Canalhocracia. Bonzos. Endireitas. Canhotos. I República

Hoje, sem novas significativas vindas de Marienfeld e com pouco mais de uma centena de GNRs pacificando Timor, segundo um duplo espectáculo televisivo que criou, nos dois lugares, a ilusão do veni, vidi, vinci que antes de o ser já o era, prefiro assinalar duas efemérides: o desembarque na Normandia do dia D, no ano de 1944, e a circunstância de D. Pedro V, no ano de 1856, ter chamado a oposição a governar, instaurando o pluralismo na monarquia liberal, numa atitude semelhante à que o povo provocou em 1979, com a vitória da oposição de direita, coisa que não aconteceu com a I República, pois a primeira vez que os oposicionistas venceram umas eleições, em 1921, logo se promoveu o assassinato de António Granjo, o jovem e talentoso líder de um governo liberal anti-afonsista, que se opunha aos bonzos do situacionismo.  Aproveitando a deixa, não posso deixar de citar um mail recebido que Pedro Valente que, depois de uma interessante conversa que mantivemos, descobriu uma citação de Rodrigues Sampaio, na altura Vice-Presidente da Câmara dos Senhores Deputados: porque eu quasi que me chego a assustar de que acabe o deficit entre nós, com medo de que, acabando elle, acabe o systema parlamentar!”. In Acta da sessão da Câmara dos Senhores Deputados, de 10 de Junho de 1867, p.1874.  Como o Dr. Pedro Valente me confessa, demorei um bocadinho a confirmar a citação e a fonte porque se trata de um período em que as actas parlamentares foram publicadas no Diário de Lisboa e não estão ainda completamente digitalizadas. Porque tal frase precede em mais de meio século a linha, mais conhecida, de Armindo Monteiro: “A história do deficit é a história das finanças portuguesas”. Com efeito, este último tem a capacidade de resumir, em cinco palavras, o debate em redor das finanças públicas portuguesas. Mas a citação de Rodrigues Sampaio tem uma força profética fabulosa.

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