Ago 11

O Estado a que chegámos é apenas “spam”

Estar de férias: não receber às dezenas, por semana, regulamentos, directivas, recomendações, fichas, grelhas e mais batatas com que os aparelhos de poder se vão reproduzindo por chouriçada burocrática e sucessivas revogações e interpretações autênticas, bem como entrevistas do chefe ao semanário de trás-do-relego…

O Estado a que chegámos é apenas “spam”. Noventa por cento da actividade aparelhística é entropia, a energia que se gasta na ilusão de mudar, para que tudo continue na mesma, mas com a despesa pública a disparar por causa do manda quem pode, obedece quem deve, para que a culpa morra sempre solteira…

Ago 09

Meus evangelhos laicos

Camus, Saint-Exupéry, “Homem Revoltado” e “Cidadela”, meus evangelhos laicos. Ambos são do tempo de meus pais, ambos mortos na procura, ou prematuramente, como se diz. E como cada um de nós, quando pensa que pensa pela própria cabeça, se transforma num avô de si mesmo…continuo galicista e reflexionista…

Ago 06

Contam as histórias dos nossos fins de regime

Contam as histórias dos nossos fins de regime, em 1910 e 1926, que as forças dominantes, dentro das respectivas regras do jogo, cerca de meio ano da queda, obtiveram sempre esmagadoras vitórias eleitorais…Marcello Caetano também recebeu uma espectacular e espontânea ovação no Estádio José de Alvalade, uns dias antes do 25 de Abril…de 1974.

O ciclo do canto do cisne que nos separa das eleições presidenciais vai, pelo menos, demonstrar que as equipas da oposição não podem jogar apenas com o banco de suplentes e os “juniores”. Sobretudo por causa dos árbitros, dos capitalistas patrocinadores e da estrutura do dirigismo federativo que organiza os jogos…

Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é mau gestor. Enquanto não se ressarcirem dos prejuízos, as forças vivas que são donas do poder não apostarão jamais no risco do utilizador-pagador. Preferem a banha da cobra dos que ainda lá estão…as cirurgias sem anestesia podem matar a galinha dos ovos com clara e gema…

Duas vozes da universidade na SICN falaram fundo: o Professor Cantiga Esteves sobre um Estado viciado em despesa, demonstrando como as privatizações previstas, apenas dá para vinte dias de empréstimos…; o Professor António Barreto confirmando como o triste espectáculo do aparelho de justiça a fez descer não ao fundo, mas abaixo de zero!

O terrível nestas sondagens, onde se mistura a expressão da vontade sobre a manutenção de Carlos Queirós com a análise da revisão constitucional do PSD, está na existência de um centrão sociológico que não se importa com o endividamento, porque vale mais o pássaro do bom e velho Estado na mão do que as boas reformas voando, porque enquanto o pau de Bruxelas vai e vem folgam as costas da subsidiodependência…

Daniel Proença de Carvalho, ministro de Mota Pinto, ex-militante do PCP e do PS e líder do velho freitismo presidencialista, mesmo que diga que é “mais liberal” do que o socratismo assume a literatura de justificação do situacionismo, embora utilize quase sempre o pretérito quando fala do governo de Sócrates. A não ser que este o vonvide para ministro da justiça, depois do Verão…

Ago 05

Os chefes servem o Estado por narcisismo

Regime do falatório é no parlamento e não nas “quintas” dos marqueses e dos viscondes que, mais fidalgos do que nobres, acabam sempre na “mão estendida”. Foi Maria José Morgado que mais uma vez se ascendeu. E todos não assumiram que as letras podem matar o espírito…

Estive a ler e vou reler o nosso melhor especialista em cenários. Para melhor poder entender essa arte da perfídia em que consiste a diplomacia e que, praticamente, constitui a nossa política externa. O resto é política de feira e de muito gato por lebre…

“Os chefes servem o Estado por narcisismo… o amor que os chefes derramam sobre as massas não passa de uma mistificação, dado que usufruem delas por prazer” (Claude Lefort)

O não-conformismo neste portugalório é o conceito de ousadia de há trinta, quarenta anos: ter sido repetidor do grande educador do proletariado, amante do exótico, isto é, do autor dos maiores democídios do século XX, Mao. Os sucedâneos são os que ainda cultivam o ritmo dos charutos latino-americanos, Che. Tanto dá para ser presidente da comissão europeia, como para mestre-pensador no quintal!

Ago 04

Força sem justiça é despotismo. Justiça sem força é impotência

Força sem justiça é despotismo. Justiça sem força é impotência. Misturamos os dois híbridos. Somos um fulgor baço…

O sindicalistas do MP respondem à rainha de Inglaterra. Invocam uma liderança moribunda…Sobe a parada, como era inevitável. Alberto Martins que, pelo menos, conseguiu conversar com todos, guarda silêncio. É rei do desunido reino e só teria o poder que ele próprio criasse. Continuará um gajo porreiro…

Como é que a coisa ainda dura? “…atendendo a ser elle o cabeça e mestre desta seyta, com a qual cauzou grande escandallo nesta corte, e dever servir de exemplo aos mais hereges para viverem com menos soltura e mais moderação…”. Sentença da Santa Inquisição de 1744, revista e actualizada nalguns meandros do micro-autoritarismo da nossa praça…Mais acima costumam lavar as mãos como Pilatos.

Só temos de agradecer já não haver “caza do tormento”, mesmo sem polé e apenas de potro. Mas continua: “e logo lhe foy protestado… se naquelle tormento morresse, quebrasse algum membro ou perdesse algum sentido, a culpa seria sua e não dos Senhores Inquizidores e mais ministros, que julgarão a sua causa segundo o merecimento della”… O potro agora é de tormento espiritual…pelos mesmos despadrados.

Se calhar, está tudo a exagerar com esta discussão simbólica sobre a rainha de Inglaterra que tem mais autoridade do que poder e que por isso não se compara em magnitude a qualquer um dos poderes domésticos do portugalório. Se calhar, tudo isto não passa de mero sismógrafo do sítio a que agora chegámos, onde o normal é haver anormais…

A caricatura analítica chega a proclamar que só há dois caminhos: sermos pelo sindicato de Palma ou pelo patrão ministerial, representado por Silva Pereira, onde a actual figura procuradoral não passa de mero resultado do paralelograma de forças. Pinto Monteiro não é causa nem consequência. É mero sintoma, ao lado de outros vértices do triângulo, como Marinho Pinto e Noronha do Nascimento…

Ago 03

Devaneios filosofantes de Verão à cinta, por causa da ministra alçada e da necessidade do regresso ao divino

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos precisa mesmo de um indisciplinador que não nos atire para uma qualquer anarquia ordenada. Quando os que deviam servir se servem, há que que começar pelo fim, isto é, pelos próprios princípios… A melhor forma de praticarmos a clareza e a distinção da racionalidade complexa, por entre estas teias de aranha, que crescem pelos dejectos das vacas sagradas, agitados pelos coices dos respectivos vitelos, está, precisamente, na arte da alegoria, expressando ideias abstractas através de metáforas encadeadas… O pior problema português é o da justiça. Não apenas o da administração da justiça, que esse até um processualista e um ministro resolvem, de ciência certa e poder democrático, mas sobretudo de justiça como estrela do norte da política, como diria Aristóteles, essa ciência de tratar desigualmente o desigual, como sempre se definiu a igualdade dinâmica…Porque justiça é, desde os greco-romanos, atribuir a cada um o que lhe pertence (suum cuique tribuere), não prejudicar o outro (alterum non laedere) e viver honestamente (honeste vivere). Estou convencido que esses preceitos, ou pré-captos, enquanto fundamentos, não são captados, isto é, compreendidos, pelo pensamento único… Para os donos do poder, igualdade é estabelecer uma grelha de generalidade e abstracção que, ao não valorizar a diferença da individualidade criativa, nunca é capaz de atingir o universal. Porque até um sargento verbeteiro feito qualquer coisa, nomeadamente ministro decretino, ousa pôr na gaveta da ficha, um Prémio Nobel…Pior do que isso: a educação ainda não se libertou da instrução! Ainda não assumiu que era preciso libertar o indivíduo que há em cada aluno, através do exemplo e do estímulo de quem pode “docere” e, portanto, ser “doutor”, ajudando a crescer por dentro…As vacas sagradas do colectivismo de seitas, entre comunistas e ex-comunistas, entre catolaicos e despadrados, continua com maus catecismos de imagem, sondagem e sacanagem e nem sequer atingiu que importa cultivar a rebeldia e a insolência do que deveria ser um português à solta…Foi pena que António Sérgio não tivesse conseguido aplicar os métodos de Dewey no primeiro quartel do século XX. Foi pena que, nessa altura, não reparássemos que um tal de Fernando Pessoa teve a sorte de ser educado no modelo britânico de Durban, ficando muito adiantado no tempo, face ao positivismo serôdio que irmanou o positivismo naturalista de Afonso Costa e Oliveira Salazar … Os pedagogos salazarentos nem sequer leram “A Igreja e o Pensamento Contemporâneo” de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, consideraram Leonardo Coimbra um tresloucado e António Sérgio, um efectivo alienado. Foi talvez por isso que, mesmo depois de Abril, Agostinho da Silva passou nas televisões como um excêntrico a quem devíamos apenas passar a mão pela metáfora… Educativamente falando, somos todos bastardos da síntese do educacionês vérmico que o colectivo de educacionólogos ditos de Veiga Simão lançou no concentracionismo da Cinco de Outubro, semeando o capitaleirismo pelo país. Por isso, estamos agora entalados entre o Professor Pardal do positivismo do século XIX e o Professor Manitu da falsa metafísica do pós-guerra, tudo com traduções em calão! O caldo de cultura positivista que nos enreda, de tanto ser anticatólico, acabou por volver-se também em antimaçónico, isto é, continua a secar o essencial da nossa raiz do humanismo cristão e do humanismo laico, perdendo tempo em proibir a metafísica, Deus e os deuses, em nome da falsidade das revoluções, das utopias e do sucedâneo dos esquemas construtivistas dos pós-revolucionários frustrados… O principal aliado do positivismo é sempre o egoísmo dos que perdem a humildade do mistério e dizem que atingiram o promontório dos séculos na ideologia, na ciência ou no bem-estar… Nem teologia, nem metafísica, apenas ciência…e ainda por cima da falsa ciência exportada para o terceiromundismo dos que pedem para ser colonizados por um sol na terra…Basta ver quem os américas ou os chinocas escolhem para as respectivas fundações neocoloniais de controlo de um povo através dos subsídios. Nunca deixariam que essas mentalidades reformassem a educação em Washington ou o socialismo de características chinesas em Pequim!

Ago 03

Devaneios filosofantes de Verão à cinta, por causa da ministra alçada e da necessidade do regresso ao divino

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos precisa mesmo de um indisciplinador que não nos atire para uma qualquer anarquia ordenada. Quando os que deviam servir se servem, há que que começar pelo fim, isto é, pelos próprios princípios…
A melhor forma de praticarmos a clareza e a distinção da racionalidade complexa, por entre estas teias de aranha, que crescem pelos dejectos das vacas sagradas, agitados pelos coices dos respectivos vitelos, está, precisamente, na arte da alegoria, expressando ideias abstractas através de metáforas encadeadas…
O pior problema português é o da justiça. Não apenas o da administração da justiça, que esse até um processualista e um ministro resolvem, de ciência certa e poder democrático, mas sobretudo de justiça como estrela do norte da política, como diria Aristóteles, essa ciência de tratar desigualmente o desigual, como sempre se definiu a igualdade dinâmica…
Porque justiça é, desde os greco-romanos, atribuir a cada um o que lhe pertence (suum cuique tribuere), não prejudicar o outro (alterum non laedere) e viver honestamente (honeste vivere). Estou convencido que esses preceitos, ou pré-captos, enquanto fundamentos, não são captados, isto é, compreendidos, pelo pensamento único…
Para os donos do poder, igualdade é estabelecer uma grelha de generalidade e abstracção que, ao não valorizar a diferença da individualidade criativa, nunca é capaz de atingir o universal. Porque até um sargento verbeteiro feito qualquer coisa, nomeadamente ministro decretino, ousa pôr na gaveta da ficha, um Prémio Nobel…
Pior do que isso: a educação ainda não se libertou da instrução! Ainda não assumiu que era preciso libertar o indivíduo que há em cada aluno, através do exemplo e do estímulo de quem pode “docere” e, portanto, ser “doutor”, ajudando a crescer por dentro…
As vacas sagradas do colectivismo de seitas, entre comunistas e ex-comunistas, entre catolaicos e despadrados, continua com maus catecismos de imagem, sondagem e sacanagem e nem sequer atingiu que importa cultivar a rebeldia e a insolência do que deveria ser um português à solta…
Foi pena que António Sérgio não tivesse conseguido aplicar os métodos de Dewey no primeiro quartel do século XX. Foi pena que, nessa altura, não reparássemos que um tal de Fernando Pessoa teve a sorte de ser educado no modelo britânico de Durban, ficando muito adiantado no tempo, face ao positivismo serôdio que irmanou o positivismo naturalista de Afonso Costa e Oliveira Salazar…
Os pedagogos salazarentos nem sequer leram “A Igreja e o Pensamento Contemporâneo” de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, consideraram Leonardo Coimbra um tresloucado e António Sérgio, um efectivo alienado. Foi talvez por isso que, mesmo depois de Abril, Agostinho da Silva passou nas televisões como um excêntrico a quem devíamos apenas passar a mão pela metáfora…
Educativamente falando, somos todos bastardos da síntese do educacionês vérmico que o colectivo de educacionólogos ditos de Veiga Simão lançou no concentracionismo da Cinco de Outubro, semeando o capitaleirismo pelo país. Por isso, estamos agora entalados entre o Professor Pardal do positivismo do século XIX e o Professor Manitu da falsa metafísica do pós-guerra, tudo com traduções em calão!
O caldo de cultura positivista que nos enreda, de tanto ser anticatólico, acabou por volver-se também em antimaçónico, isto é, continua a secar o essencial da nossa raiz do humanismo cristão e do humanismo laico, perdendo tempo em proibir a metafísica, Deus e os deuses, em nome da falsidade das revoluções, das utopias e do sucedâneo dos esquemas construtivistas dos pós-revolucionários frustrados…
O principal aliado do positivismo é sempre o egoísmo dos que perdem a humildade do mistério e dizem que atingiram o promontório dos séculos na ideologia, na ciência ou no bem-estar…
Nem teologia, nem metafísica, apenas ciência…e ainda por cima da falsa ciência exportada para o terceiromundismo dos que pedem para ser colonizados por um sol na terra…Basta ver quem os américas ou os chinocas escolhem para as respectivas fundações neocoloniais de controlo de um povo através dos subsídios. Nunca deixariam que essas mentalidades reformassem a educação em Washington ou o socialismo de características chinesas em Pequim!
Ago 03

O pior problema português é o da justiça

O pior problema português é o da justiça. Não apenas o da administração da justiça, que esse até um processualista e um ministro resolvem, de ciência certa e poder democrático, mas sobretudo de justiça como estrela do norte da política, como diria Aristóteles, essa ciência de tratar desigualmente o desigual, como sempre se definiu a igualdade dinâmica…

Porque justiça é, desde os greco-romanos, atribuir a cada um o que lhe pertence (suum cuique tribuere), não prejudicar o outro (alterum non laedere) e viver honestamente (honeste vivere). Estou convencido que esses preceitos, ou pré-captos, enquanto fundamentos, não é captado pelo pensamento único…

Para os donos do poder, igualdade é estabelecer uma grelha de generalidade e abstracção que ao não valorizar a diferença da individualidade criativa nunca é capaz de atingir o universal. Porque até um sargento verbeteiro se ousa por na gaveta da ficha um Prémio Nobel…

Pior do que isso: a educação ainda não se libertou da instrução! Ainda não assumiu que era preciso libertar o indivíduo que há em cada aluno, através do exemplo e do estímulo de quem pode “docere” e, portanto, é “doutor”, ajudando a crescer por dentro…

As vacas sagradas do colectivismo de seitas, entre comunistas e ex-comunistas, entre catolaicos e despadrados, continua com maus catecismos de imagem, sondagem e sacanagem e nem sequer atingiu que importa cultivar a rebeldia e a insolência do que deveria ser um português à solta…

Foi pena que António Sérgio não tivesse conseguido aplicar os métodos de Dewey no primeiro quartel do século XX. Foi pena que nessa altura não reparássemos que um tal de Fernando Pessoa teve a sorte de ser educado no modelo britânico de Durban, ficando muito adiantado no tempo, face ao positivismo serôdio que irmanou o positivismo naturalista de Afonso Costa e Oliveira Salazar…

Os pedagogos salazarentos nem sequer leram “A Igreja e o Pensamento Contemporâneo” de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, consideravam Leonardo Coimbra um tresloucado e António Sérgio um efectivo alienado. Foi talvez por isso que, mesmo depois de Abril, Agostinho da Silva passou nas televisões como um excêntrico a quem devíamos apenas passar a mão pela metáfora…

Educativamente falando, somos todos bastardos da síntese do educacionês vérmico que o colectivo de educacionólogos ditos de Veiga Simão lançou no concentracionismo da Cinco de Outubro, semeando o capitaleirismo pelo país. Por isso, estamos agora entalados entre o Professor Pardal do positivismo do século XIX e o Professor Manitu da falsa metafísica do pós-guerra, tudo com traduções em calão!

O caldo de cultura positivista que nos enreda, de tanto ser anticatólico, acabou por volver-se também em antimaçónico, isto é, continua a secar o essencial da nossa raiz do humanismo cristão e do humanismo laico, perdendo tempo em proibir a metafísica, Deus e os deuses, em nome da falsidade das revoluções, das utopias e do sucedâneo dos esquemas construtivistas dos pós-revolucionários frustrados…

Que bom! O PS põe o Vitalino e o Ricardo a pedir uma revisão constitucional sobre o ministério público. Se o outro quer ser a rainha de Inglaterra que reduza o MP àquilo que ele é no Reino Unido: nada! Era uma boa forma de os socialistas defenderem a tradição das respectivas doutrinas: serem racha-sindicalistas! Nomeiem Vara para ministro da justiça!

Os magistrados do MP são maus, o PGR é bom. O PGR é bom, os magistrados do MP são maus. Arquivaram e inovaram, ao enunciarem zonas do incógnito. Valia mais reconhecer que esta justiça é impotente. Mesmo que Sócrates e Silva Pereira estejam minimamente inocentes, com tanto fumo, muitos dirão que houve fogo, ou vice-versa. E entre o arquivamento e a condenação, venha o diabo e escolha.

 

Ago 03

Devaneios filosofantes de Verão à cinta, por causa da ministra alçada e da necessidade do regresso ao divino

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos precisa mesmo de um indisciplinador que não nos atire para uma qualquer anarquia ordenada. Quando os que deviam servir se servem, há que que começar pelo fim, isto é, pelos próprios princípios…

A melhor forma de praticarmos a clareza e a distinção da racionalidade complexa, por entre estas teias de aranha, que crescem pelos dejectos das vacas sagradas, agitados pelos coices dos respectivos vitelos, está, precisamente, na arte da alegoria, expressando ideias abstractas através de metáforas encadeadas…
O pior problema português é o da justiça. Não apenas o da administração da justiça, que esse até um processualista e um ministro resolvem, de ciência certa e poder democrático, mas sobretudo de justiça como estrela do norte da política, como diria Aristóteles, essa ciência de tratar desigualmente o desigual, como sempre se definiu a igualdade dinâmica…
Porque justiça é, desde os greco-romanos, atribuir a cada um o que lhe pertence (suum cuique tribuere), não prejudicar o outro (alterum non laedere) e viver honestamente (honeste vivere). Estou convencido que esses preceitos, ou pré-captos, enquanto fundamentos, não são captados, isto é, compreendidos, pelo pensamento único…
Para os donos do poder, igualdade é estabelecer uma grelha de generalidade e abstracção que, ao não valorizar a diferença da individualidade criativa, nunca é capaz de atingir o universal. Porque até um sargento verbeteiro feito qualquer coisa, nomeadamente ministro decretino, ousa pôr na gaveta da ficha, um Prémio Nobel…
Pior do que isso: a educação ainda não se libertou da instrução! Ainda não assumiu que era preciso libertar o indivíduo que há em cada aluno, através do exemplo e do estímulo de quem pode “docere” e, portanto, ser “doutor”, ajudando a crescer por dentro…
As vacas sagradas do colectivismo de seitas, entre comunistas e ex-comunistas, entre catolaicos e despadrados, continua com maus catecismos de imagem, sondagem e sacanagem e nem sequer atingiu que importa cultivar a rebeldia e a insolência do que deveria ser um português à solta…
Foi pena que António Sérgio não tivesse conseguido aplicar os métodos de Dewey no primeiro quartel do século XX. Foi pena que, nessa altura, não reparássemos que um tal de Fernando Pessoa teve a sorte de ser educado no modelo britânico de Durban, ficando muito adiantado no tempo, face ao positivismo serôdio que irmanou o positivismo naturalista de Afonso Costa e Oliveira Salazar…
Os pedagogos salazarentos nem sequer leram “A Igreja e o Pensamento Contemporâneo” de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, consideraram Leonardo Coimbra um tresloucado e António Sérgio, um efectivo alienado. Foi talvez por isso que, mesmo depois de Abril, Agostinho da Silva passou nas televisões como um excêntrico a quem devíamos apenas passar a mão pela metáfora…
Educativamente falando, somos todos bastardos da síntese do educacionês vérmico que o colectivo de educacionólogos ditos de Veiga Simão lançou no concentracionismo da Cinco de Outubro, semeando o capitaleirismo pelo país. Por isso, estamos agora entalados entre o Professor Pardal do positivismo do século XIX e o Professor Manitu da falsa metafísica do pós-guerra, tudo com traduções em calão!
O caldo de cultura positivista que nos enreda, de tanto ser anticatólico, acabou por volver-se também em antimaçónico, isto é, continua a secar o essencial da nossa raiz do humanismo cristão e do humanismo laico, perdendo tempo em proibir a metafísica, Deus e os deuses, em nome da falsidade das revoluções, das utopias e do sucedâneo dos esquemas construtivistas dos pós-revolucionários frustrados…
O principal aliado do positivismo é sempre o egoísmo dos que perdem a humildade do mistério e dizem que atingiram o promontório dos séculos na ideologia, na ciência ou no bem-estar…
Nem teologia, nem metafísica, apenas ciência…e ainda por cima da falsa ciência exportada para o terceiromundismo dos que pedem para ser colonizados por um sol na terra…Basta ver quem os américas ou os chinocas escolhem para as respectivas fundações neocoloniais de controlo de um povo através dos subsídios. Nunca deixariam que essas mentalidades reformassem a educação em Washington ou o socialismo de características chinesas em Pequim!
Ago 01

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos

Agosto. Não há mesmo notícias. Nossa eminência está de férias com o papo cheio de PT/OI da Silva, de revisão constitucional de Passos Coelho e de encerramento do processo Freeport. Voltou a ter esperança. Cavaco até pode ser reeleito à primeira volta e o líder da oposição ainda tem muito pão para o diabo amassar. Resta saber se, no Outono, apenas haverá cantos de cisnes orçamentais…

Passos, para certos analistas, seria o melhor do mundo, caso não fizesse nada, se fosse coelho à procura de cenoura, mesmo que lha dessem agarrada à rede da capoeira. Quando ele passou a andar à solta foi sarrafada verbal pela indisciplina que ele lançou no quintal e logo lhe fecharam as portas do elogio. Prefiro que ele continue à solta e que vá roendo as cercas que nos limitam, mesmo que sangre, de vez em quando…

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos precisa mesmo de um indisciplinador que não nos atire para qualquer anarquia ordenada. Quando os que deviam servir se servem, há que que começar pelo fim, isto é, pelos próprios princípios…