Jan 02

Artigo DN

O orçamento zero da pós-democracia, ou como a pororoca não desemboca no Tejo.

“Porque o PS tarda em assumir-se como pós-socrático, e nem sequer é pós-soarista; tal como o PSD não consegue ser pós-cavaquista; enquanto o PCP continua retro-cunhalista; o CDS, amarrado ao pós-moderno reaccionário; e o BE, a indignar-se com devoção ao socialismo catedrático.”(JAM, DN, hoje).

“…a partidocracia persiste na auto-clausura reprodutiva, entre uma direita que convém à esquerda, a da mera oposição empírico-analítica ao fantasma do inimigo, para que este, em preconceito, acirre o pensamento RGA, o da nostalgia da revolução por cumprir, onde o Maio 68 continua a algemar a libertação de Abril” (JAM, DN, hoje).

Para efeitos de registo: “Estas mensagens são homilias que puxam outras homilias, não são propriamente discursos políticos de intervenção”, afirmou, considerando que, nas reações, os dirigentes do PSD e do PS falaram para dizer “praticamente nada”. “Os próprios partidos não colocaram a comentar o discurso do Presidente as suas figuras cimeiras, revelaram que, ou ainda estão de férias, ou por alguma razão puseram reservistas a falar”, disse.
Aliás, “o discurso foi uma espécie de condensado daquilo que têm sido intervenções parcelares, nomeadamente, críticas ao Orçamento e imediata promulgação do Orçamento”, sendo, “portanto, um reconhecimento da impotência do Presidente neste contexto de organização do sistema político”.

Jan 01

Farpas de 1 de Janeiro de 2012

Bom dia, bom ano, neste país das maravilhas de uma Europa em bolandas. O mundo continua a girar em torno do seu próprio eixo. E cada um de nós pode rodar em dignidade. Basta que a espinha não torça, mesmo que ameace quebrar. Eu prefiro estar preparado para olhar o sol de frente, quando passar o nevoeiro.

A última princesa nórdica dinamarquesa a que prestei menagem chamava-se Ebba Merete Seidenfaden. Helle Thorning-Schmidt nasceu vinte e seis anos depois. Ainda acredito no mito do rapto da Europa.

A nossa presidenta é graduada em ciência política, nórdica e líder de um dos velhos reinos medievais da Europa que ainda resistem.

“A instabilidade e a incerteza na recuperação da economia mundial está em crescendo, os assuntos internacionais e regionais sucedem-se, e a paz e o desenvolvimento do mundo enfrentam oportunidades e desafios sem precedentes”. Excerto da mensagem presidencial, depois de um português ter caído do cavalo.

Presidente falou. Fala, dizendo que outrora falou. E promete que falará. Confirma-se que, na prática, a teoria é outra.

Jan 01

Presidente falou

Presidente falou. Falou, dizendo que outrora falou. E prometeu que falará. Confirma-se que, na prática, a teoria é outra. Secretário-geral do PSD falou. E falou. Não me lembro de nada que ele tenha dito. Porta-voz do PS falou. E falou. Não me lembro de nada que ele tenha dito. PCP falou não sei através de quem. Diz que disse o que dirá. Os cimeiros de todos os partidos ainda devem estar a passas. Puseram as reservas a falar. Presidente não o merecia. Segundo os mesmos partidos, parece mesmo que mereceu. Homilia puxa homilia. Mostram muita dó pelo menor.

Jan 01

neste país das maravilhas de uma Europa em bolandas

Bom dia, bom ano, neste país das maravilhas de uma Europa em bolandas. O mundo continua a girar em torno do seu próprio eixo. E cada um de nós pode rodar em dignidade. Basta que a espinha não torça, mesmo que ameace quebrar. Eu prefiro estar preparado para olhar o sol de frente, quando passar o nevoeiro. 2012 poderá ser “horribilis” para o portugalório da Ilusitânia, mas será, em contraciclo, um mundo melhor, para a maior parte da humanidade, com menos fome, menos peste e menos guerra.  Mesmo que não beneficiemos directamente com a ascensão a grandes potências de alguns dos nossos plurisseculares parceiros de história, a que chamaram emergentes, pode chegar uma nova idade, a do poder dos sem poder, com os até agora vencidos da vida a revogarem a velha história dos vencedores.  Mesmo que o sonho de um Atlântico crioulo não desemboque no Tejo, porque preferimos o conforto do Bugio à aventura da pororoca, os novos sinais dos tempos prenunciam uma nova idade, de que fomos armilarmente profetas.  Daí que o verbo Portugal continue a ser substituído pelo nacionalismo patriotorreca, que alguns psicopatas sentenciadores vão conjugando, em pretérito de revisionismo histórico, enquanto a partidocracia persiste na auto-clausura reprodutiva, entre uma direita que convém à esquerda, a da mera oposição empírico-analítica ao fantasma do inimigo, para que este, em preconceito, acirre o pensamento RGA, o da nostalgia da revolução por cumprir, onde o Maio 68 continua a algemar a libertação de Abril.  Todos com historiografias do caixote de lixo das ideologias, neste país dominado por enjoados manhosos, que sonham instrumentalizar a luta de invejas, pela tradicional subversão a partir do aparelho de Estado.

Jan 01

O orçamento zero da pós-democracia

O orçamento zero da pós-democracia
por José Adelino Maltez

 

 

2012 poderá ser “horribilis” para o portugalório da Ilusitânia, mas será, em contraciclo, um mundo melhor, para a maior parte da humanidade, com menos fome, menos peste e menos guerra. Mesmo que não beneficiemos directamente com a ascensão a grandes potências de alguns dos nossos plurisseculares parceiros de história, a que chamaram emergentes, pode chegar uma nova idade, a do poder dos sem poder, com os até agora vencidos da vida a revogarem a velha história dos vencedores. Mesmo que o sonho de um Atlântico crioulo não desemboque no Tejo, porque preferimos o conforto do Bugio à aventura da pororoca, os novos sinais dos tempos prenunciam uma nova idade, de que fomos armilarmente profetas. Por cá, apenas tenderemos a entrar no orçamento zero da pós-democracia. Porque o PS tarda em assumir-se como pós-socrático, e nem sequer é pós-soarista; tal como o PSD não consegue ser pós-cavaquista; enquanto o PCP continua retro-cunhalista; o CDS, amarrado ao pós-moderno reaccionário; e o BE, a indignar-se com devoção ao socialismo catedrático. Daí que o verbo Portugal continue a ser substituído pelo nacionalismo patriotorreca, que alguns psicopatas sentenciadores vão conjugando, em pretérito de revisionismo histórico, enquanto a partidocracia persiste na auto-clausura reprodutiva, entre uma direita que convém à esquerda, a da mera oposição empírico-analítica ao fantasma do inimigo, para que este, em preconceito, acirre o pensamento RGA, o da nostalgia da revolução por cumprir, onde o Maio 68 continua a algemar a libertação de Abril. Todos com historiografias do caixote de lixo das ideologias, neste país dominado por enjoados manhosos, que sonham instrumentalizar a luta de invejas, pela tradicional subversão a partir do aparelho de Estado.

Dez 31

Em Portugal, quem está no poder são os mesmos de sempre

Em Portugal, quem está no poder são os mesmos de sempre: os antigos feitores e capatazes que a cenoura e o chicote salazarentos nos legaram, entre as malhas que o império teceu e entreteceu e os partidos que a pós-democracia pariu, com a rede neofeudal de patronos e encomendados, ditos curadores, conselhos gerais e comissões de honra, entre júris, prémios de carreira e personalidades do ano da casa dos segredos, os que vão gerindo a teia que alguns inocentes úteis, muitos medalhados e outros tantos prebendados vão qualificando com os velhos estigmas inquisitórias das novas teorias da conspiração.
Porque anda meio mundo anda ao serviço do outro, os que andam de pé atrás enredam-se com os que andam em bicos de pés e quem se lixa é o remediadinho, que é o nome portuguesinho para o pobre do impostado, quando é manifesto que o rei do estadão vai nuzinho e em pelota, com suas vergonhas naturais já sem a parra protectora.
Dez 31

Porque anda meio mundo anda ao serviço do outro

Porque anda meio mundo anda ao serviço do outro, os que andam de pé atrás enredam-se com os que andam em bicos de pés e quem se lixa é o remediadinho, que é o nome portuguesinho para o pobre do impostado, quando é manifesto que o rei do estadão vai nuzinho e em pelota, com suas vergonhas naturais já sem a parra protectora.

Dez 30

É a voz de um dono oculto

O bom e velho Estado apenas pode ser estudado pela clássica politologia lusitana da Arte de Furtar, anonimamente editada em 1652.

 

É a voz de um dono oculto que diz distribuir o que não é dele e vai sempre prometendo o que sabe não poder cumprir.

 

Um desarticulado centro onde desaguam ordens de compra e venda de poder, iludido pela publicidade enganosa dos mercados eleitorais, a partir dos quais fica sitiado pelos curtos-circuitos da cunha, do clientelismo e do sectarismo, sempre em nome do respeitinho pelo poderio dos poderosos.

Dez 30

O estadão de consciência tranquila, quando porta a voz do senhor ninguém.

Dizia Mao, o Tse Tung, que Portugal foi o único povo europeu que se estabeleceu na China sem lhe fazer guerra. Apesar de Pequim ser humilhado por ocupações, guerras e tratados desiguais, eles nunca deixaram de ser chineses, de pensar chinês, de viver chinês. Até transformaram o marxismo-leninismo em confucionismo. Logo, o meu patriotismo, se eu for antigo, mas não antiquado, afundacionado ou casinado, não fica humilhado com a compra da EDP e do BCP. Entre o capitalista do Império do Meio e o Xico Gaioleiro, prefiro o mais civilizado.

 

Governo de Espanha repete Passos, tal como este repetiu Sócrates, sobre os desvios colossais e imprevistos, dos anteriores governos. Madrid, no entanto, começa por diminuir em 20% a subvenção públicas a partidos e sindicatos. Para além de apenas congelar o que aqui se diminuiu.

 

Habituemo-nos a descodificar a novilíngua encriptada do aparente dono de mais poderes internos. Mas precisamos de muitos séculos de estudo para lá chegarmos. O melhor conselho é repararmos na nossa dimensão de pulga face ao elefante. Como diria o outro, há séculos, os tugas são esquisitos, comem pedras (o pão) e bebem sangue (o vinho). Até achavam estranho ainda comermos com as mãos, na era do pré-garfo, quando eles já usavam os pauzinhos…

 

Imaginemos um sítio dos traseiros do mundo onde se juntou o pior do socialismo e o pior do capitalismo. É o do casino deste hotel. Está à espera de um bom gestor. E podemos hospedar lá para sempre os psicopatas sentenciadores das direitas e das esquerdas mais estúpidas do mundo. As dos mercenários que chamam inteligência à filosofia da traição. Já falo confucianamente encriptado.

 

Dizem-me que a UNESCO vai vetar a nova lei das rendas. Porque o congelamento destas faz parte do património imobiliário da humanidade. Ainal, é anterior às aparições de Fátima e à revolução bolchevique.

 

Afinal Cristas é apenas ministra dos arrendamentos.

 

Dizem-me que a UNESCO vai vetar a nova lei das rendas. Porque o congelamento destas faz parte do património imobiliário da humanidade. Ainal, é anterior às aparições de Fátima e à revolução bolchevique.

 

Depois de ouvir a senhora ministra, apenas quero dizer uma coisa que ela não teve a coragem de proclamar: a nossa Constituição tem de proclamar o direito à felicidade, com a exigência mínima de um amor e uma cabana. Sobretudo com o sonho de “aquela janela virada pró mar”.

 

Tanto paleio sobre a lei das rendas quando apenas de trata de uma exigência do memorando da troika, negociado pelo governo PS e adicionalmente subscrito pelo PSD e pelo CDS.

Dez 30

Lei das rendas, Coreia, Novilíngua, Chineses e outras Farpas

Tanto paleio sobre a lei das rendas quando apenas de trata de uma exigência do memorando da troika, negociado pelo governo PS e adicionalmente subscrito pelo PSD e pelo CDS.

Depois de ouvir a senhora ministra, apenas quero dizer uma coisa que ela não teve a coragem de proclamar: a nossa Constituição tem de proclamar o direito à felicidade, com a exigência mínima de um amor e uma cabana. Sobretudo com o sonho de “aquela janela virada pró mar”.

Dizem-me que a UNESCO vai vetar a nova lei das rendas. Porque o congelamento destas faz parte do património imobiliário da humanidade. Ainal, é anterior às aparições de Fátima e à revolução bolchevique.

Afinal Cristas é apenas ministra dos arrendamentos.

Imaginemos um sítio dos traseiros do mundo onde se juntou o pior do socialismo e o pior do capitalismo. É o do casino deste hotel. Está à espera de um bom gestor. E podemos hospedar lá para sempre os psicopatas sentenciadores das direitas e das esquerdas mais estúpidas do mundo. As dos mercenários que chamam inteligência à filosofia da traição. Já falo confucianamente encriptado.

Habituemo-nos a descodificar a novilíngua encriptada do aparente dono de mais poderes internos. Mas precisamos de muitos séculos de estudo para lá chegarmos. O melhor conselho é repararmos na nossa dimensão de pulga face ao elefante. Como d…Ver mais

Governo de Espanha repete Passos, tal como este repetiu Sócrates, sobre os desvios colossais e imprevistos, dos anteriores governos. Madrid, no entanto, começa por diminuir em 20% a subvenção públicas a partidos e sindicatos. Para além de apenas congelar o que aqui se diminuiu.

Dizia Mao, o Tse Tung, que Portugal foi o único povo europeu que se estabeleceu na China sem lhe fazer guerra. Apesar de Pequim ser humilhado por ocupações, guerras e tratados desiguais, eles nunca deixaram de ser chineses, de pensar chinês, de viver chinês. Até transformaram o marxismo-leninismo em confucionismo. Logo, o meu patriotismo, se eu for antigo, mas não antiquado, afundacionado ou casinado, não fica humilhado com a compra da EDP e do BCP. Entre o capitalista do Império do Meio e o Xico Gaioleiro, prefiro o mais civilizado.