Reflexões

Estranha-se que um articulista de um periódico partidário já cite o “Protocolo dos Sábios do Sião”, invocando o perigo do governo mundial comandado pelo Sionismo, o Vaticano e a Maçonaria. Devem ser restos de certa subcultura KGB que ficou desempregada desde a guerra da Sérvia…
O exercício da teoria da conspiração, a que costumam recorrer a extrema-direita e a extrema-esquerda, bem como os fundamentalismos religiosos , ou os populismos de ocasião, de esquerda e de direita, tem-se também insinuado entre certo jornalismo sensacionalista da nossa praça, nomeadamente a pretexto da elaboração de listas de suspeitos de antinação, emitidas por várias redes de fantasmas e preconceitos, marcadas pelo fanatismo, a ignorância e a intolerância.
Como não tem sido mero acaso a inclusão de certos nomes nessas listas, apenas podemos comprovar o rasto e o que lhe deu origem. E confirmar a velha aliança de irmãos-inimigos que, quando no poder, coincidiram nos mesmos objectos de perseguição, supressão e extinção.
Bem me lembro de um cena tida com um desses anjinhos ainda não decaídos que instrumentalizava o sistema conspiratório e que, posto perante prova inequívoca, respondeu com toda a candura maléfica: “é política, pá, é política”.
O crime, neste e noutros casos, compensou e continua a compensar, graças aos inocentes úteis e os candidatos a intelectuais orgânicos, no desemprego, que receberam carreira, contrato, avença ou “outsourcing.
Por trás do espectáculo mediático da política e da economia, claro que há bastidores, nomeadamente grupos de pressão e grupos de interesse, corruptores e corruptos, bem como agências de descodificação. Mas isso estuda-se e pode impedir-se, através de adequada estratégia e de boa informação. Sempre foi assim. E há-de continuar a ser. Para que pensar continue a ser o dizer não. Em resistência.

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