Absolutismo Infelizmente, a herança absolutista, tanto das revoluções como das viradeiras, incluindo a do autoritarismo do século XX, obriga a sucessivas reeleições do situacionismos, dado que não continua a vislumbrar-se um pessoano indisciplinador que nos faça regenerar a fibra multissecular da independência. Mais do que falta de vontade política, há um vazio colectivo de vontade de sermos independentes.
A falta de alternativas, dentro das actuais regras do jogo
De tanto comemorarmos a I República, não topamos a presente crise do rotativismo, onde as lideranças fortes propostas por salazarentos querem um Passos cada vez mais hintzáceo e um Sócrates, cada vez mais vibrando à João Franco, agravando-se a ditadura sistémica de um centrão, com o seu aparelhismo alimentado pela mera vontade de poder de fidalgotes esfaimados que mudam mais vezes de discurso que de camisa…
A falta de alternativas, dentro das actuais regras do jogo, impede que, pela imaginação e pelo sentido de risco, possa haver um baralhar e dar de novo, naquilo que Roosevelt chamou “new deal”. Não vislumbro nenhum general, chefe da resistência ao salazarismo, a quem o parlamento possa dar plenos poderes, para regenerar a democracia, como a França fez em 1958!
O morto-vivo deste sistema partidocrático e plutocrático
O morto-vivo deste sistema partidocrático e plutocrático, com os seus aparelhismos de controlo da política, da economia, da sociedade e dos indivíduos, bem como dos financiamentos da conquista do poder, parece estrebuchar, mas ainda tem suficiente energia para nos continuar a amarfanhar em podridão de pântano…
As raízes do patriotismo foram decepadas pela propaganda e pelo “agenda setting”, onde se elevam a protagonistas os meros activistas que transportavam a pasta para as velhas récitas de salão paroquial, com guiões comprados em saldos de naftalina.
Só a soberania da coragem pode dar uma resposta institucional a estas circunstâncias excepcionais. Não há um qualquer D.Sebastião orgânico que possa fazer um golpe de Estado constitucional. Apenas resta um acto de humildade: o Parlamento renunciar à ditadura sistémica da partidocracia…
Temo que as sereias do situacionismo nos atirem para a instabilidade de um centrão nauseabundo e conformista, onde, na falta de rei, um qualquer roque pode servir, para que continue o regabofe desta clausura sistémica e auto-reprodutiva…
E nem sequer nos serve que continuem a tecer a presente renda de bilros constitucional, especialmente a que nos impede uma solução democrática imediata, só porque estamos suspensos por uma eleição presidencial, num modelo que ameaça lançar-nos para o redemoinho de uma república impotente…
Sinel de Cordes, Teixeira dos Santos, Grande Empréstimo da SDN, Relatório da OCDE, é tudo forma de comemorarmos o 5 de Outubro. Portanto, haveria que relembrar os habituais fins de regime. Incluindo o da monarquia constitucional, a de um outro Carrilho. E no falhanço de Oliveira Martins como ministro da fazenda. Prefiro o gesto do boneco do republicano Bordalo: um belo manguito para o mexicano de ferro…
neste exagero de pretérito sem saudade de futuro
Soares e Cavaco, os pais-fundadores do situacionismo da Europa dos subsídios e dos patos bravos, lá vão falando, mas já não fazem, nem arrependimento. São presente-passado, como o centenário da república, neste exagero de pretérito sem saudade de futuro, transformando os brandos costumes num mero comemorativismo quase funerário. Resta a incógnita da revolta, em regime de prognóstico depois do fim da bandalheira…
Quando os políticos mais altezas da nossa teatrocracia
Quando os políticos mais altezas da nossa teatrocracia mostram os traseiros da falta de palavra, apenas podemos concluir que eles não sabem olhar o sol de frente, quando pisam o palco comunicacional, não passam de sacristães que perderam o sentido dos gestos, baralhando o guião. Ainda não estamos na pessoana oligarquia das bestas, mas é evidente que a democracia resvala para a ditadura da incompetência!
Infelizmente, a herança absolutista, tanto das revoluções como das viradeiras, incluindo a do autoritarismo do século XX, obriga a sucessivas reeleições do situacionismos, dado que não continua a vislumbrar-se um indisciplinador que nos faça regenerar a fibra multissecular da independência. Mais do que falta de vontade política, há um vazio colectivo de vontade de sermos independentes.
Uma cobardia difusa, como no avestruz que mete a cabeça na areia, alimenta uma classe política predadora e o que se passa lá em cima, no cume do Estado, propagou-se para baixo, corrompendo todos os redemoinhos sub-estatais, de universidades e autarquias aos mais minúsculos dos serviços público, onde a febre do facciosismo, do clientelismo, do fanatismo, da ignorância e da intolerância se transformou em epidemia…
Persisto em revolta contra as abstracções da constitucionalite
As discretas reuniões dos donos do poder deram em raia parlamentar e em sacristas entrevistas a Judite de Sousa. Apesar de muitas comadres em palhaçada, ainda não desabou a algazarra da verdade. Os mantos diáfanos da literatura de justificação ainda recobrem um povo de impostados que não quer assumir o risco da cidadania fiscal. E o orçamento ainda se assemelha a um caixa multibanco da árvore das patacas…
Persisto em revolta contra as abstracções da constitucionalite, manipuladas pelo decretino do poder instalado, mesmo que este se chame pós-revolução ou estadão xuxial. Na prática, a teoria é outra: o legalismo regulamentar cunhado pelo martelo da golpada, incapaz de assumir a possibilidade de leis injustas e de poderes ilegítimos. Todos atingem o orgasmo com um simples processo disciplinar!
Quando o Estado tem como bocas que pronunciam as palavras da pátria os ministros Lacão, Silva Pereira e Mendonça, apenas podemos concluir que conquistar e manter o poder já não rima com governar. Apenas podemos concluir como quem mais durou em São Bento no século XX: “o exencial do poder é procurar manter-se…” (deixamos o sotaque sontacombandense, no erro ortográfico, para efeitos identificadores da obstinação…)
Testemunho
O tempo que por mim passa se suspendeu. Que meu corpo quebrou, mas a vida ainda não torceu e já posso falar em pretérito sobre meu internamento em dois hospitais e consequentes intervenções cirúrgicas. Tenho a felicidade de já poder narrar esses episódios de relação com o além. O tempo que passa se suspendeu, porque é só em solidão de escrita manuscrita que me consigo escrever. Daí o meu silêncio, porque só quando, palavra a palavra, nos conseguimos libertar das teias do pensamento é que podemos dialogar, aqui, em intimidade. E poucas foram as linhas assim manuscritas que foram fluindo. Pelo que importa reaprender o sentido mais profundo deste gesto de sentir a caneta deslizar pelo papel. Não ainda para testemunhar a experiência de uma complexa intervenção cirúrgica e do místico de seu acordar, mas, sobretudo, para reencontrar os equilíbrios primordiais do andar e do escrever em autonomia. Foram os antiquíssimos laços familiares e os de meus irmãos e amigos que me ajudaram a retomar os passos, e a regressar a casa e às comunidades vivas que me dão raiz e sentido. Esse demasiadamente humano do amor inteiro, onde também não faltaram palavras em mensagens. A todos o meu obrigado!
E voltou o ruído da propaganda dos palhaços do circo
E voltou o ruído da propaganda dos palhaços do circo que prometem pão em nome do estadão; invocam o fmi, instrumentalizando a pátria; ou cantarolam consenso, usando a palavra Alemanha, a conselho da banca ou para que o presidente que está seja reeleito. Já estou farto deste domínio do ninguém, accionado pelo chamado comunismo burocrático e pelas homilias das sopeiras do regime…
Já descobri a causa do ruído: esta democracia está prenhe de despotismos e chefaturas, do servilismo dos cortesãos e clientes, da venalidade dos chamados servidores, do luxo dos empregados e da injustiça dos patrões, fidalgos e camaradas. Vou, por isso, reler São Tomás More…
”Outra espécie de homens costuma ajuizar os talentos dos escritores sentados À volta de canecas de cerveja… Mas só quando se encontram, como diz o ditado, fora do alcance de tiro. Pois são tão escorregadios e astutos que só o fazem fora do alcance de homens honestos que lhes aplicassem o correctivo merecido” (Tomás, More, “Utopia”, Epístola)
Hoje é um dia de silêncio
Hoje é um dia de silêncio. É o dia de aniversário de quem, sendo silêncio, se confunde com a eternidade dos deuses. Apenas tenho medo que possa não haver esse paraíso. Eu acredito. Porque permaneces em cada um dos meus gestos. Para sempre. Obrigado, Ana!
A constituição é nossa
A constituicao e nossa. A republica e nossa. O Estado somos nos. Nos, os timoneiros sem leme, nos os donos do poder, onde quem parte e reparte nao e burro e percebe da arte…