Nov 02

Vivemos em pleno pós-guerra, felizmente sem guerra

Fui reler a Agenda de Lisboa, ou a Estratégia de Lisboa, aprovada pelo Conselho Europeu em Março de 2000. Dá mesmo vontade de rir este planeamentismo adocicado dos sustentabilistas. Deu tudo em raia, mas persistimos no mesmo erro de teoria.

Os gregos têm que parar de testar a paciência de seus credores. Eles receberão uma mensagem bem clara de que mais nenhum dinheiro entrará em Atenas até depois de eles decidirem onde querem que seu país esteja. Dentro da zona do euro ou fora”, disse à Dow Jones uma autoridade do G-20 que participa da reunião. Lido no “Estadão”, onde o nome de Portugal só aparece hoje por causa dos brasileiros que jogam no Benfica.

Esboça-se um sub-directório do eixo. Sarkozy convoca cimeira dos europeus do euro presentes no G20. A hierarquia dos potências parece deixar de fora os deseurados e os médios e pequenos Estados. O regresso ao piramidal talvez seja desespero.

O duplo ataque ao “Charlie Hebdo”, na net e através de um “cocktail Molotov”, é um triste sinal dos tempos de começo da perseguição dos franco-atiradores satíricos, especialmente de um que assume como “libre-penseur”. O riso, como dizia Bergson, sempre foi uma suprema forma de inteligência.

Assisto a debate sobre a Grécia e reparo que um dos ilustres comentadores, que diz ter andado nas ruas de Atenas, proclama que esta Grécia é uma amálgama, sem estratégia nacional. O qualificativo talvez não repare que mais de metade da actual União Europeia é mais recente que a Grécia, como Estado Independente, incluindo a Alemanha e a Itália, só para referirmos recentes invasores dos helénicos.

Mesmo não mudando os tempos, resta saber quais as razões que a razão publicada desconhece, para esta alteração anormal da vontade de um importante líder político cimeiro. Há muito por contar nestas altas esferas.

A Europa perde o sentido se deixar de ser uma democracia de muitas democracias. Um supra-estadualismo que tenha pés de barro de suspensões da democracia pode sinificar-nos, mas é letal. Porque perdemos a alma em nome da salvação das contas, mesmo que seja com ditaduras das finanças. E pior ainda é se usarem a táctica da vacina, como Kissinger quis aplicar ao Portugal do PREC. Nomeiem o Carlucci, já. E apoiem um qualquer Mário Soares.

Vivemos em pleno pós-guerra, felizmente sem guerra. Mas não queremos acordar. E prosseguem as procissões das cimeiras que parecem cada vez mais velórios daquele defunto que, um quarto de hora antes da certidão de óbito, ainda quer fingir que está vivo, ao estrebuchar.

A presente crise é apenas o começo de um demorado ajustamento aos sete mil milhões que fizeram desabar o Euromundo. Chamam-lhe emergentes, pintam-nos de BRIC e começam a ser um pedacinho iguais na luta contra a fome, a guerra e a doença. Por cá brincaram aos PIGS, mas todos hão-de compreender esta passagem do Estado de Bem-Estar ao Estado de Mal-Estar. Até os que inventaram o Warfare State.

Os chamados mercados padecem de etimológica histeria. Têm o útero na cabeça e não querem ir ao psicanalista. Um dia baixam, no outro, sobem, só porque o super-Mário, depois de uma noite sem dormir, deu ordens para que sim, através de um alento comprimido. E milhares de analistas de obra feita vão qualificando quantos milímetros a coisa cresceu ou decresceu. Especialmente neste dia de finados, onde só não se visitam os cemitérios porque o feriado foi ontem, por meras razões de hermenêutica teológica. Ainda não é para amanhã o dia de juízo final, nem vai haver ressurreição dos corpos.

A mentira do federalismo sem dor e os programas de governo plenos de ambiguidade e de eufemismos são o normal anormal desta anarquia ordenada, ou desordem bem organizada, do presente neofeudalismo da encruzilhada europeia. Onde já não há socialismo nem liberalismo, mas governos de esquerda com mentalidade de direita e temperamentos de direita pintados de esquerda. Entre Passos e Rajoy, o programa espanhol está apenas mais bem escrito. Mas nenhum sabe o que é bem ou o que é mal, como com Merkel ou Sarkozy, ficamos todos Papandreou.

Nov 02

Europa. Meio-dia. Meia-noite

Primeiro, foram as falsificações estatísticas que nos deram o euro, as que nos lançaram no salto em frente, onde quem sabia, devia ou podia saber, dolosamente ocultou. Depois, foram os sucessivos adiamentos, à procura de um impossível federalismo sem dor. Agora, o perigo das cedências ao populismo, à xenofobia e até a um já não disfarçado racismo sociológico, face aos sulistas da mandriagem e de um lugar ao sol. A Europa em poder-ser continua a viver do equilíbrio entre o meio-dia e a meia-noite. Entre o velho mar interior que nos faz aceder a África e à Ásia. E a aurora boreal dos gelos eternos. Não passamos de uma quase península que é praia de partida para todo o mundo.

Nov 01

Europa. Meio-dia. Meia-noite

Primeiro, foram as falsificações estatísticas que nos deram o euro, as que nos lançaram no salto em frente, onde quem sabia, devia ou podia saber, dolosamente ocultou. Depois, foram os sucessivos adiamentos, à procura de um impossível federalismo sem dor. Agora, o perigo das cedências ao populismo, à xenofobia e até a um já não disfarçado racismo sociológico, face aos sulistas da mandriagem e de um lugar ao sol. A Europa em poder-ser continua a viver do equilíbrio entre o meio-dia e a meia-noite. Entre o velho mar interior que nos faz aceder a África e à Ásia. E a aurora boreal dos gelos eternos. Não passamos de uma quase península que é praia de partida para todo o mundo.

Nov 01

Hoje, 1 do 11 do 11

Divertem-me os lemas usados para o evento do G20 em Cannes:”novo mundo, novas ideias” e “a história escrita em Cannes”. Especialmente quando, por cá, se atingiu o máximo do capitalismo popular: por treze cêntimos apenas, qualquer pode ser banqueiro, tornando-se accionista do BCP. Nomeadamente, para apoiarmos a acção regeneradora de Joe Berardo, em defesa das artes…

Hoje, 1 do 11 do 11, algo mudou na história da Europa. Mesmo que Papandreou recue ou finja recuar. Tal como a Dinamarca e a Irlanda mudaram de sinal, em referendo, face à pressão da hierarquia das potências. Sem um novo edifício institucional, a Europa não consegue mais ocultar a reserva mental dos Estados que se sentem impotentes, neste processo do federalismo sem dor, mas com efectivas ameaças de falsa persuasão. Porque até já nem há legitimidade para o recurso à via militar, para a defesa dos interesses comuns do directório.

A democracia é incerta e dilatoriamente chata, como se demonstra pela ameaça referendária dos gregos. Mas ai da democracia se, com ela, fingirem implantar a certeza da ditadura das finanças, alienígenas. E ai dos Estados que, depois de pactuarem internacionalmente, invoquem a falta de legitimidade superveniente, por mero cálculo eleiçoeiro. É tão inadmissível como a imediata ameaça de Juncker: “se dizem não, vão para a imediata bancarrota”. Pensava que a Europa era feita de liberdades nacionais, mesmo sem plenitude de soberania

Governo grego, reunido de emergência. Nunca o poder funcional de Atenas gerou tanta incerteza à Europa e ao mundo. Não quiseram ouvir o povo, nem quando desceu à rua. E agora a partidocracia não quer comprometer-se com os cobradores do fraque. Os mesmos que nos pariram o memorando da troika. Não é um problema do texto, mas do contexto, o de não poderem suspender a democracia em nome da banca

O situacionismo dos velhos sistemas de controlo social deve preocupar-se, com a crescente desconfiança pública face aos agentes políticos. E que nada tem a ver com a anterior erosão do poder, quando findava os estados de graça das mudanças eleitorais. A quebra da fé pública é galopante e começa a não ser raridade a invocação da violência messiânica, em programas de transmissão em directo da opinião pública.

A vertigem grega começa a ensombrar-nos. E já não há manuais de comparativamente, do sincrónico e do diacrónico, que nos possam sustentar. Os tempos são mesmo novos, mas não do juízo final. Os planeamentistas do costume correm sérios riscos de despedimento por justa causa.

Primeiro, foram as falsificações estatísticas que nos deram o euro, as que nos lançaram no salto em frente, onde quem sabia, devia ou podia saber, dolosamente ocultou. Depois, foram os sucessivos adiamentos, à procura de um impossível federalismo sem dor. Agora, o perigo das cedências ao populismo, à xenofobia e até a um já não disfarçado racismo sociológico, face aos sulistas da mandriagem e de um lugar ao sol.

 

A Europa em poder-ser continua a viver do equilíbrio entre o meio-dia e a meia-noite. Entre o velho mar interior que nos faz aceder a África e à Ásia. E a aurora boreal dos gelos eternos. Não passamos de uma quase península que é praia de partida para todo o mundo.

Out 31

Dos curandeiros

Noutro dia, fui interpelado por um casal de turistas, um germânico e uma mulata, que procuravam a praça do Marquês, para o homenagearem. Acabámos, todos, louvando Lula e Mem de Sá. Quando confirmei que o Brasil conseguiu transformar alemães em brasileiros de Teresópolis, até eu vou torcer e rezar pelo mais famoso Zé Povinho que a humanidade conheceu: o paulista Luís Inácio Lula da Silva, que bem podia ser da terra de Beatriz Costa!

Os mesmos que transformaram a universidade num decreto de avaliólogos podem produzir mestrados e senhores doutores desempregados, porque disseram descobrir a Índia e que o civilizado teria de ser eunuco, sem a animalidade de fazerem filhos e de serem pais e mães. Eles não sabem criar. Educaram-se para apenas serem criados.

Quando vejo como os pobres sem espírito elevam a sumos-sacerdotes engenheiros de conceitos que há décadas se masturbam com o mais do mesmo, apenas acrescento que os mesmos tomam como adjuntos, de suas jogadas de poder pelo poder, padrecas frustrados que os mestres teólogos remeteram para o submundo das reformas profanas. Daí que até meus genes, adversos a religiões reveladas, advoguem nova e imediata visita do santo padre, para que se possa não dar a César os vendilhões do templo que a ordem de Deus, em boa hora, expulsou de seus claustros. César não pode ficar com o charlatanismo dos sucedâneos de deuses, embora precise de uma religião secular.

No mesmo dia em que na Irlanda um poeta foi eleito presidente, a nossa televisão valeu pela entrevista em que a mulher de Rui Belo nos evocou o profeta da palavra e a memória de Vitorino Nemésio e Jorge Sena, esses incatalogáveis que furaram a criatividade sitiada de outrora, mas que ainda tem presente e nos pode dar futuro. Apenas me foi dado concluir como os salazarentos estão vencendo. Até a pátria da língua portuguesa foi capturada pelos gramáticos das lições ditas de bom português do novo acordo ortográfico…

A geração de encavacados que na pós-revolução triunfou, de tantos cálculos, fichas e análises da conjuntura, transformou os políticos em treinadores de bancada, com belas análises aos jogos, mas na segunda-feira. Não têm o prazer do risco, porque sem lume da profecia, se perdem na encruzilhada, até porque sabem quem é o deus da dita.

Parece-nos por isso claro que o nosso Tribunal Constitucional constitui um órgão político, cujas decisões são políticas, visando essencialmente fins de legitimação política. Ora, tal implica que a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, nesta época de crise financeira, não esteja assegurada no nosso sistema jurídico. Na verdade, como já se viu, o Tribunal Constitucional considerará todas e quaisquer medidas, por mais atentatórias dos direitos dos cidadãos que sejam, como legitimadas pelo estado de emergência existente, mesmo que o mesmo não tenha sido constitucionalmente decretado. E os tribunais comuns estão impedidos de defender a Constituição, uma vez que, dado que há recurso obrigatório para o Tribunal Constitucional, a jurisprudência permissiva deste acabará sempre por prevalecer”. Luís Menezes Leitão, no Congresso dos Juízes

Há quem fale por médias, onde todos somos simples fungíveis peças de um quadro abstracto, como se pudessem comparar-se as diferenças que nos dão o universal. Coisas vivas que o bacamarte do estadão nunca consegue vislumbrar. Estou farto que insultem meu trabalho e me rebaixem como adjunto da bagunça

Há apenas os que querem a engorda, o favor e a isenção. E quando abrem a boca tanto não entra mosca, como sai logo asneira, deslumbrada. Se tanto é ser liberal, tinha de ser socialista, mas como dizem mesmo que não são liberais, eu posso continuar mesmo liberal, liberdadeiro, e empedernido, contra o mais do mesmo que a si mesmo se deslumbra.

Governo vai, em breve, proceder a uma ampla remodelação designativa. Secretário de Estado da Jumentude e Sports passa a Cérebro sem Fuga, tendo em vista a Emigração e a Dignificação de Portugal. Tal como no regime brasileiro de 1964, parece que vai haver um novo lema, onde, em vez o “Brasil, ama-o ou deixa-o”, vai proclamar-se o “se queres desconforto, pira-te”

Impressionante: quando eu nasci havia apenas 2,6 mil milhões de seres humanos. Já vamos em 7 mil milhões. Vale a pena experimentar.

Os presentes delegados da pretensa propaganda médica, que até pode reunir em congresso lá para Vilar de Perdizes, tanto não curam os que em tal cura acreditam, como tendem a engordar os comissionistas dos unguentos de pouca dura, até que curandeiros se voltem contra o feiticeiro. Estou farto desta banha de cobra que desculpa os culpados e culpa quem deu corpo ao manifesto, sempre em nome do estadão.

O acordo de credores que pretendeu resolver a bancarrota de 1891, além de matar o rei e tramar a república, acabou por nos ensandecer em ditadura das finanças, quando um tecnocrata achou que tinha o monopólio da medicina social e nos engessou a perna da liberdade, quando nos tornámos bons doentinhos, bem amestrados.

 

Out 31

Azeite alentejano

Tal como no mármore de Estremoz, os alentejanos ficam sem azeite. Ao menos, os britânicos ainda deram, ao vinho do Douro, o nome do Porto. Mas sempre é melhor do que a azeitona apodrecer na oliveira. E Alexandre Herculano também levou a galega para Vale de Lobos!

 

Conclusão: os italianos não são parvos. Nada como aprender com eles

 

Venha mais investimento estrangeiro deste! Sou contra a desertificação!

 

 

A comercialização é uma forma de produção.

 

Desculpem, alguns amigos, mas sou um liberal antiproteccionista.

 

Temos de lutar no terreno do mercado. Mesmo que seja com guerrilha. Sobretudo, a das marcas e do marketing.

 

Nos vinhos, não perdemos

Out 30

literatura de justificação da extorsão estadualista

Dizem alguns dos “istas” de uma dessas mentiras que servem de literatura de justificação da extorsão estadualista que os governos nos podem continuar a cobrar a vida, outrora em soldadinhos, agora em impostos de emergência nacional. Continuam as tretas. Como dizia Pessoa, o Estado pode estar acima do cidadão, mas o homem está acima do Estado. Cumpre resistir à música celestial dos ideologismos.

Segundo consta, está a preparar-se uma revisão constitucional, visando eliminar o papel-moeda e as próprias moedinhas. Vai ser tudo electrónico e detectado com um chip instalado no corpo de cada cidadão. Várias multinacionais de cartões parecem interessadas no lançamento dessa novidade universal que resolverá para sempre o grave problema da fuga ao IVA, dos biscates e da economia paralela. O novo chip já tem nome: o gasparómetro…

O diabo são sempre os detalhes do inferno das boas intenções, tal como o raio dos impostos do bom e velho Estado. Pim

Quero agradecer aos Estados estes decretos que, ao alterarem a hora, antes do solstício de Inverno, nos concedem mais uma hora. Ao menos sempre nos dão alguma coisa. Mesmo que nos venham a tirá-lá, daqui a seis meses…

Cada um tem sempre a sua nesga. O mundo sempre foi a consequência do que sete mil milhões de endividados vêem de borla. Mas muitos precisam de ser despertados, para que abram os olhos.

A Irlanda entrou em contraciclo… Contra as sondagens, escolhe um activista de ideias que acumula com a poesia e a liderança de um clube de futebol. Ao que consta, ficou farta de merceeiros de sucesso, de bancários aposentados e de outras receitas estafadas. Viva o celta Michael D. ..

Está um dia de sol feliz para darmos longos passeios ao domingo. Como não pode ler-me a quem escrevi e nos escrevi, fico contido. Fica a cumplicidade eterna de um beijo de alma. O resto que importa? Haverá sempre dias de sol que não esquece. Por isso me disfarço por entre a gente de quem sou parcela.

Todos nós pensamos que vivemos no mesmo tempo, quando um tem o seu próprio tempo que pode não rimar com o tempo daqueles com quem podemos coincidir. E o tempo apenas muda quando o tempo que temos deixa de ser o tempo que pensamos não ter. Todos ainda podemos refazer o novo mundo que ficou por descobrir. Basta não perdermos o encanto de o continuar a procurar.

O mundo tem notícias explosivas: amanhã a humanidade vai atingir a bela soma de sete mil milhões de seres que nunca se repetem; hoje dizem que um quarto dos senhores deputados portugueses, têm a representação parlamentar da nação como segundo emprego. O macro e o micro. A armilar e o quintal. O presidente o o nosso primeiro podem estar na cimeira ou na cúpula do Paraguai, aqui somos excitados pela casa dos segredos e imaginamos sessentões transformados em milionários feitos pistoleiros. Estamos todos doidos.

 

Out 29

É mais pragmático ter ideias, princípios, valores e crenças

Quando políticos ditos democratas, cedem às pulsões autoritárias que apelam ao despotismo de todos, ou, pior do que isso, a fomentam maquiavelicamente, para, depois, a instrumentalizarem, a história mostra que, muitas vezes, quem com ferro mata, com ferro morre. É mais pragmático ter ideias, princípios, valores e crenças. Sempre podemos viver como pensamos, sem pensarmos muito como depois vamos viver. Mas viver não é submeter-me para sobreviver. É lutar para continuar a viver.

Ninguém é mobilizado nestas épocas de estupidificação decretina. Sobretudo, quando se prova facilmente como a golpada do xico-esperto compensou e todos levam pela medida grossa dos merceeiros analistas e dos novos ricos que assaltaram o discurso dos serviçais do poder, principalmente quando foram prebendados com a categoria de sopeiras do regime, especialistas no habitual trabalho sujo da tábua de passar a ferro as diferenças que nos dão universalismo.

O grito de revolta de Maria Filomena Mónica no Expresso de hoje, contra a diminuição do respectivo rendimento como investigadora jubilada, ao lado de outros, a quem chama colegas, mas que nunca justificaram o mesmo rendimento porque nunca produziram o que deviam, é uma bela denúncia do comunismo burocrático e da respectiva incapacidade de julgamento do mérito, da criatividade e das provas dadas em serviço público. É tudo unidimensionalizado pelo nível do abaixo de zero e pelo mau exemplo. Abaixo a terraplanadora!

 

Out 28

E os micropoderes já são “powerpolitics”

As notícias sobre um caso de polícia que envolve um antigo líder parlamentar, caso fossem confirmadas pelos factos, representariam um enorme abalo na nossa confiança pública, corroendo a própria democracia. Desejo que a prova da verdade nos livre dessa ameaça. Para bem de todos.

A CPLP anda em bolandas por causa do acordo ortográfico. A Commonwealth prefere alterar as regras de sucessão ao trono britânico. A fim de impedir a preferência pela descendência masculina…São dezasseis Estados que se têm de pôr de acordo…entre eles o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, que teimam nessa da não escolha de presidentes privativos. Pelo menos, o rei, ou a rainha, sempre são comuns!

Já agora, convém recordar que, a partir de 1 de Novembro, Portugal vai presidir durante um mês ao Conselho de Segurança da ONU. Isto é, a diplomacia portuguesa vai ser formalmente o máximo poder mundial! Pode ser que sirva para alguma coisa…

Se, olhando para o nosso umbigo, já há muito descobrimos que a maior parte dos factores de poder já não são intranacionais, convém reparar que, também no tocante à União Europeia, os principais factores de poder já são supra-europeus. Por outras palavras, o poder não é uma coisa, é uma relação. Estratégica. E os micropoderes já são “powerpolitics”. O jogo é planetário. Até vai passar pela reunião do Paraguai.

Espanha está prestes a atingir a barreira dos cinco milhões… de desempregados. Má notícia para os nossos seiscentos mil

Uma boa notícia: Passos Coelho furou o habitual silêncio do “Estado de S. Paulo” sobre Portugal. Referiram a “cúpula bilateral” por causa dos investimentos brasileiros… Até agora, nada disseram do nosso presidente. Eles não percebem essa do presidencialismo bicéfalo. Cúpula só há uma: aquela a que vai Dilma.

A RFA, além de democrática, é federal e pratica o princípio da separação de poderes. Não tem a tradição do estadualismo francês, nem cede perante as circunstâncias excepcionais. Como lá o Tribunal Constitucional é mesmo tribunal, há o primado dos procedimentos do Estado de Direito e a consequente balança de poderes. Porque o essencial de uma democracia não é sabermos quem manda, mas como controlamos os poderes dos que mandam. Tenho inveja.

China já mandou recado à ofensiva de Klaus Regling: querem dinheirinho, nós apenas vendemos; atribuam-nos o estatuto de economia de mercado na OMC; por outras palavras, deixem-se de tantas barreiras proteccionistas!

Nada como uma boa risada, para recuperarmos a seriedade iberista. Gregorio Peces-Barba, ex-presidente parlamentar em Madrid, socialista e reitor da Universidade Carlos III de Madrid, ao confessar-se adepto de Olivares, cometeu uma pequena imprecisão: não reparou que houve 28 anos de guerra entre os restaurados portugueses e o trono de Madrid. E que, por causa desse processo da nossa vontade de sermos independentes, surgiu o Brasil.

Li o último artigo de Vital Moreira no jornal “Público”. E respondi-lhe à letra, em mail que torno público: “Obrigado, meu querido professor, tantas vezes meu adversário. Sou também um produto das suas provocações e quero continuar a aprender consigo. Saudações académicas e coimbrãs”.

Assunção manda adiar, em nome da legalidade e da constitucionalidade, o sacrossanto orçamento. Ministério das finanças lá foi à estante consultar a lei fundamental. Os fins não justificam todos os meios. É o mínimo do Estado de Direito.

No dia em que reabre o Teatro Bolshoi, num hino à Europa lá nas estepes, e quando encerra temporariamente, para visitas ao público, “La Liberté éclairant le mundo”, o caixeiro viajante da União Europeia iniciou um périplo pelo Oriente à procura de fundos. O nosso primeiro foi em sentido contrário, acarinhar, junto de Dilma, uma “aliança estratégica”. E foi muito bem, já mais seguro. Que venham reais!