Set 20

Um dos males de Portugal tem a ver com o colectivismo moral de seita

Suécia: o paraíso do Estado Social continua a querer reformar o Estado Social, com liberais e conservadores e continuar a deixar os socialistas fora do leme da governança. A maioria absoluta do eleitorado não confunde a legitimidade do título e da ideologia com a legitimidade do exercício. Por cá, o abuso da propaganda continua em regime de falta de autenticidade…

Um dos males de Portugal tem a ver com o colectivismo moral de seita. Muitos que não vivem como dizem qualificar-se politicamente, consideram que o mal e o bem são como a direita e a esquerda, não admitindo que o o bem tem muitos pedações de mal e vice-versa…Ser justo não depende do sítio onde se está nominalmente, mas do viver como se pensar, sem pensarmos como depois vamos viver…

A desgraçada situação financeira em que nos encontramos, como ainda há pouco a descreveu o Professor Cantiga Esteves, continua a ser completamente ocultada ao homem comum, através daquela refinada técnica de propaganda chama hiperinformação, com sucessivas bombas de desfragmentação que nos fazem sobreviver neste aparente jardim das delícias partidocráticas…

Set 19

Os jogos florais politiqueiros

Os jogos florais politiqueiros sobre a razão atendível do princípio da melhoria incontestável fazem parte da quantidade de energia que se gasta numa tentativa de mudança, mas que fica para sempre na zona do desperdício. Até há pouco esse lixo da entropia estava sujeito ao princípio da gravidade do bom senso. Agora, dispersos em falta de bom senso pairam como detritos tóxicos do “agenda setting”…

Recordando a definição cunhada por Manel, o poeta, relativamente ao socratismo (“imagem, sondagem, sacanagem”), apenas temos que enaltecer José Pinto de Sousa: conseguiu que o candidato alegre se enredasse na teia. Só que Coelho acelerou os Passos, em nome de outro lema (“quem com agenda mata, pela agenda pode morrer”), todos trocando de papéis nesta teatrocracia…

Set 18

Sou do partido de Erasmo e Thomas More

Gosto de ver o Papa no Reino Unido e da maneira como as instituições o tratam. Belos discursos de ambas as partes. Sou do partido de Erasmo e Thomas More e um fiel seguidor das sementes organizacionais lançadas por Isaac Newton. Logo, como europeu, bem gostaria que o papa também fosse a Moscovo. E que as raízes da Europa se projectassem, numa grande aliança com o humanismo laico. Eis a minha civilização!

Set 17

um Madaíl plenipotenciário

Imaginemos que o presidente do estado a que chegámos fosse um Madaíl plenipotenciário. Não tardaria que fosse buscar a Bruxelas o meirinho-mor da comissão europeia, para nos governar em “part-time”. Pelo menos para ganharmos o jogo do TGV, integrando o Poceirão no concelho de Lisboa com um simples golpe de chuto de Ronaldo!

Set 16

Dos cantaralodores do pensamento único

Lá vou acordando para esta ditadura do estado a que chegámos cuja síntese é a lacónica figura do ministro encarregado da oposição à oposição que dita a ideologia dominante como sacristão que perdeu o sentido dos gestos, com comunistas e bloqueiros ajudando à missa dos que querem conservar o que está…

‎…E ninguém diz que quem proclamou o Estado Social em Portugal foi Marcello Caetano, o nome que quis dar ao Estado Novo sem Salazar…O conservadorismo do que está (PS, PCP, BE e D. Carlos de Azevedo) e que, inquisitorialmente, declara heréticos os que não são bombeiros pirómanos, não repara nas origens domésticas da coisa.

O PREC e o pós-PREC apenas continuaram a tradução em calão que Salazar fez de Bismarck (Wohlfahrstaat) e de Jules Férry (État Providence), com meio século de atraso…E agora o bom e velho Estado já não há. Vive em união de facto e de direito com o Estado da União Europeia, onde até os orçamentos nacionais têm visto prévio da fonte donde jorra a moeda única…

Logo quando dizem que a direita radical é liberal e neoliberal, os cantaralodores do pensamento único, apenas confirmam que Salazar era da esquerda, socialista e tudo. Daí que um consequente anti-salazarista prefira ser da facção liberal que tanto inventou o Estado Racional-Normativo (fundado por Mouzinho da Silveira) como criou no pós-guerra o Welfare State (Beveridge, aqui traduzido por Armando Marques Guedes…)

Set 16

Estado Social

 

E ninguém diz que quem proclamou o Estado Social em Portugal foi Marcello Caetano, o nome que quis dar ao Estado Novo sem Salazar…O conservadorismo do que está (PS, PCP, BE e D. Carlos de Azevedo) e que, inquisitorialmente, declara heréticos os que não são bombeiros pirómanos, não repara nas origens domésticas da coisa.

 

Logo quando dizem que a direita radical é liberal e neoliberal, os cantaralodores do pensamento único, apenas confirmam que Salazar era da esquerda, socialista e tudo. Daí que um consequente anti-salazarista prefira ser da facção liberal que tanto inventou o Estado Racional-Normativo (fundado por Mouzinho da Silveira) como criou no pós-guerra o Welfare State (Beveridge, aqui traduzido por Armando Marques Guedes…)

Todos os partidos do nosso arco da governança quando estão no poder metem a ideologia na gaveta e só a usam como preconceito de esquerda ou fantasma de direita quando fazem jogos florais de oposição ao irmão-inimigo com quem acabam por repartir o bolo do estadão. Prefiro a fisioterapia que, dia a dia, me recorda o respirar em pleno da velha liberdade de me pôr as andar…

Set 16

Foi meia hora antes da meia noite

Foi meia hora antes da meia noite, a noiva estava à espera, mas a prenda não veio inteira, ficou metade na oficina de recauchutagem

Procurei informações sobre um actor secundário da partidocracia que virou protagonista de mais uma telenovela sem morangos nem açúcar….

No Ratton, de há muito que apparatchik rima com privada, sempre em estória mal contada, porque cereja puxa cereja, especialmente se o exemplo vier de cima, em defesa do ensino público e dos “rankings”, onde quem melhor entra no ensino superior público é quem vem de escolas privadas, que as públicas cá de baixo não podem escolher as companhias…

Questionava, há meses, um dos professores do meu antigo liceu, sobre a razão de nunca nos posicionarmos ao lado do antigo liceu feminino, o primeiro das escolas do chamado “ranking”. A explicação veio agora a ser confirmada pela directora do Infanta: a escola está numa zona da cidade com classe média menos baixa. Chama-se a isto igualdade de oportunidades, constitucionalmente protegida!

Alegre fala contra os banqueiros que querem mediar a coisa, mas não rejeita a coisa, como o fez Nobre. Os bancário, porque só um é efectivamente banqueiro, apenas aproveitaram a porta aberta de Teixeira e de Passos. Mas não têm sequer reserva de oxigénio, também estão com a corda no gasganete!

Set 15

Meter a ideologia na gaveta

Todos os partidos do nosso arco da governança quando estão no poder metem a ideologia na gaveta e só a usam como preconceito de esquerda ou fantasma de direita quando fazem jogos florais de oposição ao irmão-inimigo com quem acabam por repartir o bolo do estadão. Prefiro a fisioterapia que, dia a dia, me recorda o respirar em pleno da velha liberdade de me pôr as andar…

Set 14

Registo

Ontem entreguei, através de minha filha, junto da entidade patronal tanto os atestados como o livro que contratualmente me comprometi a escrever na sabática. Mas a “rentrée” ainda vai demorar, num país que me parece embriagado pelos comprimidos de “agenda setting” e pelo óleo de fígado de bacalhau do propagandismo situacionista.

Enquanto vou acordando da anestesia e da faca que me salvaram, são breves estes meus devaneios de teclado pela manhã, antes da fisioterapia e não apetece falar nos enredos carlistas que nos deviam envergonhar (do cruz ao queiroz). Só quando voltar à escrita manuscrita que precede o qwerty poderei pôr o gavião a sobrevoá-los e a dar-lhes bicadas.

Set 13

Registo

Ontem um foi dia de dar grande passeio, por ser domingo, por ser dia de sol, por ter que treinar o corpo para além das voltas de cem metros. Custou mas foi. O ar livre sabe tão bem! Claro que a caixa serrada do meu peito ainda não aguenta um simples espirro, mas faz tudo parte da recuperação. Viver apetece! Uma fresta de mar, uma árvore ou a liberdade voada de pássaro no céu da tarde.