Dez 11

Obama

Hoje, voltei a ouvir o velho Wilson. Chama-se Obama e disse: There will be times when nations – acting individually or in concert – will find the use of force not only necessary but morally justified. E acrescentou: instruments of war do have a role to play in preserving the peace. Porque, a non-violent movement could not have halted Hitler’s armies. Negotiations cannot convince al-Qaeda’s leaders to lay down their arms. Logo, os Estados Unidos must remain a standard bearer in the conduct of war para se diferenciarem from a vicious adversary that abides by no rules.

Estou pelo bem, contra o mal. Pelo direito contra os interesses. Pela paz com justiça. Viva o regresso ao idealismo, com força!

A linguagem do realismo político continua a mandar ler o idealismo pelo mero jogo das palavras demonizantes do pensamento binário que diz, da ideia pura de paz perpétua de Kant, o que muitos dizem do contrato social ou da vontade geralde Rousseau. Não percebem que nenhuma destas categorias quis representar uma concreta situação histórica que efectivamente tenha existido ou que venha a realizar-se, enquanto os homens forem homens e não bestas ou anjinhos.

Estas categorias sempre foram entendidas como elementos normativos, como exigências dirigidas à realidade, tal como a democracia ou o direito. Em nenhum tempo e em nenhum lugar houve ou haverá democracia ou Estado de Direito, mas isso não significa que eles não mobilizem as concretas realidades humanas num sentido da perfeição. Ai de nós, se não houvesse esse dever-ser, esse padrão que nos permite desenvolver para cima e para dentro (a estátua do menino parece que foi hoje inaugurada na … Indonésia).

Porque sendo a ciência, conforme o clássico conceito de episteme, a humilde procura do verdadeiro conhecimento, do conhecimento das causas que são necessariamente verdadeiras, ela talvez não passe do tal esforço da razão para substituir a mera opinião (doxa), esse conhecimento tão contingente quanto o contingente de que faz parte. Ela talvez não passe até do consenso estabelecido entre os que, pela via da sabedoria, alcançam a maturidade da teoria, daqueles que pensam de forma racional e justa e que enquadram, pela autoridade do exemplo, o colégio invisível de cientistas (Karl Deutsch), a comunidade científica de um determinado ramo do saber.

 

Método, com efeito, sempre quis dizer caminho, sempre foi um meio, um instrumento para se atingir o fim da verdadeira ciência: a inteligibilidade do real. Logo, se os fins não devem ser postos ao serviço dos meios, talvez o primeiro dos vícios científicos esteja naqueles que acabam por transformá-lo numa ideologia, dando prevalência ao método sobre o objecto.

Quando dizemos que no princípio de cada ciência está o método, não podemos esquecer que o logos é anterior e superior ao método, que a ontologia é superior à metodologia, que a verdade, deve, em qualquer caso, prevalecer, como assinala Gadamer. As eternas perguntas sobre o como se caminha para a verdade (know how), essa ilusão teórica do conhecer o conhecimento, podem desviar-nos do próprio objecto que pretendemos analisar e, de tanto pensarmos o pensamento, pode atingir-se o ridículo de nem sequer pensarmos. Se dermos preponderância à pergunta do como, do knowing how, insistindo nas prescrições metodológicas, podemos desviar-nos das próprias coisas, esquecendo o knowing that, ao não respondermos à pergunta fundamental sobre o quê.

Com efeito, no nosso tempo, as ciências sociais estão cercadas por um excesso de metodologismo, onde abundam as engenharias conceituais com muitos manuais cheios de instruções sobre a descoberta da verdade, que, muitas vezes, têm levado a que se coisifique o pensamento. Ora, a partir do momento em que se transforma o próprio pensamento numa simples coisa, está aberta a senda para a objectivização do sujeito e para a subjectivização do objecto.

 

Porque, no fundo, tal diversidade depende sempre do ponto de vista, a partir do qual perspectivamos um todo, que ninguém consegue captar integralmente. Porque cada vida é um ponto de vista sobre o universo. Porque yo soy yo y mis circunstancias…Porque se os homens olham a mesma paisagem de vários lugares e não vêem o mesmo, não tem sentido que cada um declare falsa a paisagem alheia. Cada um apenas pode olhar o mundo, através da sua época, das suas circunstâncias e do seu discurso científico.

Poderíamos também dizer que vivemos entre aquilo que hoje são ditas as posturas cosmopolitistas e comunitaristas, rejeitando radicalmente o conformismo realista ou neo-realista, mesmo aquele que impregna certos entusiastas cépticos que não conseguem quebrar as algemas que os ligam ao legado maquiavélico e hobbesiano. Apesar de certos deles dizerem aceitar algumas das invocações da escola peninsular de direito natural e do consequente modo português de estar no mundo, bem como das convocações kantianas para um Estado de Direito universal, através da peace through law, que outros nem sequer assumem como o exacto contrário da peace throug strength.

Talvez não seja possível superarmos sinteticamente as nossas inevitáveis contradições e dizermos qual o caminho e qual a verdade. Talvez até nem haja a necessidade de um qualquer hegeliano fim da história, para quem não reconhece a existência do processo histórico, dessa pretensa viagem do espírito do mundo (Weltgeist), pelas teias da tese, da antítese e da síntese. Porque, nas relações internacionais, as várias percepções denotam a luta do individualismo contra o colectivismo, do materialismo contra o espiritualismo, da modernização contra o tradicionalismo, ou da centralização contra a descentralização, para não falarmos na própria luta pela democracia e pelo Estado de Direito, contra o absolutismo, o autoritarismo e o totalitarismo.

Mas presos a certa perspectiva neo-romântica, também julgamos que não há pensamento sem pátria, que ninguém pode olhar o mundo sem ter os pés assentes no chão físico e no chão moral de um espaço vivido e de uma história assumida, com saudades de futuro.

Porque, como reconhece Gustav Radbruch, o indivíduo só dentro de uma comunidade nacional pode ser criador de cultura. Porque, continuando a seguir o mesmo filósofo do direito, nunca a consciência nacional dos povos é mais forte do que quando eles agem na convicção de desempenharem uma missão universal … a consciência de um povo que se sente, ele próprio, o portador de valores humanos universais, de um povo que traz em si e nos seus flancos a própria humanidade (Filosofia do Direito, II, pp. 165 e 166). Rousseau quando, em 1762, proclamava que a força externa de um grande povo pode combinar-se com o governo livre e a boa ordem de um pequeno Estado.

 

Acontece que os actuais modelos de internacionalização da economia(integração económica através de zonas de comércio livre ou de mercados comuns, quando não de projectos de mercados únicos, bem como a existência de empresas multinacionais e todas as restantes formas de divisão internacional do trabalho) ao acentuarem o livrecambismo contra o proteccionismo, que pretendia nações economicamente auto-suficientes e Estados viáveis no mesmo plano, levou a que as dependências económicas tornassem dependentes não apenas os pequenos Estados(insusceptíveis de autarcia económica, isto é, de produzirem aquilo que consomem), mas também as próprias médias potências (estas, especialmente incapazes de independência em termos de política de defesa).

Isto é, o pequeno Estado, que parecia condenado pelos mais recentes ventos da história e que, para subsistir, tinha que recorrer a uma sábia gestão de dependências, aproveitando a rivalidade das grandes potências ou acentuando a insularidade e a periferia, tornou-se viável atravésde uma integrada gestão num grande espaço económico ou numa ampla aliança militar.

Acontece, inclusive, que um pequeno ou médio Estado pode transformar-se num perturbador do próprio equilíbrio entre as grandes potências ou os blocos liderados por superpotências e assumir um poder funcional mais eficaz que a resultante abstracta das habituais somas estatísticas do chamado poder nacional. Com efeito, como habitualmente referem os estrategistas, podem os Estados fazer das fraquezas forças e, vice-versa, isto é, as chamadas potencialidades podem transformar-se em vulnerabilidades. Com efeito, os jogos de poder entre as potências podem enfraquecer os fortes e fortalecer os fracos.

De facto, porque o poder internacional é sempre uma relação, há quem tenha poder e não tenha capacidades. Se as maiores capacidades não implicam necessariamente um maior poder, o inverso também é verdadeiro, porque nalguns casos pode ocorrer uma correlação invertida entre poder e capacidade.

 

Aliás, num pequeno Estado como o português, a matéria começou a ser estudada de forma empírica atendendo ao peso de certos negócios na nossa política externa. Por isso é que a abordagem científica das relações internacionais foi iniciada na escoal que se dedicava ao estudo da política e do direito coloniais, ou ultramarinos. Pela mesma razão, quando, depois. explodiram as questões da política e do direito da integração europeia e do comunitarismo consequente, foram os cultores destes ramos que desenvolveram tais processos. Os recursos científicos portugueses sempre foram bens escassos e nunca se desperdiçaram em divagações doutrinárias por domínios etéreos, onde deixamos que continuem a pontificar os grandes deste mundo.

Kant entendia como potentia, com o poder do Estado na sua relação com outros Estados, esquecendo que o mesmo Estado também é res publica, quando tem por liame o interesse que todos têm em viver no estado jurídico, e gens, quando se pensa numa hereditariedade, seja da origem nacional, seja da própria união hereditária, pré-política, como acontecia na Grécia, com a genos a preceder a polis.

O Estado é algo mais do que aqueles que lêem Morgenthau, sem compreenderem a diferença que Weber estabeleceu entre Macht e Herrschaft. O Estado talvez seja ao mesmo tempo comunidade, soberania e nação, isto é, república, para o Estado-Comunidade, principado, para o Estado-Aparelho, e comunidade de gerações, quando se pensa em Nação.

 

Seguindo Denis de Rougemont, é perigosa essa confusão. Porque se se misturam pátria, Estado e nação, ou espiritual, cultural e político, nos limites de uma dada fronteira, chegamos precisamente ao fim que se pretende evitar – o Estado totalitário. Na mesma senda, Wilhelm Röpke vem defender que a pátria pode rimar com o mundo, mas sem simpatizar com aquilo que considera o elemento intermediário, a nação, a pátria pode soar em harmonia com o mundo … o verdadeiro sentimento da pátria exige que não se exclua o maior, nem o menos.

 

Talvez nos tenhamos esquecido dos sinais semeados por Kant, ainda tão incompreendidos, dessa república universal entendida como uma exigência ética, no sentido de levar cada Estado a comportar-se como se todos os Estados existentes, formassem um Estado Mundial, uma civitas humana, a fim de poderem limitar-se os poderes do Estado-Leviathan. Exigência que só pode ser realizada se entendermos a graduação da procura da república maior, no contexto daquilo a que se chama princípio da subsidiariedade, onde cada república apenas terá os poderes necessários para a respectiva função, não interferindo as maiores na autonomia das menores, porque todas, e cada uma delas, têm de ser perfeitas e integrais, conforme a natureza das coisas para que foram inventadas. Uma geometria variável adequada à pluralidade de pertenças, aos focos quase excêntricos de cada onda elíptica, onde é hipócrita proclamar-se o não soberanismo da entidade política menor, apenas para se acirrar, muito piramidalmente o soberanismo do centro.

Acreditamos que a via subsidiária e pluralista é a que melhor poderá defender aquilo que somos e sonhamos ser. Essa aplicação dos princípios do Estado de Direito à ordem internacional. De maneira que a mesma possa deixar de viver no estado de natureza da vingança privada, onde cada Estado é lobo de outro Estado e onde os que se assumem como bons selvagens são devorados pela predadora lei da selva. E neste tempo realista de lúcidos analistas, talvez importe a lucidez de nos sabermos ingénuos, reconhecendo que cada Estado deve submeter-se para sobreviver, desde que saiba lutar para continuar a viver. Pois cada Estado deve reconhecer que a respectiva independência não deixará de o ser, se a inevitável gestão das dependências e das interdependências for norteada pela vontade de querer ser mesmo independente.

Talvez a sabedoria plurissecular nos possa segredar que a Nação libertadora não está em crise e que o mundo pode unificar-se pela divisão. Que dividir, em nome da autodeterminação nacional, pode ser unificar, em nome do abraço armilar, politizando os Estados pelas libertações nacionais, onde a separação, enraizada no cidadanismo democrático, pode servir de viagem para a descoberta da pluralidade de pertenças de cada polis. Os todos, mesmo o todo universal, apenas são unidades de ordem e não todos contínuos e homogéneos. E mesmo numa polis, simples forma dada à matéria humana, apenas podem existir essências colectivas relacionais, porque a única essência indivisa e substancial da política é a dignidade da pessoa humana.

Porque o poder tem de voltar a ser rede, articulações laterais e verticais, sem o exclusivismo das pirâmides, numa política entendida como estratégia, onde o poder é mais relação entre indivíduos e comunidades, perfeitas e imperfeitas, privadas e públicas.

 

Mas onde, como dizia Francisco de Vitória, cada república tem de ser perfeita e integral. Por conseguinte, não está submetida a nenhum poder exterior, pois, neste caso, não seria integral. Por esta razão, pode dispor de um príncipe que, de maneira nenhuma, esteja sujeito a outro em questões seculares. Até porque a sociedade perfeita é precisamente aquela que não é parcela de outra república, mas que dispões de leis próprias, de um Conselho próprio e de autoridades suas.

Importa, pois, que cada Estado, mesmo o mais pequeno, possa esperar a sua segurança e os seus direitos, não do seu próprio poder ou do seu próprio juízo jurídico, mas apenas dessa grande sociedade das nações, entendida como uma força unida e da decisão da vontade comum fundamentada em leis, como proclamava Kant. Importa, pois, dar ao mundo um princípio regulativo, um imperativo categórico. O mesmo imperativo que, no interior dos Estados, impõe um Estado-razão, enquanto exigência para se superar o estado de natureza, visando estabelecer o reinado do direito na sociedade das nações. E isto porque a paz pelo direito não é uma quimera, mas um problema a resolver, consequência do reinado do direito, que o progresso um dia estabelecerá. Até porque o maior problema da espécie humana, a cuja solução a natureza força o homem, é o estabelecimento de uma sociedade civil, que administre universalmente o direito, isto é, a criação de uma sociedade, em que a liberdade, submetida a leis externas, se encontre ligada, o mais estreitamente possível, a um poder irresistível, isto é, à criação duma constituição civil e perfeitamente justa. Ora este problema é simultaneamente o mais difícil e o que mais tardiamente é resolvido pela espécie humana, porque o problema do estabelecimento de uma constituição civil perfeita depende do problema das relações legais entre os Estados, e não pode ser resolvido sem se encontrar a solução deste segundo. E por visionária que esta ideia possa parecer … ela é todavia a inevitável saída do estado de miséria em que os homens se põem uns aos outros, miséria essa que há-de forçar os Estados (por muito que lhes custe) exactamente à resolução a que foi forçado, embora contra a sua vontade, o homem selvagem: a de renunciar à sua brutal liberdade e procurar tranquilidade e segurança numa constituição legalmente estabelecida.

 

Dez 11

Entre redes banco-burocráticas e intelectuários, com esquecidas cunhas e dourados poleiros

O direito não é a vida. Cobre apenas o espaço das relações jurídicas, isto é, de  uma minoria das relações sociais, as que são legislativamente seleccionadas e coactivamente protegidas pelo monopólio da violência legítima a que se chama Estado. Logo, nem tudo o que é lícito é honesto e a licitude nem sequer corresponde ao tal mínimo ético, dessa ilusão de deixarmos para os detentores do poder a definição de códigos de conduta que devem caber apenas às autonomias individuais e grupais e são insusceptíveis de captura pelo decretino, pelo que vêm do vértice para a planície dos súbditos. Moral e direito não são círculos concêntricos, apenas coincidem nalguns segmentos. Aqui e agora foram totalmente confundidos pela teledemocracia. E às vezes até continuam a ser medidos pelos preconceitos do racismo social e castífero que nos encarquilha. Quando os jornais, no século XIX, substituíram o púlpito, dizia-se que conquistar o poder era conquistar a palavra. Desde Kennedy que entrámos em mediacracia mais videopoderosa. Política já não é apenas o que parece, mas a percepção do homem comum sobre o que aparece e que pode não ser o que é previamente ensaiado pelas agências de comunicação. E quando falha a confiança no aparelhismo público, as comunidades tendem a regressar aos esquemas da vingança privada, nesse jogo perigoso dos tribunais da opinião pública, onde, pela simples imagem, o justo pode pagar pelo pecador e acabar como “inimigo público”. Aqui e agora, o situacionismo dos vários estados a que chegámos, sobretudo o dos micro-autoritarismos sub-estatais, já não teme os opositores rotativistas, os tais que podem tornar-se convivas da alternância na gamela. Apenas odeia os dissidentes que não se transformam na oposição que lhes convém e que não se confundem com os tradicionais inimigos da democracia. O importante, em Portugal, não é ser ministro, é tê-lo sido. Sobretudo, quando ainda se tem colegas no poleiro. Ou na impunidade. Sempre podem ser um importante elemento de consultadoria e pressão, por causa dos meandros da mesa do orçamento. E, entre um grupo empresarial de obras públicas e um estabelecimento de ensino, pouca é a diferença de pecado, na privatização já não clandestina do que deveria ser público.

Dez 10

Brandos costumes, bois amansados pelo jugo, balbúrdia dos insultos e o(a)s mizés em telhado de província

Apesar de chata, gostei da aula do Professor Aníbal. Mas gostaria bem mais de transmissão em directo da reunião que ele, depois, teve com o Sócrates, onde certamente foi tratada a situação grega de endividamento com a eventual inclusão da nossa seleccção nacional no futuro torneio dos PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Spaniazapatero), para efeitos de “ranking” negativo e de decisão em momentos excepcionais de desvario, sujeitos a contratos à força por ordem da comunidade internacional, através da circunspecta UE, com FMI por trás da cortina. Desde que houvesse relato radiofónico à antiga, com posteriores comentários do Rui Santos, sempre pela verdade desportiva dos meios electrónicos, contra os tipos do apito e das agências de taxas de juro, com liberdade de insulto, a partir da bancada e muito direito à indignação dos que pagam o bilhete…

Infelizmente, são outros os relatos da Câmara dos Deputados e ex-Ministros que são abaixo de Lordes e já não passam férias no Dubai: inimputável, palhaço, vendida a qualquer preço, esquizofrénico, aldrabice, trafulhice, tropa-fandanga, burrice. É tudo entre eles, o Estado são eles. Pensam eles. Praticam eles. Vale-nos que temos um povo com brandos costumes de bois mansos e em fila, a caminho do subsídio de reintegração, por acaso, o que mais assassinou figuras cimeiras do Estado no século XX. Temam a revolta dos mansos, dado que as respectivas armaduras começam a entrar em pontas surdas de indignação!
Contrapartidas, BPN, afundações, BCP, sucatas, escutas. Que, grão a grão, se vai enchendo o papo. Não o da revolta. Não o da indiferença. O do desprezo. Política não é Mizé contra o professor de filosofia do rito bracarense. Valia mais terem uma jantarada na Churrasqueira do Campo Grande, com bacalhau à moda de Terras do Bouro, que é província e paisagem para os capitaleiros.
Claro que em latim de Roma, o grande centro de conquista, a tal província, queria dizer “pro” mais “vincere”, coisa para vencer, ocupar, dirigir, incluindo com governadores-civis…
1908 (Rei e P. Real); 1918 (Presidente da República); 1921 (chefe do governo e fundador da República, mais outros); 1965 (chefe da oposição). Não somo à lista Camarate. Ainda por enquanto porque só provámos o assassinato de D. João VI, mais de um século depois. Não há outro país com mais “magnícidios” na Europa, nem com o ciclotímico consequente de quarenta e oito anos de paz dos cemitérios, mas com um ritmo quase anual de intentonas e golpes de reviralho, transformados em comunicados oficiais de suas excelências do estadão, sobre o ter sido evitada ontem mais uma alteração à ordem pública. Claro que não contei com Amílcar Cabral nem com Eduardo Mondlane…
Apenas somei factos. A passagem do laxismo dos brandos costumes para a “balbúrdia sanguinolenta” é como atravessar no século XIX o Pinhal da Azambuja. Remexido, Zé do Telhado e João Brandão são mais recentes que o Robin Hood…
O povo, o povo soberano, que naquele dia tinha nas mãos o ceptro da sua soberania, não é menos dócil do que os irracionais que recordamos. O dia que devia mostrar-se orgulhoso, é quando mais se humilhava; quando podia dispor dos destinos dos seus senhores, é quando mais vergava a cabeça sob o peso que estes lhe assentavam. Não é semelhante esta força inconsciente do povo à do boi robusto e válido, que uma criança dirige e subjuga? Forte como ele, como ele dócil, como ele laborioso, como ele útil, não vê que a mesma força que emprega no trabalho lhe poderia servir para repelir o jugo. Ou, quando vê, é quando o desespero e a fúria, o cegam e impelem a revoltas tremendas (Júlio Dinis, ou um liberal à antiga descrevendo um acto eleitoral do rotativismo devorista).

Dez 10

Bela estátua ao menino Obama. Obrigado, senhor presidente Wilson!

Thomas Woodrow Wilson (1856-1924) foi um presidente norte-americano que queria acabar com o velho hábito das diplomacias de guerra as quais, segundo as suas próprias palavras, faziam dos povos e das províncias mercadorias de troca ou peões do tabuleiro de xadrez. Ele que, na campanha presidencial de 1912, se opusera à política intervencionista dos anteriores presidentes republicanos, desde o big stick de Theodore Roosevelt à dollar diplomacy de William Howard Taft, voltou a vencer as eleições de 1916, em nome da não intervenção norte-americana na Grande Guerra. Contudo, logo em 2 de Abril de 1917, declarou guerra a uma Alemanha de Weltpolitik, Realpolitik e Interessenpolitik, proclamando a necessidade do mundo ser safe for democracy. Depois da vitória dos republicanos nas eleições para o Congresso e apesar de ter sido nomeado prémio Nobel da paz em 1919, eis que não conseguiu que o Senado ratificasse os acordos de paz. Nestes termos, endereçou uma mensagem pessoal às duas Câmaras do Congresso em 8 de Janeiro de 1918

1º Tratados de paz após negociações à luz do dia, a fim de acabar com a diplomacia secreta;
2º Livre navegação em todos os oceanos, em tempo de paz e em tempo de guerra;
3ºTanto quanto possível, supressão de todas as barreiras alfandegárias;
4º Desarmamento, sempre que possível, sem ameaçar a ordem interna;

14ºCriação de uma Sociedade das Nações que assegure a independência política e a integridade dos Estados grandes e pequenos

Assumindo alguns dos legados do modelo kantiano de Paz Perpétua, influenciou, de forma decisiva o Pacto da Sociedade das Nações e o posterior modelo da carta das Nações Unidas, sendo precursor de algumas iniciativas do internacionalismo liberal da década que marcou o primeiro pós-guerra, nomeadamente do chamado Pacto Briand-Kellog, de 27 de Agosto de 1928. Gerou-se uma corrente que o maior jurista do século XX, Hans Kelsen, qualificou como Peace through Law. Dela me considero militante, tentando não consumir o charlatanismo de certas traduções em calão lusitano, celestializadas por discípulos de Morgenthau e pálidos imitadores de Kissinger e Talleyrand. Os que costumam mandar assassinar e depois lamentam o sucedido junto dos familiares das vítimas, justificando a pirataria em nome da gestão de penduricalhos…

Hoje, voltei a ouvir o velho Wilson. Chama-se Obama e disse: There will be times when nations – acting individually or in concert – will find the use of force not only necessary but morally justified. E acrescentou: instruments of war do have a role to play in preserving the peace. Porque, a non-violent movement could not have halted Hitler’s armies. Negotiations cannot convince al-Qaeda’s leaders to lay down their arms. Logo, os Estados Unidos must remain a standard bearer in the conduct of war para se diferenciarem from a vicious adversary that abides by no rules.

Estou pelo bem, contra o mal. Pelo direito contra os interesses. Pela paz com justiça. Viva o regresso ao idealismo, com força!

A linguagem do realismo político continua a mandar ler o idealismo pelo mero jogo das palavras demonizantes do pensamento binário que diz, da ideia pura de paz perpétua de Kant, o que muitos dizem do contrato social ou da vontade geralde Rousseau. Não percebem que nenhuma destas categorias quis representar uma concreta situação histórica que efectivamente tenha existido ou que venha a realizar-se, enquanto os homens forem homens e não bestas ou anjinhos.
Estas categorias sempre foram entendidas como elementos normativos, como exigências dirigidas à realidade, tal como a democracia ou o direito. Em nenhum tempo e em nenhum lugar houve ou haverá democracia ou Estado de Direito, mas isso não significa que eles não mobilizem as concretas realidades humanas num sentido da perfeição. Ai de nós, se não houvesse esse dever-ser, esse padrão que nos permite desenvolver para cima e para dentro (a estátua do menino parece que foi hoje inaugurada na … Indonésia).

Dez 10

A linguagem do realismo político

A linguagem do realismo político continua a mandar ler o idealismo pelo mero jogo das palavras demonizantes do pensamento binário que diz, da ideia pura de paz perpétua de Kant, o que muitos dizem do contrato social ou da vontade geralde Rousseau. Não percebem que nenhuma destas categorias quis representar uma concreta situação histórica que efectivamente tenha existido ou que venha a realizar-se, enquanto os homens forem homens e não bestas ou anjinhos. Estas categorias sempre foram entendidas como elementos normativos, como exigências dirigidas à realidade, tal como a democracia ou o direito. Em nenhum tempo e em nenhum lugar houve ou haverá democracia ou Estado de Direito, mas isso não significa que eles não mobilizem as concretas realidades humanas num sentido da perfeição. Ai de nós, se não houvesse esse dever-ser, esse padrão que nos permite desenvolver para cima e para dentro.

Dez 09

A minha avó, que não sabia ler nem escrever e gostava de andar descalça…

Hoje é o dia internacional de luta contra a corrupção. O meu amigo Guilherme d’Oliveira Martins, que é o nosso estatal presidente das contas e da luta, já falou e falou. Disse bem contra a elefantíase legislativa. E mais falou. Até disse que não devíamos falar muito sobre a coisa. Logo, não falo mais.

Vou estar atento à entrevista que Vara vai dar, amanhã. Hoje foi só declaração esparsa. Não falarei sobre a matéria. Estive a ver a ficha curricular de um ilustre membro do governo, licenciado e doutorando na minha área, com um bocadito de atraso. Sugiro que se listem os senhores ilustres deputados, ministros e secretários de Estado que, sem qualificações de base adequadas, são ilustres docentes em várias universidades privadas e em muitas públicas, clandestinamente privatizadas. A meritocracia é uma excepção que confirma a regra. Costuma resolver-se por efectivos concursos públicos sem prévia fotografia. Pena que os gestores dos interesses, das pressões e das influências, por mera coincidência, só a vejam entre a partidocracia e seus satélites.

Cá estamos depois do segundo feriado de Dezembro, com mais trabalho em feriados do que em dias ditos de trabalho, porque as formiguinhas investem sem o espectáculo do ofício do corpo presente, com que os avaliólogos nos vão destruindo. Venham mais férias para que a sementeira continue. Porque os nossos dias da semana são mesmo “secunda feria”, “tertia feria”, “quarta feria”, “quinta feria”, “sexta feria”, onde férias não são feiras, mas festividades litúrgicas do valor trabalho. Somos os únicos europeus que seguiram a determinação antipagã do papa. Não por vaticanismo, mas por causa das consequências da crise do século III que nos transformou em ilha, apenas presa por pedra ao continente. Daí esta multissecular vontade de navegar e partir, barra fora, para bem longe daqui…
Apesar de tudo, estou feliz. Há teses ditas de mestrado que são bem superiores a muitas de doutoramento. Tal como há teses de doutoramento que são bem piores do que teses de licenciatura. Os académicos não se medem pelo título formal, nem pela propina de inscrição. A minha avó, que não sabia ler nem escrever e gostava de andar descalça, com as sandálias ao ombro, era bem mais culta do que alguns dos meus colegas catedráticos.

Dez 08

Solstício

Solstício sempre foi sinal físico da mãe-terra, ou mátria, que nos obriga a um acto simbólico de passagem para o aperfeiçoamento. Como diz Louis Pauwels, importa reconhecermos  que há uma sabedoria e uma verdade anteriores  depositadas desde sempre no homem; ao longo da aventura humana manifesta-se uma vontade superior e a história obedece a leis cíclicas. Porque regenerar é o mesmo do que fazer morrer o putrefacto, transpondo a cortina de fogo que separa o profano do sagrado. E como dizia Plutarco, então, o homem, desde então perfeito e iniciado, liberto e caminhando sem algemas, celebra os Mistérios. Ou, como assinalava Fernando Pessoa, neste mundo visível  vivemos um símbolo e uma sombra. Desde que busquemos a verdade, desejando-a e preparando-a. Porque, segundo palavras de Louis Pauwels, que cada um dos símbolos empregados cumpra as suas promessas, isto é, que revele significados sucessivos, complementares e ascendentes, que funcione como o plano de uma verdade sobre a qual o espírito possa trabalhar analogicamente até à eternidade.

Dez 07

Se cuidas que a popularidade é coisa diferente da justiça e da moral austera te enganas

Essa abstracção chamada Estado passou a ser a medida de todas as coisas e ai de quem diz querer ter menos aparelho de Estado, isto é, menos principado, na economia e na sociedade, e mais república, ou comunidade, nas pessoas e nos seus grupos, sobretudo quando já não há apenas o Estado português a que chegámos, mas um “Leviathan” plural, desde a União Europeia ao modelo de globalização da hierarquia das potências… Não sou socialista nem social-democrata, logo quero menos “Estados”, mais sociedade e mais autonomia dos cidadãos, enquanto indivíduos, porque importa reinventar o aparelhismo para deixarmos de ter os “donos” do costume. Digo e repito: quanto mais estatismo, mais corrupção! Sobretudo quando surge o Estado-Empresário que se transforma em patrão, tanto através de “empresas públicas”, como de “empresas de regime”. Mesmo nos ditos países nórdicos da Europa, se há um robusto Estado-Companhia de Seguros, não há nenhuma tentação de intervencionismo na economia… Aliás, quando acusam os liberais de anti-estatismo, esquecem que quem edificou o Estado Contemporâneo foram as revoluções liberais. E o nosso resultou do programa de Mouzinho da Silveira, quando centralizou os impostos que o povo sempre pagou, mas que no Ancien-Régime eram desviados para o clero e a nobreza, ordens às quais cabiam as políticas de educação, saúde, defesa e segurança! Contudo, Mouzinho da Silveira logo se demitiu da pasta da fazenda, ainda no Porto, quando se caiu no oportunismo das expropriações, a velha tentação absolutista, a que continuam a dar o nome de Estado… Se cuidas que a popularidade é coisa diferente da justiça e da moral austera te enganas (conselhos dados ao seu sucessor na pasta da fazenda, José da Silva Carvalho). Tenho a consciência que assumir este programa anti-estatista em Portugal, onde há quase um quinto do eleitorado a votar PCP e BE, como um enorme centrão socialista e social-democrata e um PP pouco liberal, é apenas ter voz que clama num deserto de utopias intervencionistas que são a principal causa de sucessivas derrotas dos portugueses e conduzem ao suicídio do PSD e de todos os outros coveiros do regime… Em Portugal, não é apenas difícil ser liberal nos planos da política, da economia e da sociedade. É pecado! Daí que continue esta economia mística de nacionalização dos prejuízos e de privatização dos lucros, a que muitos já dão o nome de roubalheira, com socialistas e sociais-democratas na habitual música celestial de defesa de um situacionismo de economia privada sem efectivo mercado nem real concorrência! Para os ditos, repito o que sobre o mesmo espírito de seita, proclamou Orwell: The catholic and the communist are alike in assuming that an opponent cannot be both honest and intelligent (Janeiro de 1946, in Polemic). Hoje, ponho em lugar dos CC, os do costume, os salazarentos da economia do condicionamento, os bloqueiros do central e da esquerda e os que não dizem o que pensam porque vivem da Mesa do Orçamento, impedindo a concorrência e a meritocracia. Isto é, impedindo a urgente regeneração dos que querem defender um Estado racional-normativo que não seja capturado pelas forças vivas, pela partidocracia e por essa difusa rede de clandestina privatização do público, a que podemos dar o nome de corrupção, onde uma bandocracia impune até transforma o aparelho policial e judiciário em bodes expiatórios, para que se reduzam a meras bocas que pronunciam as palavras das leis que eles traduzem em calão, para alívio das consciências que dizem ter. Ser liberal, confesso sem peias, é ser efectivamente adepto daquilo que a maioria desta mentalidade dominante considera um impossível lógico: a defesa do capitalismo, enquanto o processo histórico mais eficaz para a defesa da igualdade de oportunidades e a justiça social! Basta recordar que as empresas públicas e as empresas de regime estão para o cidadão como estavam os conventos e hospícios de antes de 1832: segundo Vitorino Magalhães Godinho, os rendimentos das ordens religiosas em 1832 andavam pelos 1 162 contos, enquanto o Estado recolhia apenas 1 600 contos, em impostos directos…

Dez 04

Out of control

“OUT OF CONTROL”

por José Adelino Maltez

 

 

Com o parlamento fragmentado por coligações negativas e positivas, que votam e desbotam, procurando pôr remendos no que devia ser um “ordenamento”, aberto para cima, para os valores, e aberto para baixo, para a sociedade, atingiu-se, no primeiro debate quinzenal do novo governo velho, uma encruzilhada de verbosidade, bem reveladora daquilo que em linguagem estratégica costuma qualificar-se como “out of control”. Quando a palavra se gasta pelo uso e começa a prostituir-se pelo abuso do insulto, acumula-se aquela quantidade de energia gasta pelas mudanças que fica para sempre na zona do desperdício, a tal entropia que já vai além do habitual parlamentarês e ministerialês que já não corresponde ao processo de institucionalização dos conflitos da democracia pluralista.  Esta caricatura da política de “imagem, sondagem e sacanagem” embacia-nos a compreensão do todo. Porque, apesar de haver uma espécie de buraco negro de inércia, detectável na I Série do Diário da República, declara-se, em malhamento, que há tortura, espionagem política, coscuvilhice, suspeitas,  senão mesmo totalitarismo! Uma retórica de mau-gosto, com muitos textos sem contexto, que exagera nos movimentos gestuais, sem ensimesmamento nem maturidade, onde, na prática, todas as teorias passam a ser outra coisa, mas sem natureza da coisas, porque, por dentro delas, as coisas já realmente não são.

 

 

 

Nov 30

A pátria está de tenda montada diante da Torre

A pátria está de tenda montada diante da Torre e vai dormir em miragem, com muito Colombo, mas sem furo no ovo nem bons selvagens. Até ao desmontar da feira da imagem, até batem leve, levemente. Não é apenas chuva, nem apenas gente. A neve vai caindo e o degelo não vem. Prefiro comemorar a Restauração, porque sem 1640 não haveria Brasil, como assinalava Agostinho da Silva, na sua eterna metapolítica. Estes longos directos, vindos da cimeira, se confirmam Portugal como excelente mestre de cerimónias, contrastam com a putrefacção institucional interna, mas fazem-me recordar que, em termos de política externa, vale a pena o consenso nacional, em ritmo de fado com saudades de futuro… Contudo, não podemos esquecer que Assembleia da República demonstrou que o governo tem apoio apenas minoritário. Nosso primeiro qualificou este activismo da coligação negativa como “governo de assembleia”. Apenas veio confirmar que até agora vivemos emassembleia de governo. Ou melhor, tivemos governos e parlamentos de directório partidário, em regime de chanceler, ou de presidencialismo de secretário-geral absoluto, odiando forças de bloqueio… Porque absoluto quer dizer “ab” mais “solutus”, isto é, solto, em soltura, sem controlo pelos contrapoderes da velha engenharia de Montesquieu. “Checks and balance” é o velho e eterno nome da democracia pluralista, o exacto contrário do centralismo democrático, herdeiro do jacobinismo… Poder em soltura, sem controlo, é governança livre das leis que ela próprio pode fazer, bem como governança onde tudo quanto ela diz é lei, mesmo que o diga em propaganda de corredor ou de átrio, como “slogan” de telejornal. Sócrates II não é Sócrates I e o queijo limianoda barganha subiu de preço: já custa qualquer coisa que se situa entre o Bloco Central e o portas do dito, dado que Dimitrov já era… A não ser que as oposições que temos deixem o governo governar, como aqueles jogos onde o vencedor resulta da mera falta de comparência do adversário. Em todos os casos, quem perde é o povo, assim dependente de uma coligação negativa e da consequente hierarquia daquelas potências a que chamavam forças vivas e que, em muitos casos, coincidem com os chamados “empresários do regime”. Mas vamos esquecer o défice, o endividamento e os governadores civis que ascender ao Olimpo por perderem as eleições. A comarca experimental do Baixo Vouga continua a mobilizar recursos em cauções para o erário público, naquilo que os do costume chamam divertimentos… O Estado a que chegámos é cada vez mais um Estado Novo que afinal é Velho. Quer, pelo decretino, rever a história e, enredado na literatura de justificação, junta salazarismo e estalinismo, sem reparar que só é novo aquilo que se esqueceu, que só é moda aquilo que passa de moda. Tem a cara dos governadores civis, vive das posses e das eméritas medalhas de homenagem… Há salazarentos que odeiam Salazar só porque ele era mais inteligente e mais honrado do que muitos dos ministros de tal regime. Infelizmente, até hoje só conheci, entre os insignes ficantes do dito, patifes inteligentes, honrados burrinhos e emproados de província, com gravata e restos de brilhantina, todos cheios de rebentos da ultra-esquerda, chamando fascistas aos dissidentes face ao obediencialismo, só porque conseguiram enrodilhar os situacionismos posteriores e odeiam as lealdades básicas que seguem as ideias de obra ou de empresa…