Out 18

Freitas, a Europa e a gripe das aves

De visita à capital russa, Freitas do Amaral não pôde assistir a reunião que decorreu no Luxemburgo, sobre a gripe das aves, nem à conferência de imprensa de Dias da Cunha, sobre a demissão de Peseiro. No entanto, o ministro dos negócios estrangeiros de Portugal deu a mesma garantia de Sócrates, que, na altura, viajava no Metro do Porto, acompanhado por Valentim Loureiro: não há razões para entrar em pânico. O que há neste momento é uma ameaça que se está a aproximar da Europa. Mas ainda não há nenhum caso concreto, garantiu o ministro, que na reunião da UE esteve representado pelo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e da Gripe das Aves.

 

 

 

Por nosssa parte, apenas podemos respirar de alívio, graças a estas certezas metafísicas emitidas por este doutor, agregado e catedrático de direito, bom conhecedor de geografia e dos meandros epidémicos dos galináceos. A pátria do cantar à galo de barcelos ainda confia, porque o nosso é feito de barro. Mas como dizia um jornalista da Patagónia, presente na conferência de imprensa da Academia de Alcochete, isto da gripe não passa de uma manobra conjugada das multinacionais suíças produtoras da vacina e dos que pretendem que se vote sim no próximo referendo da Constituição europeia. Por nós, apenas nos recordamos que, nos anos de 1917-1918, vimos a democracia ser afectada pela fome (com assalto a armazéns de víveres), pela peste (a gripe espanhola, dita pneumónica) e pela guerra (a grande guerra), uma tríade que foi acompanhada pelas aparições de Fátima, pela revolução bolchevique e pela subida de Sidónio Pais ao palácio de Belém, primeiro, a tiro, e depois, pelo sufrágio universal e directo.

Out 18

A cicuta orçamentada ou a cápsula Fénix?

E lá acordamos para mais um dia de triste e vil tristeza orçamentada, nós, os servos da gleba hipotecária, sem direito a enfiteuse, a emigração ou ao pé-de-meia, para podermos gritar que não foi o fascismo que voltou, mas um devorismo patrimonialista e neofeudal, com um estadão armado em mercantilista, tecendo loas ao superministro de sinal na cara…

Se este orçamento passar, sem mácula, em nome do calculismo das presidenciais e da futura alternância da velha manha politiqueira, receio que o sonho da nação, da república e da comunidade passe por um programa espiritual de extinção do Estado, cada vez mais cão de guarda de interesses, alimentado por impostos…

Estamos como nos primeiros vagidos do século XX, quando Fernando Pessoa alinhava na greve académica e Afonso Lopes Vieira traduzia Kropotkine. Foi nessa onda de anarquismo místico que se forjaram as éticas de convicção que ainda nos podem regenerar, se começarmos pela única essência que nos resta: o indivíduo diante do infinito!

Pobre de mim, tradicionalista, que apenas sonha corrigir o desvio absolutista que nos levou ao desespero das revoluções, quando sempre precisámos de revoluções evitadas, como foi a inglesa e a norte-americana e como o tentou ser o nosso cartismo, nessa velha arte do regime misto, como o foi a república romana que resistiu ao cesarismo. Logo, subscrevo a necessidade de extinção deste estado a que chegámos…

Antes de Mouzinho da Silveira não havia hipótese de greves como a prometida pelo sindicato dos trabalhadores dos impostos. Há quem tenha uma solução à maneira medieval: contratar os fiscais da EMEL para o efeito, ou, então, os chamados “cobradores do fraque”. Os adeptos do progressismo, podem fazer um concurso público internacional e arrematar a tarefa a um parceiro qualquer da União Europeia.

Já os judeus detestavam os publicanos, tal como hoje muitos consideram que o Estado a que chegámos em forma de estadão, constitui uma entidade ocupante da república e, portanto, um estrangeiro, quando, para citar Merkl, a política de multiculturalismo falhou redondamente. E não é por acaso que os multadores da EMEL raramente são autóctones…

Entretanto, outro nosso indígena, Marcelo, em directo, vindo do Maputo, anuncia recandidatura de Cavaco e viabilização do orçamento pelo PSD. Havia os prognósticos depois do apito final. Desta, têm que ir à falência todos os apostadores. Porque deixou de haver risco. Antes de o serem, as coisas já o eram, conforme a tal ideia de suspensão da coisa.

Os anúncios de Marcelo revelam o velho branco é, galinha o põe…mesmo que esteja choca! Que choca…vem de chocallho, evidentemente! Tem a ver com aquela alimária que vai para a arena em regimes de toureio que não admitem a morte do bicho em directo. É pela calada, atrás do palco, que o transfiguram em bife…

Há quem diga que esta mistela, o tinto a martelo do orçamento, deve ser tragada porque pode ser cicuta, para envenenar o dito, numa espécie de embuiçamento. Não sou a favor destes sucedâneos de regicídio e sempre recordo que o homónimo de Atenas não foi suicidado pelos adversários, auto-extinguiu-se para cumprir as leis da “polis”, incluindo as más, para dar o exemplo.

Out 18

Já nada é porreiro, pá!

Já nada é porreiro, pá! França e Alemanha preparam à pressa uma revisão do Tratado de Lisboa. Diante do mar da dita, afinal era só palha… Subscrevo essa da necessária gestão das dependências, mas temo que nos tenhamos esquecido dessa essência da independência que, como dizia Herculano, sempre foi a vontade de sermos independentes.

Out 17

Triste e vil tristeza orçamentada

Triste e vil tristeza orçamentada

E lá acordamos para mais um dia de triste e vil tristeza orçamentada, nós, os servos da gleba hipotecária, sem direito a enfiteuse, a emigração ou ao pé-de-meia, para podermos gritar que não foi o fascismo que voltou mas um devorismo patrimonialista e neofeudal, com um estadão armado em mercantilista, tecendo loas ao superministro de sinal na cara…

Se este orçamento passar, sem mácula, em nome do calculismo das presidenciais e da futura alternância da velha manha politiqueira, receio que o sonho da nação, da república e da comunidade passe por um programa espiritual de extinção do Estado, cada vez mais cão de guarda de interesses, alimentado por impostos…

Estamos como nos primeiros vagidos do século XX

Estamos como nos primeiros vagidos do século XX, quando Fernando Pessoa alinhava na greve académica e Afonso Lopes Vieira traduzia Kropotkine. Foi nessa onda de anarquismo místico que se forjaram as éticas de convicção que ainda nos podem regenerar, se começarmos pela única essência que nos resta: o indivíduo diante do infinito!

Da extinção do estado a que chegámos

Pobre de mim, tradicionalista, que apenas sonha corrigir o desvio absolutista que nos levou ao desespero das revoluções, quando sempre precisámos de revoluções evitadas, como foi a inglesa e a norte-americana e como o tentou ser o nosso cartismo, nessa velha arte do regime misto, como o foi a república romana que resistiu ao cesarismo. Logo, subscrevo a necessidade de extinção deste estado a que chegámos…

Deixou de haver risco

Marcelo anuncia recandidatura de Cavaco e viabilização do orçamento pelo PSD. Havia os prognósticos depois do apito final. Desta, têm que ir à falência todos os apostadores. Porque deixou de haver risco. Antes de o serem, as coisas já o eram, conforme a tal ideia de suspensão da coisa.

Antes de Mouzinho da Silveira não havia hipótese de greves destas. Há quem tenha uma solução à maneira medieval: contratar os fiscais da EMEL para o efeito, ou os chamados “cobradores do fraque”. Os adeptos do progressismo, podem fazer um concurso público internacional e arrematar a tarefa a um parceiro qualquer da União Europeia.

Os anúncios de Marcelo revelam o velho branco é, galinha o põe…mesmo que esteja choca! Que choca…vem de chocallho, evidentemente! Tem a ver com aquela alimária que vai para a arena em regimes de toureio que não admitem a morte do bicho em directo. É pela calada, atrás do palco, que o transfiguram em bife…

O tinto a martelo do orçamento

Há quem diga que esta mistela, o tinto a martelo do orçamento, deve ser tragado porque pode ser cicuta, para envenenar o dito, numa espécie de embuiçamento. Não sou a favor destes sucedâneos de regicídio e sempre recordo que o homónimo de Atenas não foi suicidado pelos adversários, auto-extinguiu-se para cumprir as lei…

Out 16

Ministro da oposição à oposição

Lá vou acordando para esta ditadura do estado a que chegámos cuja síntese é a lacónica figura do ministro encarregado da oposição à oposição que dita a ideologia dominante como sacristão que perdeu o sentido dos gestos, com comunistas e bloqueiros ajudando à missa dos que querem conservar o que está…

Out 16

Contra as nacionalizações sacristas ou revolucionárias

Tanto sou contra as nacionalizações revolucionárias, como rejeito as episcopalizações do mesmo género patrimonialista. Se não houver contenção não tardará, como em 1917, que o sindicato em causa promova a criação de um partido, ou braço político, como o foi o CCP, que tanto deu raia em votos como lançou Salazar como deputado, ao lado de um administrador do banco de Alves dos Reis…

Estou farto de PEC I, PEC II e PEC III. Temo que novo PEC Santo entre num dos orgulhos multisseculares da sociedade civil portuguesa, ainda por cima através de uma sigla que me faz lembrar o velho Corpo Expedicionário Português, o comandado por Gomes da Costa.

O nosso hierarquismo paternalista tanto levou a que o partido “democrata-cristão” de 1917 nascesse de uma decisão institucional dos bispos, como, depois, com o mesmo protagonista, provocou que o partido único do regime autoritário nascesse de uma Resolução do Conselho de Ministros. Um lastro que ainda marca o tique centralista e concentracionário da presente partidocracia.

Out 15

É só ministros novos de um estado velho, presidentes passados

Não assisti ao debate. Apenas vi o resumo. Uma calimerada do costume, onde valeu sobretudo o relato de corredor de Vítor Baptista, contando dos cargos que lhe foram oferecidos pelo chefe de gabinete de Sócrates no Rato. Quase tudo na administração da comboiada, à boa maneira do que Salazar fazia aos mários de figueiredo…

É só ministros novos de um estado velho, presidentes passados, por cumprir, dores de alma, apertos de coração e noites sem dormir, orçamentadas, para que, dos bancários que lá foram, em romaria, apenas um seja banqueiro, e de família. Os regimes passam, só ele fica, neste capitalismo a retalho que nos agonia.

Neste salgado regime de transição, entre o que foi e o que há-de ser, com feitores da couve de Bruxelas e ministros velhos para mais velho estado novo, não há dia que frei tomás, ex-presidente, não lance seu pregão desbotado, de quentes e podres, para o mais do mesmo, neste mostrengo parido pelos pretensos salvadores que o geraram…

‎24 de Agosto de 1820, 9 de Setembro de 1836, 5 de Outubro de 1910, 28 de Maio de 1926, 25 de Abril de 1974, a música e a garra das revoltas por cumprir não podem justificar este situacionismo. Mudemos de letra, sem tiros à toa. Contra os bonzos, marchar, marchar!

Se houvesse sondagens nos últimos meses da monarquia constitucional, o partido republicano seria ultraminoritário, dominando as dissidências rotativas, como sucedeu nas eleições do Verão de 1910, antes do cair da folha. O mesmo sucedeu nas eleições de 1925, antes do 28 de Maio. Hoje, a nossa sondajocracia apenas disfarça a longa decadência em que nos entristecemos…

Vejo na SICN o jubilado auditor público Carlos Moreno. Já o tinha ouvido na TSF. Já espreitei o livro-manifesto que confirma os alertas de Medina Carreira, Ernâni Lopes e João Salgueiro. Vemos, ouvimos e lemos, mas podemos fingir que ignoramos. Preferimos a retórica propagandística do mais do mesmo. Quando acordarmos, tudo vai ser empobrecidamente cobarde.

Daqui a meia hora, vai chegar à dita casa comum da democracia, sujeita a disciplina de voto partidocrático, a tal “pen”, com adequada antiviruseira, rigorosamente vigiada pelos barrosais de Bruxelas. Esperemos que a formatação a que nos querem condenar possa ser corrigida pela cidadania daquele grito que foi dos heróis do mar e do nobre povo…

Já passam dez minutos da meia hora… os ministros e deputados continuam homens sem sono!
Para comentar a “pen”, o Expresso da Meia-Noite convidou um secretário de Estado, mas sem reparar que que ele já era membro deste governo, identificando-o pelo cargo anterior, onde aparecia mais vezes, especialmente a espreitar por trás do primeiro quando ele vendia redes tecnológicas no telejornal. Parece a velha série do homem invisível!

“Qualquer membro do parlamento pode telefonar-me a partir de agora”. Coitado! Nem dormiu nestas últimas noites, sempre em reuniões de conselho a dois e de conselho de todos os ministros… Passos Coelho ficou em brasa. Não vai ter fim de semana para engolir as 1 500 páginas…

Out 14

Os banqueiros, incluindo três que são apenas bancários, foram hoje a Teixeira do Terreiro

Os banqueiros, incluindo três que são apenas bancários, foram hoje a Teixeira do Terreiro. Espero que uma das soluções aventadas nos corredores perdidos seja uma encenação de novo orçamento, consensualizado por quem o ministro lacão qualifica expressamente como imaturo e com vontade de abismo…

Passos e Portas estão no jardim, lançando pérolas à multinacional partidária de que fazem parte. Espero que a bota bata com a perdigota, sob pena de a palavra perder sentido.

Out 13

Banqueiros lusitanos pressionam

Banqueiros lusitanos pressionam para que acabe a política em Portugal. Proposta de revisão institucional subordina o poder político ao poder financeiro. Desta é que o programa de suspensão da democracia parece viabilizar-se. Prefiro o banqueiro anarquista de Fernando Pessoa.

O porta-voz salgado dos banqueiros declara “ter confiança”, nos “políticos deste país”, para que se chegue a “uma plataforma de entendimento”. Espero que os feitores dos ricos não mantenham o estado a que chegámos como simples PPP (parceria público-privada).

Há um clube, de reservado direito de admissão, que marca o neofeudalismo desta desordem, tão minuciosamente organizada, pela incompetência que vai da Lisboa a Bruxelas e que gerou este mostrengo, entre a “fina-flor da plutocracia” e a casta banco-burocrática do rotativismo.

Out 12

Enquanto a cunha e a fuga ao imposto continuarem

Passei os olhos pela www.base.gov.pt. Coloquei o nome de alguns figurões, disfarçados em pequenas e médias empresas de regime. Notei também alguns hierarcas de certas instituições públicas que por elas foram beneficiados com a dignidade de consultadorias. Confirmei a pouca vergonha. E se cruzarmos gentes do PS e do PSD no regabofe, o resultado é mesmo de piolheira!

O mal é mais fundo, tem a ver com uma ideia de Estado por cima da comunidade, o tal que, um dia, é amigo, quando dele sacamos o subsídio, e que, noutro, é o ladrão que nos rouba. E a eurocracia agravou a doença. Ambos continuam estrangeiros, como um “l’État c’est lui”, resistindo àquilo que deveria ser a democracia de o “o Estado somos nós”…

Enquanto a cunha e a fuga ao imposto continuarem, não é possível o reconhecimento do mérito e a consequente igualdade de oportunidades, onde a justiça sempre foi tratar desigualmente o desigual, sem estes curtos-circuitos da sociedade de corte, agravada pelos filhos de algo da partidocracia!

O regresso à verdade impõe que saibamos os custos de propaganda de uns simples minutos de telejornal para uma comemoração ou uma homenagem, sobretudo quando esta reveste a forma de compra de um adversário, especialmente quando este assume o habitual estilo de verme dos chamados filósofos da traição! Eu também fui a www.base.gov.pt. para medir certos patriarcas aparentemente impolutos.

Todos os tipos do PSD que têm tacho de Sócrates, armam-se agora em arautos do entendimento entre os dois irmãos-inimigos. Não são apenas os adversários internos de Passos que andavam calados. Os bonzos que nos têm desgovernado são exactamente os mesmos, deste bloco central de interesses e do respectivo centrão mole e difuso. Por mim, serei sempre radical!

Ora aí está uma boa notícia, em termos estaduais: a eleição para o Conselho de Segurança. Um abraço ao Luís Amado. Um reconhecimento à máquina diplomática.