Ago 17

Pedido de apoio contra o limpamento de memórias (182.246.466 bytes). Não se trata de simples metáfora…

Tenho certo pudor em referir casos em que sou vítima, mas não posso deixar de anotar que, hoje, ao passear por certos motores de pesquisa, ao clicar em http://www.iscsp.utl.pt/cepp, verifiquei que os novos donos do poder da minha escola, ao inaugurarem o chamado “novo site”, decidiram fazer “delete” de milhões e milhões de “bytes”, num arquivo que, quando ainda era actualizado, andava por meio milhão de entradas.

O acto de saneamento e censura tem um ilustre responsável, com nome e tudo. E tem naturalmente outros responsáveis por omissão. Por agora, apenas registo a ocorrência daquilo que qualifico como repressão académica.

É evidente que nunca reivindiquei divulgar o “site” no portal da entidade estadual em causa, como já acontecia. Mas não parece académico limpar todas as raízes, mesmo de um arquivo sem actualizações. Não sei mesmo se o novo professor bibliotecário também eliminou os meus livros da biblioteca da escola.

Ainda estou surpreendido com esta actividade de certos funcionários públicos neste Estado de Direito. E peço aos habituais leitores que me ajudem a saber como posso garantir a aplicação de regras constitucionais de aplicação directa, em defesa da liberdade de ensinar e aprender.

Não estamos a falar metaforicamente de uma formal página de professor, de um pequeno “weblog” ou de um mero “mail”, mas de um espaço que contava com cerca de meio milhão de consultas, disponível em todos os motores universais de pesquisa: são cerca de 183 MB (182.246.466 “bytes”) disponibilizados publicamente, em cerca de 12 000 ficheiros, até para que se cumprisse programa subsidiado com dinheiros públicos.

Por outras palavras, em termos práticos, são centenas de livros que desaparecem dos ficheiros públicos, depois de longos anos de consulta livre, dado que ilustres gestores da coisa que devia ser pública, usam os títulos de “utl” e de “pt”, para um higiénico, ou incompetente, “delete”. E tudo aconteceu pela calada das férias e em pleno Agosto.

Ago 17

Não é assim que D. Sebastião vai regressar…

Na breve passagem que ontem fiz à Beira-Tejo, nesse rio que passa pela aldeia onde resido, ainda a braços com a lei das rendas emitida pelo governo de Bernardino Machado em 1916, encontrei, por acaso, entre passagens pelas livrarias e a procura de um arroz de peixe na minha tasca, alguns conhecidos e amigos. Um deles, antigo e famoso funcionário do PCP, já depois da revolta do Xico Martins Rodrigues, deu-me factos que reduzem a poeira mitomaníaca certas passagens das memórias de Zita, anunciando-me que depositou o respectivo espólio numa universidade europeia, por desconfiar dos nossos tombos estatais ou fundacionais. Outro, que ainda é militante do PSD, tanto me deu pormenores sobre as mendisadas e as menezadas, como, sobretudo, pelos meandros da luta pelo poder no BCP.

Por tudo isto, preferi passear pela primeira vez no museu Berardo do CCB, para, de noite, assistir, em risada, ao programa da RTP sobre o salgado ex-vice rei das nortadas, enquanto passava os olhos sobre as notícias de um colorido semanário, onde se anunciava que um administrador bancário, ex-governante de Cavaco, queria livrar-se de cilícios da obra, como há meses me tinham confidenciado, enquanto, noutra fonte de informação impressa, se contavam as opções da família Mário Soares, enquanto accionista do principal banco lusitano. Gostei sobretudo da cena filmada em Fátima, onde o antigo aluno dos jesuítas das Caldinhas, levou sua ilegítima a dobrar o joelho a Sua Santidade, cujas benções, afinal, não nos livraram do “fake”, onde a ficção continua a confundir-se com as próximas cenas da realidade terrena.

Confesso que enjoei de tudo e que me dava bem mais gozo poder ler as memórias livres dos nossos banqueiros sobre financiamentos partidários e a cunhocracia, nomeadamente pelo emprego que deram a ex-ministros da esquerda e da direita. Porque a iluminação dessas zonas obscuras da nossa sociedade de corte, entre os grandes clubes da futebolítica e o poder bancoburocrático, seria bem mais fecunda para um repúblico do que saber dos pormenores rituais dos grupos místicos, das clandestinidades dos partidos e movimentos políticos, ou dos processos de autogestão de espiões, que marcaram as antigas pides e enredam os recentes serviços secretos.

Com efeito, quando o próprio Mário Crespo conseguiu, em poucos minutos de televisão, revelar a índole quotidiana de um ex-ministro das finanças e ex-governador do Banco de Portugal dos tempos do cavaquistão, seria estimulante podermos navegar na psicologia oculta de outras grandezas e misérias dos protagonistas destas aventuras de serralho, que ensandeceram os últimos tempos da pátria. Sem esses pormenores, não será possível acedermos à íntima biografia colectiva destes restos de Portugal que se vão submetendo para sobreviverem, mas já sem paradigmas mobilizadores que nos levem a querer lutar, para podermos viver com inteligência e com honra.

A recente crise hipotecária norte-americana que, ainda ontem, mostrou como na Bolsa de Lisboa se continua a comer gato por lebre, apenas prenuncia a vestimenta com que se irá ornar a nossa próxima crise política. O próximo sobressalto, que nos poderá fazer despertar deste torpor cortesão, não virá de dentro deste deserto moral, mas será importado à força. Não como o Ultimato, a Grande Depressão ou uma guerra internacional, mas pelo simples levantar de asas de uma qualquer borboleta noutro qualquer exótico deserto, que aqui provocará o “tsunami” de um simples exame de consciência.

A ideia de Portugal, perdida nas brumas da memória, já não tem heróis que façam, da história, a urgente mestra da vida. O Estado-Espectáculo transformou-se numa encenação de frios cadáveres que vão procriando telenovelas de denúncias anónimas à Procuradoria-Geral da República. Não há o calor dos mitos que espontaneamente nos aqueçam pelos lumes da profecia. Nem suficientes sistemas organizacionais que nos ordenem para a complexidade do lume da razão. Os actores visíveis da política, da economia, da moral e da própria religião passaram a sacristães que perderam o sentido dos gestos.

Somos, cada vez mais, um “smog” provocado pela poluição de uma pretensa modernização importada que nos faz crescer em hipermercados e lojas dos trezentos, aumentando o consumo de bugigangas, do recurso ao endividamento bancário e do número de acções de fotocópia em tribunal, mas que não nos fizeram crescer por dentro. Em produtividade, em brio profissional, em moral cívica, em amor patriótico, em autonomia educativa e nessa estrela do norte de qualquer república, a que se deu, desde sempre, o nome de justiça, a verdadeira síntese das virtudes comunitárias.

E nunca é deste simulacro de nevoeiro que regressa o necessário D. Sebastião da regeneração colectiva… Todos teremos um pós-moderno monumento de tijolo e caliça a um anónimo naufrágio que apenas poderá, um dia, ser arrumado nesse arquivo de obras em segunda mão que um futuro berardo meterá no próximo mega-armazém da cultura enlatada. Mais de oito séculos e meio de hiper-identidade produziram este vazio de alma onde os falsos sebastiões científicos vão comendo a sopa e dando pancada nas mãezinhas…

Ago 16

Nesta republiqueta de notáveis e compadres, entre a parecerística e a subsidiocracia

Nos velhos tempos do PREC e dos começos da pós-revolução, quando a esquerda revolucionária proclamava em todas as paredes os ricos que paguem a crise, muitos entravam na moderação com outra ideia: para acabarmos com a pobreza não temos que acabar com os ricos, temos que ter um sistema fiscal mais justo. Passaram-se décadas, aderimos à CEE, integrámo-nos na UE, fomos sempre governados e presidencializados por partidos que, além de socialistas democráticos e sociais-democratas, sufragavam a referida ideia. Contudo, na prática, a teoria de um Estado Social com imposto progressivo acabou por ser aquela que agora é confirmada pelas estatísticas europeias: os ricos são cada vez menos e cada vez mais ricos; os empobrecidos são cada vez mais e cada vez mais empobrecidos. Julgo que chegou a altura de deixarmos de comer gato por lebre. O nobre povo português deve poder passar a compreender quem manipula, provoca e estimula certa institucionalização artificial de conflitos. Deve poder compreender que vive numa republiqueta de notáveis e compadres, entre a parecerística e a subsidiocracia, que gerou uma complexa rede de feudalização de interesses e de compra de poder, onde os donos do sistema vão manipulando serventuários, condecorando intelectuários e prebendando os devoristas. Deve poder compreender porque pertence ao grupo das espécies em vias de extinção o antigo, mas não antiquado, conceito de servidor público, esse que se deve assumir como homem de uma só fé, de um só rosto, de um só parecer, que homem da Corte não pode ser. Feliz, ou infelizmente, o situacionismo sabe que a moral pública se perdeu porque deixou de haver medo do papão que guardava a vinha da burocracia, fosse o medo do papão da subversão comunista que punha os patrões em sentido, fosse o medo do 28 de Maio que a todos nos mobilizava para a abstracta liberdade. Verificamos agora que o neocorporativismo tem amplas zonas de silêncios cúmplices e de vazio informativo, onde o poder infra-estrutural dos novos donos do poder estabeleceu uma injusta hierarquia social. Ela nada tem a ver com a velha teoria da conspiração, mas antes com a cunhocracia, a parecerística e a avençologia, num espaço de terra queimada e de terra de ninguém, onde não funcionam os fantasmas das sociedades secretas ou das seitas religiosas. Basta questionar o poder informativo de um qualquer funcionário das finanças que espreita, por dever de ofício, os justificativos e arquiva os registos de certos fluxos de rendimento. Porque essas influências são tão ou mais graves quanto os clandestinos financiamentos partidários ou os bailados das comissões de honra de presidentes da república ou de presidentes de autarquia. Daí que tudo redunde num ficção filmada sobre as irmãs salgadas ou o benfiquismo/dragonismo de magistrados ou de polícias, todos transformados em capríneos expiatórios destes sepulcros caiados de branco que circulam nas revistas “jet set”, ditas cor de rosa. Portanto, nada melhor do que uma enorme gargalhada perante a alternativa regeneradora que foi um dia destes passear-se pelo calçadão da Quarteira, entre o Macário e o Bota. Para salvarmos o regime, precisávamos que o sistema evitasse o nosso tradicional Robin dos Bosques: a emergência de um Alves dos Reis que, já depois da vigarice, contratou para o respectivo banco das maiores sumidades catedráticas da pátria. Julgo que, para evitarmos esta descida aos infernos, não basta a alternância nem a alternativa, sendo urgente que tentemos aquilo que não faz parte dos manuais ideológicos do pensamento único, escritos por ex-marxistas-leninistas, convertidos ao socialismo dito democrático da esquerda menos, ou à social-democracia da direita também menos. Para lutarmos contra a injustiça sistémica, cheguemos à conclusão que não vale a pena inventar o que já está inventado, nem descobrir o que já está descoberto. Basta irmos às experiências de outros do nosso tamanho que, perante a mesma globalização e a mesma união europeia, não optaram pelo menos Estado dos colectivistas, mas pelo melhor Estado dos liberais e da racionalidade normativo-axiológica da competência burocrática. Porque é nos Estados mais capitalistas e liberais do mundo que as máquinas fiscais detectam os vigaristas, mobilizam os ricos para o bem comum, têm menos corrupção e fazem com que os pobres, pela concorrência, pela educação, pela avaliação do mérito e pelo direito à felicidade, se libertem da pobreza.

Ago 16

Nesta republiqueta de notáveis e compadres, entre a parecerística e a subsidiocracia

Nos velhos tempos do PREC e dos começos da pós-revolução, quando a esquerda revolucionária proclamava em todas as paredes os ricos que paguem a crise, muitos entravam na moderação com outra ideia: para acabarmos com a pobreza não temos que acabar com os ricos, temos que ter um sistema fiscal mais justo. Passaram-se décadas, aderimos à CEE, integrámo-nos na UE, fomos sempre governados e presidencializados por partidos que, além de socialistas democráticos e sociais-democratas, sufragavam a referida ideia. Contudo, na prática, a teoria de um Estado Social com imposto progressivo acabou por ser aquela que agora é confirmada pelas estatísticas europeias: os ricos são cada vez menos e cada vez mais ricos; os empobrecidos são cada vez mais e cada vez mais empobrecidos.

Julgo que chegou a altura de deixarmos de comer gato por lebre. O nobre povo português deve poder passar a comprender quem manipula, provoca e estimula certa institucionalização artificial de conflitos. Deve poder compreender que vive numa republiqueta de notáveis e compadres, entre a parecerística e a subsidiocracia, que gerou uma complexa rede de feudalização de interesses e de compra de poder, onde os donos do sistema vão manipulando serventuários, condecorando intelectuários e prebendando os devoristas.

Deve poder compreender porque pertence ao grupo das espécies em vias de extinção o antigo, mas não antiquado, conceito de servidor público, esse que se deve assumir como homem de uma só fé, de um só rosto, de um só parecer, que homem da Corte não pode ser.

Feliz, ou infelizmente, o situacionismo sabe que a moral pública se perdeu porque deixou de haver medo do papão que guardava a vinha da burocracia, fosse o medo do papão da subversão comunista que punha os patrões em sentido, fosse o medo do 28 de Maio que a todos nos mobilizava para a abstracta liberdade.

Verificamos agora que o neocorporativismo tem amplas zonas de silêncios cúmplices e de vazio informativo, onde o poder infra-estrutural dos novos donos do poder estabeleceu uma injusta hierarquia social. Ela nada tem a ver com a velha teoria da conspiração, mas antes com a cunhocracia, a parecerística e a avençologia, num espaço de terra queimada e de terra de ninguém, onde não funcionam os fantasmas das sociedades secretas ou das seitas religiosas.

Basta questionar o poder informativo de um qualquer funcionário das finanças que espreita, por dever de ofício, os justificativos e arquiva os registos de certos fluxos de rendimento. Porque essas influências são tão ou mais graves quanto os clandestinos financiamentos partidários ou os bailados das comissões de honra de presidentes da república ou de presidentes de autarquia.

Daí que tudo redunde num ficção filmada sobre as irmãs salgadas ou o benfiquismo/dragonismo de magistrados ou de polícias, todos transformados em capríneos expiatórios destes sepulcros caiados de branco que circulam nas revistas “jet set”, ditas cor de rosa. Portanto, nada melhor do que uma enorme gargalhada perante a alternativa regeneradora que foi um dia destes passear-se pelo calçadão da Quarteira, entre o Macário e o Bota.

Para salvarmos o regime, precisávamos que o sistema evitasse o nosso tradicional Robin dos Bosques: a emergência de um Alves dos Reis que, já depois da vigarice, contratou para o respectivo banco das maiores sumidades catedráticas da pátria. Julgo que, para evitarmos esta descida aos infernos, não basta a alternância nem a alternativa, sendo urgente que tentemos aquilo que não faz parte dos manuais ideológicos do pensamento único, escritos por ex-marxistas-leninistas, convertidos ao socialismo dito democrático da esquerda menos, ou à social-democracia da direita também menos.

Para lutarmos contra a injustiça sistémica, cheguemos à conclusão que não vale a pena inventar o que já está inventado, nem descobrir o que já está descoberto. Basta irmos às experiências de outros do nosso tamanho que, perante a mesma globalização e a mesma união europeia, não optaram pelo menos Estado dos colectivistas, mas pelo melhor Estado dos liberais e da racionalidade normativo-axiológica da competência burocrática. Porque é nos Estados mais capitalistas e liberais do mundo que as máquinas fiscais detectam os vigaristas, mobilizam os ricos para o bem comum, têm menos corrupção e fazem com que os pobres, pela concorrência, pela educação, pela avaliação do mérito e pelo direito à felicidade, se libertem da pobreza.

Ago 15

O perfil da pátria medular e cívica …

Baptista-Bastos conseguiu dizer tudo o que era preciso no DN de hoje, ao descrever a oposição do perfil da pátria medular e cívica ao chamado pensmento único: ainda bem que o Governo esteve ausente nas homenagens a Miguel Torga. O Governo não tem nada a ver com Torga. E, se pouco tem a ver connosco, nada tem a ver com a cultura. O Governo desconhece que a cultura é um dos interesses da política e que a política é uma disciplina da cultura. Embora ajam em esferas diferentes. Um político inculto possui algo de deformado. E um homem culto que se diz indiferente à política revela amolgadelas de carácter: mente porque, em rigor, defende pareceres desonrados.

Já há alguns dias, do seu retiro de Constança, o mesmo resistente tinha proclamado ao JN: sou de uma esquerda rebelde, que contesta as coisas, que leu Marx, mas não recusa a Bíblia. Que se encontra no humanismo. Estamos a precisar de gostar uns dos outros.

Por mim, que não sou dessa esquerda, quando noto que certa direita entra no desespero da saudade salazarenta, sinto necessidade de encontrar companheirismo de valores patrióticos e cívicos em quem vem de outras tribos políticas, para que o que nos é comum não seja das esquerdas e das direitas ditas pós-ideológicas. Por tudo isto é que importa que Torga se torne num símbolo de mobilização nacional, para que a racionalidade finalística possa ser compensada por uma racionalidade axiológica, a que alguns chamam emoção.

Ago 14

Continuando meus exercícios de guerrilheiro da palavra, contra os sacristães do pensamento único

Reparo que há um bloco de doutíssimos e agilíssimos adesivos ao pluralismo democrático, onde só ex-comunistas e ex-maoístas têm pretensão ao controlo da nossa artificial e comunicacional inteligência, novamente produtora de um estúpido pensamento único que as ondas da moda transformam nos novos livros únicos de língua e história pátrias, para uso dos telejornais e dos “opinion makers” dominantes. Os tais sacristães que perderam o sentido dos gestos e que nos continuam a servir de forma enlatada as disputas verbalistas da geração do “Maio 68″. E se mantivermos estas tenazes mentais, talvez não consigamos abrir o estadão à urgente pluralidade dos paradigmas que realmente existem na maioria sociológica dos portugueses que restam e que vai bem além do gramsciano conceito de sociedade civil, com os seus decretinos parceiros sociais ou as suas catolaicas perspectivas concordatárias, feitas de sucessivas interpretações verticais, ditas autênticas. Estranho, pois, que mesmo em férias acabe por continuar os meus exercícios de guerrilheiro da palavra, a solicitação de alguns jornalistas, como hoje vem na revista “Focus”, quando me questionaram sobre o perfil do governante ideal. Lá declarei que, em democracia, o governo não deveria ser o “lui” do senhor Estado absolutista, vivendo acima dos súbditos, lá nas alturas do soberanismo. Porque, em democracia, o governo somos nós todos, governando através dos nossos representantes, onde até ministro quer dizer, etimologicamente, “servus ministerialis”, isto é, escravo da função. Porque não há governos ideais, até porque, na prática, a teoria é outra, cabendo aos repúblicos medir essa falta de autenticidade, essa distância que vai do que se proclama ao que se pratica. Assim, o melhor governo de Portugal é aquele que for capaz de gerir as actuais dependências e interdependências, tanto da globalização como da integração europeia, para que os parcos factores nacionais de poder consigam ser mobilizados por um patriotismo científico. Onde se retome aquele bem comum das nossas aldeias republicanas, que tinham como lema “o que é comum não é de nenhum”. Infelizmente, as degenerescências democráticas transformam esse comum no domínio do ninguém burocrático, não ousando transformar estes restos de Estadão na efectiva coisa pública, na comunhão das coisas que se amam. Leio, quinze dias depois, o resultado da conversa telefónica, a que o jornalista foi fiel, seleccionando o que melhor se adequava ao ritmo da agenda e do tema dominantes: desde que se começou a pensar a política se começou a desenhar o político ideal, pelo que nunca existiu nem nunca poderá existir uma democracia perfeita. Logo, o primeiro-ministro ideal não existe. Logo acrescentei: temos de nos libertar do conceito de absolutismo, onde o Estado se resume a uma só pessoa. Aqui e agora, os democratas não se comportam como democratas…não têm programa nem ideologia. São hoje a favor do que contestaram ontem e amanhã contra o que defenderam hoje. Até identifico “três momentos e três primeiros-ministros responsáveis pelo definhar da política”: a lei do tabu com Cavaco Silva, a lei do pântano com António Guterres e a lei do surrealismo com Durão Barroso e Santana Lopes. Para sair da crise, vaticino mais patriotismo científico na valorização do sistema educativo…menos absolutismo e mais participação cívica e mais soberania do poder político sobre o poder económico, porque um dia destes, um desses capitalistas lusitanos, tipo Joe Berardo vai fazer um estudo que o leva a perceber que se deixar de haver governo continuaremos a ser autogovernados. Por estas e por outras é que, ao responder o inquérito-tipo da mesma revista sobre qual é a minha família política, fiquei bem próximo do centro radical, ou do extremo-centro: no eixo da esquerda/direita, fiquei com 13 para a esquerda e 10 para a direita; no eixo do autoritário/libertário, obtive 11 para o libertário e 6 para o autoritário. O pior foi arrumar-me nas categorias que elencaram: nem do grupo “neofascistas e nacionalistas”, nem no dos “conservadores e democratas-cristãos” e bem longe dos “comunistas reais e pós-comunistas”. Fiquei com um pé nos “liberais e social-democratas” e outro nos “socialistas democráticos e novas esquerdas”. E eu a pensar que era da direita!… Valeu-me a entrevista do psicólogo Howard Gardner para me fazer voltar à realidade que é sempre complexa, o que é esquecido pelos cientistas pardais que nos reformam a universidade e a cultura, uns vindos dos m-l e outros do cunha lismo, sob a batuta de um action man, proveniente da JSD. E que, mesmo em opções políticas, devem admitir que um velho liberal como eu, patriota e panteísta, não tenha que ser neoliberal, neoconservador ou socialista, bastando-lhe furar o esquema pelo tradicionalismo anti-revolucionário e pelo libertacionismo liberdadeiro. PS: Deixo uma imagem de saudade de Santa Luzia, pela noitinha…

Ago 14

Continuando meus exercícios de guerrilheiro da palavra, contra os sacristães do pensamento único

A volta a Portugal está prestes a entrar na segunda fase das férias, onde o mercado consumidor de parangonas e o espectáculo da hiper-informação sensacionalista continuam a fazer directos sobre o caso Maddie, onde todos somos detectives e vingadores, enquanto o caracol da Casa Pia continua refugiado na casca do segredo processual e a baba viscosa do imoral e do amoral já criou crosta, semeando asco e não protegendo quem de direito.

Reparo, contudo, que há um bloco de doutíssimos e agilíssimos adesivos ao pluralismo democrático, onde só ex-comunistas e ex-maoístas têm pretensão ao controlo da nossa artificial e comunicacional inteligência, novamente produtora de um estúpido pensamento único que as ondas da moda transformam nos novos livros únicos de língua e história pátrias, para uso dos telejornais e dos “opinion makers” dominantes. Os tais sacristães que perderam o sentido dos gestos e que nos continuam a servir de forma enlatada as disputas verbalistas da geração do “Maio 68″.

E se mantivermos estas tenazes mentais, talvez não consigamos abrir o estadão à urgente pluralidade dos paradigmas que realmente existem na maioria sociológica dos portugueses que restam e que vai bem além do gramsciano conceito de sociedade civil, com os seus decretinos parceiros sociais ou as suas catolaicas perspectivas concordatárias, feitas de sucessivas interpretações verticais, ditas autênticas.

Estranho, pois, que mesmo em férias acabe por continuar os meus exercícios de guerrilheiro da palavra, a solicitação de alguns jornalistas, como hoje vem na revista “Focus”, quando me questionaram sobre o perfil do governante ideal. Lá declarei que, em democracia, o governo não deveria ser o “lui” do senhor Estado absolutista, vivendo acima dos súbditos, lá nas alturas do soberanismo. Porque, em democracia, o governo somos nós todos, governando através dos nossos representantes, onde até ministro quer dizer, etimologicamente, “servus ministerialis”, isto é, escravo da função.

Porque não há governos ideais, até porque, na prática, a teoria é outra, cabendo aos repúblicos medir essa falta de autenticidade, essa distância que vai do que se proclama ao que se pratica. Assim, o melhor governo de Portugal é aquele que for capaz de gerir as actuais dependências e interdependências, tanto da globalização como da integração europeia, para que os parcos factores nacionais de poder consigam ser mobilizados por um patriotismo científico. Onde se retome aquele bem comum das nossas aldeias republicanas, que tinham como lema “o que é comum não é de nenhum”.

Infelizmente, as degenerescências democráticas transformam esse comum no domínio do ninguém burocrático, não ousando transformar estes restos de Estadão na efectiva coisa pública, na comunhão das coisas que se amam.

Leio, quinze dias depois, o resultado da conversa telefónica, a que o jornalista foi fiel, seleccionando o que melhor se adequava ao ritmo da agenda e do tema dominantes: desde que se começou a pensar a política se começou a desenhar o político ideal, pelo que nunca existiu nem nunca poderá existir uma democracia perfeita. Logo, o primeiro-ministro ideal não existe.

Logo acrescentei: temos de nos libertar do conceito de absolutismo, onde o Estado se resume a uma só pessoa. Aqui e agora, os democratas não se comportam como democratas…não têm programa nem ideologia. São hoje a favor do que contestaram ontem e amanhã contra o que defenderam hoje. Até identifico “três momentos e três primeiros-ministros responsáveis pelo definhar da política”: a lei do tabu com Cavaco Silva, a lei do pântano com António Guterres e a lei do surrealismo com Durão Barroso e Santana Lopes.

Para sair da crise, vaticino mais patriotismo científico na valorização do sistema educativo…menos absolutismo e mais participação cívica e mais soberania do poder político sobre o poder económico, porque um dia destes, um desses capitalistas lusitanos, tipo Joe Berardo vai fazer um estudo que o leva a perceber que se deixar de haver governo continuaremos a ser autogovernados.

Por estas e por outras é que, ao responder o inquérito-tipo da mesma revista sobre qual é a minha família política, fiquei bem próximo do centro radical, ou do extremo-centro: no eixo da esquerda/direita, fiquei com 13 para a esquerda e 10 para a direita; no eixo do autoritário/libertário, obtive 11 para o libertário e 6 para o autoritário. O pior foi arrumar-me nas categorias que elencaram: nem do grupo “neofascistas e nacionalistas”, nem no dos “conservadores e democratas-cristãos” e bem longe dos “comunistas reais e pós-comunistas”. Fiquei com um pé nos “liberais e social-democratas” e outro nos “socialistas democráticos e novas esquerdas”. E eu a pensar que era da direita!…

Valeu-me a entrevista do psicólogo Howard Gardner para me fazer voltar à realidade que é sempre complexa, o que é esquecido pelos cientistas pardais que nos reformam a universidade e a cultura, uns vindos dos m-l e outros do cunhalismo, sob a batuta de um action man, proveniente da JSD. E que, mesmo em opções políticas, devem admitir que um velho liberal como eu, patriota e panteísta, não tenha que ser neoliberal, neoconservador ou socialista, bastando-lhe furar o esquema pelo tradicionalismo anti-revolucionário e pelo libertacionismo liberdadeiro.

PS: Deixo uma imagem de saudade de Santa Luzia, pela noitinha…

Ago 13

Liberdade e identidade, neste pedaço de pátria que já existia antes de haver Portugal

Cinquenta quilómetros, Guadiana acima, no coração do Al-Andalus, neste presépio sobre as águas, vim ao fundo daquele Portugal que já existia antes de haver Portugal. No Alentejo há montes claros, cabras que pastam, dias de quentura, um velhote que vai regando a horta. Os botes e as canoas estão guardados no cais, há borrego ensopado, migas de poejo, cozido de grão e o som dos chocalhos chega à outra margem. Revisito o lugar e recordo David Lopes e os arabistas que nos desvendar sinais daquele povo quase por identificar que ocupou a embocadura das colunas de Hércules, antes de Tárique as atravessar, antes da reconquista voltar a Ceuta, antes de Alcácer-Quibir, para que Bin Laden repare que foi nesta raia que a independência moderna de Portugal se firmou, entre 1640 e 1668. Basta ir ao museu de Mértola contar as cruzes pré-portucalenses que até eram maioritárias no chamado cemitério islâmico da cidade, para confirmarmos que a nossa liberdade e a nossa identidade têm profundas raízes de vontade e de resistência. É desta forma que me apetece comemorar o centenário de Miguel Torga, com o orgulho de sermos a nação mais antiga e permanecente da Europa Ocidental, com  a necessidade de conjugarmos a liberdade com a identidade, dado que a segunda parece mais difícil de conquistar do que a primeira. Há metafísica na gente que passa, na criança que brinca, na flor que sorri. E Deus pode ser o balouçar do vento ou o pássaro que persegue a nuvem. Porque quando o infinito da beleza nos circunda, apetece que o tempo não passe e que as águas se sustenham. Apetece sorver fundo o próprio ar que se respira, deixar que o sol se difunda por mim dentro, e que tudo possa conter para sempre na folha branca do meu caderno. Que aqui sentado no terraço, olhando este pedaço do mundo que se estende à minha beira, é o mundo inteiro que, por mim dentro, vou vivendo, neste apetecer viver horas que tenham sentido, quando a esperança, em quente brisa, me aquece. Há o fluir de um rio no choupal da minha infância, há pontes de madeira, arenosos caminhos de terra batida e poços de água verde onde se fazia peixe à toca. Voltei a ser menino. Voltei a andar na bicicleta azul, como da primeira vez, voltei a aprender a nadar, a ficar horas sentado na minha figueira, com a cidade em presépio lá ao fundo. Que apetecia continuar menino, para ter que espreitar, de novo, a curva do caminho. É por isso que, noite dentro, me vou escrevendo, sozinho, por mim dentro, peregrinando a memória dos lugares de outrora que são para sempre.

Ago 13

Liberdade e identidade, neste pedaço de pátria que já existia antes de haver Portugal

Cinquenta quilómetros, Guadiana acima, no coração do Al-Andalus, neste presépio sobre as águas, vim ao fundo daquele Portugal que já existia antes de haver Portugal. No Alentejo há montes claros, cabras que pastam, dias de quentura, um velhote que vai regando a horta. Os botes e as canoas estão guardados no cais, há borrego ensopado, migas de poejo, cozido de grão e o som dos chocalhos chega à outra margem. Revisito o lugar e recordo David Lopes e os arabistas que nos desvendar sinais daquele povo quase por identificar que ocupou a embocadura das colunas de Hércules, antes de Tárique as atravessar, antes da reconquista voltar a Ceuta, antes de Alcácer-Quibir, para que Bin Laden repare que foi nesta raia que a independência moderna de Portugal se firmou, entre 1640 e 1668.

Basta ir ao museu de Mértola contar as cruzes pré-portucalenses que até eram maioritárias no chamado cemitério islâmico da cidade, para confirmarmos que a nossa liberdade e a nossa identidade têm profundas raízes de vontade e de resistência. É desta forma que me apetece comemorar o centenário de Miguel Torga, subscrevendo o orgulho de Manuel Alegre sobre sermos a nação mais antiga e permanecente da Europa Ocidental, apoiando António Arnaut, nas críticas que fez ao alheamento do ministério da cultura, mas salientando a intervenção de uma mulher-poetisa lá de São Martinho da Anta, cujo nome não captei, mas que recordou o ensinamento de Torga sobre a necessidade de conjugarmos a liberdade com a identidade, dado que a segunda parece mais difícil de conquistar do que a primeira.

Há metafísica na gente que passa, na criança que brinca, na flor que sorri. E Deus pode ser o balouçar do vento ou o pássaro que persegue a nuvem. Porque quando o infinito da beleza nos circunda, apetece que o tempo não passe e que as águas se sustenham. Apetece sorver fundo o próprio ar que se respira, deixar que o sol se difunda por mim dentro, e que tudo possa conter para sempre na folha branca do meu caderno.

Que aqui sentado no terraço, olhando este pedaço do mundo que se estende à minha beira, é o mundo inteiro que, por mim dentro, vou vivendo, neste apetecer viver horas que tenham sentido, quando a esperança, em quente brisa, me aquece. Há o fluir de um rio no choupal da minha infância, há pontes de madeira, arenosos caminhos de terra batida e poços de água verde onde se fazia peixe à toca. Voltei a ser menino.

Voltei a andar na bicicleta azul, como da primeira vez, voltei a aprender a nadar, a ficar horas sentado na minha figueira, com a cidade em presépio lá ao fundo. Que apetecia continuar menino, para ter que espreitar, de novo, a curva do caminho. É por isso que, noite dentro, me vou escrevendo, sozinho, por mim dentro, peregrinando a memória dos lugares de outrora que são para sempre.

Ago 09

Neste vazio de pátria e de bem comum, entre o crepúsculo do salazarismo e o estado a que chegámos

Contrariando as minhas boas intenções de férias livres de livros, eis que, depois de ler de um fôlego e em diagonal o “voyeurismo” de Zita sobre os meandros da clandestinidade do PCP e o comando vanguardista do PREC, reli-o anotadamente neste remanso de férias, por empréstimo de alguém da nossa companhia de travessia da ria. Concluí que se trata de mais uma peça de literatura de justificação do situacionismo e dos novos donos do poder, um pouco à imagem e semelhança das quase-memórias de Filomena Mónica, onde Vasco Pulido Valente, o ex-militante do Movimento de Acção Revolucionária, é topos, ou lugar comum de ex-actor feito agora revisor de nihil obstat. Porque nele, no livro, dito de ajuste de contas por Jerónimo, não circula o chamado povo comum ou o valor máximo que nos dá república e pátria e a que, desde sempre, chamámos justiça. Para que possamos cultivar aquela vontade de sermos independentes, aquela comunidade das coisas que se amam e à qual pretendo continuar a dar o nome de Portugal. Com efeito, o livro de Zita é uma bela demonstração de como ainda somos vítimas dos dois principais déspotas iluminados do século XX português: os irmãos-inimigos Salazar e Cunhal. Aliás, a própria Zita que, para derrubar o fascismo (de Salazar ) se assumiu como clandestina guerrilheira do comunismo (de Cunhal), revela que, para se livrar deste duplo universo concentracionário, precisou, mais recentemente, de aliar-se aos refluxos intelectuais de ex-esquerdistas de ex-maoístas e ex-”m-l” que, outrora, erigiram o “social-fascismo” como inimigo principal. O livro de Zita é, de facto, um excelente revelador deste vazio de pátria e de bem comum, provocado por um pano de fundo de autoritarismo absolutista e de bufaria inquisitorial, onde o desespero da saída revolucionária e violentista acabou por nos conduzir ao mais do mesmo. Com efeito, as metodologias vérmicas da subversão dos aparelhos de Estado, feitas de sucessivos centralismos conspirativos e de facciosismos propagandísticos, com muito discurso eficaz, acabaram por gerar sucessivos césares de multidões, intelectuais orgânicos, correias de transmissão e enormes rebanhos de idiotas úteis. Consegue, contudo, fazer certo retrato da minha geração, daquela que fez a passagem do crepúsculo do “ancien régime” para esta “pós-revolução” que transitou das RGAs dos saneamentos para os plenários da banca, com o mesmo sentido manipulador. É assim natural que transforme a nostálgica rebeldia de uma burguesinha numa enxertia artificial de revolucionária profissional. Agora, sentada no sofá da sala, ou sob os toldos de praias finas, a mesma geração talvez não repare que não é senão uma massa informe, moldável pela batuta dos gestores de “share” e de “agenda setting”, mesmo quando passou da esquerda dura para a direita ou a esquerda moles, sob a égide de um governo de esquerda com temperamento de direita, ou de um governo de direita com preconceitos de esquerda e fantasmas de direita. Até porque ambos os dois últimos modelos deste mesmo sistema de Bloco Central, apenas dependem dos apetites daquele utilitarismo que tem como primeiro mandamento a obtenção do máximo de prazer com o mínimo de dor, ao mesmo tempo que subscreve o ditado maquiavélico, segundo o qual tem razão quem vence. E entre as operações de guerrilha de salão e heróis das tias de Cascais e da Foz do Douro, acaba por dominar a clássica aliança dos feitores dos ricos com os moralistas de sacristia. Foi assim que passámos de um ambiente de PIDE e União Nacional, para novo esquema onde continuam a pontificar os grandes “filhos família” de certa classe social devorista que sempre soube controlar os meandros ocultos da fabricação dos donos do poder, onde o estado a que chegámos é, sobretudo, uma consequência daqueles sobreviventes que, entre o salazarismo, o marcelismo, o PREC e a pós-revolução, passaram do marxismo-cunha lista, ou maoísta, para o socialismo da direita dos interesses, com o pé-atrás das memórias esquerdistas e o bico de pé do beatério possidente, à espera de abichar mais uma prebenda do estadão ou outro qualquer favor decretino. Por mim, prefiro o eterno retorno a um simples poema da Mensagem de Fernando Pessoa, para tentar compreender o milenarismo, meio malhado, de mestre Agostinho da Silva, quando nos procurou recordar que o grande construtor do quinto império, do poder dos sem poder, foi el-rei D. Dinis, esse plantador de naus a haver para o Portugal poder-ser. Infelizmente, o nosso conceito de herói anda muito por baixo, especialmente se o perspectivarmos de um lugar que não abarca a floresta, mas apenas as pequenas árvores vizinhas dos amigos de seita, com muito sindicalismo de citação mútua e literaturazinha de cordel, nesse universo politicamente correcto que se auto-configura como correcto e que passa de São Lenine para São Churchill, de acordo com as desavenças burguesóides e o misticismo reaccionário que faz dos principais partidos do Bloco Central a foz de todos os filósofos da traição.