Quando o situacionismo se enreda nas teias dos chamados tiques autoritários

Quando o situacionismo se enreda nas teias dos chamados tiques autoritários é natural que reaja alguma esquizofrenia oposicionista que acaba por cair na espiral da teoria da conspiração, onde não tardará que direitistas queiram comer comunistas ao pequeno-almoço, antes que os comunistas ameacem partir os dentes à reacção, para que bispos temam conspirações carbonárias, inquisidores continuem a caçar bruxas e advogados passem de arrazoadores de boas causas a argumentistas de subfilmes policiais da série Intendente. Não faltarão explicações de espiões desempregados sobre hidras congreganistas e anticongreganistas, onde só há mafiosos, pedófilos, cabalas e papos cheios de maçons, opus dei, patrões capitalistas de faca na liga, agentes de potências estrangeiras, judeus, estrangeiros, fascistas e comunas. É natural que esta demagogia extremista, à esquerda e à direita, leve à inevitável quebra de confiança pública, só porque o poder estabelecido entrou em desnorte, porque lhe tocaram num qualquer calcanhar de Aquiles. Assim, o feitiço voltou-se agora contra o feiticeiro e os que atiraram pedradas contra as paredes de vidro, chegaram a casa e acharam as suas janelas quebradas. Por outras palavras, os perturbadores das águas pantanosas desta economia privada, que não é economia de mercado mas oceano de tabus, e deste estadão de origens absolutistas, que não assente numa cultura de Estado de Direito, abriram profundas fissuras na caixa negra de um sistema que entrou em disfunção.

Comments are closed.