Out 30

Farpas

O critério meritocrático de todas as conversatas de hoje, mesmo entre pessoas comuns, mas que dizem beber do fino, reduz-se ao seguinte: “eu bem o dizia, pá, lembras-te das minhas
palavras de há uns dias, eu já sabia, eu já sabia”. Pronto, entrámos definitivamente no regime dos prognósticos depois do apito final. E opvo demora mais a decidir que o MP a
investigar.
“Se a Itália tem Berlusconi, porque é que nós não havemos de ter acordo!”. Argumento ouvido ao pequeno-almoço, de quem não sabe que acordo vem de “ad” mais “cors, cordis”
(etimologicamente, o que está junto ao coração) e que impede o desalmado do negocismo
politiqueiro…

Chove que se farta. Só agora li, ouvi e ouvi os pormenores do espectáculo das novas. Tenho
pena de todos os mais papistas do que os papas que andaram por aí na berraria. Tenho a
certeza que quem tirou a fotografia de ontem, à 23 horas e 19 minutos, não foi o ministro do TGV, António, Lino ou Mendonça… Foi um campino de Alcochete, ex-defensor do aeroporto
da Ota!
Um varreador municipal declara que o problema das cheias de ontem na baixa da capital nada tem a ver com o entupimento das sarjetas. Basta notarmos o zelo de um dos mais recentes
cursos constante do catálogo das novas oportunidades e habilidades de pata ao léu…
(imagem devidamente identificada de um novo desvalido da classe média do 3º escalão do
IRS).
Para os meus filhos, que andam lá por fora, espreitarem o que aconteceu ontem no Rossio

Out 30

entrámos definitivamente no regime dos prognósticos

O critério meritocrático de todas as conversatas de hoje, mesmo entre pessoas comuns, mas que dizem beber do fino, reduz-se ao seguinte: “eu bem o dizia, pá, lembras-te das minhas palavras de há uns dias, eu já sabia, eu já sabia”. Pronto, entrámos definitivamente no regime dos prognósticos depois do apito final. E povo demora mais a decidir que o MP a investigar.

Se a Itália tem Berlusconi, porque é que nós não havemos de ter acordo!”. Argumento ouvido ao pequeno-almoço, de quem não sabe que acordo vem de “ad” mais “cors, cordis” (etimologicamente, o que está junto ao coração) e que impede o desalmado do negocismo politiqueiro…

Out 29

FB

Estive ontem à noite na SIC, onde me declarei revoltado e enjoado com este jogo de
prognósticos, cenários e mais do mesmo para que atiram comentadore, politólogos,
financeiros e mais aves canoras. Tentei desafinar

Estas coisas das bases de dados são chatas. Lá suprem a falta de recursos de quem pretende
fazer jornalismo de investigação….

As aparências não iludem. Porque Passos Coelho, em Bruxelas, não se sentiu pressionado.
Porque Sócrates, em Bruxelas, não se sentiu pressionado. Porque o Conselho de Estado também
não é um grupo de pressão. Até porque Alberto João está retido em França, mas por causa da
falta de ligação aérea!

Quanto me enjoa o peso da razão de Estado em figuras humanas, sobretudo quando as fazem
estátuas egrégias ou obras completas de mui ilustres burocratas judiciosamente judiciando
sobre caracóis de contas ordenadas, ciclos e mexericos, com fardas ou medalhas assentes nos
palanques de uma história que já não há.

E lá vai Catroga, depois de horas a secar, sem pedidos de desculpa, juntar-se a quem disse
que ele disse mentiras. A quanto obrigas, senhor Interesse Nacional! Aconselho a releitura
da “Arte de Furtar”. E não é por acaso que essa obra prima da verdadeira politologia
continua a ser de autor anónimo…

Consta que o Conselho de Estado, em homenagem à cultura, vai ter, como música de fundo, “Os
Bravos”, de Zeca Afonso. Deixo em “comments” a letra protestada!

Acordo…última hora. Já não é preciso accionar o Plano B. E a nova vem antes da
comunicação oficial de Cavaco (Sic)

Presidente aconselhado falou. O que tem de ser tem muita força, mesmo que não seja o dever
ser. Até interromperam o relato do Benfica com o Paços Ferreira, num estádio que já não é
da Luz. Antes de o ser já o era, nesta dislexia verdadeira, sobre a qual alguns se
prenunciaram…

O que tem de ser, não se precisa empurrar. O que tem de ser, será. O que tem de ser feito,
tem de ser feito. O que tem de ser feito, tem de ser bem feito. O que tem de ser, não
precisa empurrar. O que tem de ser nosso, às nossas mãos vem parar. O que tem de ser, será.
O que tem de ser, tem mesmo de ser. O que tem de ser, tem muita força…Meros provérbios da
velha culpa luso-sebastianista, sem regressos de Alcácer…

O regime passa do interregno ao interlúdio da RTP, dos tempos da memória a preto e branco.
Falta a legenda clássica: “pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro
de momentos”.

Quando nosso primeiro anda aos papéis, em pleno Pátio. sem ser dos bichos, apenas convém
saber se é permitido o uso dos telemóveis em pleno Conselho. A não ser que o rascunho venha
por GPS. Mas, pronto! A coisa já nasceu, talvez em cesariana lá das bruxas. Só no reino que
foi de Leopoldo é que o orçamento “belga”. De casa de ferreiro vem sempre espeto de pau…

Out 29

Quando nosso primeiro anda aos papéis

Quando nosso primeiro anda aos papéis, em pleno Pátio. sem ser dos bichos, apenas convém saber se é permitido o uso dos telemóveis em pleno Conselho. A não ser que o rascunho venha por GPS. Mas, pronto! A coisa já nasceu, talvez em cesariana lá das bruxas. Só no reino que foi de Leopoldo é que o orçamento “belga”. De casa de ferreiro vem sempre espeto de pau…

Out 28

FB

Primeiro, Silva Pereira, agora, Sócrates. Já dizem o contrário do que disseram, ou que mandaram dizer, entre o Conselho Europeu e o Conselho de Estado. Afinal não é Chávez que vai comprar a nossa dívida. Talvez ainda não seja a China. Talvez não concedamos o mar territorial e o nosso espaço aéreo a um candidato a membro permanente do Conselho de Segurança…

Revolta-me pertencer a um geração de gente que subiu aos cumes do estadão como os balões impulsionados pelo ar quente dos acasos e que não passam de meras consequências dos
sucessivos paralelogramos de forças…

E lá vem amanhã mais uma sondagem de outra fonte, confirmando a que foi publicitada hoje. Quando Sócrates em Bruxelas refere que apenas é movido pelo “interesse nacional” e não pela popularidade, já a conhecia. Apenas apetece recordar o que Manuel Alegre disse do socratismo: “imagem, sondagem e sacanagem”…

Parabéns à Elsa Peralta e à Marta Anico. De vez em quando há boas notícias. Especialmente quando o mérito tem espaço institucional para ser reconhecido.

Out 28

Sapo Notícias on line

SAPO Notícias: Que diferenças encontra entre o discurso de 2005 e o discurso de ontem?

 

Interessa-me menos o texto e mais o estilo. Menos a racionalidade das palavras e mais a emoção que ele transmite. Sempre foi assim. Cavaco teve três maiorias, duas das quais absolutas, uma vitória esmagadora numas presidenciais, sempre com o mesmo estilo. O estilo “subir a coqueiros”, enérgico, e depois o estilo dramático. O que ele quer transmitir é ser um referencial que segurança e estabilidade.

 

SAPO Notícias: Ainda assim, no discurso de 2006 Cavaco Silva exaltou a cooperação estratégica e ontem deixou alguns recados ao Governo.

 

Estamos numa recandidatura e ele falou “de trono”, porque no fundo os portugueses porque no fundo os portugueses querem um sucedâneo de monarquia. Era muita mais republicano só haver um mandato, 7, 8 anos. Desconfiamos sempre dos primeiros mandatos dos presidentes, porque estão sempre a fazer o jogo para ser reeleitos. Só nesse segundo mandato é que revelam a sua verdadeira face. Veja-se no caso concreto de Mário Soares, quando começou a atacar o governo de Cavaco, antes disso  foi apoiado pelo próprio PSD de Cavaco. Os presidentes que se recandidatam dizem “O meu partido é Portugal”, se estão lá em cima não precisam de outdoor.

 

[Comentário de Nuno ]

Foi um discurso de quem já se considera o próximo Presidente?

 

De quem vai fazer uma campanha acumulando as funções de Presidente. Ele passa a ser Fernando Pessoa, tem um heterónimo candidato e outro Presidente na plenitude até Março. Não pode apagar essa outra parte. Foi um discurso do máximo situacinismo,  nunca houve um candidato tão situacinista como este na República. 10 anos como Primeiro-Ministro, 5 anos como Presidente. Somos a geração Cavaco.

 

[Comentário de Sérgio Oliveira ]

Um grande abraço ao Prof Maltez, um dos melhores professores que tive no ISCSP. O que fica de decisivo e inovador no primeiro mandato de Cavaco Silva?

 

 

Cooperação estratégica do chamado rotativismo. Isto teria começado com o máximo de desejo do Cavaco se o Eduardo Catroga tivesse chegado a acordo com o Teixeira dos Santos em relação ao Orçamento. Por ironia do destino, porque foi Cavaco Silva que ascendeu a líder do PSD acabando com o Bloco Central e é Cavaco quem vai provavelmente restaurar o Bloco Central 25 anos depois.

 

SAPO Notícias: Falou da “geração Cavaco”. Para quem falou ontem Cavaco Silva?

 

 

A política em Portugal é a coisa mais simples do Mundo. Há um milhão de eleitores que não é de esquerda, nem de direita, nem do centro, que ora vota PS ora vota PSD. Esses é que o podem ser reeleito imediatamente. Ele falou para esses. Falou um bocadinho também para aquilo que sempre o levou a ter êxito, para a sociologia de esquerda. Há uma fatia que sempre votou nele. Na anterior candidatura ele passeou-se com um ministro do Partido Comunista, Veiga de Oliveira. Era um ministro do PC nos governos provisórios. Um pouco à semelhança de Mário Soares, que tinha como chefe da casa Militar um monárquico, Carlos Azeredo. Os Portugueses não são de direita nem de esquerda. Veja o João Lobo Antunes, apoiava Jorge Sampaio. Por que é que o Cavaco está nesta posição? Porque o Dr. Jorge Sampaio não se quis candidatar. O Sampaio é respeitado institucionalmente por Cavaco e sente-se no dever moral de respeitar um Presidente que o tratou bem. Não há uma alternatica a Cavaco Silva porque Jorge Sampaio não quer.

 

 Não há nenhum candidato então que possa “fazer frente” a Cavaco Silva?

 

Até agora não houve Manuel Alegre. Está a jogar com os apoios partidários e quase não tem voz. Ele teve o azar de ter uma conjuntura política e económica que, se a tivesse previsto, teria sido outro estilo. Se continuasse a ser o candidato anti-sistema e galgasse o descontentamento, como foi na primeira candidatura, ser o “rebelde”, tinha mais sucessso do que com algumas inutilidades discursivas que anda a badalar. Mas pode renascer e isto pode ser mais interessante.

 

[Comentário de Nuno ]

Qual será a verdadeira face de Cavaco, e que poderá mostrar no segundo mandato?

 

 

Ele quer uma conciliação e um acordo entre os principais partidos. Até porque, mesmo em relação ao PSD, Manuela Ferreira Leite era um “cavaco de saias”. A nova direccção do PSD é outra coisa, já não têm uma espécie de viúva no PSD. O PSD não é contra o Cavaco mas é pós-cavaquista, e portanto ele neste momento não é um homem do partido do PSD. Cresceram os dois. Cavaco Silva sabe perfeitamente que numa situação tão grave como esta é imprensável nós continuarmos sem um governo de maioria absoluta de coligação. Não digo necessariamente um governo de coligação entre PS e PSD. Quem fundou a democracia foram seis governos que incluiam PC, PS, PSD e UMDP. Se estamos mesmo em crise a Assembleia pode gerar este tipo de consenso. Para mim era a solução, que procurava uma maioria social e uma maioria aritmética no Parlamento. É muito difícil um acordo sem os sindicatos ou sem a igreja católica, por exemplo. Nós precisamos de uma maioria além de parlamentar, social.

 

[Comentário de Paulo Silva ]

O Prof. Cavaco Silva começou por anunciar que ia poupar na campanha em respeito pelos tempos difíceis que vivemos. Na sua opinião é uma decisão genuína ou oportunista por saber que todos os portugueses estão preocupados com o cenário de crise e dificuldades?

 

 

Há um país novo e jovem que não está representado. Sá Carneiro tinha 40 anos quando foi líder do PSD. Ramalho Eanes tinha 40. Cavaco tinha menos 25. Em Portugal há um vazio de renovação nas lideranças. Começou a emergir agora com alguns líderes políticos, mas mesmo esses são quarentões. Já que se fala em cotas de género, se calhar devíamos fazer cotas de geração. A geração que não está a ser aproveitada pela sua qualidade no emprego tem a comandá-la uma gerontocracia carcomida. O regime está velho. E ainda temos de ouvir sentenças de tipos com 90 anos.

 

[Comentário de Edu ]

Que influência vai ter a crise actual de Portugal, no resultado das eleições presidenciais, nomeadamente na votação de Cavaco?

 

 

É o aliciante da política democrática, é o imprevisto. Se aparecer alguém que interprete a crise, mas resta saber o que é a crise. Crise é Portugal representar 2% da população europeia. E isto dá uma sensação de desconforto, porque o nosso futuro depende menos dos candidatos presidenciais e muito mais das conversas de corredor do próximo Conselho Europeu. Dos jogos de poder, de uma conversa enre os líderes portugueses e os líderes europeus e convém reparar que o PR nesse domínio tem muito pouca influência. E há hoje uma notícia, o futuro director do FMI para a Europa vai ser António Borges, que era o vice-presidente da Manuela Ferreira Leite.

 

[Comentário de MR Bahamonde ]

O problema de Cavaco Silva é não conseguir transmitir qualquer emoção, já Manuel Alegre é um camaleão das emoções. Qual dos dois agradará mais e transmite mais confiança ao eleitor comum?

 

Também há Fernando Nobre, Francisco Lopes e vamos a ver se o Defensor Moura arranja as 7500 assinaturas. Quando bipolarizamos entre Alegre e Cavaco reparamos que os lobbies na comunicação social que apoiam estas duas forças estão insensivelmente a marginalizar as outras alternativas.  Estão cercadas por uma muralha de silêncio. É um problema de tempo de antena. Ainda ontem se viu que os candidatos além de Alegre e Cavaco são tratados comentadores políticos e não como candidatos. Uns marginais políticos que de vez em quando vêm falar.

 

 

[Comentário de Álvaro Daniel ]

Bom dia Professor e todos os que seguem este debate. A minha dúvida ou questão que gostaria de colocar é a seguinte: Qual é o papel do PR na governação do nosso país actualmente? Perante uma situação económica e social deficitária como a que atravessamos, o que poderá fazer o PR?

O papel dele pode ser de revolucionar se quiser, o situacionismo. Se ele propuser um governo com o apoio dos sindicatos, da igreja, da esquerda e da direita, numa comunicação ao povo, alterou as regras do jogo todas. O PR tanto pode ser um simples representate do paralelograma de forças ou pode arriscar. Coisa que Cavaco Silva não fez nem vai fazer. Portugal precisa de um indisciplinador, e um PR podia sê-lo. Mas ninguém espera isso de Cavaco. O máximo que ele fez foi dizer que a situação portuguesa era insustentável e explosiva, e agora veio dizer que repetiu as palavras de um relatório do Banco de Portugal. Portugal ser presidido por um relatório do Banco de Portugal é pouco ambicioso. Embora tenha havido progresso, não se viu ontem no CBB o Manuel Dias Loureiro.

[Comentário de Guest ]

Caro professor bom dia! O actual PR candidata-se com uma presidencia neutra, nem brilhante nem má, mas com uma presença publica que foi bem melhor que os anos de governação enquanto primeiro ministro. No entanto, sendo ao centro, enfim quase esquerda, muito keynesiana, como é que vê este colar constante, em Portugal, da Direita e do Centro? Joffre Justino

 

Quando Cavaco Silva assumiu a liderança do PSD declarou que era um homem da esquerda moderna. Um reformista, inspirado por Eduard Bernestein. Por ironia do destino, quando José Sócrates assumiu a liderança do PS, declarou ser da esquerda moderna inspirado por Bernestein. Isto é, um e outro mais do mesmo em termos de referências ideológicas. No fundo os dois modelos PS e PSD são meros irmãos inimigos que acreditam no rotativismo e não denunciam o pior vício que estes situacionismos que é o chamado devorismo ou corrupção.

[Comentário de Vitória ]

Na conjuntura actual eu acho que Cavaco Silva é o candidato ideal, e na sua opinião que hipóteses tem Manuel Alegre?

 

 Se o Manuel Alegre se libertar das algemas dos apoios partidários e voltar à criatividade pode ainda constituir uma surpresa. Isto é, se obrigar a uma segunda volta.

SAPO Notícias: Para concluir, que espírito vai marcar os próximos meses?

Portugal está totalmente dependente dos caprichos dos credores,a  velha bóia de salvação que era a Comissão Europeia do Delors ou do Barroso já não manda na Europa e há uma total incerteza quanto aos verdadeiros donos do poder em Portugal. Já não são os banquerios nem os bancários mas o jogo da especulação e dos credores. Só temos uma salvação que é querermos como comunidade ser mesmo independente. Haver uma vontade nacional de resistência gerindo as dependências. Eu dou um exemplo de um país que está a saber fazer isso, que é a Catalunha. Sabe navegar flexivelmente nestas águas e tem tido sucesso. Não tem chefe e funciona como comunidade. É a sociedade civil que funciona, não é o governo nem o Presidente.

Out 27

FB

O director da secção europeia do FMI afinal sempre foi de cá e já não precisa de chegar em manhã de borrasca ao aeroporto do défice. É António Borges. Ex-activista do CDS pós-freitista e pré-adrianista e ex-vice-presidente do PSD de Manuela Ferreira Leite.

Ana Paula Vitorino e Luís Duque são dois nomes que aparecem nos jornais. Espero que seja por bons motivos. Para bem do PS. E de uma coligação entre PSD e CDS:

Não há fumo sem fogo. Será branco se predominar a cor de cabelo dos chefes da delegação. Será negro de arderem os quadros em branco do “copy and paste” do tal orçamento, muito mau, mas que pode impedir Banco Borges sem Irmão de governar Portugal.

Manuel Dias Loureiro e Arlindo de Carvalho não compareceram ontem no CCB, na sala Fernando Pessoa. Não mereciam a sessão de auto-elogio recandidateira.

Catroga bateu com a porta da negociação técnica. Tinha razão, Teixeira já não era
financeiro, mas uma das pedras básicas do xadrez socrático. Até tem a sobranceria de declarar que o PSD queria aquilo que não queria. Mas desta, parece que houve testemunhas e
documentos…

Estive de manhã em directo na Sapo Notícias, sobre a recandidatura de Cavaco Silva

Vem aí, amanhã, uma sondagem explosiva. Não a posso revelar porque a acabei de comentar.
Estejam atentos.

Vejam, em directo, AR TV, também no Económico TV… Teixeira dos Santos está em análise

Um especialista em águas profundas e sem habilidade para metáforas, Teixeira (dos) santos, ainda há pouco na AR, sobre as nossas dificuldades de navegação: “os submarinos não são
atómicos nem andam à vela” (justificando os gastos adicionais em “combustíveis”…) (assim mesmo!).

Um velho senhor bonacheirão, mas que gosta de fazer trabalhos de casa e de falar naquilo que sabe, foi deixado quatro horas a secar, mas sai honrado. O outro apenas diz que as receitas são certas e que o corte das despesas da máquina que devia ter reformado e dirigido são incertas, invocando o monopólio dos encontros de primeiro grau com essa
abstracção dita “mercados”!

Vejo um ministro de Portugal dizer: “estão a ver, estão a ver, a bolsa hoje de tarde já caiu e os juros subiram”. E permito-me desconfiar de ser esse o resultados que alguns queriam, para transformar o prejuízo em pressão sobre a contraparte com que se está a negociar…

Out 27

A pronunciação da Alfândega do Porto

Vamos ouvindo a pronunciação discursiva de Cavaco Silva na Alfândega do Porto, num programa de governação que pode ser sufragado pelo povo e entrar em contradição com o programa do governo vigente. Na sala grande, centenas de VIPs de primeira, deixando os VIPs provincianos pelos corredores, ou agarrados ao plasma. E quase podemos dizer que, com tantas elites político-partidocráticas, político-militares e político-bancárias, que hoje foram mobilizadas pela fina flor do situacionismo societário, tal como há dias, no Ritz, se tinham reunido, em torno do soarismo, as elites do presente situacionismo aparelhista, talvez seja de substituirmos as eleições por uma mistura de passagem de modelos com a sondajocracia. A aula está a ser chata, longa e mui cumprida. Dá-nos tédio esta quebra do tabu.

 

De um lado, a grande unidade da parcela laranja da pós-revolução; do outro, o mais envelhecido modelo da síntese soarista. Entretanto, ao mesmo tempo que Cavaco levava o seu discurso ao meio, os telejornais entrevistavam Alberto Costa e os grevistas do partido dos becas, enquanto o ministro da defesa continuava a enfrentar o partido da tropa e a da educação se preparava para enfrentar a primeira greve dos professores promovida em conjunta pela UGT e pela CGTP. Assim, com este governo socialista em estado de des-graça, com meia dúzia de candidatos à presidência invocando a grande unidade antifascista, parece que o grande desafio passa por sabermos se haverá segunda volta.

Out 26

Quando já não somos bons alunos

Está tudo em suspenso aquífero, entre o azeite do orçamento e o óleo celestial da recandidatura. Quando o que mais importa é o recado de passos perdidos e corredores do próximo conselho europeu, onde já não somos bons alunos, apesar da reverência

Out 25

CAVACO, OU O PRECONCEITO DA ORDEM

CAVACO, OU O PRECONCEITO DA ORDEM

JOSÉ ADELINO MALTEZ

Quem se der ao lapidar esforço de comparar a presente pré-campanha presidencial com a de há um lustro, pode facilmente prever o que dois dos principais candidatos irão desenrolar discursivamente, onde os eleitores confirmarão o reflexo condicionado deste sucedâneo de monarquia, à procura do poder moderador perdido. Com efeito, depois de passar esta erupção do orçamento, tudo será um enorme tédio. Com efeito, nas grande políticas públicas, apesar da abundância de consultadorias internas e externas, da modernização da treta, da educacionologia, e de tantos especialistas em ramos de árvore, estrutura da folha ou respiração das raízes, poucos querem ousar compreender a floresta do estadão suicida, com muita banha e pouco nervo, muitos membros e pouco músculo. Aquilo que o re-candidato nos pode oferecer não passa de um crepúsculo mais suave de um sistema político que teme o risco, e continua marcado pelo preconceito da ordem. E lá virá, de vez em quando, mais uma estatística comparada das Europas confirmando o óbvio da falta de organização do trabalho nacional onde abunda a quantidade, mas continua péssima a tecelagem dos que deviam ver de cima e fazer crescer por dentro. Continuamos a padecer de um grave erro de teoria e de um vazio de ciência, com tanto “outsourcing” de traduções em calão. Bastava um pouco de criatividade, inteligência emocional e da tal compreensão da complexidade… Precisávamos de um indisciplinador, capaz de engenharia de sonhos!