Não quero ouvir mais estórias sobre os processos que registam os passos dos nossos políticos vitaliciamente subsidiados com doze prestações mensais por ano. Prefiro pôr no altar outros santos laicos. Amanhã não é heresia invocá-los, que até canonicamente é dia de todos os santos. Aproveitem que, depois, passa a dia de finados.
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Diálogos
Presidente considera que o diálogo entre partidos pode melhorar a proposta de orçamento apresentada pelo governo. Sugere-se o uso de lixa que torne menos insuportáveis algumas arestas mais gasparosas.
rotina anual de aprovação do quadro das receitas e das despesas públicas
A essencial decisão de uma democracia passa pela rotina anual de aprovação do quadro das receitas e das despesas públicas. Uma opção que nunca foi técnica, gerida por tecnocratas e consultadorias, mas antes soberanamente política, onde até os parlamentos não a podem delegar no primado do executivo. É a máxima decisão política de uma comunidade que não pode ser reduzida a mera barganha entre líderes ou directórios partidários, muito menos a um oligopólio partidocrático. Claro que tem havido, há muitos anos, um processo de despolitização da decisão orçamental, a mãe de todos os impostos e gastos públicos. Até a reduzimos à caricatura do queijo limiano, enquanto, o normal tem sido o anormal do negocismo de provincianismos e grupos de pressão. Caso não mudemos de atitude, com a necessária restauração das cortes e da república, a democracia continuará a ser tutelada por forças estranhas e estrangeiras á cidadania. Quanto custam estes erros de teoria? Os senhores donos do poder deveriam saber contabilizar quanto custam os preconceitos e fantasmas dos erros de teoria em que nos continuam a desperdiçar. Eis alguns deles, em forma de decálogo, conforme me vêm à mente: 1. Quanto custa a estupidez de não repararem que os saberes dispersos devem ser unificados e mobilizados pela sabedoria? 2. Quanto custa julgarem que um velho é um inútil que tem de ser sustentado pela segurança social, enquanto vão fomentando a gerontocracia neofeudal do nacional-saudosismo? 3. Quanto custa iludirem-nos com leis gerais e abstractas da engenharia de conceitos, axiomático-dedutiva, que nos obriga à unidimensionalidade da mediacracia, sem compreenderem que só se acede ao universal pela diferença, da rebeldia, da criatividade, da imaginação e da própria ironia? 4. Quanto custa transformarem o progresso em lenga-lenga reaccionária, da da nostalgia passadista dos revolucionários frustrados, só porque julgam que atingiram o clímax quando se junta à mesa do orçamento com ministros de Salazar ? 5. Quanto custa continuarem a dizer que têm a missão de impedirem o regresso à idade média, sem perceber que ela durou dez séculos e não foi a mesma, em todo o lado e ao mesmo tempo? 6. Quanto custa não repararem que as revoluções nunca foram o orgasmo de uns breves minutos de proclamações e matanças, do tempo volta para trás, mas o longo prazo das pós-revoluções, onde se fez alguma coisa, não para o cumprimento dos delírios programáticos de alguns deles, mas conforme a acção de muitos homens livres? Em vez do revisionismo da pretensiosa história dos vencedores, a humanidade só se civiliza quando deixarem escrever silenciosamente a verdadeira história dos vencidos. Dos que se libertaram pelas próprias mãos, porque tiveram memória do sofrimento. 7. Quanto custa tentarem mais revoluções “d’en haut”, dos que, pela via decretina, julgam que iluminam o despotismo das ditaduras do situacionismo? Não é a história que faz o homem, mas os homens que fazem a história, mesmo sem saberem que história vão fazendo. 8. Quanto custa manterem os sistemas de ensino como presas fáceis da sequência de reformadores e contra-reformadores que se encontram à esquina, tocando a concertina, nos eternos seminários de avaliação dos avaliadores, para que o novo esquema sejam mais burocratas das fichas, esquemas e demais abstracções? 9. Quanto custa o provincianismo de nosso turismo científico, esse que os nossos impostos pagam sempre, para gáudio do clube fechado e rigorosamente fechado de meia dúzia de eleitores que se co-optam como eleitos e chamam à coisa gestão democrática? 10. Quanto custa este mais-do-mesmo, pintado de fresco, macaqueando a teoria do eterno retorno?
Erros de teoria
Os senhores donos do poder deveriam saber contabilizar quanto custam os preconceitos e fantasmas dos erros de teoria em que nos continuam a desperdiçar. Eis alguns deles, em forma de decálogo, conforme me vêm à mente:
1. Quanto custa a estupidez de não repararem que os saberes dispersos devem ser unificados e mobilizados pela sabedoria?
2. Quanto custa julgarem que um velho é um inútil que tem de ser sustentado pela segurança social, enquanto vão fomentando a gerontocracia neofeudal do nacional-saudosismo?
3. Quanto custa iludirem-nos com leis gerais e abstractas da engenharia de conceitos, axiomático-dedutiva, que nos obriga à unidimensionalidade da mediacracia, sem compreenderem que só se acede ao universal pela diferença, da rebeldia, da criatividade, da imaginação e da própria ironia?
4. Quanto custa transformarem o progresso em lenga-lenga reaccionária, da da nostalgia passadista dos revolucionários frustrados, só porque julgam que atingiram o clímax quando se junta à mesa do orçamento com ministros de salazar?
5. Quanto custa continuarem a dizer que têm a missão de impedirem o regresso à idade média, sem perceber que ela durou dez séculos e não foi a mesma, em todo o lado e ao mesmo tempo?
6. Quanto custa não repararem que as revoluções nunca foram o orgasmo de uns breves minutos de proclamações e matanças, do tempo volta para trás, mas o longo prazo das pós-revoluções, onde se fez alguma coisa, não para o cumprimento dos delírios programáticos de alguns deles, mas conforme a acção de muitos homens livres? Em vez do revisionismo da pretensiosa história dos vencedores, a humanidade só se civiliza quando deixarem escrever silenciosamente a verdadeira história dos vencidos. Dos que se libertaram pelas próprias mãos, porque tiveram memória do sofrimento.
7. Quanto custa tentarem mais revoluções “d’en haut”, dos que, pela via decretina, julgam que iluminam o despotismo das ditaduras do situacionismo? Não é a história que faz o homem, mas os homens que fazem a história, mesmo sem saberem que história vão fazendo.
8. Quanto custa manterem os sistemas de ensino como presas fáceis da sequência de reformadores e contra-reformadores que se encontram à esquina, tocando a concertina, nos eternos seminários de avaliação dos avaliadores, para que o novo esquema sejam mais burocratas das fichas, esquemas e demais abstracções?
9. Quanto custa o provincianismo de nosso turismo científico, esse que os nossos impostos pagam sempre, para gáudio do clube fechado e rigorosamente fechado de meia dúzia de eleitores que se co-optam como eleitos e chamam à coisa gestão democrática?
10. Quanto custa este mais-do-mesmo, pintado de fresco, macaqueando a teoria do eterno retorno?
Orçamento
A essencial decisão de uma democracia passa pela rotina anual de aprovação do quadro das receitas e das despesas públicas. Uma opção que nunca foi técnica, gerida por tecnocratas e consultadorias, mas antes soberanamente política, onde até os parlamentos não a podem delegar no primado do executivo. É a máxima decisão política de uma comunidade que não pode ser reduzida a mera barganha entre líderes ou directórios partidários, muito menos a um oligopólio partidocrático.
Claro que tem havido, há muitos anos, um processo de despolitização da decisão orçamental, a mãe de todos os impostos e gastos públicos. Até a reduzimos à caricatura do queijo limiano, enquanto, o normal tem sido o anormal do negocismo de provincianismos e grupos de pressão. Caso não mudemos de atitude, com a necessária restauração das cortes e da república, a democracia continuará a ser tutelada por forças estranhas e estrangeiras á cidadania.
Teoria da conspiração
O exercício da teoria da conspiração, a que costumam recorrer a extrema-direita e a extrema-esquerda, bem como os fundamentalismos religiosos, bem como os populismos de ocasião, de esquerda e de direita, tem-se também insinuado entre certo jornalismo sensacionalista da nossa praça, nomeadamente a pretexto da elaboração de listas de suspeitos de antinação, emitidas por várias redes de fantasmas e preconceitos, marcadas pelo fanatismo, a ignorância e a intolerância. Por outras palavras, a velha aliança de irmãos-inimigos que, quando no poder, coincidiram nos mesmos objectos de perseguição, supressão e extinção. Bem me lembro de um cena que tive com um desses anjinhos ainda não decaídos que instrumentalizava o sistema conspiratório e que, posto por mim perante prova inequívoca, me respondeu com toda a candura maléfica: “é política, pá, é política”. O crime, neste e noutros casos, compensou e continua a compensar, graças aos inocentes úteis e os candidatos a intelectuais orgânicos, no desemprego, que receberam carreira, contrato, avença ou “outsourcing”
Comunistas e teoria da conspiração
Não costumo ler o “Avante”, mas fiquei hoje a saber que um articulista do periódico já cita o “Protocolo dos sábios do Sião”, à boa maneira da extrema-direita europeia e de certos populistas ditos sociais-democratas, invocando o perigo do governo mundial comandado pelo Sionismo, o Vaticano e a Maçonaria. Devem ser restos de certa subcultura KGB que ficou desempregada desde a guerra da Sérvia…
O exercício da teoria da conspiração, a que costumam recorrer a extrema-direita e a extrema-esquerda, bem como os fundamentalismos religiososo, bem como os populismos de ocasião, de esquerda e de direita, tem-se também insinuado entre certo jornalismo sensacionalista da nossa praça, nomeadamente a pretexto da elaboração de listas de suspeitos de antinação, emitidas por várias redes de fantasmas e preconceitos, marcadas pelo fanatismo, a ignorância e a intolerância.
Como não tem sido mero acaso a inclusão de certos nomes nestas listas, incluindo o meu, apenas posso comprovar o rasto e o que lhe deu origem. Por mim, até posso falar na emissão de um blogue que usurpava o meu nome, no preciso momento em que era declarado hierarquicamente “persona non grata”, por praticar as minhas crenças, princípios e valores. Apenas sou capaz de confirmar a velha aliança de irmãos-inimigos que, quando no poder, coincidiram nos mesmos objectos de perseguição, supressão e extinção.
Bem me lembro de um cena que tive com um desses anjinhos ainda não decaídos que instrumentalizava o sistema conspiratório e que, posto por mim perante prova inequívoca, me respondeu com toda a candura maléfica: “é política, pá, é política”. O crime, neste e noutros casos, compensou e continua a compensar, graças aos inocentes úteis e os candidatos a intelectuais orgânicos, no desemprego, que receberam carreira, contrato, avença ou “outsourcing”
Farpas
Papandreou em directo do Parlamento ateniense. Nenhuma das nossas televisões se muniu de um intérprete da helénica língua. Os bárbaros somos nós. Aconselho o Euronews, para seguirem o as cenas finais desta telenovela. Para quem não gostar de política, que mudem para a casa dos segredos…
Agora, em Atenas, já é amanhã. Tudo continua sem sonhos. Seja qualquer for o resultado do jogo parlamentar. Evangelos Vanizelos discursa agora. Nem a Skynews lhe dá directo.
Papandreou passou. Vencer é ser vencido. A confiança não é uma moção apenas.
Li algures que os chinocas não querem dar cobres ao afundamento europeu porque trabalha três vezes mais e ganham dez vezes menos. Ou de como certa demagogia germânica ficou de olhos em bico. Quando é que a pororoca desagua no Tejo?
A frase cimeira de Dilma: “Eu não tenho intenção de contribuir para o fundo europeu. Nem eles têm, como é que eu tenho?”. Grande Brasil, que disse tudo! O que alguns dos grandes desta Europa ainda, há uma década, diziam do Brasil! É por isso que tenho esperança. Pode ser que a história deixe de ser escrita pelos pretensos vencedores. Até os vencidos de hoje, no plano europeu, podem deixar de ser vencidos. O último a rir é que ri melhor.
Há quantos anos é que tudo isso era uma verdade? Há dez? Há quinze? Demora por décadas a descoberta do óbvio. E adoramos ver que quem as fez as venha agora denunciar, como se a questão fosse técnica e não política. Até empatou por causa da politiqueirice, do clientelismo e do carreirismo, como os avaliólogos ajudando.Falo porque denunciei a coisa quando ela estava no ovo do guterrismo que continuou com o PSD e o socratismo. Que continua, aliás, porque o corte cego, em percentagem, é o mesmo, mas apenas com menos.
A Associação Europeia para a Defesa dos Asininos, Muares e mais Bestas de Carga acaba de denunciar uma proposta neogonçalvista que indicou, como alternativa ao encerramento do metro, o regresso à tracção animal, em nome da sustentabilidade. Uma alta figura mediática, ligada ao presente regime dos grupos de trabalho. garantiu não parecer útil que a associação seja ouvida no parlamento, à semelhança do que aconteceu com a KGB. “Todas as medidas serão objecto de um adequado estudo de impacto ambiental, nomeadamente contra o mau cheiro que possam provocar”
Só quem consegue fazer interpretações hierarquizadas é que não subscreve esta evidência. Basta que mudem a norma constitucional em causa. A maioria troikista pode fazê-lo
Qual Papandreou, qual cimeira do G20! Somos o país com mais botas de oiro na Europa. Até superministro lá foi, para compensar a falta que fazemos em Cannes. Só falta proclamarmos que foi em português que a Senhora comunicou com o mundo. E um bom fadinho para animar a malta. Pelos menos, de directos, não consigo safar-me, em todas as televisões bem informadas.
Durante uma década vivi a menos de dez quilómetros de um centro urbano e o último transporte público que tinha era às oito da noite. Fui obrigado a comprar uma motoreta, para não fazer como os meus avós, que tinham de ir e vir a pé. Felizmente, há agora um ministro que diz tomar em linha de conta as necessidades das populações, afirmando que “se não faz sentido fechar o metro às 23.00, ele não fechará” a essa hora. É o mesmo que na véspera deixou cair a informação sobre o seu exacto contrário.
A democracia representativa dos directórios partidários não esgota a cidadania, nem a própria representatividade. Com uma sociedade civil desertificada e uma opinião canalizada pelas correntes do pensamento dominante e a respectiva teatrocracia de prós e contras, na unanimidade de irmãos-inimigos, não seremos país, poderemos ser gado.
Diedrick Stapel, um dos mais eminentes cientistas do empírico-analítico, na psicologia social, acaba de confessar que os seus estudos se basearam em provas inventadas. Isto é, na prática, a teoria é outra. O efeito Dona Branca dos sindicatos da citação mútua podem levar a muitos cortes de subsídios e a outras tantas destitularizações. Bolas, eles até citavam um holandês que escrevia em inglês e os “refereeaa”
Nada de novo na frente ocidental. Depois da descoberta da Índia, ficámos todos desempregados. Nem sabemos que as doze estrelas eram o signo de V Império, conforme o sonho inquirido a António Vieira. Costumam chamar doido a quem o recorda. Utilizam, suavemente, o eufemismo de poeta, coisa que é mais verdadeira, no sentido de filosófica, do que a própria história.
PS vai abster-se. Isto é, vai ter de abster-se. Em nome do interesse dito nacional. Esperemos que, depois, não venha pedir desculpa. Mas parece que tudo foi combinado em encontros de passos seguros. Felizmente, o líder da oposição dialoga, sem testemunhas, com o chefe do governo.
Claro que, por trás do espectáculo mediático da política e da economia, há bastidores, nomeadamente grupos de pressão e grupos de interesse, bem como corruptores e corruptos, bem como agências de descodificação. Mas isso estuda-se e pode impedir-se, através de adequada estratégia e de boa informação. Sempre foi assim. E há-de continuar a ser.
Tudo grego
Seguro foi surpreendente: propõe que o PS opte pela abstenção. Os chamados mínimos olímpicos, em homenagem aos gregos. Infelizmente, a política agrícola comum já não subsidia a produção de louros. Os espinhos ainda são mato.
O segredo grego era afinal bem simples: Papandreou sabia que, um quarto de hora depois já estava morto. Até tu, Evangelos, te passaste para o outro lado!
Merceeiros sem sonho e picaretas falantes
Se presidente comunica por Twiter e e Passos pelo Facebook, façamos hoje greve de zelo, gerindo os silêncios. Mandar é ter o monopólio da palavra e eles, os políticos que não se calam, mesmo quando proclamam que são antipolíticos, vêm agora ocupar este espaço de liberdade. Até a Manela discursou no Parlamento!
Quando está em crise a própria vontade de sermos independentes, pobres merceeiros sem sonhos, enrodilhados entre picaretas falantes que gastam a palavra pelo uso e a prostituem pelo abuso!
Se há quem finja ir ao dietista, para disfarçar a fome de espírito, muitos preferem o SPA, transformando a correria no tapete e a musculação para o boneco em simples dedução fiscal…