicial e poder confederativo, ou política externa) e a integração militar (instaura uma política comum de segurança e defesa que visa optimizar a defesa e a segurança, aumentar o potencial político na balança internacional dos poderes, ou eliminar as causas de anteriores conflitos entre os agentes que participam na integração).

Dentro da escola norte-americana, há quem tenha da integração política uma opinião mais geral, ligando-a a um conceito global de unificação. É o caso do professor da Universidade de Columbia, Amitai Etzioni, para quem há três tipos de integração numa comunidade política, correspondentes a três tipos de poder. Porque as estruturas políticas e sociais não evoluem apenas pela crescente especialização ou pela ruptura das cisões. Elas também podem evoluir pela unificação, quando, perante a exigência de funções novas, para que se não encontra resposta na estrutura anterior se estabelecem novas estruturas. Caminha-se assim para a integração política, para uma espécie de epigénese sempre que não há infuncionalidade dos anteriores mecanismos.

Por outras palavras, Etzioni vai além das anteriores teses funcionalistas, segundo as quais as estruturas apenas mudam pela cisão, especializando-se crescentemente para o cumprimento de funções cada vez mais precisas, considerando que as mesmas estruturas podem evoluir pela unificação, acrescentando a si mesmas novas estruturas, as tais que nem sequer existiam em germe no contexto histórico precedente. Funções inteiramente novas podem gerar novos desafios e contribuir para esse acrescentamento, que não é mera cessão de poder, mas uma autêntica criação de um novo poder (1968, pp. 554-555).

Se atendermos ao physical power, ao poder proveniente da coerção, o mecanismo de integração é marcado pela existência de um poder de coacção superior a qualquer outro.

Distinto deste poder físico, há uma segunda forma de poder, dita material power, o poder que se fundamenta na capacidade de distribuir ou de recusar vantagens materializáveis, como no caso do poder económico, que leva a uma integração baseada num centro de decisão, com poder suficiente para influenciar a repartição de bens.

Finalmente, há um poder normativo ou simbólico, normative power ou symbolic power, o poder que se fundamenta na aptidão para se mobilizarem convicções. Assim, a integração política por este produzida assenta num centro principal, que apenas mobiliza a lealdade política dos membros da unidade em causa.

Estes três poderes actuam, normalmente, em conjunto e geram mecanismos de integração autárcica, isto é, não dependem de entidades exteriores à comunidade em causa, tanto para o estabelecimento do respectivo espaço de actuação, como para a definição da respectiva estrutura interna.

Desse complexo, gerou-se um arquipélago de comunidades. Não apenas portuguesas, lusíadas e meramente lusófonas, mas também de luso-descendentes, pelo sangue, pela língua, pela cultura, ou então pela memória de um encontro, ou de um sonho, de futuro, através da procura de uma construção conjunta.

Uma comunidade feita em torno das coisas que se amam, um patamar a caminho do mais belo de todos os ideais políticos: a construção de uma república universal, de uma paz pelo direito, marcadas pela afectividade das emoções.

Depois do fim do ciclo do nosso mais recente império terrestre, aquele que teve como principal teatro o povoamento e as campanhas africanas desse quase um século, que vai da Conferência de Berlim aos acontecimentos de 1974, eis que se tornou obsidiante frase de Pessoa, segundo a qual  minha pátria é a língua portuguesa. Uma invocação que tem servido de mote para as mais variadas glosas sobre a necessidade de consolidação de uma comunidade luso-falante, cujas parcelas alguns comparam aos heterónimos do mesmo super-Camões do Portugal Contemporâneo.

E aqui importa sublinhar que, ao contrário do sucedido com o Estado espanhol que, nos finais do século XIX, foi obrigado, por pressão dos interesses norte-americanos, a abandonar Cuba e as Filipinas, apenas tentando, um pouco à maneira dos objectivos do nosso D. Sebastião, uma forte permanência colonial em Marrocos, os portugueses só fizeram uma aposta africana nesses tais cem anos contemporâneos. Foi então que se desencadeou um movimento de reconstrução imperial, fortemente influenciado pelos ciclos conquistadores daquelas potências coloniais do Ocidente europeu que tentavam humanizar a violência do mercantilismo e a hipocrisia do free trade,  em nome de um missionário white man’s burden.

Aliás, talvez se tenha construído o essencial da presença portuguesa nesse continente durante as décadas de sessenta e setenta do século XX, face ao desafio da chamada guerra colonial, ou das campanhas de África, esse simples capítulo da guerra da África Austral, inserido no mais vasto livro da Guerra Fria. O que bem se demonstra pela circunstância de tal episódio bélico atípico não ter acabado com o nosso abandono de 1974-1975, tendo-se, inclusive, agravado em Angola e em Moçambique, já sem a participação portuguesa.

À maneira de Santo Agostinho, podemos dizer que em 1974-1975 não foi o mundo português que acabou, mas sim um novo mundo português que começou, dado que talvez continuem fecundantes as esperanças de Portugal. Porque, como dizia Arnold Toynbee, numa civilização em crescimento, a um desafio opõe-se uma réplica vitoriosa que vai imediatamente gerar um outro desafio diferente a encontro do qual se ergue uma outra réplica vitoriosa (The Study of History, II, 1934, p. 128).

 

 

Nov 08

Região autónoma dos fidalgos franciscanos, com indicação dos devidos títulos, discriminadamente. A vermelho por causa da causa.

A palaciana sala de Galveias estava apinhada e permitia os olhos nos olhos. Francisco, coerente, não levava gravata e continuava o ritmo de “picareta falante”. Os fiéis batiam palmas. E aqui fica a lista dos apoiantes (optámos pelo traço grosso, para alargar o tamanho): Adelino Fortunato, professor universitário, faculdade de economia da Universidade de Coimbra; Alda Macedo, deputada; Alexandre Alves Costa, arquitecto e professor universitário, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto; Alfreda Cruz, geógrafa, foi dirigente do MDP/CDE; Alfredo Frade, médico; Alice Brito, advogada; Ana Cardoso Pires, tradutora, Évora; Ana Cristina Ribeiro, autarca; Ana Drago, deputada; Ana Gabriela Macedo, professora universitária; André Carrilho, ilustrador; André Jorge, editor; Andrea Peniche, editora; António Barrela, dirigente do CESP e da CT da Brisa; António Augusto Barros, encenador; António Chora, coordenador da CT da Autoeuropa; António Gonzalez, arqueólogo, fundador do PEV, activista do movimento ecologista; António Grosso, coordenador Comissão Sindical Banco Santander Totta; António Ribeiro, geólogo, faculdade de ciências da Universidade de Lisboa; António Sousa Ribeiro, professor universitário, faculdade de letras da Universidade de Coimbra; Adelino Granja, advogado; Bernardo Sousa, historiador, Universidade Nova de Lisboa; Boaventura Sousa Santos, professor universitário, director do Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra; Camané, fadista; Carlos Felizardo, membro da CT da NAV; Catarina Alves Costa, cineasta; Catarina Martins, actriz; Celso Cruzeiro, advogado; Clara Queiroz, professora catedrática da Faculdade de Ciências de Lisboa; Cláudio Torres, arqueólogo, prémio Pessoa; Conceição Duarte, dirigente do SNTCT e da CT dos CTT; Eduardo Maia Costa, jurista, procurador-geral adjunto; Fátima Grácio, técnica superior da função pública; Fernanda Rodrigues, assistente social e professora universitária; Fernando Nunes da Silva, urbanista, Instituto Superior Técnico; Fernando Rosas, deputado; Fernando Silveira Ramos, engenheiro civil, foi dirigente do MDP/CDE; Fernando Tordo, músico; Filomena Marona Beja, escritora; Francisco Teixeira da Mota, advogado; Gaspar Martins Pereira, historiador, Universidade do Porto; Gonçalo Amorim, actor; Guilhermino Monteiro, professor e músico; Helena Lopes da Silva, médica; Helena Neves, socióloga, foi directora da revista Mulheres; Heloísa Perista, socióloga/investigadora; Helena Pinto, deputada; Henrique Leal, autarca; Isabel Allegro de Magalhães, professora universitária, Universidade Nova de Lisboa; Jacinto Rodrigues, professor universitário; Jaime Correia de Sousa, médico; João Bau, engenheiro civil, foi director da EPAL; João Fiadeiro, coreógrafo; João Martins Pereira, engenheiro, foi secretário de estado da indústria em 1975; João Nabais, advogado, presidente da direcção da DECO; João Pascoal, coordenador CT Banco Santander Totta; João Teixeira Lopes, deputado; João Semedo, médico, director do Hospital Joaquim Urbano; João Zilhão, arqueólogo, Universidade de Bristol, foi director do Instituto Português de Arqueologia; João Arriscado Nunes, sociólogo; João Grosso, actor; João Magueijo, físico, Imperial College; (London)/Perimeter Institute (Canadá), autor de “Mais Rápido que a Luz”; Jorge Campos, professor do Ensino Superior; Jorge Dias de Deus, físico, Instituto Superior Técnico, autor de “Einstein”; Jorge Magalhães, membro da direcção nacional do CESP (sindicato de comércio e Serviços); Jorge Sequeiros, médico, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida; José António Bandeirinha, professor universitário, faculdade de arquitectura de Coimbra; José Augusto Ferreira da Silva, advogado; José Carretas, encenador; José Carrilho, Membro da CT da PT; José Filipe, Membro da CT da EDP Distribuição e Federação Sindicatos Indústrias Eléctricas; José Franco, Membro da CT da SIBS; José Gigante, arquitecto; José Grade, professor universitário; José Luis Peixoto, escritor; José Manuel Pureza, professor universitário, faculdade de economia da Universidade de Coimbra; José Paiva, artista plástico; José Sousa Ribeiro, editor; José Taborda Duarte, matemático, Instituto Superior Técnico; Leonor Cintra Gomes, arquitecta, presidente da secção regional de Lisboa da Ordem dos Arquitectos; Luis Catarino, editor; Luís Castro, Membro da CT da REN; Luísa Costa Gomes, escritora; Luís Fazenda, deputado; Luísa Ferreira da Silva, socióloga, professora universitária; Mamadou Ba, dirigente associativo de imigrantes; Manuela Bacelar, artista plástica; Manuela Fonseca, dirigente Sindicato Função Pública do Sul; Manuela Tavares, professora e investigadora na área dos movimentos feministas; Margarida Carreira, dirigente Sindicato Enfermeiros; Maria Helena Trindade Lopes, egiptóloga, Universidade Nova de Lisboa; Maria Irene Ramalho, catedrática da Faculdade de Letras de Coimbra; Maria José Alves, médica; Maria Manuela Rodrigues, direcção da Associação 25 Abril (delegação Norte); Maria Priscila Soares, activista do desenvolvimento local, Algarve; Mariana Aiveca, deputada; Mário Brochado Coelho, advogado; Mário Tomé, militar na reforma; Messias, vocalista dos Mercado Negro; Miguel Guedes, jurista e músico, vocalista dos Blind Zero; Miguel Vital, foi coordenador do sindicato da Função Pública do Norte; Miguel Vale de Almeida, antropólogo, professor universitário; Milice Ribeiro dos Santos, professora universitária; Mísia, fadista; Natxo Checa, galeria ZDB; Nuno Saraiva, autor de BD; Palmira Miranda Santana, investigadora em estudos sobre as mulheres na Universidade Aberta; Paulo Pulido Valente, produtor cultural; Pedro Choy, médico acupunturista; Pedro Gil Ferreira, astrofísico, Universidade de Oxford; Raquel Ralha, vocalista dos Belle Chase Hotel e dos Wray Gunn; Ricardo Sá Fernandes, advogado; Rui Aguiar, artista plástico; Sérgio Fernandez, arquitecto e professor universitário, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto; Sérgio Godinho, músico; Sílvia Brito, actriz; Susana Ralha, programadora cultural; Teresa Dias Coelho, pintora; Teresa Vasconcelos, Escola Superior de Educação, foi directora geral do ensino básico; Vítor Edmundo, CT da Manutenção Militar; Zé Pedro, músico, Xutos & Pontapés; Zélia Afonso, animadora cultural, dirigente da Associação José Afonso

Nov 08

Lista geral da nova nobreza do Portugal a que chegámos*

Se não faz parte dos honrados membros desta lista situacionista, corre o risco de se transformar em homem comum.

*Soma das comissões de honra de Cavaco, Soares e Alegre, por ordem alfabética. Pedimos desculpa por não os distinguirmos, mas a ordem das preferências é uma simples junção do acaso e da necessidade.

 

 

 

 

Abdool Karim Vakil, Abel Cabral Couto, Abel F. Queiroz Nascimento, Abel Monteiro Grilo, Abel Nogueira, Abílio De Freitas Pereira, Abílio Hernandez, Abílio Marques Pires, Abílio Matos Diogo, Acácio Alferes, Acácio Oliveira, Acácio Xavier, Adalberto Neiva de Oliveira, Adalcina Casimiro, Adelino Silva, Adélio Silva Fonseca, Adolfo da Cunha Nunes Roque, Adriano de Magalhães, Adriano Sousa, Adriano Vasco Rodrigues, Adriano Vaz Serra, Afonso Abrantes, Afonso de Melo, Afonso de Melo, Afonso de Sousa, Afonso Dias, Agostinho Abade, Agostinho De Carvalho, Agostinho Oliveira, Agustina Bessa-Luís, Albano Coelho Lima , Albano Quintino Tamegão, Albano Silva, Albertina Estrela, Alberto Amaral, Alberto Carneiro, Alberto Correia, Alberto De Lacerda, Alberto do Carmo, Alberto Figueiredo, Alberto Gameiro Jorge, Alberto Matos Ferreira, Alberto Mesquita, Alberto Salvado Santos, Alberto Seixas Santos, Alberto Souto, Albino Aroso, Albino Bárbara, Alcino Cardoso, Alcino Miguel Morais Silva, Alcino Soutinho, Alda Maria Cordeiro Salgado, Alexandre Baptista Pereira, Alexandre Bonança, Alexandre Carlos da Mota Pinto, Alexandre Cortez Pinto, Alexandre José Linhares Furtado, Alexandre Marta, Alexandre Melo, Alexandre Quintanilha, Alexandre Zagalo, Alfredo Barroso, Alfredo Bruto Da Costa, Alfredo Castanheira Neves, Alfredo Cunha, Alfredo Duarte Costa, Alfredo Marques, Alípio de Freitas, Alípio de Melo, Alípio Pereira Dias , Alípio Tomé Pinto, Almeida Faria, Almeno Gonçalves, Almerindo Rego, Altamiro Claro, Álvaro Barreto, Alvaro Carrilho, Álvaro Cassuto, Álvaro Monjardino, Alvaro Pedro, Álvaro Pereira, Alvaro Rocha, Álvaro Siza Vieira, Amadeu Carvalho Homem, Amadeu Lopes Sabino, Amadeu Penim, Amadeu Valente Rodrigues, Amado Mendes, Amândio Oliveira de Carvalho, Américo Amorim , Américo de Figueiredo, Américo Dinis da Gama, Américo Pereira, Américo Santos, Amilcar Araújo, Amílcar Lousa, Ana Aleixo, Ana Barata, Ana Bettencourt, Ana Fernandes, Ana Ferreira, Ana Filgueiras, Ana Gomes, Ana Leonor Pereira, Ana Luísa Amaral, Ana Maria Boto Silvestre, Ana Maria Ferreira, Ana Maria Lucas, Ana Matias, Ana Passos, Ana Pires, Ana Prata, Ana Sara Brito, Ana Viegas, Ana Vieira, Ana Zanatt, André Caldas, André Gonçalves Pereira, André Jordan, Andreia Soutinho, Ângelo De Sousa, Ângelo dos Santos Reis, Aníbal Alcino Ribeiro dos Santos, Aníbal de Oliveira , Aníbal Santos, Anselmo Santos, Antero Calvo, Antero de Quental, Antonieta Garcia, António A. Cantante Fernandes, António Alçada Baptista, António Amaro, António Arnau, António Baptista Lopes, António Barbosa, António Barbosa de Melo, António Barros Cardoso, António Batista Lopes, António Brás Monteiro, António Cabral, António Câmara, António Camilo, António Campinos, António Campos, António Carranca, António Carrapatoso, António Casimiro Ferreira, António Castel-Branco Borges, António Castro Fernandes, António Clun, António Cordeiro, António Damásio, António de Aguiar Esteves, Antonio De Almeida, António Dias Da Cunha, António dos Santos Ramalho Eanes, António Emílio Sacchetti, António Eusébi, António Felino, António Ferreira, António Ferreira De Brito, António Fidalgo, António Figueiredo, António Florêncio, António Fonseca, António Fonseca E Costa, António Franco, António Frazão, António Gaspar, António Gomes de Pinho, António Gonçalves, António Guerreiro, António Guterres, António Henrique Almeida, António Hespanha, António Holtreman Roquette, António Horta Osório, António Inverno, António Jorge Pinho, Antonio José Costa Sequeira, António José dos Santos, António José Marrasquinho Soares, António José Pinto Godinho, António Júlio De Almeida, António Lagoa Henriques, António Lobo Antunes, António Lobo Xavier, António Luís Leal, António M. Martins da Cruz, António Macedo, António Magalhães, António Maia Gonçalves, António Maldonado Gonelha, António Manuel Antunes Marçal, António Manuel Fernandes Simões, António Manuel Grosso Correia, António Manuel Martins Miguel, António Manuel Mendes Lopes, António Manuel Ribeiro, António Manuel Viegas Rosa, António Maria Pereira, António Marques Mendes, António Martins, António Martins da Cruz, António Meliço Silvestre, António Melo, António Meneses Cordeiro, António Morais, António Murta, António Neto Brandão, António Neves, António Neves, António Nunes Diogo, António Oliveira, António Oliveira ( Toni ), António Oliveira das Neves, António Paiva, António Paula Santos, António Pedro Couto Da Rocha Pita, António Pedro da Franca Carvalho, António Peixinho, António Pereira, António Pereira Júnior, António Pessoa, António Pina Pereira, António Pinto Barbosa, António Pinto Leite, António Pires da Silva, António Ramalhinho, António Reis, António Reis, António Rocha E Melo, António Rochete, António Rodrigues, António Rodrigues, António Rodrigues, António Rodrigues Maximiano, António Rosado, António Ruella Ramos, António Sala, António Santo Justo, António Serra Lopes, António Serrano, António Tabucchi, António Teodoro, António Valadas Fernandes, António Valdemar, António Veloso, António Vilhena, António Vitorino D’almeida, António Vitorino Pereira, António-Pedro Vasconcelos, Apolinário Vaz Portugal , Aquilino Ribeiro Machado, Aristides Guedes Coelho, Arlete Brito, Arlindo Costa Leite, Armando Baptista Bastos, Armando Costa Leite de Pinho, Armando Gonçalves, Armando Lacerda, Armando Lopes Porto, Armando Marques Guedes, Armando Reis, Armando Sales Luís, Armando Sevinate Pinto, Armando Vara, Armindo Abreu, Armindo Carvalho, Armindo Costa Leite de Pinho, Armindo Rodrigo Leite, Artur Cascarejo, Artur Cascarejo, Artur João Lourenço Vaz, Artur Jorge, Artur Portela, Artur Rosa, Artur Vaz Pimentel, Augusto Cid, Augusto Dos Santos Faustino, Augusto Lopes Cardoso, Augusto Monteiro Valente, Aurélio Aleixo Corbal, Aurora Cunha, Aventino Teixeira, Axel Matias Buus,

 

 

 

Bartolomeu Cid Dos Santos, Beatriz Da Conceição, Beatriz Gentil, Beatriz Pacheco Pereira, Benjamim Formigo, Bento Domingues, Bernardino Gomes, Bernardino Páscoa, Bernardo Pinto de Almeida, Berta Nunes, Branca M. Menezes S.G. Borrego, Bruno Manuel F. Mendes, Camilo Morais, Camilo Mortágua, Campos Coroa, Cândida Pinto De Almeida, Capoulas Santos, Carla Alves, Carlos Alberto Leitão Salgado, Carlos Alberto Moniz, Carlos Alberto N. P. Neves (Pacman), Carlos Alberto Sequeira, Carlos Albino, Carlos Alegria, Carlos Amaral Dias, Carlos André, Carlos Artur Trindade Sá Furtado, Carlos Augusto Coelho Pires, Carlos Ávila, Carlos Avillez, Carlos Barbosa, Carlos Barral, Carlos Barreira, Carlos Blanco de Morais, Carlos Borrego, Carlos Brito, Carlos Cabral, Carlos Cabral, Carlos Cachulo, Carlos Calado, Carlos Cardoso, Carlos Carranca, Carlos Castanheir, Carlos Castro, Carlos César, Carlos Costa, Carlos Costa Santos, Carlos de Campos Andrada, Carlos Diogo Moreira, Carlos Eugénio de Brito, Carlos Eugénio Gouveia Pinto, Carlos Figueiredo, Carlos Galvão De Melo, Carlos Godinho, Carlos Lopes, Carlos Manuel, Carlos Manuel Martins, Carlos Manuel Vieira da Silva, Carlos Marchão, Carlos Massapina, Carlos Mendes, Carlos Miguel, Carlos Miranda, Carlos Monjardino, Carlos Nogueira, Carlos Oliveira, Carlos Panta, Carlos Pereira Cruz, Carlos Pereira Santos, Carlos Pimenta, Carlos Queirós, Carlos Rebelo, Carlos Reis, Carlos Reis José, Carlos Ribeiro, Carlos Santana Maia, Carlos Santos, Carlos Santos Ferreira, Carlos Silva, Carlos Sousa, Carlos Trindade, Carlos Tuta, Carlos Vargas, Carlos Vargas, Carlos Veiga Ferreira, Carlos Ventura Martins, Carolina Tito de Morais, Casimiro De Brito, Catarina Albuquerque, Catarina Avelar, Catarina Valente Rodrigues, Catarino Costa, Cecília Duarte, Celestino Quaresma, Célia Ramos, Celina Pereira, Cipriano De Oliveira, Clara Crabbé Rocha, Clara Ferreira Alves, Clara Loff, Clara Pinto Correia, Clara Rocha, Clara Xavier De Sá, Clotilde Fava, Conceição Martins, Corália Vicente, Cristina Figueira, Cristina Vigon, Cristovão de Aguiar, Cucha Carvalheir, Custódio J. Vilela Maldonado Freitas, Daniel Adrião, Daniel Nave, Daniel Pedrosa, Daniel Proença de Carvalho, Daniel Sampaio, Dante Macedo, Dario Alves, David de Almeida, David Lopes Ramos, David Martins, Defensor Moura, Delfim Ferreira Leão, Delmiro Carreira, Desidério do Ó, Diamantino Elias, Diamantino Miranda, Diana Andringa, Diana Garrido, Dília Isidoro, Dinis Acácio, Dinis Cortes, Dinis da Silva Freitas, Dino Monteiro, Diogo de Lucena, Diogo Dória, Diogo Leite de Campos, Diogo Pires Aurélio, Diogo Vaz Guedes, Domingos Caetano, Domingos Ferreira Pinto, Domingos Paulino, Domingos Silva, Domingos Torrão, Dora Gomes, Duarte d’Orey, Duarte Sousa, Duarte Vilar, Dulce Reis

 

 

 

 

Edgar Valles, Edite Estrela, Edmundo Pedro, Eduarda Mansinho, Eduardo Âmbar, Eduardo Barroso, Eduardo Batarda, Eduardo de Almeida Catroga, Eduardo Ferro Rodrigue, Eduardo Lourenço, Eduardo Mendes De Brito, Eduardo Nery, Eduardo Prado Coelho, Eduardo Sanches Osório, Eduardo Souto Moura, Efigénio Rebelo, Elídio Meireles, Elisa Ferreira, Elisabete Jacinto, Elísio Alexandre Soares dos Santos, Elísio Estanque, Elísio Summavielle, Elza Pais, Ema Gonçalo, Emanuel Câmara, Emanuel Jardim Fernandes, Emanuel Linhares Furtado, Emanuel Maranha Das Neves, Emanuel Martins, Emanuel Rodrigues, Emídio Rangel, Emídio Xavier, Emília Alírio, Emílio António Pessoa Mesquita, Ernesto Ribeiro da Silva, Ernesto Rodrigues, Ernesto Vieira, Espiga Pinto, Estela Monteiro, Eugénio da Silva Correia, Eunice Muñoz, Eurico Almeida, Eurídice Pereira, Eusébio, Fátima Barros, Fátima de Matos, Fátima Roque, Fátima Silveira, Fausto Bordalo Dias, Fausto Correia, Fausto de Quadros, Felipe Gama, Fernanda Gonçalves Ramos, Fernanda Lopes Cardoso, Fernanda Pires Da Silva, Fernanda Rolo, Fernanda Torre, Fernando Aguiar-Branco, Fernando Alberto Ribeiro da Silva, Fernando Alves, Fernando Alves Correia, Fernando Amâncio Ferreira, Fernando Amaral, Fernando Anastácio, Fernando Andrade Gonçalves de Pais, Fernando António Aires Ferreira, Fernando Arrobas da Silva, Fernando Brito Soares, Fernando Cabodeira, Fernando Cabrita, Fernando Cardoso, Fernando Carvalho Rodrigues, Fernando Catroga, Fernando Chalana, Fernando Condesso, Fernando Cordeiro, Fernando Dacost, Fernando de Melo Antunes Mendes, Fernando Dos Anjos Alves Antunes, Fernando Dos Santos Carvalho, Fernando Echevarria, Fernando Fantasia, Fernando Faria de Oliveira, Fernando Freire De Sousa, Fernando Gil , Fernando Godinho, Fernando Gomes, Fernando Guedes, Fernando Henriques, Fernando Isidoro, Fernando José F. Costa Mascarenhas, Fernando José Machado Gomes, Fernando Lanhas, Fernando Lima, Fernando Lopes, Fernando Lopes, Fernando Lopes Barreira, Fernando Lopes Da Silva, Fernando Manata, Fernando Marques Cordeiro, Fernando Matias Roque, Fernando Morais, Fernando Nobre, Fernando Paulouro, Fernando Pimentel, Fernando Pina Da Silva, Fernando Pinto do Amaral, Fernando Pratas, Fernando Ramos, Fernando Rebelo, Fernando Regateiro, Fernando Reino, Fernando Rodrigues, Fernando Santos Neves, Fernando Simões, Fernando Tavares Carlos, Fernando Ulrich, Filipa Melo, Filipa Pais, Filipe Cost, Filipe da Silva Nobre, Filipe de Botton, Filipe La Féria, Filipe Palma, Filomena Gonçalves , Flak, Fortunato Oliveira Frederico, Francis Obikwelu Francisco Assis, Francisco Almeida e Sousa, Francisco António Febrero, Francisco Branco Sampaio, Francisco Campos, Francisco Castro Rodrigues, Francisco Corredoura, Francisco Costa, Francisco da Costa (Costinha), Francisco de Matos, Francisco Fanhais, Francisco Ferreira, Francisco Fonseca Da Silva, Francisco José de Melo Ferreira, Francisco José Viegas, Francisco Knopfli, Francisco Laranjo, Francisco Lopes Carvalho, Francisco Marques Pereira, Francisco Martins, Francisco Murteira Nabo, Francisco Orelha, Francisco Ramos, Francisco Rego, Francisco Ribeiro, Francisco Seixas Da Costa, Francisco Simões, Francisco van Zeller,

 

 

 

 

 

Gabriel Bastos, Gabriel Espírito Santo, Gabriel Mendes, Gabriela Canavilhas, Germano de Lima, Germano De Sousa, Germano Xavier Mourão do Carmo, Gil Nadais, Gil Romão, Gilberto Santos, Gisela Lima, Graça Costa Cabral, Graça Fonseca, Graça Lobo, Graça Morais, Gualberto Soares, Guida Maria, Guilherme da Palma Carlos, Guilherme Leite, Guilherme Pinto, Guilhermina Gomes, Guilhermino Carvalhinho, Hanna Damásio, Helder Castanheira, Helder Corujas, Helder Costa, Hélder Macedo, Helena Almeida, Helena André, Helena Cidade Moura, Helena Guerra, Helena Kendall, Helena Rocha e Melo, Helena Roseta, Hélia Correia, Henrique António Oliveira Troncho, Henrique Botelho, Henrique Cayatte, Henrique Granadeiro, Henrique Machado Jorge, Henrique Melo, Henrique Neto, Henrique Reis, Henrique Soares de Albergaria, Herlander Estrela, Hermínio Palmeira, Hermitério Monteiro, Hilário Marcelino Teixeira, Hipólito Pires, Homem Cardoso, Horácio Roque , Hugo Rocha, Ilídio Pinho, Ilídio Rodrigues, Inês Pedrosa, Irene Santos, Isabel Alçada, Isabel Almeida Mota, Isabel Botelho de Sousa, Isabel Castro, Isabel Corte-Real, Isabel Cruz, Isabel Gomes Motta, Isabel Guerra, Isabel Janelas, Isabel Pinto Correia, Isabel Ramos, Isabel Silveira Godinho, Isilda Pelicano,

 

 

 

 

J.P. Simões, Jacinto Delfim B. Ferreira Martins, Jacinto Lucas Pires, Jacinto Luís, Jacinto Simões, Jaime Andrez, Jaime Isidoro, Jaime Pina, Jamila Madeira, Jerónimo Silva, Jesualdo Ferreira, Joana Amaral Dias, Joana Vasconcelos, João Abel Manta, João Alberto, João Almeida Santos, João Álvaro Correia da Cunha, João André Amaral, João Appleton, João Azevedo, João Baptista da Silva, João Barros Madeira, João Bénard Da Costa, João Benavente, João Borges Assunção, João Bosco Soares Mota Amaral, João Botelho, João Botilheiro, João Burrica, João Calvão da Silva, João Campino, João Caraça, João Cardoso Rosas, João Carlos Espada, João Cayatte, João Chasqueira, João Correia, João Costa Pinto, João Cutileiro, João D’ Almeida, João de Deus Pinheiro, João Dias da Silva, João Diogo Nunes Barata, João Dos Santos Relvas, João Ferreira da Costa, João Ferreira Do Amaral, João Ferreira Ponte, João Filipe Cortez Queiró, João Gomes, João Gomes, João Guterres, João José F. Costa Soares, João José Ferreira Botas, João José Mendes Nabais, João Justino Alves, João Leal Amado, João Leite, João Lima, João Lopes Porto, João Lourenço, João Luís Carrilho Da Graça, João Luís César das Neves, João Malheiro, João Manuel Nóbrega e Silva, João Manuel Versos Cravino, João Maria Pinto, João Maria Reigota, João Marques Pinto, João Monjardino, João Morais, João Morais Leitão, João Mota, João Mota, João Moura, João Noronha Carvalho, João Nuno Mendes, João Oliveira, João Paço, João Pardal Monteiro, João Paulo Barbosa de Melo , João Paulo Bessa, João Paulo Cotrim, João Paulo Matias, João Paulo Monteiro, João Pedro Pais, João Pedro Xavier de Brito, João Pereira Coutinho, João Pina, João Proença, João Queirós, João Queiroz e Melo, João Rendeiro, João Rodrigues, João Rodrigues, João Soares Louro, João Sousa, João Taveira Pinto, João Teixeira Fernandes, João Tomás, João Vasconcelos, João Vieira, João Wengorovius, Joaquim Aguiar, Joaquim Alexandre de Oliveira Carneiro, Joaquim Barreto, Joaquim Carlos Dias Valente, Joaquim Carlos Neto Murta, Joaquim César Rocha Alves, Joaquim Coimbra, Joaquim De Almeida, Joaquim De Matos, Joaquim Dias Cardoso , Joaquim Faria e Almeida, Joaquim Feio, Joaquim Ferreira do Amaral, Joaquim Fialho Anastácio, Joaquim Gomes Canotilho, Joaquim Jorge, Joaquim José Borges de Gouveia, Joaquim José Carvalho Afonso, Joaquim José Figueiredo Lima, Joaquim M. V. Poças Martins, Joaquim Martins, Joaquim Mourão, Joaquim Pessoa, Joaquim Pinheiro Coelho, Joaquim Pinto Machado, Joaquim Pires, Joaquim Ramos, Joaquim Raposo, Joaquim Rita, Joaquim Romero de Magalhães, Joaquim Rosa Do Céu, Joaquim Sarmento, Joaquim Tho, Joaquim Veríssimo Serrão, Joel Branco, Joel Hasse Ferreira, Joel Ribeiro dos Santos, Jorge Abreu Matos, Jorge Araújo, Jorge Araújo, Jorge Armindo, Jorge Arroteia, Jorge Baptista, Jorge Bleck, Jorge Braga de Macedo, Jorge Canas da Mota, Jorge Castanho, Jorge Castilho, Jorge Catarino, Jorge Conceição, Jorge Coroado, Jorge Costa, Jorge da Silva Pinto, Jorge Domingos Salvador, Jorge Figueiredo Dias, Jorge Ginja, Jorge Gonçalves, Jorge Justino, Jorge Leite, Jorge Luís Oliveira, Jorge Macaista Malheiros, Jorge Magalhães, Jorge Manuel Brochado Miranda, Jorge Manuel Jesus, Jorge Melicio da Conceição, Jorge Palma, Jorge Quininha, Jorge Quintas, Jorge Rebelo De Almeida, Jorge Salavisa, Jorge Santos, Jorge Silva, Jorge Sobral, Jorge Torgal, José Acácio Dimas de Lacerda, José Afonso Gil, José Afonso Lestra Gonçalves, José Alberto De Azeredo Lopes, José Alberto Fateixa, José Alberto Fateixa Palmeiro, José Alberto Marques, José Alho, José António Almeida Santos, José António Cardoso, José António da Silva Rocha, José António Martins Campos, José António Silveira Godinho, José Apolinário, José Augusto, José Augusto Almeida, José Augusto Pereira Neto, José Augusto Ramos Rocha, José Aurélio, José Bento, José Bernardo Falcão e Cunha, José Blanco, José Brandão, José Campos, José Cardoso Da Silva, José Cardoso Fontão, José Carlos Martins , José Carlos Seabra Pereira, José Carlos Simões, José Carlos Zorrinho, José Casalta Nabais, José Cascão Silva, José Cobra, José Coelho Jordão, José Cunha, José Cutileiro, José da Silva Peneda, José Daniel Abrunheiro, José Eduardo Garcia Leandro, José Eduardo Guimarães, José Eduardo Lopes Ferreira, José Eduardo Meira da Cunha, José Emílio Moreira, José Epifânio da Franca, José Ernesto D’oliveira, José Ernesto Oliveira, José Fanha, José Farinha, José Felisberto Marques, José Fernandes Fafe, José Fernando Jorge Duque, José Fernando Martins, José Ferraz, José Fonseca E Costa, José Fontão, José Francisco Faria e Costa, José Francisco Vieira, José G. Fernandes Cunha Vaz, José Gabriel Viegas, José Girão Vitorino, José Guerreiro, José Guilherme Xavier de Basto, José Henrique Cardal, José Henriques, José Infantes, José Inocêncio, José J. Sousa Fernandes, José João Bianchi, José João Cardoso Leite, José Leitão, José Lemos, José Letras Pinheiro, José Lima, José Lopes, José Lopes Da Silva, José Luis Cardoso, José Luís Carneiro, José Luís Crespo de Carvalho, José Luís da Cruz Vilaça, José Luís Nogueira de Brito, José Luís Rasquilha, José Luís Serra Rodrigues, José Machado, José Manuel Araújo Barbosa, José Manuel Brandão De Brito, José Manuel Cardoso da Costa, José Manuel Castanheira da Costa, José Manuel Cavaco Cabrita, José Manuel Custódio, José Manuel da Silva Appleton, José Manuel de Mello, José Manuel Fava, José Manuel Ferraz de Oliveira, José Manuel Ferro, José Manuel Freitas, José Manuel Galvão Teles, José Manuel Gameiro, José Manuel Goes Ferreira, José Manuel Henriques, José Manuel Mendes, José Manuel Mesquita, José Manuel Morais Cabral, José Manuel Moreira, José Manuel Neves Adelino, José Manuel Palróz, José Manuel Picão De Abreu, José Manuel Resende, José Manuel Rodrigues, José Manuel Salvador Tribolet, José Manuel Santinha Lopes, José Manuel Saraiva, José Manuel Simões Figueiredo, José Manuel Tarroso Gomes, José Manuel Tengarrinha, José Manuel Torres Miguens, José Maria Guerreiro, José Mário Brandã, José Mattoso, José Mendes Barros, José Miguel Júdice, José Miranda, José Moita, José Monteiro, José Monteiro Gama, José Mota, José Niza, José Nunes Liberato, José Nuno Martins, José Oulman Bensaúde Carp, José Pedro Cardoso, José Pedro Croft, José Pedrosa, José Penedos, José Pereira Lopes, José Rebelo, José Reina, José Reis, José Ribeiro Ferreira, José Rodrigues, José Roquette, José Santo Freire, José Santos Teixeira, José Saramago, José Sasportes, José Silva Lopes, José Sommer Ribeiro, José Sousa Fernandes, José Sousa Gomes, José Subtil, José Tavares, José Veiga Simão, José Vicente Moura, José Zaluar Basílio, Joshua Ruah, Josias Gil, Julião Sarmento, Júlio Barroso, Júlio Cardoso, Julio Isidro, Julio Machado Vaz, Júlio Montalvão Machado, Júlio Moreira, Júlio Pedrosa, Júlio Pêgo, Júlio Pinheiro, Júlio Pomar, Júlio Ramos,

 

 

 

 

Kalidás Barreto, Kantilal Jamnadas, Kelly Basílio, Laura Bulger, Laura Larcher Graça, Laura Soutinho, Lena d´Água, Leonel Moura, Leonor Beleza, Leonor Pinhão, Leonor Xavier, Lia Gama, Liberto Cruz, Lídia Amaro Machado, Lídia Jorge, Lígia Amâncio, Lígia Monteiro, Lima de Carvalho, Lino Pintado, Lino Silva Pereira, Lisete Romão, Lourdes Norberto, Lucas Estevão, Ludgero Marques, Luís Abel Polainas, Luís Adão da Fonseca, Luís Aires-Barros, Luís Aleluia, Luís Almeida, Luís Alves, Luís Amorim De Sousa, Luís António Mendes Dias, Luís António Oliveira Ramos , Luís Araújo, Luís Bramão, Luís Canha, Luís Canto Moniz, Luís Cília, Luís Conceição, Luís Couto Gonçalves, Luís Ferreira Alves, Luís Fidalgo, Luís Fontoura, Luís Gamito, Luís Gaspar Da Silva, Luís Guilherme Leal Pereira, Luís Horta, Luís Lima Barreto, Luís Magalhães, Luís Manuel Conceição, Luís Manuel Cunha Ribeiro, Luís Miguel Beleza , Luís Miguel Ribeiro Oliveira Duarte, Luís Miguel Santos Sebastião , Luís Moita, Luís Nazaré, Luís Noronha Da Costa, Luís Ortigão Costa, Luís Palha, Luís Reis Torgal, Luís Represas, Luís Roque, Luís Saias, Luís Serpa, Luís Tade, Luís Tavares, Luís Valle, Luísa Anastácio, Luísa Ducla Soares, Luisa Feijó, Luísa Gueifão Ferreira, Luísa Irene Dias Amado, Luísa Maria Moniz, Luísa Mellid Franco, Luísa Mendonça, Luísa Schmidt, Luiz Francisco Rebello, Lusitano Dos Santos,

 

 

 

 

Macaísta Malheiros, Mafalda Ivo Cruz, Mafalda Lopes Da Cost, Mafalda Mota Pinto, Manuel Afonso Pires de Andrade, Manuel Alberto Dias Pereira, Manuel Alberto Valente, Manuel Almeida, Manuel Alves, Manuel Anastácio Filipe, Manuel António Gouveia Ferreira, Manuel António Pina, Manuel António Silva, Manuel Baptista, Manuel Barbosa Ribeiro, Manuel Brito, Manuel Brito, Manuel Caeiro, Manuel Campilho, Manuel Cardoso de Sousa, Manuel Cargaleiro, Manuel Carlos da Costa e Silva, Manuel Carrajeta, Manuel Casimiro de Almeida, Manuel Cavaleiro Brandão, Manuel Correia Fernandes, Manuel Costa Andrade, Manuel da Costa Brás, Manuel Da Luz, Manuel Da Silva, Manuel de Carvalho Fernandes Thomaz, Manuel Dias Coelho, Manuel Dos Santos, Manuel Esteves dos Santos Peixoto, Manuel Faria, Manuel Ferreira De Oliveira, Manuel Freire, Manuel Furtado, Manuel Gonçalves Borralho, Manuel Henriques Mesquita, Manuel Ivo Cruz, Manuel Jacinto Nunes, Manuel João Vieira, Manuel Jorge Barbosa Pereira, Manuel José, Manuel José Homem De Mello, Manuel José Veloso Gomes, Manuel José Vilares, Manuel Lopes Da Costa, Manuel Lopes Porto, Manuel Maria Carrilho, Manuel Maria Fernandes Thomaz, Manuel Maris Cruz, Manuel Martins, Manuel Murteira, Manuel Oliveira, Manuel Pais Clemente, Manuel Pedro Magalhães, Manuel Pedroso Marques, Manuel Pereira Dos Santos, Manuel Pina, Manuel Pinto Barbosa, Manuel Pinto Machado, Manuel Rodrigues Inácio, Manuel Rosendo, Manuel Sabino, Manuel Salgado, Manuel Silva Pereira, Manuel Sobrinho Simões, Manuel Tainha, Manuel Tinoco de Faria, Manuel Torres, Manuel Vicente, Manuel Vidinha, Manuel Violas, Manuela Aguiar, Manuela De Azevedo, Manuela Jardim, Manuela Júdice, Manuela Lacerda, Manuela Machado, Manuela Maria, Manuela Morgado, Manuela Neto, Manuela Teixeira, Mapril José Dinis Bernardes, Marcello Mathias, Marcos Badalo, Margarida Barros Moura, Margarida de Jesus, Margarida Faria, Margarida Feijó, Margarida Lages, Margarida Marante, Margarida Martins, Margarida Pedrosa, Margarida Pinto Correia, Margarida Ruas, Margarida Veiga, Maria Alexandra Mesquita, Maria Amélia Antunes, Maria Angela Miguel Grácio, Maria Antónia Batista, Maria Antónia Catanho De Meneze, Maria Antónia Palla, Maria Belo, Maria Calado, Maria Cândida Borges de Madureira, Maria Cândida Sousa Morai, Maria da Conceição Moita, Maria da Conceição Rodrigues, Maria da Graça M. Silva Carvalho , Maria Da Luz Rosinha, Maria de Fátima Belo de Carvalho, Maria de Fátima de Sequeira Dias, Maria De Jesus Serra Lopes, Maria De Sousa, Maria Do Carmo Dalmau, Maria Do Carmo Ramos Da Costa, Maria Do Carmo Sequeira, Maria do Céu Cunha Rego, Maria Do Céu Guerra, Maria Eduarda Gonçalves, Maria Emília Araújo, Maria Emília Brederode Santos, Maria Emília Monjardino, Maria Emília Tito de Morais, Maria Estela Barbot, Maria Eunice Castro, Maria Fernanda Abreu, Maria Fernanda Carvalho Dos Santos, Maria Fernanda Mota Pinto, Maria Helena Caldas Portela, Maria Helena Campos Andrada, Maria Helena Corrêa, Maria Isabel Charneco Brites, Maria Isabel Moreno Xavier Escudeiro, Maria João Franco, Maria João George, Maria João Grancha, Maria João Mendes, Maria João Pires, Maria João Rodrigues, Maria João Sande Lemos, Maria João Seixas, Maria José Azevedo, Maria José Constâncio, Maria José Ferro Tavares, Maria José Fonseca Correia, Maria José Gama, Maria José Lancastre, Maria José Leal, Maria José Martins, Maria José Miranda, Maria José Nogueira Pinto, Maria José Oliveira, Maria José Rau, Maria José Ruas, Maria Judite Pinto Mendes De Abreu, Maria Luísa Marques Pinto Batista, Maria Luísa Mateus, Maria Luisa Sarsfield Cabral, Maria Manuel Leitão Marques, Maria Manuel Pinto Barbosa, Maria Manuela Silva, Maria Margarida Salema, Maria Nobre Franco, Maria Odete dos Santos Ferreira, Maria Proença, Maria Rosa De Sousa, Maria Salomé Conceição Rafael, Maria Santos, Maria Susete Abreu, Maria Teresa Almeida Garrett, Maria Teresa Horta, Maria Teresa Portugal, Maria Virginia Pinto, Maria Vitalina Leal de Matos, Mariana Franco, Mariana Rey Monteiro, Mário Beja Santos, Mário Campos, Mário Campos Pinto, Mário Canelas, Mário Cesariny, Mário Cláudio, Mário de Carvalho, Mário Dorminski, Mário Ferreira, Mário Figueiredo, Mário Jesus da Silva, Mário Jorge, Mário Júlio de Almeida Costa, Mário Laginha, Mário Marques, Mário Matos Ribeiro, Mário Mesquita, Mário Moniz Pereira, Mário Mourão, Mário Paes de Sousa, Mário Raposo, Mário Ruivo, Mário Sottomayor Cardia, Mário Valle, Mário Wilson, Mário Zambujal, Marisa Abreu, Marta Rebelo, Marta Wengorovius, Martim Portugal, Matide Marçal, Matilde Sousa Franco, Menezes Rodrigues, Mesquita Machado, Miguel Alberto Cristo, Miguel Alves, Miguel Carneiro de Moura, Miguel Cordeiro Henriques, Miguel Duarte, Miguel Esteves, Miguel Ginestal, Miguel Melo, Miguel Monjardino, Miguel Patacão Rodrigues, Miguel Veiga, Miguel Vieira Batista, Miguel Vonn Haff, Mónica Baldaque,

 

 

 

Nascimento Costa, Natália Umbelina, Nazim Ahmad, Nélia Monteiro, Nelo Vingada, Nelson Cunha Correia, Nelson de Matos, Nelson M. Bento, Nicolau Breyner, Nikias Skapinakis, Nilson Jardim, Nobre Dos Santos, Norberto António Lopes Patinho, Norberto Canha, Norberto Patinho, Norberto Pilar, Norma Tasca, Nuno Botelho, Nuno Brandão, Nuno Brederode Santos, Nuno Cardoso da Silva, Nuno Cordeiro Ferreira, Nuno Félix da Costa, Nuno Fernandes Thomaz, Nuno Gama, Nuno Godinho De Matos, Nuno J. G. Viegas Nascimento, Nuno José da Costa Campos Grima, Nuno Júdice, Nuno Portas, Nuno Severiano Teixeira, Nuno Teotónio Pereira, Nuno Vieira De Almeida, Nuno Vieira Matias, Octávio Cerqueira Rocha, Octávio Dias Garcia, Olegário Bemquerença, Oliveira Martins, Orlando Afonso, Orlando Mendes, Orlando Monteiro da Silva, Orlando Portela, Orlando Soares, Oscar Góis, Paco Bandeira, Paiva De Carvalho, Parcídio Sumavielle, Paula Morão, Paula Rego, Paula Teresa R. Borges Alexandrino, Paulo Branco, Paulo Caldas, Paulo Canha, Paulo Casaca, Paulo Cleto, Paulo Cunh, Paulo de Carvalho, Paulo Farinha, Paulo Felício, Paulo Fernandes, Paulo Guerra, Paulo Lowndes Marques, Paulo Mendo, Paulo Pedroso, Paulo Sucena, Paulo Teixeira Pinto, Paulo Trincão, Paulo Tunhas, Paulo Vallada, Pedro Abrunhosa, Pedro Bacelar De Vasconcelos, Pedro Barroso, Pedro Burmester, Pedro Caldeira Cabral, Pedro Carmo, Pedro Castro, Pedro Coelh, Pedro Colaço, Pedro Couceiro, Pedro de Noronha Pissarra, Pedro Gomes, Pedro Guedes De Oliveira, Pedro Lamy, Pedro Lomba, Pedro Luzes, Pedro Manuel Pereira, Pedro Neto, Pedro Paes de Vasconcellos, Pedro Ponce , Pedro Rodrigues, Pedro Tamen, Peter Villax, Petit, Piedade Murta, Pinho Marques, Pio Abreu, Quim,

 

 

 

Raquel do Carmo Leite Mota Noronha, Raul Calado, Raul Capela, Raul Henriques, Raul Meireles, Renato De Araújo, Renato Dias Mendes, Ricardo Adão, Ricardo Bayão Horta, Ricardo Gonçalves, Ricardo Oliveira, Ricardo Pereira, Ricardo Sá Pinto, Ricardo Silva, Richard Zimler, Rita Blanco, Rita Ferro, Rita Guerra, Rita Pestana, Rita Wengorovius, Roberto Monteiro, Rodolfo Iriarte, Rodolfo Lavrador, Rodrigo Santiago, Rogério Gaspar, Rogério Moura, Rogério Pinto, Rogério Samora, Rogério Vieiros, Romualdo Pescada, Rosa Lobato Faria, Rosa Mota, Rosa Nery De Sttau Monteiro, Rosa Nunes de Almeida, Rosa Pita, Rosalina Machado, Rosinda Castanhas, Rui Alarcão, Rui Barreiro, Rui Barreiros Duarte, Rui Caçador, Rui Caetano, Rui Carlos Pereira, Rui Carreteiro, Rui Cartaxana, Rui Chancerelle de Machete, Rui Correia, Rui Feijó, Rui Gomes do Amaral, Rui Graça Feijó, Rui Júnior, Rui Lagartinho, Rui Lourenço, Rui Madeira, Rui Manuel Varela Gusmão, Rui Mário Gonçalves, Rui Meireles, Rui Mendes, Rui Moreira, Rui Mota Cardosa, Rui Nabeiro, Rui Namorado, Rui Pena, Rui Pena Pires, Rui Solheiro, Rui Vasconcelos de Macedo, Rui Veloso, Rui Vieira, Rui Vieira Nery, Rui Vilar, Rui Zink, Rute Marques, Ruy de Carvalho,

 

 

 

Sandra Margarida Silva, São José Lapa, Sebastião Alves, Sebastião Camilo Oliveira Ramos, Serafim Manuel Rocha Guimarães, Sérgio Carvalhão Duarte, Sérgio Leal, Sérgio Niza, Sérgio Pombo, Sérgio Rebelo, Sérgio Sousa Pinto, Sílio Correia, Sílvia Chicó, Sílvia Rizzo, Silvino Sequeira, Sofia Ferreira, Stela Bicker Piteira Santos, Strecht Monteiro, Susana Amador, Sybille Schön, Teixeira Silva, Telles Grilo, Teodora Cardoso, Teolinda Gersão, Teresa Ambrósioteresa Beleza, Teresa Coimbra, Teresa Cortez, Teresa Freitas, Teresa Gaspar, Teresa Lago, Teresa Mendes, Teresa Nunes Vicente, Teresa Perry Vidal, Teresa Rita Lopes, Teresa Sá e Melo, Teresa Tomás Bento, Tiago Bettencourt, Tito Lyon De Castro, Tomás Oliveira Dias, Torres Farinha, Tozé Brito, Ulisses Garrido, Valdemar Marques, Vasco Coelho, Vasco Faria, Vasco Gervásio, Vasco Graça Moura, Vasco Lourenço, Vasco Pereira Costa, Vasco Pereira Coutinho, Vasco Pinto Leite, Vasco Rocha Vieira, Vasco Vieira De Almeida, Vasco Wellenkamp, Vassalo Abreu, Veiga Pires, Vera Adão E Silva, Vera Pires Coelho, Vergílio Folhadela Moreira, Vergílio Meira Soares, Virginia Pinto, Vitor Almeida, Vitor Alves, Vitor Barros, Vítor Belém, Vítor Bento, Vítor Campos, Vitor De Sousa, Vitor Duarte, Vítor Duarte, Vitor Filipe, Vitor Galamba, Vitor Hugo Sequeira, Vítor Jorge Carlos, Vitor Manuel Aguiar e Silva, Vítor Manuel Barão Martelo, Vitor Manuel Camarneiro, Vitor Manuel Graça Cunha, Vítor Manuel Palmeira, Vitor Manuel Sarmento Da Cruz, Vitor Martelo, Vitor Martins, Vítor Martins, Vitor Pavão Dos Santos, Vítor Pereira, Vitor Serpa, Vítor Sousa, Vitorina Mourato, Vitorino, Vladimiro Silva, Walter Diogo, Wanda Stuart, Xan, Xana, Yvette K. Centeno, Zélia Maria Roque Matos

Nov 08

A escravidão dos partidos, a veneração da rotina, o pedantismo das sciencias …

Tendo recebido algumas referências à minha capacidade ficcional sobre o passado fim de semana, aqui vos deixo algumas provas fotográficas da real labuta levada a cabo por um conjunto de portuguesas e portugueses que decidiram levar à prática um programa de luta contra a desertificação do país interior, assumindo a subida ao poleiro em cima de regeneradas oliveiras. Daí que acrescente algumas coisas escritas em 1877:

 

Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das sciencias, da admiração das grandes personagens, das mystificações da politica, do fanatismo dos reformadores, da superstição d’este grande universo, e da adoração de mim mesmo (invocação de Proudhon, com se iniciam “As Farpas”, no dia seguinte à morte de Herculano, o azeiteiro, em 14 de Setembro de 1877, para uso dos presentes gestores da partidocracia e das candidaturas presidenciais).

 

 

 

 

Porque também hoje vivemos o vertiginoso bulicio da vida publica o ardente escriptor, que no seio da multidão fluctuante, estrepitosa, leviana, indifferente, perfida, traiçoeira, ingrata, lançava ás praças e ás ruas publicas, lamacentas e sordidas, as suas idéas de cada dia, nobres, castas, desinteressadas, aladas pelo alphabeto typographico, adejando sobre as immundicias e sobre as dejecções da cidade, como douradas abelhas impollutas, que vão de alma em alma sacudindo das azas luminosas em pollen diamantino a divina verdade.

 

Porque a isolação de Herculano no remanso esteril do dilettantismo bucolico, comprometteu o destino mental d’uma geração inteira. Pelo intenso poder das suas faculdades reflexivas, pela eminencia do seu talento, pela auctoridade da sua palavra, pela popularidade do seu nome, pela reputação nunca discutida da sua honestidade, elle era o homem naturalmente indicado para assumir o pontificado intellectual do seu tempo. A ausencia d’essa auctoridade do espirito sobre o espirito foi uma catastrophe para a geração moderna.

 

 

Porque tudo se resentiu na sociedade portugueza, com o desapparecimento d’esse alto poder moderador, destinado a ser o nucleo do seu governo moral. Á tribuna parlamentar nunca mais tornou a subir um homem cuja voz firme, sonora e vibrante levasse até os quatro cantos do paiz a expressão viril das grandes convicções inflexiveis, dos altos e potentes enthusiasmos ou dos profundos e implacaveis desdens. Essa pobre tribuna deserta degradou-se successivamente até não ser hoje mais do que uma prateleira mal engonçada com algum lixo e o respectivo copo d’agoa.

 

Porque a imprensa decaiu como decaiu a tribuna. Assaltada pelas mediocridades ambiciosas e pelas incompetencias audazes, a imprensa tornou-se um tablado de saltimbancos de feira, convidando o publico a 10 réis por cabeça, para assistir, entre assobios e arremessos de cenouras e de batatas podres, á representação da desbocada comedia, declamada em giria da matula por personagens sarapintados a vermelhão e a ocre, que mostram o punho arregaçado e sapateiam as taboas, como em sarabanda de negros e patifes, com os seus pés miseraveis.

 

 

 

Porque a politica converteu-se em uma vasta associação de intriga, em que os socios combinam dividir-se em diversos grupos, cuja missão é impellirem-se e repellirem-se successivamente uns aos outros, até que a cada um d’elles chegue o mais frequentemente que for possivel a vez d’entrar e sair do governo. Nos pequenos periodos que decorrem entre a chegada e a partida de cada ministerio o grupo respectivo renova-se, depondo alguns dos seus membros nos cargos publicos que vagaram e recrutando novos adeptos candidatos aos logares que vierem a vagar. É este trabalho de assimilação e desassimilação dos partidos, que constitue a vida organica do que se chama a politica portugueza.

 

Porque a arte desnacionalisa-se e afasta-se cada vez mais do fio tradicional que a devia prender estreitamente á grande alma popular. A opinião publica, marasmada pela indifferença, deshabitua-se de pensar e perde o justo criterio por que se julgam os homens e os factos.

 

E se um pensador da alta competencia e da grande auctoridade de Alexandre Herculano tivesse persistido durante os ultimos vinte annos á frente do movimento intellectual do seu tempo, essa influencia teria modificado importantemente o nosso estado social. Na politica ninguem como elle, com as suas opiniões extremas e radicaes, poderia originar a creação dos dois grandes e fortes partidos—o partido conservador e o partido revolucionario,—de cuja controversia depende essencialmente não só o progresso politico da sociedade portugueza, mas a propria conservação do seu regimen constitucional.

 

E na imprensa ninguem como elle poderia elevar a auctoridade da instituição com a sua palavra tão scintillante, tão denodada, tão propria para o debate, e com a sua experiencia tão esclarecida pela convivencia e pela cultura da historia. Na opinião e no espirito publico, ninguem teria uma acção tão segura e tão decisiva, porque ninguem como elle gosou em Portugal d’um tão inteiro prestigio e d’uma tão completa e absoluta auctoridade. Na arte, ninguem ainda mais proprio para levar a creação esthetica á fonte nativa da inspiração, á tradição historica, á raiz da paixão e do sentimento nacional.

Nov 08

Estado é o monopólio da violência legítima

Miguel Relvas, disse hoje que “não há almofadas” no Orçamento do Estado para 2012 que permitam manter um dos subsídios salariais na função pública. “Não há alternativas”. Seguro, como o “perdigão perdeu a pena. Não há mal que lhe não venha. Perdigão que o pensamento subiu a um alto lugar, perde a pena do voar, ganha a pena do tormento.

Este não é o meu orçamento, mas este é o meu país. Este não é o meu orçamento, mas este é o meu país. Este não é o meu orçamento, mas este é o meu país. Logo, a abstenção é violenta, mas é abstenção, sem negociações, mas com conversações. Porque o país está a ser injustiçado. Ou os passos de seguro. Espero que não perdidos.

Berlusconi já era. Amanhã é novo dia. Para que todos os dias tome posse um governo regional, com a consequente tolerância de ponto, para a malta ir à posse. Para que seja para sempre ponte. Volta, Silvio, estás perdoado!

Lá conferenciei na universidade que tem como símbolo a pomba do Espírito Santo, no mais além que pode ser um dever ser que é. O mundo vai ser melhor.

Leio para aí num antimanifesto que eu sou o que sou, porque não passo de um comentador bem avençado e ligado a um partido onde estive antes da queda do muro, quando o actual líder ainda era doutro. Como nada recebo de meus comentários, agradeço que os autores da infâmia me paguem o que dizem que recebo, e que o partido em causa se livre efectivamente das distâncias que dele denuncio hámais de um quarto de século. Ah! Como discutem ideias neste quintal de pobres de espírito.

Já foi há umas semanas, mas não deixa ser verdade, isto é, a imagem, a sondagem, e a sacanagem, até no que dizem ser ciência, quando ela é capturada pelo carreirismo. Como já não posso subir mais na carreira, posso dar voz aos que a não têm.

Parece que só em frangos e no depende da mama da vaca é que estamos em média com a nossa dimensão demográfica face à restante UE…no resto, já somos deserto.

Apenas leio. E recordo que o Estado é o monopólio da violência legítima, logo se os militares se voltarem contra um governo, é canja. Apenas acrescento que, neste momento, não há apenas um Estado, o bom e velho Estado, com tal monopólio, sobre este território e esta população a que chamamos país. Logo, um só golpe de Estado já não chegava. Seriam necessários vários golpes sobre os vários Estados e sobre o supra-estadual a que chegámos. Talvez uma guerra de estrelas…

Já tenho suficientes cicatrizes e matura idade, para saber distinguir a autenticidade das manobras de contra-informação. Incluindo as que deixam o rasto dos gabinetes da psico do situacionismo. Sobretudo, quando eles fingem que são oposicionistas e que estão com os pretéritos que cantarolam. O estilo é o homem. O homem que passou.

Gostei de ver o meu Presidente a presidir ao Conselho de Segurança da ONU. Sem ironia. E em língua de Camões e Cecília Meireles.

Acabei de ouvir o político civil mais verbosamente especialista em militares que temos tido, desancar no Otelo e colocar Vasco Lourenço ao mesmo nível. Não subscrevo. Apenas recordo que a primeira manifestação ideológica de Otelo depois do 25 de Abril foi confessar-se social-democrata, antes de alinhar na nebulosa da democracia dita de base. E não me esqueço que foi ele que derrubou Vasco, o Gonçalves, quando nisso foi enrolado pelos companheiros de Vasco Lourenço, com o PSD a ajudar.

Bispos dizem que trocam o do Corpo de Deus, cumprido sempre à quinta-feira, e o da Assunção de Nossa Senhora por dois feriados ditos civis. Eu pensava que tantos os ditos religiosos como os ditos da religião secular eram todos do povo. Assim a modos que as cinco chagas que são símbolo da metapolítica nacional. Porque desde o século XII que estas o são sem necessidade de autorização do Vaticano, ou de uma concordata.

Nov 08

Farpas

A questão europeia passa, cada vez mais, além da Europa. A Rússia já anuncia que todos os BRIC vão estabelecer condições para o fundo europeu do nosso não afundamento. É tudo cada vez mais de subterrâneos e de submarinos. Como o que destes se revela na guerra recente da Líbia, ou nas inconfidências que serão desveladas por estes dias com um livro de Bernard H. Levy sobre as conversações entre o CNRT e Paris. Quase tudo se passa atrás do palco. Como sempre.

 

A velha política internacional já supera certo normativismo da integração europeia. Outros factores de poder começam a libertar-nos dos economocratas. Pode ser que, finalmente, a geofinança leve uma cacetada. Que seja para melhor. Mas tenho medo. Sobretudo, da ameaça de guerra, como factor de equilíbrio face à injustiça. Sejamos cautos.

 

Saber é poder. Principalmente, a “inside information”. Aquela que nem se revela aos serviços secretos.

Nov 08

Reflexões

Estranha-se que um articulista de um periódico partidário já cite o “Protocolo dos Sábios do Sião”, invocando o perigo do governo mundial comandado pelo Sionismo, o Vaticano e a Maçonaria. Devem ser restos de certa subcultura KGB que ficou desempregada desde a guerra da Sérvia…
O exercício da teoria da conspiração, a que costumam recorrer a extrema-direita e a extrema-esquerda, bem como os fundamentalismos religiosos , ou os populismos de ocasião, de esquerda e de direita, tem-se também insinuado entre certo jornalismo sensacionalista da nossa praça, nomeadamente a pretexto da elaboração de listas de suspeitos de antinação, emitidas por várias redes de fantasmas e preconceitos, marcadas pelo fanatismo, a ignorância e a intolerância.
Como não tem sido mero acaso a inclusão de certos nomes nessas listas, apenas podemos comprovar o rasto e o que lhe deu origem. E confirmar a velha aliança de irmãos-inimigos que, quando no poder, coincidiram nos mesmos objectos de perseguição, supressão e extinção.
Bem me lembro de um cena tida com um desses anjinhos ainda não decaídos que instrumentalizava o sistema conspiratório e que, posto perante prova inequívoca, respondeu com toda a candura maléfica: “é política, pá, é política”.
O crime, neste e noutros casos, compensou e continua a compensar, graças aos inocentes úteis e os candidatos a intelectuais orgânicos, no desemprego, que receberam carreira, contrato, avença ou “outsourcing.
Por trás do espectáculo mediático da política e da economia, claro que há bastidores, nomeadamente grupos de pressão e grupos de interesse, corruptores e corruptos, bem como agências de descodificação. Mas isso estuda-se e pode impedir-se, através de adequada estratégia e de boa informação. Sempre foi assim. E há-de continuar a ser. Para que pensar continue a ser o dizer não. Em resistência.
Nov 07

Uma alegre terceira via, com patrióticas simpatias

Abel Nogueira, Abílio Hernandez, Abílio Marques Pires, Abílio Matos Diogo, Acácio Alferes, Acácio Oliveira, Adalcina Casimiro, Afonso de Melo, Afonso de Melo, Afonso de Sousa, Afonso Dias, Agostinho Oliveira, Albano Silva, Albertina Estrela, Alberto Correia, Alberto do Carmo, Alberto Gameiro Jorge, Alberto Salvado Santos, Albino Bárbara, Alcino Miguel Morais Silva, Alda Maria Cordeiro Salgado, Alexandre Baptista Pereira, Alexandre Bonança, Alexandre Cortez Pinto, Alexandre Marta, Alexandre Zagalo, Alfredo Barroso, Alípio de Freitas, Alípio de Melo, Almeno Gonçalves, Amadeu Valente Rodrigues, Amado Mendes, Américo de Figueiredo, Américo Dinis da Gama, Amilcar Araújo, Ana Aleixo, Ana Fernandes, Ana Ferreira, Ana Maria Boto Silvestre, Ana Maria Ferreira, Ana Maria Lucas, Ana Matias, Ana Passos, Ana Pires, Ana Sara Brito, Ângelo dos Santos Reis, Aníbal Alcino Ribeiro dos Santos, Antero de Quental, António A. Cantante Fernandes, António Carranca, António Cordeiro, António de Aguiar Esteves, António Florêncio, António Frazão, António Gaspar, António Gonçalves, António Henrique Almeida, Antonio José Costa Sequeira, António José Marrasquinho Soares, António José Pinto Godinho, António Luís Leal, António Macedo, António Maia Gonçalves, António Manuel Antunes Marçal, António Manuel Grosso Correia, António Manuel Ribeiro, António Manuel Viegas Rosa, António Melo, António Neto Brandão, António Nunes Diogo, António Oliveira ( Toni ), António Oliveira das Neves, António Pedro da Franca Carvalho, António Pessoa, António Pina Pereira, António Pires da Silva, António Rodrigues, António Veloso, António Vilhena, António Vitorino Pereira, Armando Gonçalves, Armando Reis, Augusto Monteiro Valente, Benjamim Formigo, Bernardino Páscoa, Branca M. Menezes S.G. Borrego, Bruno Manuel F. Mendes, Camilo Mortágua, Campos Coroa, Carla Alves, Carlos Alberto Leitão Salgado, Carlos Alberto N. P. Neves (Pacman), Carlos Alegria, Carlos Artur Trindade Sá Furtado, Carlos Augusto Coelho Pires, Carlos Barreira, Carlos Brito, Carlos Cabral, Carlos Carranca, Carlos Costa, Carlos Costa Santos, Carlos de Campos Andrada, Carlos Diogo Moreira, Carlos Eugénio Gouveia Pinto, Carlos Manuel, Carlos Manuel Martins, Carlos Manuel Vieira da Silva, Carlos Marchão, Carlos Massapina, Carlos Pereira Cruz, Carlos Pereira Santos, Carlos Reis, Carlos Reis José, Carlos Ribeiro, Carlos Santos, Carlos Vargas, Carolina Tito de Morais, Catarina Albuquerque, Catarina Valente Rodrigues, Cecília Duarte, Celestino Quaresma, Célia Ramos, Clara Crabbé Rocha, Clara Loff, Clara Pinto Correia, Clara Rocha, Corália Vicente, Cristovão de Aguiar, Custódio J. Vilela Maldonado Freitas, David de Almeida, David Martins, Desidério do Ó, Diamantino Miranda, Diana Garrido, Dília Isidoro, Dinis Acácio, Dinis Cortes, Dino Monteiro, Diogo Dória, Domingos Caetano, Domingos Ferreira Pinto, Domingos Silva, Duarte Vilar, Dulce Reis, Edgar Valles, Edmundo Pedro, Eduarda Mansinho, Eduardo Prado Coelho, Eduardo Sanches Osório, Elísio Estanque, Emília Alírio, Ernesto Ribeiro da Silva, Ernesto Rodrigues, Espiga Pinto, Eugénio da Silva Correia, Fátima de Matos, Fausto Bordalo Dias, Fernando Alves, Fernando Amâncio Ferreira, Fernando Andrade Gonçalves de Pais, Fernando António Aires Ferreira, Fernando Arrobas da Silva, Fernando Cabrita, Fernando Chalana, Fernando de Melo Antunes Mendes, Fernando Godinho, Fernando Gomes, Fernando Isidoro, Fernando José F. Costa Mascarenhas, Fernando José Machado Gomes, Fernando Pinto do Amaral, Filipa Melo, Filipe da Silva Nobre, Filipe Palma, Flak, Francisco António Febrero, Francisco Branco Sampaio, Francisco da Costa (Costinha), Francisco de Matos, Francisco Fanhais, Francisco José de Melo Ferreira, Francisco Ramos, Francisco Rego, Francisco Simões, Gabriel Mendes, Germano de Lima, Germano Xavier Mourão do Carmo, Gil Nadais, Gilberto Santos, Gisela Lima, Gualberto Soares, Guilherme da Palma Carlos, Guilhermino Carvalhinho, Hélder Macedo, Helena Rocha e Melo, Helena Roseta, Hélia Correia, Henrique Botelho, Henrique Melo, Henrique Reis, Hilário Marcelino Teixeira, Homem Cardoso, Inês Pedrosa, Irene Santos, Isabel Botelho de Sousa, Isabel Castro, Isabel Cruz, Isabel Guerra, Isabel Janelas, Isabel Pinto Correia, Isabel Ramos, J.P. Simões, Jacinto Delfim B. Ferreira Martins, Jacinto Lucas Pires, Jaime Pina, Jerónimo Silva, Jesualdo Ferreira, João Álvaro Correia da Cunha, João André Amaral, João Barros Madeira, João Botelho, João Botilheiro, João Cayatte, João Chasqueira, João Correia, João Ferreira da Costa, João José F. Costa Soares, João José Ferreira Botas, João Leal Amado, João Malheiro, João Manuel Nóbrega e Silva, João Manuel Versos Cravino, João Maria Pinto, João Morais, João Mota, João Moura, João Paulo Bessa, João Queirós, João Rodrigues, João Sousa, João Wengorovius, Joaquim Jorge, Joaquim José Carvalho Afonso, Joaquim José Figueiredo Lima, Joaquim Pessoa, Joaquim Pinheiro Coelho, Joaquim Rita, Joaquim Romero de Magalhães, Joaquim Sarmento, Joaquim Tho, Joel Ribeiro dos Santos, Jorge Araújo, Jorge Canas da Mota, Jorge Castanho, Jorge Castilho, Jorge Conceição, Jorge Costa, Jorge da Silva Pinto, Jorge Domingos Salvador, Jorge Ginja, Jorge Leite, Jorge Macaista Malheiros, Jorge Melicio da Conceição, Jorge Palma, Jorge Quininha, Jorge Santos, Jorge Silva, Jorge Sobral, José Acácio Dimas de Lacerda, José Afonso Lestra Gonçalves, José António Cardoso, José António da Silva Rocha, José António Martins Campos, José Augusto, José Augusto Pereira Neto, José Augusto Ramos Rocha, José Bento, José Cardoso Fontão, José Carlos Simões, José Cobra, José Cunha, José Daniel Abrunheiro, José Eduardo Meira da Cunha, José Fanha, José Farinha, José Felisberto Marques, José Fontão, José Francisco Faria e Costa, José Francisco Vieira, José Gabriel Viegas, José Henriques, José Infantes, José Leitão, José Lima, José Luis Cardoso, José Manuel Araújo Barbosa, José Manuel Cavaco Cabrita, José Manuel da Silva Appleton, José Manuel Ferraz de Oliveira, José Manuel Freitas, José Manuel Gameiro, José Manuel Henriques, José Manuel Mendes, José Manuel Mesquita, José Manuel Palróz, José Manuel Saraiva, José Manuel Simões Figueiredo, José Manuel Tarroso Gomes, José Moita, José Monteiro, José Monteiro Gama, José Niza, José Rebelo, José Reina, José Ribeiro Ferreira, José Santos Teixeira, José Subtil, José Zaluar Basílio, Josias Gil, Júlio Cardoso, Júlio Pêgo, Júlio Pinheiro, Júlio Ramos, Kelly Basílio, Laura Larcher Graça, Lena d´Água, Lia Gama, Lídia Amaro Machado, Lígia Amâncio, Lima de Carvalho, Luís Abel Polainas, Luís António Mendes Dias, Luís Bramão, Luís Conceição, Luís Ferreira Alves, Luís Lima Barreto, Luís Manuel Conceição, Luís Moita, Luís Reis Torgal, Luís Tavares, Luís Valle, Luísa Anastácio, Luisa Feijó, Luísa Gueifão Ferreira, Luísa Maria Moniz, Luísa Mellid Franco, Mafalda Ivo Cruz, Mafalda Mota Pinto, Manuel Afonso Pires de Andrade, Manuel Alberto Valente, Manuel Anastácio Filipe, Manuel António Gouveia Ferreira, Manuel António Silva, Manuel Caeiro, Manuel Cardoso de Sousa, Manuel Carrajeta, Manuel Correia Fernandes, Manuel Dias Coelho, Manuel Esteves dos Santos Peixoto, Manuel Faria, Manuel Freire, Manuel Gonçalves Borralho, Manuel João Vieira, Manuel Jorge Barbosa Pereira, Manuel José, Manuel José Veloso Gomes, Manuel Pina, Manuel Rodrigues Inácio, Manuel Rosendo, Manuel Sabino, Manuel Tinoco de Faria, Manuel Torres, Manuel Vicente, Manuela Jardim, Manuela Júdice, Manuela Lacerda, Manuela Neto, Mapril José Dinis Bernardes, Marcos Badalo, Margarida Barros Moura, Margarida de Jesus, Margarida Faria, Margarida Lages, Margarida Pedrosa, Maria Cândida Borges de Madureira, Maria da Conceição Moita, Maria da Conceição Rodrigues, Maria de Fátima Belo de Carvalho, Maria do Céu Cunha Rego, Maria Emília Tito de Morais, Maria Eunice Castro, Maria Fernanda Abreu, Maria Helena Campos Andrada, Maria Isabel Charneco Brites, Maria João Franco, Maria João George, Maria João Mendes, Maria José Fonseca Correia, Maria José Gama, Maria José Leal, Maria José Martins, Maria José Ruas, Maria Luísa Marques Pinto Batista, Maria Luísa Mateus, Maria Proença, Maria Teresa Portugal, Maria Virginia Pinto, Mariana Franco, Mário Cláudio, Mário de Carvalho, Mário Figueiredo, Mário Valle, Mário Wilson, Mário Zambujal, Marisa Abreu, Marta Wengorovius, Martim Portugal, Matide Marçal, Miguel Alberto Cristo, Miguel Cordeiro Henriques, Miguel Duarte, Natália Umbelina, Nelson de Matos, Nelson M. Bento, Nuno Brandão, Nuno Cardoso da Silva, Nuno Félix da Costa, Nuno José da Costa Campos Grima, Nuno Júdice, Olegário Bemquerença, Oliveira Martins, Orlando Portela, Oscar Góis, Parcídio Sumavielle, Paula Morão, Paula Teresa R. Borges Alexandrino, Paulo Cleto, Paulo de Carvalho, Paulo Sucena, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso, Pedro Castro, Pedro Gomes, Pedro Manuel Pereira, Pedro Neto, Pedro Rodrigues, Pedro Tamen, Piedade Murta, Pinho Marques, Pio Abreu, Raquel do Carmo Leite Mota Noronha, Raul Calado, Renato Dias Mendes, Ricardo Adão, Rita Pestana, Rita Wengorovius, Rodrigo Santiago, Romualdo Pescada, Rosa Nunes de Almeida, Rosa Pita, Rui Feijó, Rui Madeira, Rui Gomes do Amaral, Rui Lagartinho, Rui Mendes, Rui Mota Cardosa, Rui Vasconcelos de Macedo, Rui Zink, Sandra Margarida Silva, Sebastião Camilo Oliveira Ramos, Sérgio Niza, Stela Bicker Piteira Santos, Telles Grilo, Teresa Coimbra, Teresa Cortez, Teresa Freitas, Teresa Mendes, Teresa Rita Lopes, Teresa Sá e Melo, Valdemar Marques, Vasco Pereira Costa, Virginia Pinto, Vítor Belém, Vitor Galamba, Vítor Jorge Carlos, Vitor Manuel Aguiar e Silva, Vítor Manuel Palmeira, Vitor Serpa, Vítor Sousa, Vitorina Mourato, Walter Diogo, Xana, Yvette K. Centeno

7.11.05

Os comandantes da elite alegrista

 

Abílio Hernandez, Acácio Alferes, Albano Silva, Alberto Gameiro Jorge, Albino Bárbara, Ana Sara Brito, António Neto Brandão, António Nunes Diogo, António Pires da Silva, Carlos Brito, Carlos Reis, Carolina Tito de Morais, Dinis Cortes, Eduardo Prado Coelho, Fernando António Aires Ferreira, Fernando José Fernandes Costa, Mascarenhas, Fernando José Machado Gomes, Francisco Simões, Gil Nadais, Helena Roseta, Inês Pedrosa, Isabel Castro, Jerónimo Silva, João Barros Madeira, João Correia, João Malheiro, João Rodrigues, Joaquim Sarmento, Jorge Ginja, Jorge Silva, Jorge Sobral, José Carlos Simões, José Francisco Faria e Costa, José Leitão, José Luis Cardoso, José Manuel Mendes, José Niza, José Rebelo, Josias Gil, Lígia Amâncio, Luís Moita, Manuel Alberto Valente, Manuel Correia Fernandes, Manuel João Vieira, Manuel Pina, Manuela Neto, Maria do Céu Cunha Rego, Maria Eunice Castro, Maria João George, Maria Teresa Portugal, Martim Portugal, Miguel Duarte, Nuno Júdice, Rodrigo Santiago, Rosa Pita, Teresa Freitas, Walter Diogo

Nov 07

Um fim de semana mui azeiteiro…

Quando Manuel Alegre proclamava a sua comissão de honra de forma empolgante, marchávamos nós para o Ribatejo, a caminho da azeitona, entre Azóia e Tremês. E quase apetece seguir um texto de Bulhão Pato, datado de 1883, onde se descreve esse ” aprazível e saudoso retiro” perto da “ribeira, que vai seguindo a desaguar no Tejo, bordada de salgueiros, de choupos e de faias, cadencia o murmúrio sonoro da sua corrente com o gorjeio de milhares de pássaros, que esvoaçam na ramagem tenra e viçosa, em chegando os dias da Primavera”.

 

Eles não sabem o que é uma rega em noite de luar, nunca deram nome de gente aos animais de criação e nem sequer conhecem a alma das árvores ou o cheiro dos torrões da terra-mãe. À esquerda e à direita, há uma canalha pretensamente fina, pretensamente elitista, que sempre pensou estar do lado certo da história dos vencedores, entre a Senhora de Fátima, com touradas e cavalos de alta escola, e São Trotski, com requintadas roupas importadas, apenas esperando os aplausos de um povoléu que os vai saudar na estrada, pedindo brindes de campanha. Entre o reaccionário possidente e o revolucionário frustrado, venha o Diabo e escolha. Prefiro continuar a amanhar a terra das ideias.

 

 

 

 

Por aí, “a aldeia da Azóia, ao ocidente, ressai, com as suas casitas brancas, em pequeno anfiteatro, dentre o maciço denso da verdura dos vinhedos, dos cabeços de mato e dos enormes ramalhetes de freixos que destacam aqui e além com a sua folhagem alegre, do fundo carregado dos olivedos”. Agora, há um belo pão em Tremês e um café, onde se enganam na meia de leite de máquina, mas oferecem um cartão que dá direito a uma bica, depois de consumirmos dez.

 

Mas os pequenos ditadores das pequenas instituições continuam a amarfanhar o sonho e muitas gentes sem semente vão poluindo o prazer da criação, eles que não sabem o estampido de um filho que nasce, de uma árvore que se semeia, ou de um livro que nos faça sofrer.

 

 

 

 

 

“A pouca distância do Vale de Lobos está outro, o Vale de Santarém, que Almeida Garrett imortalizou nas suas Viagens, e onde Rebelo da Silva tinha a casa, ensombrada dos loureiros e gorjeada dos mesmos rouxinóis que encantavam aquela Joaninha dos olhos verdes, a flor alpestre mais graciosa, colorida e perfumada de quantas têm desabrochado, com Abril, nos agros do campo!”.

 

O rio, um pedaço de vento, a árvore em seu verde, a vida, um breve risco definindo meus limites e um tempo de silêncio, de segredo, este intervalo que vai circulando por mim dentro, além de mim. Como se o tempo me desse o espaço necessário de um abraço.

 

 

 

 

 

E recordando Herculano, também podemos dizer: “O olival era uma parte da lavoura com que se desvelava mais. No dispor os tanchões, decotar as árvores feitas, cortando os troncos velhos, que rebentavam novamente, e no método da colheita punha todo o cuidado. Depois seguia-se a fabricação, a frio e sem sal, obtendo os resultados que são conhecidos. Ele, que nunca pusera nem o hábito de Cristo, ufanava-se com o seu azeite haver ganho a medalha numa exposição estrangeira!”. Por nós, foram setecentos quilos de azeitonas que se apanharam da árvore como quem vai mungindo uma vaquinha, as fogueiras que arderam a noite inteira, as televisões desligadas, as políticas postas em retiro e noites estreladas e mansas, onde se avistaram muitas estrelas cadentes e a longa estrada de Santiago que nos deram as eternas viagens na nossa terra.

 

A pátria que vou sofrendo continua a ser desterro, lugar de exílio, sítio de fim. Mas por mim, persisto aqui, talvez em vão, na procura de um qualquer recanto onde seja meu lugar onde. Da esquina de meu quintal de menino, quando quase tratava as minhas árvores por um nome próprio

 

 

Percebi, profundamente, ao executar o varejar e ao exercer a apanha, a crise da pátria. Cada oliveira deu, em média, trinta quilitos, isto é, três litros de ouro liquidificado, depois de um ano de sol e chuva e uma hora e tal de mão de obra, donde virá a margem do lagareiro e dos intermediários… Quem disse que a agricultura não era amor da terra, com árvores a quem damos nome de gente?

 

E, na memória destes montes da infância, volta a oliveira que, um dia, ardeu em dor, o muro cujas pedras desencontradas, em cruzada simetria, me deram desenhos de castelo medieval. E sempre a minha cidade ao fundo, à sombra da torre, as casas, as luzes, a gente, e os passeios ao domingo, em ritual de festa.

 

Agradeço aos companheiros de labuta. Ao patrão Augusto e à equipa de recolha que passou a noite entre o relento e o calor da fogueira: Ana, David, Francisco, Luiza, Mara, Jorge e Teresa, bem guardados pelo “Jet” e pela “Falua”.