Eis a primeira vez que coloco o portátil nos joelhos e uso um teclado qwerty. Isto vai andando grão a grão, dia a dia. Os fármacos vão diminuindo para metade. A fisioterapia é todos os dias para que a caixa de ar regresso. Já dei umas voltas pela rua, mas é tudo devagar, devagarinho. Para agradecer todas as mansagens de apoio de meus amigos. Apenas o título do meu último livro-poema “Spera, Sphera, Sperança”
Portas contra Louçã
Portas, o esteta politizado, está para Sócrates, como Louçã, o revolucionário institucional, para Manuela. O primeiro gostaria que a direita lusitana fosse mais “gaullista” e menos confessional, mas não o diz. O segundo, depois de considerar a IV Internacional trotskista como herdeira legítima de Robespierre, tem uma coligação com os restos m.l. da UDP, o neojacobinismo humanista de Rosas e o pós-comunismo do outro Portas. Os dois foram mesuras em jogo táctico unipessoal, tentando escapar estrategicamente aos vizinhos predadores. Se um ainda vive numa tensão de dúvida metódica, onde a pulsão reaccionária e populista continua a enevoar um amadurecimento liberalizante, que confunde com a tentação ministerialista, já o outro duvida em seguir o lema de Xico Martins Rodrigues, para quem um revolucionário não podia ser humanista. Portas pode cair e levantar-se, arrependendo-se e perdoando. Louçã ainda não consegue disfarçar o uso e abuso da guilhotina retórica, mesmo que cite Fátima Missionária.
Registo
Antes de novos exames ca do musculo cardiaco e das tres novas canalizacoes com que o enganaram la vou dando uns passitos para me cortarem o cabelo nestes pequenos grandes gestos de olhar a cidade de janelas escancaradas com a minha filha a levar me pela mao mas temendo a euforia de sentir me recuperar…ainda nao consigo ir ao computador nem me apetece ler o jornal…prefiro espreitar a rua olando por mim dentro
Depoimento a Semanário
José Adelino Maltez
“Ferreira Leite fica feliz quando lhe chamam Cavaquista”
“O artigo do Passos Coelho é para marcar a agenda, tanto podia pedir uma maioria absoluta ao PSD, como podia pedir que Ferreira Leite descobrisse a Índia. Ela ainda nem assegurou a maioria relativa quanto mais a maioria absoluta. Isso é um bom jogo dialético para continuarmos a falar dele. Não acho que uma maioria absoluta libertasse Ferreira Leite do peso do Cavaquismo. Em primeiro lugar, parece que a coitada da dr. Manuela Ferreira Leite tem o Cavaquismo a persegui-la, quando foi ela que inventou o cavaquismo sem Cavaco – até lhe interessa. As razões dos eventuais êxitos que Ferreira Leite possa ter é precisamente porque ela se assume com um cavaquismo sem cavaco. Há, pelo contrário, uma colagem dela à imagem de Cavaco. Cavaco tem uma indiscutível confiança popular como se manifesta em todas as sondagens muito mais do que ela, não sei se o dobro se o triplo. Tudo o que seja insinuação subliminar como está patente em todos os discursos de Ferreira Leite é bom para ela. Tudo o que seja um ataque a chamar-lhe cavaquista ela fica feliz. Quem sai prejudicado no meio disto tudo é o dr. Cavaco porque fica com um espaço (reduzido) onde pode ser atacado por ver o seu nome envolvido na discussão político partidária. O artigo do Passos Coelho é uma provocação ao sistema que não é aleatória, porque aquele artigo é aquele que não se estava à espera e é aquela que mais atrapalha. Não é um artigo de impulso é um artigo político de provocação ao sistema.”
Depoimento à Visão
Segundo as declarações que prestei à revista Visão, publicadas hoje, o Chefe de Estado quer revisitar «o cavaquismo em versão presidencial, reabilitando a teoria do homem comum de sucesso e do tecnocrata com desprezo pelos políticos». Acrescentei que, com tal fórmula, Cavaco não consegue ser «suprapartidário». É, alegoriza, «um árbitro que não resiste a dar uns pontapés na bola».
Até porque que José Sócrates «foi incrivelmente ingénuo, ao pensar que o bom relacionamento com o Presidente estava para durar e não previu o tacticismo de Cavaco que, mais cedo ou mais tarde, lhe iria tirar o tapete». Com Mário Soares na chefia de Governo, «isto jamais teria acontecido». E também achei que Cavaco «corre o risco de ficar para a História como o PR que ressuscitou o conflito entre a política e a religião», embora verifique que certas decisões do Presidente têm recebido alguns surpreendentes apoios «Até o PCP já o aplaudiu».
Finalmente, advogo ser desnecessária qualquer mexida no regime semipresidencialista, mesmo num cenário de governabilidade precária saído das próximas legislativas. «Se isso acontecer, os dois maiores partidos vão ter de arranjar energia para expulsarem Ferreira Leite e Sócrates das lideranças. Há uma criatividade na democracia que a partidocracia do eucalipto ainda não secou.»
Os Donos do Poder
Os Donos do Poder
por José Adelino Maltez
Mesmo quem não seja um fã de M. M. Guedes e da restrita companhia da tribo “independente” que Moniz elevou a grandes educadores do nosso proletariado intelectual não deve hesitar: a liberdade exige plenitude de acção a propagandistas da situação e da oposição! Quando a entidade capitalista se desculpa com ordens vindas da patroa espanhola, mais se lamentam as anteriores palavras usadas pos Sócrates sobre a “campanha negra”, não sendo possível justificar o corte de pio com casos anteriores, como a cena dos santanistas com Marcelo Rebelo de Sousa. Não há evidentemente censura, mas liberdade do mercado, neste socialismo a retalho, que é interventor nos dias pares e licencioso nos dias ímpares, conforme os heterónimos convenientes dos donos do poder. Mas Sócrates, a partir de agora, deixa de ter debates, passa a ser o bombo da festa, a não ser que tenha a hipocrisia de mandar um porta-voz defender a liberdade de expressão da M. M. Guedes, para se assumir como bode expiatório. Julgo que alguns, mais papistas do que o papão, continuam a fazer golos na própria baliza, pensando que ter o poder é ter a palavra. Talvez acabem por comunicar ao país que a peça sobre o Freeport será emitida pelos tempos de antena do PS. De outra maneira, darão razão a todos os que acham que esse elemento é o calcanhar de Aquiles do ministerialismo. Por mim, gostava mais que não “desviassem a atenção” da política, nesta campanha eleitoral!
Regresso
A maquina que me fez quebrar la vai recordando o respirar e passo a passo voltando a preparar se para que possa cumprir a missao de viver o que tiver de viver olhando o sol de frente sem torcer. Estas palavras ja sao directamente tecladas por mim mas do telemovel. Obrigado companheiros desta procura que e apenas passagem
Já dei mais uns passos
Já dei mais uns passos. Agradeço força de meus amigos nesta corrente de resistência e de esperança onde a vida pode voltar a ser aquele renascer que vem da mátria e deve continuar a ser procura do eterno (lançado na net por Joana Maltez a pedido de meu pai).
o meu coracao colapsou sem metafora e sem previo aviso
desde meados de agosto que o meu coracao colapsou sem metafora e sem previo aviso…foram cinco dias no curry cabral operado no cruz vermelha estou em convalescenca por tras da mascara de oxigenio e prestes a dar a primeira volta pelo quarto e corredor um abraco aos amigos
PSD. Enquanto os elefantes não ultramontarem….
Férias são um belo contributo para a redução da despesa pública, porque grande parte do Estado a que chegámos é apenas “spam”, essa energia que se gasta na ilusão das mudanças aparelhísticas para que tudo como dantes, neste ciclo do canto do cisne em que nos madailizamos. O PSD, quando frustradamente tentou sair do terreno da direita que convém à esquerda, com a proposta de revisão constitucional, ou assumir-se contra os patriotorrecas das companhias majestáticas, apenas confirmou que Passos Coelho ainda está de soberania condicionada até Anibal passar os Alpes, em cima dos elefantes que comem palha de Abrantes, as forças vivas que são donas do quartel. Os que efectivamente partem e repartem, preferem a banha da cobra e até as sondagens confirmem a existência de um centrão sociológico que não se importa com o endividamento. Porque vale mais o pássaro das promessas na mão, do que as boas reformas voando. Daí que as equipas da oposição não possam jogar apenas com o banco de suplentes e os “juniores”. Sobretudo por causa dos árbitros, dos patrocinadores que partem e repartem, e da estrutura do dirigismo que organiza os jogos. Os partidos devoristas do rotativismo não são causa da decadência, mas mero sintoma da despolitização do Estado e meras consequências dos sucessivos paralelogramas de forças.