Mar 02

Entrevista a O Diabo

Mais uma peça que não se inclui na campanha branca que visa a cavaquização do PS

 

 

 

Para os devidos efeitos, ao ver uma pequena parangona da minha autoria no “Meia Hora”, junto a entrevista dada, em discurso oral directo, a Ana Clara e ontem divulgada. Também em tom de registo, acrescento a minha intervenção, sexta-feira, na SIC, que o meu filho Francisco me mandou de Delaware. Estou a preparar-me para uma conferência sobre a corrupção que, amanhã, quinta-feira, pelas 19 horas, proferirei no ISCTE.

 

O DIABO — Qual é a radiografia que traça actualmente do País?

 

ADELINO MALTEZ — Acredito que o Mundo está melhor e, por isso, acredito que Portugal também melhorou. Só que uma coisa são as altas expectativas que nos deram e, outra, é o falhanço dessas expectativas. E, nesse aspecto, o Governo de Sócrates, que era de facto uma novidade — já que tínhamos experimentado a maioria absoluta de Cavaco mas ainda não tínhamos tido uma maioria absoluta do PS — acabou por falhar redondamente a sua própria boa intenção.

 

Qual era a boa intenção e onde é que o Governo falhou?

 

A boa intenção era o Fórum «Novas Fronteiras», com a ideia de que o PS representava o Bloco Central sem necessidade de coligação. E até era um Bloco Central alargado porque tinha como ministro dos Negócios Estrangeiros o fundador do CDS (Freitas do Amaral). Lembro-me do primeiro elogio de do Prof. Freitas do Amaral, enquanto ministro, dizendo que este era o Governo que tinha mais catedráticos na História de Portugal… Só que esta intenção que Sócrates tentou concretizar — e depois da eleição de Cavaco Silva para Belém o estado de graça até parecia reforçar-se com uma cooperação institucional de grande qualidade — acabou por passar, tal como passou o tempo das vacas gordas e entramos, agora, no realismo das vacas magras. Ainda por cima com uma crise internacional deste gabarito.

 

Mas antes da crise havia o discurso do ímpeto reformista do Governo.

 

Mas isso foi o discurso de justificação de poder.

 

Mas todos esses anúncios não passaram de intenções cosméticas ou, de facto, houve reformas de fundo?

 

Havia ali boas intenções de que o Inferno e a política estão cheios. E podemos ir a casos concretos.

 

 

 

«Reforma do Estado foi um falhanço»

 

 

 

Tais como?

 

 

 

Podemos ir à bandeira da reforma do Estado, que foi um falhanço completo porque era uma espécie de fotocópia abstracta que servia para tudo. A única reforma que começou por resultar foi, de certo modo, o controle do défice mas, com a crise, ficou uma espécie de amargo de cinto apertado. Porque a crise, além de ser uma crise global, foi um revelador da crise interna, que andava escondida pelo discurso demagógico e pela engenharia dos subsídios europeus. Aí está o exemplo de uma reforma completamente falhada — o caso do PRACE — e de uma reforma que começou a resultar mas que se perdeu porque «tudo o vento da crise global levou». E voltamos aquilo que sempre fomos, de uma fragilidade estrutural enorme.

 

E que está à vista.

 

Sim, a crise foi, sobretudo, no nosso caso, — até porque não tínhamos lixo tóxico nem tínhamos crise de «subprime» — um revelador ou sismógrafo que registou aquilo  que já cá estava dentro e ela ainda não foi torneada pelo voluntarismo das boas intenções de Sócrates. Dou outro exemplo. O Tratado de Lisboa.

 

 

 

O Tratado de Lisboa, com esta crise, está desactualizado?

 

 

 

Não, o europeísmo do Primeiro-Ministro é que está com falta de crença porque, para tão altos desígnios da sua política internacional, ele preferiu ir fazer um discurso de palanque para o Congresso do PS e não ir à Cimeira Europeia do passado fim-de-semana. Tirando a ironia, o que está em cima da mesa de gravíssimo, no plano da política europeia, é que houve previamente uma pré-Cimeira ou uma falsa Cimeira, a dos membros da União Europeia em que participam no chamados G20.

 

 

 

Falsa porquê?

 

 

 

Porque a formal e institucional Cimeira esteve totalmente condicionada pela meia dúzia de membros da UE que fazem parte do grupo dos mais ricos do mundo, os que têm mais de 90% do produto planetário (França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Holanda e Espanha). Regressaram claramente à Europa do Congresso de Viena de 1815. E dividiram os membros da UE nas grandes potências do dinheiro, as que são os membros do G20, e os Estados secundários, os que vão a reboque das grandes potências. Ou seja, voltámos claramente à hierarquia das potências,  sem qualquer espécie de vergonha. Isto é a negação total do sonho do projecto europeu e da lei constitucional mínima da fundação da Europa que está a ser rasgada pelas grandes. Isto é dramático e Sócrates não tem culpa disso.

 

 

 

 

 

Que consequências resultarão daí?

 

Esta reunião que Ângela Merkel convocou, condicionou totalmente a Cimeira Europeia em que os outros foram lá para se submeterem aos ditames dos grandes da Europa: dos Berlusconis’s, dos Sarkozy’s e dos Gordon Brown’s…onde outro é o “porreiro, pá!”

 

 

 

 

 

A resposta internacional para esta crise acaba por cair em saco roto?

 

 

 

Não digo que caia em saco roto porque o saco dos G20 não anda roto, anda sempre a roubar. Cai é na impotência de países com a nossa dimensão que, neste momento, fazem o discurso mais mentiroso da política — que é o que faz o Eng.º José Sócrates e grande parte da Oposição.

 

 

 

E que discurso é esse?

 

É dizer que o Estado é necessário. Mas eu pergunto: qual Estado? O Estado do Marquês de Pombal? O do Fontes Pereira de Melo? O do Salazar? Nenhum deles já existe.

 

 

 

E que Estado existe então em Portugal?

 

É o Estado da Quimonda. Qual é o Estado que diz que tem milhões para dar à Quimonda mas depois vem o discurso da culpa ser dos alemães, que não deram nada e estragaram tudo. O que precisamos, neste sistema de relações económicas e financeiras globais, é de um Estado. Não o velho Estado nacional mas um reforço das regras globais e das regras da União Europeia. Neste momento o que nos faz falta é um Estado europeu, não copiando o velho modelo dos Estados nacionais, mas com uma intervenção de regras para pôr na ordem este capitalismo internacional desregrado que nos destruiu. Precisávamos de uma Organização Mundial do Comércio, como precisávamos de formas de controlo do comércio justo a nível mundial e europeu. Neste momento a principal razão da crise que vivemos não é José Sócrates é, sobretudo, o vazio da Europa, o que é contrário aos princípios fundamentais que deram origem a este belo esforço com a UE. Nesse aspecto continuo perfeitamente europeísta e adepto daquilo que é a necessidade de regrar este sistema internacional. O capitalismo liberal é o único, até agora, que cumpriu regras e tem condições para ultrapassar a crise, não é o regresso aos proteccionismos e mercantilismos estadualistas que agravarão o problema. O problema é global e só poder ter uma resposta de instauração de um político global e europeu, de um Estado-anti-estado que assuma formas de república universal ou de um Estado de Direito universal, de uma instância a que os médios e pequenos Estados possam recorrer contra os abusos das grandes potências. O que nos falta é a existência de uma certa supraestadualidade quer europeia, quer global.

 

 

 

Que consequências é que esta injecção de capital dos Estados nos mercados financeiros vai provocar no futuro?

 

 

 

Os velhos Estados nacionais são pequenos demais para este grande problema da crise. Nem os EUA, de forma isolacionista, têm suficiente força, porque só uma federação global de boas vontades a nível de um político mundial é que é capaz de enfrentar os grandes problemas do nosso tempo. Porque até os grandes Estados são pequenos demais perante esta crise. Como dizia Daniel Bell. O problema é que os velhos Estados mantêm o reflexo condicionado para serem grandes demais para os problemas pequenos do quotidiano. É o que está a acontecer com José Sócrates.

 

 

 

«A força banco-burocrática»

 

 

 

Em que aspecto?

 

 

 

Se Sócrates não tem força para resolver a Quimonda, eis que, curiosamente, quando o Estado demonstra a sua impotência para a crise global logo começa a ser grande demais para os pequenos problemas do quotidiano não libertando a sociedade civil. Crescem os sinais de exibição de autoritarismo do aparelho de poder e não há um esforço de melhor Estado e mais sociedade, mantendo-se a asfixia da autonomia da sociedade civil. Veja-se como, neste século XXI, ainda continua verdadeira a precaução que Antero de Quental tinha contra a força banco-burocrática — é isto que manda em Portugal. Veja-se como ainda mantemos um centralismo capitaleirista, como ainda se mantém algum imobilismo das forças da inércia do “estado a que chegámos”. Sócrates é o principal conservador do que está. Apesar de ser socialista e dizer que defende o progresso ele é conservador do estado a que chegámos.

 

 

 

E em ano de eleições, Sócrates está refém deste estado de coisas e da crise?

 

 

 

Acho que ele próprio, ao não alterar estas regras da inércia que nos costumam imobilizar, percebeu que nós vivemos numa crise moral porque a única moral que impera é, como alguém dizia, a moral do «sapateiro de Braga», a do “ou há moralidade, ou comem todos”. Vivemos naquilo a que se chamava na I República a ditadura da incompetência. Isto é, perdemos o impulso daquilo que foi uma jovem democracia que nos fez regenerar e a criatividade do que chamávamos o Estado de Direito democrático. No fundo,  a chamada racionalidade normativa da política. Estamos a assistir a uma espécie de suspensão da política e a um regresso a formas de legitimidade pré-políticas, como são as legitimidades do patrimonialismo neofeudal. Isto é, acaba-se a política — que é a praça pública, com regras — e voltamos à «casa». E a casa — «domus» em romano — tinha um chefe, o “dominus”, de onde veio o nosso “dono”. E o que está a acontecer é uma espécie de regresso dos velhos donos do poder que se adaptaram às manhas de 30 anos de democracia e estão a tentar usurpar a democracia voltando a mostrar o poder nu e cru das forças vivas. Neste momento são eles que dominam, por exemplo, esta subsidiocracia desta engenharia dos subsídios, eles próprios até já têm os seres que costumam aparecer em épocas de decadência que são aquilo que Gilberto Freire chamava os intelectuários — uma síntese de intelectuais com serventuários e que montaram uma rede neofeudal que quase destrói a política. Veja-se o que está a ser revelado por estas crises de três bancos que mostraram a face oculta dos efectivos atentados à legitimidade racional normativa do Estado de Direito.

 

 

 

Vivemos numa espécie de centralismo democrático?

 

 

 

Não, não vivemos em centralismo democrático. Nós estamos neste momento a denunciar esta situação. E a liberdade de expressão, se não for condicionada por processos disciplinares e directivas do senhor director ou do senhor presidente, está em dialéctica. Isto é uma democracia que tem que ouvir as verdades.

 

 

 

Mas às vezes não gosta de as ouvir.

 

 

 

Mas tem de as ouvir. Há um momento da História de Portugal muito parecido com este que foi o «fontismo». Não eram auto-estradas mas eram caminhos-de-ferro. E o «fontismo», perdido o impulso regenerador inicial, acabou por nos conduzir à bancarrota.

 

 

 

Corremos o risco de caminhar para a bancarrota?

 

Corremos.

 

 

 

Mesmo na União Europeia.

 

 

 

Claro. Basta ver as análises de João Salgueiro ou de Medina Carreira, cada um no seu estilo, que êm feito as contas e têm demonstrado o que é este endividamento externo. E quanto mais endividados estamos, mais novos-ricos aparecem. E estes são os chamados devoristas. E o povo às vezes gosta dos devoristas.

 

 

 

Há forças sociais capazes de travar esta tendência que vivemos?

 

 

 

A Pátria vai resistir. As nossas decadências costumam ser longas. Mas o País acaba sempre por se regenerar, de deitar fora o que está podre e de voltar a ter a seiva da árvore da Pátria. Mas para isso é preciso trabalhar. E o grande problema, muitas vezes da política, é que nós vamos para a solução mais fácil, que é o imediatismo. Não gostamos do que temos e votamos no mal menor.

 

O que está em causa é que entre o que está e as alternativas que nos oferecem há muita semelhança. Sócrates, por exemplo, é da mesma cepa que Santana e Portas.

 

 

 

E é da mesma cepa que Manuela Ferreira Leite?

 

 

 

Não. Quando ela falar podemos fazer mais comparações mas o silêncio dela custa a quebrar. Temos aqui um problema de regeneração global não é apenas tirar este e pôr aquele.

 

 

 

E esse problema de regeneração ainda não será resolvido nestas legislativas?

 

 

 

Não acredito porque com o crescendo da corrupção, pelo menos, da percepção da corrupção, com o aumento do indiferentismo e com a crise internacional da geo-finança, continuo a não entender porque é que as instituições políticas portuguesas, sobretudo, o Parlamento, o Governo e os tribunais não batem à porta do Palácio de Belém e não fazem uma espécie de novo Pacto Social contra a corrupção e o indiferentismo.

 

 

 

Uma espécie de União Nacional.

 

 

 

Não. Pergunto se os partidos não têm o bom senso de pedir ao Presidente da República para que todos se libertem dos seus principais inimigos.

 

 

 

Que são?

 

 

 

O principal inimigo dos actuais partidos é a corrupção. Porque a maior parte dos dirigentes partidários portugueses são pessoas que são capazes de dizer o mesmo que eu e vivem arredados numa imagem terrível. Vamos supor que Sócrates não tem nada a ver com estas trapalhadas que insinuam que ele faz parte (caso Freeport). Aconteceu-lhe a ele o que pode acontecer a todos os líderes partidários se não perceberem os movimentos profundos desta opinião pública e não recuperarem o povo para a democracia. De outra maneira criamos uma democracia eventualmente sem povo. As eleições, neste ambiente, poderão conduzir a uma maioria relativa, provavelmente do PS, ou do PSD, se Manuela Ferreira Leite, depois deste caminho pela verdade e pela província, recuperar a imagem. Mas qualquer um deles é demasiado fraco para resolver os grandes problemas que temos neste momento. Acho que esta crise aponta para um governo de emergência nacional com um prazo curtíssimo para criarmos o tal Pacto Social. E não excluo neste Governo, para não reeditarmos o bloco central, o CDS e o PCP.

 

 

 

«A crise exige uma atitude de coragem»

 

 

 

Mas isso será difícil de acontecer?

 

 

 

Dificílimo mas a crise exige uma atitude de coragem, com os partidos e o PR, em conjunto.

 

 

 

Voltando a Manuela Ferreira Leite. Como acha que os portugueses olham para ela?

 

 

 

Não sei. Vamos a ver o que vai dar o investimento que ela está a fazer num conjunto de perspectivas contrárias às medidas que o Governo tomou e, aí, ela tem sido de alguma coerência. Num ano tão quente como este, não a vejo a atingir a maioria absoluta. Coloco a hipótese de maioria relativa tanto para o PS como para o PSD. E logicamente com Manuela Ferreira Leite. Não está excluído esse cenário. A líder do PSD não é uma amadora destas coisas. Mas acho que há aí muita propaganda que a quer matar antes de ela ir a terreno. Se o Primeiro-Ministro aceitasse um debate na televisão, corajoso, com a líder da Oposição, como ela propôs, acho que seria interessante.

 

 

 

E o que vai na cabeça do Presidente?

 

 

 

O grande livro do Presidente é um livro de planeamentismo  sobre política orçamental. Ele explanou todo o seu pensamento e é muito coerente consigo mesmo. Mas o programa que ele apresentou para Belém foi ultrapassado também pelas circunstâncias.

 

 

 

O que seria bom para o País depois destes três actos eleitorais que estão à porta?

 

 

 

Já disse que seria bom uma coligação pós-eleitoral ou alargada e mobilizadora da opinião pública. Qualquer vitória absoluta de um partido conduz a uma espiral de decadência sem estado de graça minimamente viável. É isso que algumas democracias, mais fortes e mais ricas que a nossa, fizeram. Portugal não está para Berlusconis’s. Qualquer solução à «Berlusconi», em Portugal, seria uma solução desastrosa.

Mar 02

As vitórias da direita liberal na Galiza e no País Basco

Acompanhei, com alguma solidariedade peninsular, as votações da Galiza e do País Basco, essas nações sem Estado da nossa irmandade ibérica e sem as quais não é possível o sonhado iberismo federativo que passe por Guernica, Santiago, Barcelona e Lisboa em pé de igualdade, conforme o sonho de Antero que continuo a subscrever, mas sem dinastias aqui impostas pela balança da Europa. Apenas reparei que, a Norte do Minho, entraram em contraciclo face às decisões do Congresso de Espinho. Viraram todos para a direita liberal e para o nacionalismo, atirando um adequado sapato ao Zapatero.

 

Sinto-me particularmente irmão dos nacionalistas bascos democráticos, de quem sou particularmente amigo, especialmente quando era militante e dirigente partidário, nos tempos de Lucas Pires, e andava em descoberta por esses povos da Europa parecidos connosco, como também eram os nacionalistas da direita democrática irlandesa. Mas nesta Primavera, reforcei as alianças afectivas, quando participei, nos Açores, na comunhão das autonomias europeias, de cujo grupo tenho a honra de fazer parte. Julgo que, se nos libertarmos da visão paroquial da Europa, onde caiu o PS, mesmo quando se veste com a pronúncia do Norte do ministro Teixeira, bem poderíamos usar as boas autonomias portuguesas dos Açores e da Madeira, para não ficarmos do lado errado da história.

 

O pior que podemos copiar nalguns galegos está em fraguizarmos o nosso discurso regionalista, como poderá acontecer com o PS, o principal responsável pelos nossos últimos resultados pelo falhanço do referendo sobre a regionalização, lado a lado com Alberto João Jardim que, não nos esqueçamos, mandou votar contra a mesma regionalização. Como se o objectivo fosse meramente partidocrático. Por mim, até votaria no PCP se ele fosse autenticamente pela destruição do centraleirismo, deste Estado a que chegámos, herdado do Marquês de Pombal, de Fontes Pereira de Melo, de Afonso Costa, de Salazar, de Mário Soares e de Cavaco Silva. Sim, continuo da direita, liberal, regionalista e até federalista, por dentro do Estado e ao lado e acima do Estado. E, como europeísta pouco bruxelense, não posso deixar de defender um nível de federalismo a nível da penínsual, não através de um acordo bilateral entre a República Portuguesa de Lisboa e o Estado espanhol de Madrid, mas antes pelo refazer das alianças pré-estadualistas desta nossa casa comum.

 

É por esta e outras crenças que não tenho lugar na política militante portuguesa, porque não há lugar onde possa defender as minhas concepções do mundo e da vida. Onde para a direita a que chegámos há uns pretensos sábios que a atiram para a defesa de arcaísmos, do estadualismo e da sacristia, escorregando nas cascas de banana que a esquerda situacionista lhe lança, desde o centralismo capitaleiro ao conservadorismo imobilista. Como se não houvesse um capitalismo assente num liberalismo ético e uma forma de reinvenção do político que volte ao localismo, ao regionalismo e ao federalismo, pelo sonho de uma república maior que a dos Estados fixados pelo soberanismo e pelo absolutismo. Esquecem-se, pelo menos, que Portugal só foi grande quando recuperou o sonho do Infante D. Pedro e dos juristas da Restauração, recuperados pelo vintismo e pelo antinapoleónico, contra esse usurpador que Jaime Gama invocou no Congresso de Espinho, sem ser por acaso, esquecido de quem nos quis mandar a todos para o Maneta, mas ainda aquecido pela recente e novamamente azarada viagem à Guiné-Bissau, onde, ontem, voltaram aos magnicídios, onde se foi o chefe de estado-maior e eventualmente outro mais alto, conforme recente telegrama da agência francesa, mas ainda não confirmado…

 

Coitados! Nem sequer são capazes de compreender os impulsos profundos do socialismo oitocentista, recuperados por Vitorino Magalhães Godinho, esse que era do socialismo democrático antes de Mário Soares, o qual, logo no segundo pós-guerra, ainda andava longe das sementes de União Socialista e de Partido Trabalhista, preferindo o estalinismo do PCP cunhalista, conforme gostava de recordar o velho Raul Rego, quando Mário caía na esparrela de voltar aos fulgores demagógicos dos vinte anos e era obrigado a reler as palavras que lhe dirigiu Norton de Matos, por causa da campanha eleitoral presidencial …

Mar 01

Sócrates com energia vital…

Sócrates lá conseguiu vencer as ondas revoltas do espinhoso mar da porta estreita e apresentou uma magnífica coligação do PS com o blogue “Causa Nossa”. Respirei de alívio. Achava insuportável que a democracia atingisse o paradoxo de, em vez de Vital Moreira, meu antigo professor,  elevar a cabeça de lista do PS o paradigma um qualquer adesivo ou vira-casacas. Vital Moreira, com quem nunca coincidi em crenças e concepções do mundo e da vida, tem a grande vantagem de viver como pensa e de ter saído em defesa deste modelo socrático, no dia a dia do combate de ideias, revelando uma coerência, uma pertinência e uma inteligência que todos os adversários respeitam. Eu, pelo menos, até um dia fiquei aliviado, quando ele saiu da nebulosa da legalidade revolucionária do cunhalismo e veio usar as armas da inteligência e da emoção ao serviço do pluralismo democrático e da sociedade aberta, com sincero arrependimento. Julgo que, hoje, Vital deixaria que, nos primeiros artigos da constituição, aparecesse a palavra comunidade, não a considerando incompatível com a luta de classes, como podemos ler, com alguma curiosidade de bisbilhotice historicista, nos diários da Assembleia Constituinte…

 

É evidente que continuo a não estar com ele, preferindo subscrever as palavras do Professor Vitorino Magalhães Godinho, as impertinências de António Barreto, as críticas de Medina Carreira ou a resistência de Manuel Alegre. Mas julgo bem mais estimulante que o situacionismo socrático chame para a trincheira um dos melhores de Portugal, em pensamentos, palavras e actos. Pelo menos, tenho agora a certeza que o socratismo vai responder, vai argumentar e vai enriquecer a racionalidade da democracia, embora muito dificilmente possa receber o meu voto, não por alergia ao PS, porque já noutras alturas votei nesse partido, de acordo com a lógica de “do mal, o menos”, em que algumas vezes caí e que talvez venha a repetir no próximo acto eleitoral, mas com a cruzinha noutro lugar.

 

Lá do outro lado da vida, Álvaro Cunhal vai notando como a respectiva sementeira frutificou, entre Ilda Figueiredo, ainda no PCP, Vital Moreira, no PS, Miguel Portas, no Bloco de Esquerda, Zita Seabra, no PPD, e Celeste Cardona, no CDS (uma piada real que ouvi do Daniel Oliveira). Mas os membos da redacção de “O Grito do Povo” e os militantes do ex-MRPP estão também em boa posição para a disputa, desde Durão Barroso, nas alturas de Bruxelas, a Ana Gomes, assessorando Vital Moreira, passando por muitos outros que enxameiam todos os pequenos, médios e grandes partidos da direita e da esquerda, bem como as direcções e redacções dos jornais e televisões, desde os defensores do pundonor de Sócrates, aos que este acusa de campanhas e manipulações, para que venham os magistrados investigar e julgar, onde também alguns dos mais mediáticos passaram pelo frenesim da doença infantil do esquerdismo.

 

Portugal é, definitivamente, o país mais à esquerda da Europa e do Ocidente, o mais socialista e o mais anti-liberal e anti-conservador. E talvez por causa dessa fuga ao real, entre utopias e ideologias, é que somos também o mais pobre e o mais injusto, porque abundam as medidas do liberalismo a retalho, com governos de esquerda com mentalidade de direita, onde os preconceitos de esquerda inventam a direita que lhes convém, pintando-a de fantasmas e onde ninguém de direita se assume como de direita.  Com efeito, porque a direita e a esquerda não são posições ontológicas, ideologicamente detectáveis, mas meras posições relativas, acontece sempre que as acções dos homens acabam por não corresponder às respectivas intenções. Diogo Freitas do Amaral que, no início da democracia, queria estar rigorosamente ao centro, acabou por ser o máximo de direita permitido pelo arco constitucional estabelecido pelos Pactos entre o MFA e os partidos. E Sócrates, de quem o primeiro acabou por ser ministro, corre o risco de dizendo-se de esquerda, estar, agora, no tal rigorosamente ao centro, podendo ser lançado pelo povo para a direita que ele detesta.

 

Mas Salazar, que nunca disse que era de direita, que nunca foi de esquerda, apenas assumindo-se como do centro, acabou por exterminar a direita e a esquerda, procurando monopolizar o todo, malhando à esquerda e à direita. Também Estaline foi purgando os desviacionismos de esquerda e de direita.  Porque ambos não queriam aparecer e parecer partidos, isto é, como simples partes, simples perspectivas, lugares que circulam à volta e à procura da verdade, mas sem nunca a decretarem como total. Por outras palavras, em democracia pluralista, a direita e a esquerda acontecem pela actuação dos homens livres, porque não é a história que faz o homem, mas o homem que faz a história, mas sem saber que história vai fazendo.

 

Eu, por exemplo, que, para malhar no pensamento dominante da esquerda a que chegámos, me gosto de dizer de direita e, ainda por cima, liberal, conforme as autodefinições que carreei aqui para a coluna de direita deste blogue e às quais procuro ser fiel. Mas como um direitista liberal, aqui e agora, sou capaz de assumir algumas posições bem mais à esquerda do que a maioria dos situacionistas deste socratismo. Aliás, fiquei descansado, quando, por estes dias, vi activíssimo, no Congresso do PS em Espinho, um companheiro de concepções do mundo e da vida, com quem comungo muitos dos subsolos filosóficos que me marcam. Ambos fomos, há poucos anos, dos principais escrevinhadores do programa de um projecto de partido que falhou. Embora eu não tenha ido, como ele e alguns outros companheiros dessa estrada, para o PS, permanecendo fiel a algumas das ideias centrais da Internacional Liberal, a cujo congresso senegalês fomos os dois, nem por isso deixo de reconhecer o essencial dessa comunhão de valores. Gostei de te ver em regresso ao sítio onde nasceste, amigo! Força!

 

PS: Espreitei a verrina de Professor Marcelo. Chamou ao “blogue” qualquer coisa como “nosa nostra”, reconheceu que obrigou Vital a uma segunda retirada, quando assinou com Guterres um alteração revisora da constituição e desejou que o cabeça de lista do PS concluísse a agregação. Ao contrário das primeiras leituras, apenas saliento como certos agregados desleixados da endogamia se deveriam envergonhar, seguindo o exemplo de Vital. Este, ao menosa, respeita a carreira e o “cursus honorum”, embora seja bem melhor do que muitos catedráticos que por aí andam, a começar por mim, que, por experiência própria, de seu aluno, o posso reconhecer publicamente, com toda a charanga da justiça.

Fev 28

O poder corrompe, o poder enlouquece, o poder à solta corrompe absolutamente e enlouquece absolutamente

O estado febril da sociedade tem-se agravado, apesar do campeonato das parangonas e no dia em que vai abrir uma televisão sensacionalista nos domínios da informação. Com a polícia de segurança armada em polícia de costumes, eis o belo estado de suprema hipocrisia a que chegámos. Não tanto pelo erro dos guardas quanto, sobretudo, pelo cala-te boca das ministerais figuras das pastas do interior e da cultura, talvez para não ficarem associadas a mais uma das anedotas do clássico policiesco da velha senhora que, ao contrário desta, gerava decretos com força de lei que admitiam o tique da devassa de Pina Manique. Apenas resta reconhecer a esquizofrenia deste Estado megalómano, que é grande demais para os pequenos problemas do quotidiano, onde um cabo de esquadra actua como se fosse, na rua da cidade, o “oikos despote” lá de seu lar ainda não sujeito à APAV. Um Estado com essa mania das grandezas que, contudo, é pequeno demais para a crise que nos envolve, sentindo-se plenamente impotente para os concretos desafios do nosso tempo. A desinstitucionalização em curso faz com que regressem os tradicionais compadres e comadres do país da classe político-jornalística, bancocurocrática, capitaleira e castífera, com muitos anjos, antes da queda, procurando tacho entre os capatazes e os feitores dos ricos. É natural que, a muitos, apetecesse o regresso ao regime das velhas medidas de segurança daquele Estado de Legalidade dobate primeiro, protesta depois. Dessa máquina trituradora de opositores, adversários e dissidentes, em nome dos superiores interesses da Razão de Estado, concentrando os monopólios da avaliação, da classificação de serviço, da definição técnica, da inquirição e do procedimento disciplinar. Porque os interesses profundos da pátria têm mais que fazer do que preocuparem-se com a mercearia dos direitos, liberdades e garantias. Aliás, os polícias, voltados sobre si mesmos, tal como muitos outros presidentes e directores, incluindo os que ainda restam como gerais ou regionais, voltados sobre o próprio umbigo aparelhístico, dirão, em desabafo íntimo, que esta não é a sua polícia, porque ainda não está adaptada ao grande programa informática do número único e do chip único. As cinzas regressam e enegrecem as campanhas, prosseguindo esta insensível derrocada do bom senso elevada ao ridículo, quando estão, sobretudo, a desabrochar as sementes daquela ditadura da incompetência que marca o fim da racionalidade normativa de uma legitimidade marcada pelas instituições da legalidade e da burocracia racionais, onde a competênciadeveria ser superior ao patrimonialismo da compra de poder e à lealdade neofeudal de outras legitimidades, desde a do sultão à do profeta, num tempo em que os heróis perderam o carisma e os reis já não são taumaturgos. É natural que, assim, a confiança pública saia manchada por estas sucessivas denúncias de compressão e condicionamento das liberdades de expressão de pensamento, dominadas pelo monopólio da palavra dos demiurgos. Eis as consequências da música celestial dos Praces e do ritmo de parecerística, “outsourcing”, subsidiocracia e desinstitucionalização, onde a única literatura de justificação do poder tem a ver com o cantarolar de uma abstracção importada, mas estranha à nossa índole, esses vermes de tecnocracia que inverteram a tradional autonomia dos grandes corpos do Estado.  Nem as próprias universidades escaparam a este processo, usando a decadência do multitudinário neofeudalizado pelos instalados, a que chamavam gestão democrática das escolas e autonomia universitária. Os velhos donos do podercorporativo já se adaptaram à nova farpela e acrescentaram, ao anterior ritmo do negócio universitário, que chegou quase a ser dominado pelos colaboradores de Veiga Simão no Maputo, transformados em reitores de província, uma eficaz entrada no recrutamento dos homens de sucesso, a que chamam sociedade civil, pedindo aos restos da vida empresarial e bancária que lancem os novos esquemas do neocorporativismo, não faltando os sempiternos desfazedores do boneco, os tais que aplicam a teoria da conspiração dos avós e netos para desfazerem todos os esquemas institucionais que mantaram criaturas institucionais que já não obedeciam aos pretensos criadores. O poder corrompe, o poder enlouquece, o poder à solta corrompe absolutamente e enlouquece absolutamente, especialmente num país que já não sabe rir nem sorrir, perdido numa federação de endogamias e de pequenos quintais autárquicos, onde a personalização do poder dos micro-autoritarismos sub-estatais decreta quem pode ser o dissidente ou o opositor, criando mecanismos regulamentares que lhe comprimam a cidadania ou o sujeitem à processualização típica da velha persiganga. É pena que a quantidade de energia que gastamos nestas falsas mudanças fiquem para sempre naquela zona do desperdício a que os analistas de sistemas chamam lixo.

Fev 27

Conversa de Sócrates para os seus benjamins botões

Qual cimeira, qual carapuça, aquilo não dá horas e horas de tempo de antena, como vai ser no meu congresso, ainda por cima, quando o PCP e os bloquistas marcaram eventos para concorrerem comigo e me roubarem palanques, como, aliás, eu fiz quando ocupei o horário no dia do congresso do CDS, ao fazer uma conferência de imprensa anunciando a moção de estratégia que me obriga a ter que receber mais de noventa por cento dos votos dos militantes do partido? Eles não sabem que as parangonas vão, as parangonas voltam e ai de mim se temesse o novo canal da TVI.

 

Claro que a cimeira da União Europeia não tem interresse nenhum. Ela é como a pescada,  a tal que antes de o ser já o era, pois os nossos colegas europeus, membros do G20, já prepararam tudo e, desta vez,  não recebi prévios telefonemas do Sarkó, da Bruni, ou do Durão, só o Zapatero é que comunicou comigo em basco, por causa do convite que dizem que fiz ao venezuelano, perguntando quando é que este pedaço da jangada de pedra vai iniciar a sua viagem à deriva em circum-navegação, como o Fernão que morreu assassinado à vista da costa das … Filipinas. Claro que esta Europa sempre foi aquilo que eu temi, uma chatice, com reuniões de muito inglês técnico, onde é bem melhor sermos representados pelo Amado, pelo Cravinho e pelo dos Santos, o Teixeira, não o Eduardo dos Santos nem o da Teixeira Duarte,  o tal que foi da CNVM e substituiu o Luís Campos e Cunha.

 

Vou mas é para junto da minha gente. Essa compreende-me, sei comunicar-lhe os sonhos, eles batem palmas, olham-me olhos nos olhos e mandam-me para a frente. Não, eu não sou como essa senhora que anda à procura da verdade, mas ainda não leu o Bernstein nem a Fenomenologia do Ser de Sartre, tal como aquele que disse que a “Utopia” era do Thomas Mann, o primo do Chopin que compôs alguns dos fados da Amália. Desta vou mesmo virar para os Canhotos, para evitar a sangria que me fizeram aqueles rapazes do Bloco de Esquerda, quando deixaram de ser o partido dos directores-gerais, como o António, o Guterres, ainda conseguiu ter a ilusão de fazer…

 

Eis o discurso imaginado com que Sócrates fala para os respectivos benjamins botões, porque já disse quase tudo ao “Meia Hora”: “Vai ser um exercício de palanque de José Sócrates. Uma

apoteose”. Porque  “todos os partidos transformam os congressos em tempo de antena”, mas no caso do PS – e numa altura em que o partido mais parece ser de ‘one man show’ – as duas moções que estarão em debate além da “Força da Mudança” de Sócrate “passam completamente para segundo plano”.

 

Já ontem tinha observado ao “Jornal de Negócios” que “o Estado é pequeno demais para resolver os problemas da crise. Mas vamos vendo um primeiro-ministro inundar o País com dinheiro que não tem, e a oposição a discutir a casca da árvore sem ver a floresta”. Assim, “os confrontos parlamentares parecem um debate entre comentadores e não entre forças políticas”. São “debates esquizofrénicos, para a demagogia e de pormenor”. Mas sem que a imagem do Parlamento seja “pior do que a imagem do Governo ou da Justiça”, dado que vivemos um problema de “infuncionalidade das instituições”.

Fev 26

O poder corrompe, o poder enlouquece, o poder à solta corrompe absolutamente e enlouquece absolutamente

O estado febril da sociedade tem-se agravado, apesar do campeonato das parangonas e no dia em que vai abrir uma televisão sensacionalista nos domínios da informação. Com a polícia de segurança armada em polícia de costumes, eis o belo estado de suprema hipocrisia a que chegámos. Não tanto pelo erro dos guardas quanto, sobretudo, pelo cala-te boca das ministerais figuras das pastas do interior e da cultura, talvez para não ficarem associadas a mais uma das anedotas do clássico policiesco da velha senhora que, ao contrário desta, gerava decretos com força de lei que admitiam o tique da devassa de Pina Manique. Apenas resta reconhecer a esquizofrenia deste Estado megalómano, que é grande demais para os pequenos problemas do quotidiano, onde um cabo de esquadra actua como se fosse, na rua da cidade, o “oikos despote” lá de seu lar ainda não sujeito à APAV. Um Estado com essa mania das grandezas que, contudo, é pequeno demais para a crise que nos envolve, sentindo-se plenamente impotente para os concretos desafios do nosso tempo.

 

A desinstitucionalização em curso faz com que regressem os tradicionais compadres e comadres do país da classe político-jornalística, bancocurocrática, capitaleira e castífera, com muitos anjos, antes da queda, procurando tacho entre os capatazes e os feitores dos ricos. É natural que, a muitos, apetecesse o regresso ao regime das velhas medidas de segurança daquele Estado de Legalidade do bate primeiro, protesta depois. Dessa máquina trituradora de opositores, adversários e dissidentes, em nome dos superiores interesses da Razão de Estado, concentrando os monopólios da avaliação, da classificação de serviço, da definição técnica, da inquirição e do procedimento disciplinar. Porque os interesses profundos da pátria têm mais que fazer do que preocuparem-se com a mercearia dos direitos, liberdades e garantias. Aliás, os polícias, voltados sobre si mesmos, tal como muitos outros presidentes e directores, incluindo os que ainda restam como gerais ou regionais, voltados sobre o próprio umbigo aparelhístico, dirão, em desabafo íntimo, que esta não é a sua polícia, porque ainda não está adaptada ao grande programa informática do número único e do chip único.

 

As cinzas regressam e enegrecem as campanhas, prosseguindo esta insensível derrocada do bom senso elevada ao ridículo, quando estão, sobretudo, a desabrochar as sementes daquela ditadura da incompetência que marca o fim da racionalidade normativa de uma legitimidade marcada pelas instituições da legalidade e da burocracia racionais, onde a competência deveria ser superior ao patrimonialismo da compra do poder e à lealdade neofeudal de outras legitimidades, desde a do sultão à do profeta, num tempo em que os heróis perderam o carisma e os reis já não são taumaturgos. É natural que, assim, a confiança pública saia manchada por estas sucessivas denúncias de compressão e condicionamento das liberdades de expressão de pensamento, dominadas pelo monopólio da palavra dos demiurgos.

 

Eis as consequências da música celestial dos Praces e do ritmo de parecerística, “outsourcing”, subsidiocracia e desinstitucionalização, onde a única literatura de justificação do poder tem a ver com o cantarolar de uma abstracção importada, mas estranha à nossa índole, esses vermes de tecnocracia que inverteram a tradional autonomia dos grandes corpos do Estado.

 

Nem as próprias universidades escaparam a este processo, usando a decadência do multitudinário neofeudalizado pelos instalados, a que chamavam gestão democrática das escolas e autonomia universitária. Os velhos donos do poder corporativo já se adaptaram à nova farpela e acrescentaram, ao anterior ritmo do negócio universitário, que chegou quase a ser dominado pelos colaboradores de Veiga Simão no Maputo, transformados em reitores de província, uma eficaz entrada no recrutamento dos homens de sucesso, a que chamam sociedade civil, pedindo aos restos da vida empresarial e bancária que lancem os novos esquemas do neocorporativismo, não faltando os sempiternos desfazedores do boneco, os tais que aplicam a teoria da conspiração dos avós e netos para desfazerem todos os esquemas institucionais que mantaram criaturas institucionais que já não obedeciam aos pretensos criadores.

 

O poder corrompe, o poder enlouquece, o poder à solta corrompe absolutamente e enlouquece absolutamente, especialmente num país que já não sabe rir nem sorrir, perdido numa federação de endogamias e de pequenos quintais autárquicos, onde a personalização do poder dos micro-autoritarismos sub-estatais decreta quem pode ser o dissidente ou o opositor, criando mecanismos regulamentares que lhe comprimam a cidadania ou o sujeitem à processualização típica da velha persiganga. É pena que a quantidade de energia que gastamos nestas falsas mudanças fiquem para sempre naquela zona do desperdício a que os analistas de sistemas chamam lixo.

Fev 25

Limões insinuantes e Europa amaralizada pela hierarquia das potências

Quarta-feira de cinzas, governo de Sócrates, pintura de Courbet em Braga, com conteúdo pornográfico, autocolantes que recobriam o “Magalhães” quase proibidos em Torres Vedras, Director-Geral de Educação do Norte, a do Charrua, dando muitas no cravo e outras tantas na ferradura… apenas aguardo artigo radical da Fernanda Câncio pondo na ordem esta desordem, de polícias e magistrados movidos por denunciações, para que o Rui Pereira, a Maria de Lurdes Rodrigues e o Alberto Costa continuem a assobiar o choque tecnológico das novíssimas fronteiras. Porque assim, o Freeport deixa as parangonas e ninguém parece disposto a pensar e discutir a destruição da Europa que alguns membros europeus do G20 levaram a cabo, preparando previamente as decisões que irão ser propostas às cimeiras da União Europeia e do mesmo G20. Porreiro, pá!

 

É por isso que apoio a atitude que o ministro dos negócios estrangeiros de Portugal, Luís Amado, ontem esboçou timidamente. Ai da Europa, se persistir esta lógica de Congresso de Viena, com as potências a comandarem um pelotão de médios e pequenos Estados, porque o realismo impõe que a crise internacional seja apenas superada pelos grande, os tais vinte que abocanharam mais de 90% do produto planetário! Somos todos iguais, as duas centenas de Estados membros da ONU, mas há alguns mais iguais do que outros, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Somos todos iguais nessa “animal farm” chamada União Europeia, mas há meia dúzia que vão às reuniões preparatórias do G20. Os outros,  que, sem ser por acaso, são a maioria, apenas são figuras secundárias nesta quinta dos animais com poder, onde os Estados se medem pela força da economia.

 

Os médios e pequenos Estados apenas servem para o teatro das cimeiras e para os espectáculos do Tratado do Mar da Palha, com muitos porreiros e muitos pás, de feitores e mestres de cerimónias. E, depois, os anti-europeístas somos nós, os que invocam a ideia de Europa dos pais-fundadores, os que continuam a estar contra este neofeudalismo de uma espécie de anarquia ordenada pelas potências directoras.

 

Vale-nos que Sócrates vai convidar Diogo, o Freitas, amaralíssimo, para encabeçar a lista dos socialistas e a seccção portuguesa do Partido Socialista Europeu. Consta que o mesmo corpo, de costas espatifadas por um problema de espinha, já foi presidente da União Europeia da Democracia-Cristã e, ainda há anos, invocava o privilégio de ser o único português que era sócio individual do Partido Popular Europeu, o tal rival do PSE, agora integrado pelo PSD e pelo CDS de Portas. Tenho a honra de nunca militar em qualquer partido que ele dirigiu. Num deles, entrei quando ele saiu e tratei logo de sair quando ele voltou para resolver um problema de dívidas de uma campanha presidencial.

 

Para portugueses atentos, este candidato a Talleyrand, é, aliás, igual a outros antecessores dele no Largo do Caldas, especialistas na filosofia da traição, como um deles foi qualificado categorialmente por Marcello Caetano. O tal que continua a ser considerado paradigma, por causa da constante conspiração de avós e netos, de que se vangloria. A hipótese que agora se coloca não desprestigia o PS, que já elevou o primeiro a ministro dos estrangeiros. Apenas liquida a direita a que chegámos, comprovando a ligeireza com que o PSE e o PPE tratam as secções nacionais portuguesas de tais multinacionais partidárias. Não passamos de terra de porreiros e pás, onde, nas elites, anundam candidatos a capatazes e feitores de um qualquer dono de poder alienígena.

 

Por isso, continuo a sorrir com a demagogia de soberanismo keynesiano que inunda o nosso discurso oficial face à crise. Até vi um ministro denunciar os alemães por causa da Qimonda, que cá o Estado do Zé estava disposto a abrir os cordões à bolsa do orçamento, como se o Estado do Marquês de Pombal, de Fontes Pereira de Melo, de Salazar ou de Cavaco Silva ainda existisse. Não passamos de potência secundária, com uma classe política que não sabe quem foi Febo Moniz e chama doidinhos a D. António Prior do Crato e ao Manuelinho. Há muitos candidatos a “ministros do reino por vontade estranha”. Eu continuo a ler Bandarra.

 

Por isso, há sempre uma directora-regional do norte, um denunciante da pornografia do Carnaval, ou uma polícia que apreende Courbet, repetindo as anedotas que contávamos sobre o autoritarismo salazarento. Como há outros tiques do micro-autoritarismo sub-estatal, enquanto os tais ministros lavam as mãos como Pilatos. Aliás, os crimes de corrupção começam a poder entrar na contabilidade dos corruptores, porque, conforme já foi provado na barra dos tribunais, se alguém tentar comprar alguém com duzentos mil pode ser apenas condenado a multa de uns meros cinco mil…

 

PS: Acabei de enviar uma denúncia à polícia sobre a exposição desta imagem da capa de um livrinho que continha um qualquer canto nono. Espero que o Ministério da Agricultura actue de imediato contra a insinuação de um tal Luís Vaz!

Fev 25

Limões insinuantes e Europa amaralizada pela hierarquia das potências

Ai da Europa, se persistir esta lógica de Congresso de Viena, com as potências a comandarem um pelotão de médios e pequenos Estados, porque o realismo impõe que a crise internacional seja apenas superada pelos grande, os tais vinte que abocanharam mais de 90% do produto planetário! Somos todos iguais, as duas centenas de Estados membros da ONU, mas há alguns mais iguais do que outros, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Somos todos iguais nessa “animal farm” chamada União Europeia, mas há meia dúzia que vão às reuniões preparatórias do G20. Os outros,  que, sem ser por acaso, são a maioria, apenas são figuras secundárias nesta quinta dos animais com poder, onde os Estados se medem pela força da economia. Os médios e pequenos Estados apenas servem para o teatro das cimeiras e para os espectáculos do Tratado do Mar da Palha, com muitos porreiros e muitos pás, de feitores e mestres de cerimónias. E, depois, os anti-europeístas somos nós, os que invocam a ideia de Europa dos pais-fundadores, os que continuam a estar contra este neofeudalismo de uma espécie de anarquia ordenada pelas potências directoras. Consta que o mesmo corpo, de costas espatifadas por um problema de espinha, já foi presidente da União Europeia da Democracia-Cristã e, ainda há anos, invocava o privilégio de ser o único português que era sócio individual do Partido Popular Europeu, o tal rival do PSE, agora integrado pelo PSD e pelo CDS de Portas. Tenho a honra de nunca militar em qualquer partido que ele dirigiu. Num deles, entrei quando ele saiu e tratei logo de sair quando ele voltou para resolver um problema de dívidas de uma campanha presidencial. Para portugueses atentos, este candidato a Talleyrand, é, aliás, igual a outros antecessores dele no Largo do Caldas, especialistas na filosofia da traição, como um deles foi qualificado categorialmente por Marcello Caetano. O tal que continua a ser considerado paradigma, por causa da constante conspiração de avós e netos, de que se vangloria. A hipótese que agora se coloca não desprestigia o PS, que já elevou o primeiro a ministro dos estrangeiros. Apenas liquida a direita a que chegámos, comprovando a ligeireza com que o PSE e o PPE tratam as secções nacionais portuguesas de tais multinacionais partidárias. Não passamos de terra de porreiros e pás, onde, nas elites, anundam candidatos a capatazes e feitores de um qualquer dono de poder alienígena. Por isso, continuo a sorrir com a demagogia de soberanismo Keynesiano que inunda o nosso discurso oficial face à crise. Até vi um ministro denunciar os alemães por causa da Qimonda, que cá o Estado do Zé estava disposto a abrir os cordões à bolsa do orçamento, como se o Estado do Marquês de Pombal, de Fontes Pereira de Melo, de Salazar ou de Cavaco Silva ainda existisse. Não passamos de potência secundária, com uma classe política que não sabe quem foi Febo Moniz e chama doidinhos a D. António Prior do Crato e ao Manuelinho. Há muitos candidatos a “ministros do reino por vontade estranha”. Eu continuo a ler Bandarra. Por isso, há sempre uma directora-regional do norte, um denunciante da pornografia do Carnaval, ou uma polícia que apreende Courbet, repetindo as anedotas que contávamos sobre o autoritarismo salazarento. Como há outros tiques do micro-autoritarismo sub-estatal, enquanto os tais ministros lavam as mãos como Pilatos. Aliás, os crimes de corrupção começam a poder entrar na contabilidade dos corruptores, porque, conforme já foi provado na barra dos tribunais, se alguém tentar comprar alguém com duzentos mil pode ser apenas condenado a multa de uns meros cinco mil…

Fev 19

Diz-me que inimigo escolhes e eu dir-te-ei quem és… ou as teorias da conspiração que são literatura de justificação

Confesso que sou céptico demais para me bastarem as explicações universais de alguma literatura de justificação, a que muitos dão o nome de teorias da conspiração. Vivo num aqui e agora de quatrocentos anos de inquisição, com persigangas, fogueiras, bufos e dissimulações, restauradas por sucessivas viradeiras, a última das quais se vestiu de salazarismo, soma de inquisidores de gabinete e sacristia com o policiesco torturador de Pina Manique, onde dezenas de milhares de moscas viviam da denúncia anónima, em nome da luta de invejas, a mesma que o PREC restaurou sob a forma de saneamentos, pedindo ao aparelho de poder para excluir da cidadania o vizinho, o colega ou o parente. Hoje, vestidos com a verniz da democracia, mudámos o aspecto do bufo e instrumentalizámos o aparelho de poder, sobretudo a nível da espionite e da processualização.

 

É evidente que acredito em conspirações e que posso identificar algumas do Portugal Contemporâneo. A de 24 de Agosto de 1820, promovida pelo Sinédrio. A da Maria da Fonte e da Patuleia que só frutificaram com a Regeneração de 1851. A de 1910, com base nos Jovens Turcos e na Carbonária. A do dezembrismo sidonista de 1917, com os subsídios do latifundiário alentejano do Partido Unionista, avô de um antigo deputado europeu da actualidade. A do 28 de Maio de 1926 que meteu um conspirador de 1910, acabando usurpada pela ditadura das finanças e das forças vivas. A do 25 de Abril de 1974 que foi mobilizada pelo movimento dos chamados capitães.

 

É evidente que, para cada conspiração triunfante, houve, em média, cerca de cinco conspirações falhadas por década. E que alguns desses movimentos levaram a magnicídios, transformando-nos num dos países do mundo que, no século XX, mais matou figuras cimeiras do Estado: o regicídio de 1908; o presidenticídio de 1918; a Noite Sangrenta de 1921; o assassinato do chefe da oposição, Delgado; o acidente/atentado de Camarate. Para não falarmos do envenenamento de D. João VI em 1826.

 

Em quase todos estes casos, sabemos quem matou, mas, no fim dos processos, nunca as polícias e os magistrados determinaram quem mandou matar. Por outras palavras, fica um vasto espaço para cada um elaborar a teoria da conspiração conveniente, sempre que as polícias e os tribunais se mostram impotentes para a descoberta da verdade. Podemos escolher o fantasma ou preconceito que melhor se adequa à nossa crença, atirando para cima de maçons, jesuítas, comunistas ou fascistas, ao estilo daquilo que se diz da morte de D. João VI em 1826, onde foi confirmado o enevenamento mais de um século depois. Os liberais dizem que foi o cozinheiro, miguelista; os reaccionários, que foi o médico, maçon e liberal. O resto é sinarquia, campanhas negras, cabala, hidras disto e daquilo, não faltando os que voltam a ler a conspiração dos sábios do Sião ou a manobra do capitalismo internacional.

 

Hoje, é Freeport, Casa Pia e Apito, o prefeito emérito da Congregação da Causa dos Santos, o grupo de pressão LGT e, sobretudo, o sindicato eterno do elogio mútuo. Fica a explicação conveniente para cada um: a campanha negra contra Sócrates; a cabala contra o PS; o anticomunismo primário; a doença infantil do esquerdismo; a antinação; os revisas; os fachos;  as pinoquídas dos jotas e dos jornais partidários; as denúncias da espionite pidesca com periscópio de fora. Por mim, só sei que nada sei. Mas que a hidra da corrupção leva a que o crime compense, não tenho dúvidas. Não acredito em teorias da conspiração, mas que as há, as há. O mundo da razão de Estado e da compra do poder continua a mover-se. E sorrio com estas volutas de uma crise mental. Diz-me que inimigo escolhes e eu dir-te-ei quem és…

 

PS: São recordações escritas de uma intervenção minha no Rádio Clube Português, ontem.

Fev 19

Contra o Leviathan soberanista, pela necessidade de um Estado de Direito Universal

Uma das mais curiosas teorias da conspiração tem a ver com a literatura de certo socialismo, verbalmente anticapitalista, quando reduz o respectivo sonho ao aumento quantitativo do intervencionismo estadualista, dos Estados a que chegámos, esses que são pequenos demais para os presentes grandes problemas do mundo, mas que continuam a ser grandes demais para asfixiarem a imaginação e a criatividade das pessoas concretas e das autonomias grupais que estas podem gerar pelo princípio da simpatia, teorizado por mestre Adam Smith. Nem sequer repara que o Estado e o Mercado são filhos da mesma encruzilhada teórica, essa alavanca da chamada modernidade que foi expressa pelo “Leviathan” de Thomas Hobbes, o filósofo que preparou a conquista do poder por uma burguesia que precisava de tal ideologia para romper com a anterior sacralização do poder, pondo numa mão o báculo e na outra, a espada, mas confundindo os dois braços no cacete do proibicionismo.

 

É evidente que, aqui e agora, mesmo em plena crise, eu continuo adepto do capitalismo e da ética demoliberal que lhe está na base, não encontrando nas palavras do cardeal D. Saraiva Martins a razão que leva o presente modelo de socialismo menos, no poder em Portugal, a assumir o essencial da herança antiliberal de Salazar, dessa economia privada de cunhas neofeudais, à espera do proteccionismo, que não quer uma real economia de mercado. Por outras palavras, continuo a subscrever Hayek e a querer denunciar a presente cedência ao caminho para a servidão, nomeadamente pelo regresso a formas de legitimidade anti-racionais-normativas, nomeadamente ao patrimonialismo dos donos do poder.

 

Só com melhor política e mais autonomia da sociedade e dos indivíduos é que poderemos superar a presente crise. Porque não foram os socialistas que venceram os desafios da velha questão social, que lançaram os fundamentos do “New Deal”, ou do “Welfare State”. Foram os neoliberais, os neo-democristãos e os neo-socialistas desses tempos dos pós-guerras que passaram, os tais que lançaram os modelos do capitalismo democrático que nos deu mais riqueza e mais justiça.

 

Só que não é o velho Estado soberanista de Hobbes, ou a macromonetarice de Keynes e Cavaco que poderão apontar rumos para a presente falência de justiça e de liberdade. A presente crise, se é global, exige a instauração de um político que também seja global. Por outras palavras, só a emergência de um Estado de Direito universal, daquilo que Kant chamava direito cosmopolítico e república universal, poderá evitar o regresso ao proteccionismo dos Estados lobos dos Estados, desses Estados-bolas-de-bilhar, em perpétuo movimento. Só a emergência de formas de “civitas maxima”, “civitas humana” ou de “sociedade das nações” nos poderão fazer renascer a esperança.

 

Confesso que continuo liberal e adepto do capitalismo. Em nome da experiência e da esperança. O que tem falhado é uma Europa activa, supranacional e supra-estatal, e não esta colectânea de falhadas cimeiras que não conseguem acompanhar o desafio lançado pelo neo-isolacionismo em que podem cair as medidas proteccionistas de Obama. O que não existe é uma efectiva Organização Mundial de Comércio Justo e reais regras universais, com segmentos de intervencionismo global. Restaurar o Estado salazarista em nome do socialismo é uma tolice de pequeno Estado que quer ser Estado Secundário, numa balança da Europa comandada por restauradas potências de Talleyrand, num neofeudalismo que beneficiará os grandes, mas condenará os pequenos e médios Estados ao falhanço do inviável, ou à mão estendida.

 

Um verdadeiro liberal tem que voltar a defender Kant, Ropke (na imagem) ou Rawls e assumir o projecto dos pais-fundadores do projecto europeu, subscrevendo o sonho de Wilson de um capitalismo universal e de um demoliberalismo com regras e segmentos de justiça, através de pequenos passos para uma efectiva República Universal que não seja utopia de amanhãs que cantam. É este o regresso ao Estado que advogamos, sem a megalomania socialista do Portugal dos pequenitos com a mania das grandezas, esse que vai acabar por ser governado pela pilotagem automática dos agentes do FMI, do Banco Mundial ou do “spread”… Por outras palavras, se a geoeconomia não puser a especulação da geofinança na ordem, não há trabalho e procura da riqueza para um mundo melhor que resistam em igualdade de oportunidades e meritocracia!