Out 05

O meu 5 de Outubro em farpas emotivas contra o situacionismo, aqui em retrato

1

Machado Santos, com os homens e mulheres da Rotunda, os heróis de Naulila e os soldados das trincheiras quase mereciam que o Gomes da Costa irrompesse pela Praça do Município com heróis do mar e nobre povo e, em nome da autenticidade, acabasse com a palhaçada do “apparat” deste estadão.

 

2

Que saudades temos da austeridade do primeiro chefe do governo provisório da república, Teófilo Braga, dito “o guardador de patos”, que ia para o palácio de Belém no eléctrico da Carris. Basta comparar com a frota automóvel mobilizada por esta classe política para aparecer na televisão…

 

3

Reparo que nem lá falta o “Passarão”, um dos altos hierarcas do situacionismo, que eu sempre conheci fiel e repetidor do papá, ilustre deputado da União Nacional. Acabei de o ver, de mão dada com outro sempre-em-pé, antigo elogiador palavroso de Caetano pelos jornais de então. República sem “adesivos” e “viracasacas” não podia ter cem anos de torpezas, com 48 de ditadura e meia-metade de decadência

 

4

Não há “os” monárquicos nem “os” republicanos…há a liberdade cívica, de um lado, e o fanatismo, a intolerância e ignorância, do outro. Foi para isso que se desembarcou no Mindelo de azul e branco!

 

5

Basta ver a lista dos “viracasacas”, ex-ministros e deputados da I República que até foram deputados na primeira Assembleia de Salazar. Incluindo traidores declarados do GOLU que fizeram o parecer da primeira lei do Estado Novo que extinguiu a ordem que nos regenerou em 1820 e 1832? Traulitânia…eu ainda ontem aqui defendi Luís de Magalhães e Paiva Couceiro…Até invocando os testemunhos de Basílio Teles e Guerra Junqueiro. Em política de crenças não há o preto e branco…

 

6

Não digam “os” republicanos, mas “certos”. Que nisto de “estadonovismo” se congregaram com “certos” monárquicos…aliás, o embaixador britânico, em 1926, antes de 28 de Maio, em relatório, apontava António Maria da Silva como um potencial líder fascista. Claro que era mentira, mas não deixando de ser sintomático dos tiques habituais dos que nos consideram mero protectorado…mandando assassinar os Gomes Freire, quando, felizmente, há luar!

7

Desliguei o aparelho de TV lançado pelo Camilo do Cachão e zip-zipado pelo Ramiro Valadão. Prefiro ver uma fita do Canal Hollywood, antes de ir rever o Avatar no computador. Não há meio de haver uma revolta dos indígenas neste planeta Pandora, ocupado e colonizado pelos passarões…

 

8

Hitler era república…a Arábia Saudita, uma monarquia. Salazar foi 40 anos republicano. E os Países Baixos e a Espanha optaram pelo rei e pela liberdade, depois de experiências republicanas. Até Londres, depois do totalitarismo da república de santos de Cromwell.

9

Vi nos noticiários da uma que tanto Cavaco como Sócrates gostam do som do conceito de Max Weber sobre ética da responsabilidade. Mas dão ao nome um conteúdo totalmente contrário, ficando-se por uma sociologia de cola e cuspo, bem pouco “compreensiva”

 

10

Os republicanos do 5 de Outubro tinham o sonho de uma “alma nacional” e cumpriram esse patriotismo sentido até na Grande Guerra. Honra lhes seja e que se cumpra esse projecto. Apenas falharam quando pensaram que ainda não havia povo era necessário “construir o povo”, conforme as palavras do inesquecível João Chagas…

 

11

A televisão do Estado diz que Manuel Buíça foi um dos heróis da República. Espero que este apelo ao terrorismo não faça ricochete!

 

12

O regicídio de 1908 provocou o assassinato de Sidónio em 1918, de Granjo, Machado Santos e Maia, em 1921, e de Delgado em 1965. Da monarquia liberal, não consta nenhum destes registos. Nem sequer o de prisioneiros políticos. A honra da presente constituição não devia ser ofendida com estas memórias fratricidas e magnicidas, para gáudio da historiografia jacobina!

 

13

Não estou a ver Mário Soares de carabina contra ministros do Estado Novo. Nem o meu amigo Carlos Antunes das Brigadas Revolucionárias, que teve o Tomás na mira, quis carregar no gatilho! Já chega de sangue!

 

14

O Povo na monarquia liberal: potenciais votantes em 1895: 863 280; recenseados na I República (entre 471 557 e 574260). Temia-se os votos dos “cavadores de enxada”. Com o sidonismo, chega-se a um colégio eleitoral de 900 000 e 500 000 votantes, uma excepção que confirma a regra censitária.

 

15

Daí que a Ditadura tenha desbaratado plebiscitariamente: Carmona teve quase o dobro dos votos de todos os partidos concorrentes às eleições de 1925… Vale-nos que o regime actual já em 1975 tenha chegado a 6 231 372 contra os 1 800 000 recenseados de 1973! Só neste regime se perdeu o medo do povo!

Out 05

O meu 5 de Outubro em farpas emotivas contra o situacionismo, aqui em retrato

1

Machado Santos, com os homens e mulheres da Rotunda, os heróis de Naulila e os soldados das trincheiras quase mereciam que o Gomes da Costa irrompesse pela Praça do Município com heróis do mar e nobre povo e, em nome da autenticidade, acabasse com a palhaçada do “apparat” deste estadão.

2

Que saudades temos da austeridade do primeiro chefe do governo provisório da república, Teófilo Braga, dito “o guardador de patos”, que ia para o palácio de Belém no eléctrico da Carris. Basta comparar com a frota automóvel mobilizada por esta classe política para aparecer na televisão…

3

Reparo que nem lá falta o “Passarão”, um dos altos hierarcas do situacionismo, que eu sempre conheci fiel e repetidor do papá, ilustre deputado da União Nacional. Acabei de o ver, de mão dada com outro sempre-em-pé, antigo elogiador palavroso de Caetano pelos jornais de então. República sem “adesivos” e “viracasacas” não podia ter cem anos de torpezas, com 48 de ditadura e meia-metade de decadência

4

Não há “os” monárquicos nem “os” republicanos…há a liberdade cívica, de um lado, e o fanatismo, a intolerância e ignorância, do outro. Foi para isso que se desembarcou no Mindelo de azul e branco!

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Basta ver a lista dos “viracasacas”, ex-ministros e deputados da I República que até foram deputados na primeira Assembleia de Salazar. Incluindo traidores declarados do GOLU que fizeram o parecer da primeira lei do Estado Novo que extinguiu a ordem que nos regenerou em 1820 e 1832? Traulitânia…eu ainda ontem aqui defendi Luís de Magalhães e Paiva Couceiro…Até invocando os testemunhos de Basílio Teles e Guerra Junqueiro. Em política de crenças não há o preto e branco…

6

Não digam “os” republicanos, mas “certos”. Que nisto de “estadonovismo” se congregaram com “certos” monárquicos…aliás, o embaixador britânico, em 1926, antes de 28 de Maio, em relatório, apontava António Maria da Silva como um potencial líder fascista. Claro que era mentira, mas não deixando de ser sintomático dos tiques habituais dos que nos consideram mero protectorado…mandando assassinar os Gomes Freire, quando, felizmente, há luar!

7

Desliguei o aparelho de TV lançado pelo Camilo do Cachão e zip-zipado pelo Ramiro Valadão. Prefiro ver uma fita do Canal Hollywood, antes de ir rever o Avatar no computador. Não há meio de haver uma revolta dos indígenas neste planeta Pandora, ocupado e colonizado pelos passarões…

8

Hitler era república…a Arábia Saudita, uma monarquia. Salazar foi 40 anos republicano. E os Países Baixos e a Espanha optaram pelo rei e pela liberdade, depois de experiências republicanas. Até Londres, depois do totalitarismo da república de santos de Cromwell.

9

Vi nos noticiários da uma que tanto Cavaco como Sócrates gostam do som do conceito de Max Weber sobre ética da responsabilidade. Mas dão ao nome um conteúdo totalmente contrário, ficando-se por uma sociologia de cola e cuspo, bem pouco “compreensiva”

10

Os republicanos do 5 de Outubro tinham o sonho de uma “alma nacional” e cumpriram esse patriotismo sentido até na Grande Guerra. Honra lhes seja e que se cumpra esse projecto. Apenas falharam quando pensaram que ainda não havia povo era necessário “construir o povo”, conforme as palavras do inesquecível João Chagas…

11

A televisão do Estado diz que Manuel Buíça foi um dos heróis da República. Espero que este apelo ao terrorismo não faça ricochete!

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O regicídio de 1908 provocou o assassinato de Sidónio em 1918, de Granjo, Machado Santos e Maia, em 1921, e de Delgado em 1965. Da monarquia liberal, não consta nenhum destes registos. Nem sequer o de prisioneiros políticos. A honra da presente constituição não devia ser ofendida com estas memórias fratricidas e magnicidas, para gáudio da historiografia jacobina!

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Não estou a ver Mário Soares de carabina contra ministros do Estado Novo. Nem o meu amigo Carlos Antunes das Brigadas Revolucionárias, que teve o Tomás na mira, quis carregar no gatilho! Já chega de sangue!

14

O Povo na monarquia liberal: potenciais votantes em 1895: 863 280; recenseados na I República (entre 471 557 e 574260). Temia-se os votos dos “cavadores de enxada”. Com o sidonismo, chega-se a um colégio eleitoral de 900 000 e 500 000 votantes, uma excepção que confirma a regra censitária.

15

Daí que a Ditadura tenha desbaratado plebiscitariamente: Carmona teve quase o dobro dos votos de todos os partidos concorrentes às eleições de 1925… Vale-nos que o regime actual já em 1975 tenha chegado a 6 231 372 contra os 1 800 000 recenseados de 1973! Só neste regime se perdeu o medo do povo!

Out 04

E apetece dar à república a fundura de uma coroa aberta

Chegam novas da dita estandarte contra os pobres, uma “rating” que não fez relatório conjunto, com o Teixeira dos Santos, como a OCDE. Corremos o risco, de três em três meses, haver um PEC, apesar de novo (velho) presidente e de o mais do mesmo, nesta história trágico-marítimo, onde, quanto mais ao fundo, mais propaganda…

Todo o espaço que vai de Afonso Costa a Sidónio Pais, isto é, os herdeiros do Governo Provisório da República, devem estar a revolver-se no túmulo, com esta tentativa de interpretação revisionista da história com que os bloqueiros da historiografia os cadaverizam. Muito republicanamente monárquico, tenho por esses meus egrégios avós todo o respeito. Não mereciam ser louçanizados, socratizados ou encavacados…

Em nome do rei e da república, não conheço nenhuma revolta contra a ditadura estadonovense onde não tenha participado um monárquico. Julgo até que um dos primeiros desterrados pelo modelo da Constituição de 1933 foi um tal de Paiva Couceiro. Pena que um filho de ministro do “ancien régime” que faz homilias ao domingo não tenha lobrigado que os azuis e brancos vão de 1820 aos 60 anos de Carta!

O velho Camossa, Henrique Barrilaro, Almeida Braga, Vieira de Almeida e Rolão Preto merecem o respeito pela verdade. E dizer que o povo profundo é absolutista apenas serve para demonstrar como a direita vigente e situacionista bem merecia uma adequada Maria da Fonte em forma de gesto à Zé Povinho! Não merecemos estes adesivos e viracasacas!

Apenas recordo a fibra desse grande poeta Afonso Lopes Vieira que deu refúgio a Raul Proença, seu grande amigo, quando este teve que escapar da ditadura, depois de valentemente participar numa revolta, transformando a pena em espada, selando assim o pacto de liberdade entre monárquicos e republicanos, por amor a Portugal!

Como recordo Luís de Magalhães, o filho de José Estevão, activista da monarquia do Norte, defendido em tribunal por republicanos como Basílio Teles. Sempre em nome do respeito e da tolerância, contra a desertificação dos valores, a intolerância, o fanatismo e a ignorância!

Hoje, minha alma é mais azul e branca. E apetece dar à república a fundura de uma coroa aberta. Não contra o 5 de Outubro, mas pelo 24 de Agosto de 1820. Preparemos essa comemoração viva e vivida, daqui a dez anos, para regenerar Portugal, até com o Brasil, em reino unido e armilar!

Out 03

A propaganda que não parece propaganda, onde o Colombo nem assim consegue pôr o ovo de pé

A propaganda que não parece propaganda, onde o Colombo nem assim consegue pôr o ovo de pé, porque mais depressa se descobre um patrocinador do que uma fundação pública cheias de “boys”. O importante em Portugal não é ser ministro, é tê-lo sido (Almeida Santos, dixit).

Dentro de dias ou de semanas, será possível confirmar onde se situa a verdadeira sede de poder que Portugal. Talvez já não esteja nos directórios partidários, nem está, de certeza, na aritmética parlamentar. Até nem os nossos bancos e patrões já não são protagonistas. Basta um telefonema de Bruxelas, ou de Berlim, mesmo que não passe por Belém.

Por mim, preferia que mandasse aquilo a que as constituições chamam povo. Nem que fosse através de sindicatos e partidos. Ninguém pode refundar a república, regenerar o regime e reconstruir o Estado, sem regressar ao povo. E não é paradoxo um liberal começar por aderir à greve geral!

Um dos muitos periscópios de outros tantos submergíveis nas contas. Sempre a Semnhora Merkl a facturar!

Quem quer ser voz tribunícia, não pode servir a dois senhores. Os que querem conservar o que está, do lado do situacionismo e da ditadura do “statu quo”; ou os que aspiram ao dever-ser, o lado do fazer o futuro, mas já… Por meias palavras, Passos Coelho escolha a necessidade de uma decisão excepcional!

Out 02

Da austeridade sem dor, ou as formas como o estadão nos vai à conta

E lá vão saindo a conta-gotas, tentando a austeridade sem dor, as formas como o estadão nos vai à conta. A propaganda lá pinta de furto o clássico roubo, transformando em bom ladrão em Robin Wood, com música celestial e holofotes de tempo de antena, como nas chamadas conversas em família, emitidas do palácio de sempre…

E lá vão saindo a conta-gotas, tentando a austeridade sem dor, as formas como o estadão nos vai à conta. A propaganda lá pinta de furto o clássico roubo, com muita música celestial e vistosos holofotes de tempo de antena, como nas defuntas chamadas conversas em família do mais do mesmo…

O processo comemorativo em curso, para além de literatura de justificação do situacionismo e de fundamento subsidiológico para uma historiografia oficiosa, de quase livro único, revela a hipocrisia de não homenagearmos a coragem de insolentes como Machado Santos ou Paiva Couceiro…

‎84 dos 115 governantes passaram-se para a banca, naquilo que já Antero de Quental qualificava como casta banco-burocrática do devorismo. Resta acrescentar à lista os das reformas douradas que vão acrescentando acumulações ou caçando subsídios privilegiados para o respectivo pecúlio. Muitos ainda emse arvoram paladinos da moralidade e da ética republicana, como nas chefaturas dos primitivos actuais…

As autoridades de saúde pública deveriam interditar que os velhos delegados de propaganda médica continuem a embrulhar, em banha de cobra, gatos cor-de-rosa que se dizem lebres. Passa-lhes mesmo pela cabeça que alguns os vão engolir… Seria melhor contratarem os figurantes pagos pelo estadão para os aplaudir, como o vão fazer no largo do município, na terça-feira, à falta de povo…

‎”O primeiro ministro tomou estas medidas porque foi altamente recomendado pelas autoridades da União Europeia, porque se não fosse assim não as fazia.” Informação de Mário Soares, recordando-se de outros tempos… e avisando Passos Coelho que deve estar a receber as mesmas recomendações bem filipinas.

Vi o comentário de Nogueira Leite à segunda conversa em família de um reputado político-mor desta praça. Sublinho a insinuação sobre Barroso e a eventual renovação do “porreiro, pá”, em nome da reeleição de um outro político ainda mais mor. Infelizmente, não comemos propaganda e lá continuaremos de tanga à espera dos surfistas madrilenos que nos visitarão de TGV…

Out 01

Ecofinos, capatazes e feitores, valha-nos o primeiro polícia sinaleiro que aparecer na esquina do aeroporto!

Imaginemos que o nosso querido submarino Tridente, qual “Adamastor” de Mendes Cabeçadas, deixava de ser nome de pastilha elástica e apontava um dos canhões a São Bento, ao mesmo tempo que uma manifestação sindical armada se instalava, com armas roubadas a um quartel, na rotunda da Praça da Canção… Claro que é tudo um problema de legitimidade, como aquele que Cavaco e Sócrates vão comemorar para a semana. Seria melhor que se olhassem ao espelho! E reparassem que também houve eleições democráticas cerca de três meses antes da data da fotografia da maria da fonte que encima este postal.

Claro que sou contra as revoluções e, logo, contra as contra-revoluções. Prefiro o 9 de Setembro de 1836, quando os deputados minoritários da oposição desembarcaram no Cais das Colunas e derrubaram os devoristas, apenas com bandas de música, vivório e foguetório, em nome da moralidade. Além dissso, os amigos de Passos Manuel cumpriram o que prometeram e viveram como pensavam…

Aqui e agora, é outra loiça: depois da sucessão de inimputabilidades de ontem, resta saber como é que os cacos do centrão se vão recolar para aprovação do chamado orçamento da acalmação dos mercados financeiros internacionais. Talvez com super-cola de Bruxelas e saliva da OCDE…Talvez substituindo Sócrates por Texeira dos Santos e este pelo primeiro polícia, mesmo sem ser sinaleiro, que estiver à espera de Constâncio no aeroporto…

Gostava apenas de, muito democraticamente, protestar contra o senhor comissário europeu dos assuntos económicos que aplaudiu aquilo que qualificou como “autoridades portuguesas”, como se isto fosse uma ditadura terceiromundista, sem constituição, parlamento, governo e presidente. Julgo que na terra dele e em toda a Europa vigora aquele velho e universal princípio da competência exclusiva dos parlamentos em matéria de novos impostos. Por aqui, por acaso, desde o século XIII, porque nem o absolutismo lançou impostos sem prévio consentimento das cortes, mesmo quando as não reuniu. Arranjou receitas extraordinárias de além-mar…

Numa dessas democracias plurisseculares, como já foi a nossa, uma pátria não tem, no respectivo capataz ministerial, um plenipotenciário que substitua o parlamento em matéria de lançamento de novos impostos, nem que seja quando ocorre uma reunião da União Europeia com o banco europeu, com a presença de Constâncio e de Barroso… Estes ecofinos podem ser feitores dos ricos da geofinança, mas ainda não receberam, para tanto, adequado mandato do povo lusitano!

Out 01

Untitled

Depois da sucessão de inimputabilidades de ontem, resta saber como é que os cacos do centrão se vão recolar para aprovação do chamado orçamento da acalmação dos mercados financeiros internacionais. Talvez com super-cola de Bruxelas e saliva da OCDE…Talvez substituindo Sócrates por Texeira dos Santos e este pelo primeiro polícia que estiver à espera de Constâncio no aeroporto…

Gostava de muito democraticamente protestar contra o senhor comissário europeu dos assuntos económicos que aplaudiu aquilo que qualificou como “autoridades portuguesas”, como se isto fosse uma ditadura terceiromundista. Julgo que na terra dele e em toda a Europa vigora aquele velho e universal princípio da competência exclusiva dos parlamentos em matéria de novos impostos.

Numa dessas democracias plurisseculares, como já foi a nossa, uma pátria não tem no respectivo capataz ministerial um plenipotenciário que substitua o parlamento em matéria de lançamento de novos impostos, nem que seja numa reunião da União Europeia com o banco europeu, com a presença de Constâncio e de Barroso…

Um senhor padre, Frei Fernando Ventura, está, na SICN, a falar verdade sobre este país político de mentira, onde o mais ridículo dos políticos está nos emplastros que os espreitam, por trás, quando eles fazem os habituais números de récita para as televisões.

Ainda há pouco a nossa primeira dama se encantava televisivamente com o giradiscos que Salazar adaptou a uma telefonia, apontando tal método como exemplo a seguir. Com esta maneira de comemorarmos o 5 de Outubro, não tarda que até os adeptos da República de Saló se ufanem com o discurso de Tomás no cinquentenário da forma.

Set 30

dois terços de espoliados

Nos tempos do porreiro-pá, havia dois terços de remediadinhos e um terço de excluídos. Com toda a PECuária que aí vem, vamos ter dois terços de espoliados e um terço de preenchedores da papelada do desemprego e dos subsídios da reinserção social, ou o fim deste socialismo de consumo, governado por bombeiros pirómanos que ainda acreditam na cantiga do “agenda setting”…

Set 30

Por um governo de maioria política e social, já!

Depois das pretensas vacas gordas, com a que a rã enchia o peito de ar, o da propaganada e da trapalhice, eis que, agora, nos encana a perna com o anúncio de vacas magras, em nome de um pretenso interesse nacional. Aproxima-se o esvaziar dos balões cheios de retórica dos ilusionistas do país das maravilhas. Prefiro o gesto do Zé Povinho, mas talvez esteja em minoria…exijo um governo de maioria política e social. Já!

Mário Soares, por causa do FMI e dos salários em atraso, teve que fazer um governo com ministros do CDS e, depois, teve que entrar em coligação pós-eleitoral com o PSD. Que contrapartida vão os partidos da oposição cobrar? Atribuir o monopólio da missão de salvação púbica a quem nunca cumpriu o que prometeu dolosamente, para ganhar votos?

O problema financeiro e económico é sério demais para discursos de ministros das finanças, financeiros, banqueiros e economistas. O problema financeiro e económico é, sobretudo, político, porque é uma questão de cidadania e de efectiva, consciente e informada participação de cada um na mobilização pelo bem comum. “Partir” uma causa de justiça é decepar a república!

À ditadura dos factos, chamam, alguns, pressão dos mercados, invocando pátria, salvação pública, e interesse nacional. Para que nos continuemos a laconizar, a silvapereirizar e a mendonçar. Os três verbos socráticos que, procurando meter um coelho na cartola, desafiam os passos do PSD, por causa desse incómodo pedregulho encavacado! Força, Pedro! Não sejas porreiro, nem pá!

Sem ironia, o PSD está numa encruzilhada: ou continua irmão-inimigo dentro do sistema ou cumpre o que prometeu, isto é, ser efectiva oposição ao situacionismo. Por outras palavras: optar pelo pretérito ou assumir a semente de futuro. A matriz de risco de Sá Carneiro talvez aponte a escolha da esperança, mesmo que doa!

Continuo, como há um ano, a defender a necessidade de uma governança por uma maioria política e social: o que vai do PCP ao CDS, com respeito pelos resultados eleitorais, através de um compromisso com os sindicatos e as próprias forças morais, das maçonarias às igrejas. A pátria vale mais do que o egoísmo de candidatos partidários e presidenciais.

Set 29

Ditadura dos factos

O orçamento, qual orçamento? O dos credores internacionais? O dos cidadãos portugueses? O da democracia? O da cleptocracia? O do povo ou o dos grupos de interesse e grupos de pressaõ? Estamos a falar de um fantasma, porque, ao fim e ao cabo, ninguém o viu… nem os que devem fazê-lo!

Ser cidadão, aqui e agora, é piro do que ser treinador de bancada da futebolítica. Neste jogo de fortuna e de azar onde apenas sabemos quem paga, transformaram os contribuintes em passivos espectadores com a missão de pagar e aplaudir sempre o vencedor, dado que não sabemos quem é o árbitro, para o podermos assobiar. Não mudando as regras do jogo, hão vencer sempre os que estão.

Se o papa, ao visitar-nos, tivesse opinado sobre a tutela das Misericórdias ou se o rei Juan Carlos nos aconselhasse sobre o TGV, logo os tradionais adversários do trono e do altar quereriam enforcar o último papa nas tripas do último rei. O secretário mexicano da OCDE, ao aconselhar voto de consenso à oposição no orçamento-fantasma apenas foi um excelente técnico limpando a chaminé da nossa soberania!

Depois das pretensas vacas gordas com a que a rã enchia o peito de ar, com propaganada e trapalhice, eis que agora nos encana com anúncio de vacas magras em nome de interesse nacional. Aproxima-se o esvaziar dos balões cheios de retórica dos ilusionistas do país das maravilhas. Prefiro o gesto do Zé Povinho, mas talvez esteja em minoria…exijo um governo de maioria política e social. Já!

Mário Soares, por causa do FMI e dos salários em atraso, teve que fazer um governo com ministros do CDS e, depois, teve que entrar em coligação pós-eleitoral com o PSD. Que contrapartida vão os partidos da oposição cobrar? Atribuir o monopólio da missão de salvação púbica a quem nunca cumpriu o que prometeu dolosamente, para ganhar votos?

Questionam-me sobre o que entendo por maioria política e social. Respondo como o fiz há cerca de um ano na televisão: o que vai do PCP ao CDS, com respeito pelos resultados eleitorais, através de um compromisso com os sindicatos e as próprias forças morais, das maçonarias às igrejas. A pátria vale mais do que o egoísmo de candidatos partidários e presidenciais.

À ditadura dos factos, chamam, alguns, pressão dos mercados, invocando pátria, salvação pública, e interesse nacional. Para que nos continuemos a laconizar, a silvapereirizar e a mendonçar. Os três verbos socráticos que, procurando meter um coelho na cartola, desafiam os passos do PSD, por causa desse incómodo pedregulho encavacado! Força, Pedro! Não sejas porreiro, nem pá!

Sem ironia, o PSD está numa encruzilhada: ou continua irmão-inimigo dentro do sistema ou cumpre o que prometeu, isto é, ser efectiva oposição ao situacionismo. Por outras palavras: optar pelo pretérito ou assumir a semente de futuro. A matriz de risco de Sá Carneiro talvez aponte a escolha da esperança, mesmo que doa!