Jan 16

A MESA GRANDE DO CONTRATO SOCIAL

A MESA GRANDE DO CONTRATO SOCIAL

 

Por José Adelino Maltez

 

A essência de uma democracia, isto é, de uma sociedade plural e competitiva, está na arte de tecer diálogo entre adversários, pela institucionalização contratual de lugares comuns, coisa que só acontece quando as realidades políticas que os animam tanto têm de submeter-se para o sobreviver, como precisam de continuara lutar para o viver, com a dignidade da não servidão. A chamada concertação social é uma dessas mesas grandes que pode transformar a lei da selva dos corporativismos num dinâmico dividir para unificar, onde a institucionalização dos conflitos é sinal de não estarmos mortos. Por outras palavras, não serve para que surja o rebanho de um país unânime numa opinião ou num hábito, mas antes para demonstrar que as convergências e divergências podem traduzir-se na emergência da complexidade crescente, numa espécie de acordo sobre os campos em que os negociadores estão em desacordo. Basta que os parceiros reproduzam nesse teatro de Estado o que cá em baixo, entre muitos empresários e muitas organizações de trabalhadores, já é uma feliz realidade. A justiça social ou geral, aquilo que cada um deve ao todo, não pode fingir que é racha-sindicalistas, para que a necessária justiça distributiva consiga evitar que a riqueza de todos não seja apenas de alguns. Basta que cresça a confiança no, de cada um, segundo as suas possibilidades, para que se sinta a verdade do, a cada um, segundo as suas necessidades. Se a aritmética da mesa da concertação não exprimir esta geometria básica do contrato social, temos que mudar de mesa, promovam-na os sindicatos, os patrões ou outras formas de autonomia da sociedade civil. Ou da iniciativa presidencial. Mas ficaríamos todos mais pobres com o desperdício de uma instituição que precisa de regenerar-se pela boa vontade.

Jan 15

O orgulho de ser maçon

Quando se restauram bulas do Komintern e penas de excomunhão, uma imagem vale mais do que mil palavras, sobretudo para quem nem sequer pode incorrer em heresia de dissidência, ou em mero pecado grave, por não ser comunista nem católico. Porque, dos dois lados da intolerância, há quem queira cumprir o que deles disse George Orwell: “are alike in assuming that an opponent cannot be both honest and intelligent”. Felizmente há muitos comunistas que já não seguem a ordem de 1922. E até o Código de Direito Canónico já não mantém os ditames da “Syllabus”. Ainda sigo a regra clássica da política, o de faz aos outros o que desejas que os outros te façam (quod vis ut alii tibi faciant), que é o melhor dos preceitos práticos.

O homem ocidental é essencialmente do contra. Porque pensar é dizer não. Só a partir dessa heterodoxia é que podemos ser alguma coisa, contra as modas que passam de moda e pelo novo que apenas é aquilo que se esqueceu. Sonhar é relembrar.

Por estes dias, tenho assistido a sucessivas quedas de máscara, sobretudo em pretensos papudos que nos enchiam de tolerância, democracia e direitos humanos. Registei meticulosamente. Nem sequer os nomeio ou critico. Apenas perdi por eles o respeito e nunca lhes entregaria o mínimo de poder, nem por abstenção. Infelizmente, até a consideração intelectual não mantenho por quem usou e abusou da mentira. Há vícios formativos que, por mais que os disfarcem, em falsos arrependimentos, tornaram a substância eternamente defeituosa. Sobretudo aquela ideia matriz de um bom revolucionário nunca poder ser humanista.

O que há de comum entre os totalitarismos do século XX, nazi-fascista e comunista, e os autoritarismos ditos conservadores de Portugal e de Espanha, sempre em coincidência com o que estão refazendo os fundamentalismos islâmicos? A resposta é óbvia: refazer os autos de fé e matar os inimigos.

Jan 15

Farpas de 15 de Janeiro de 2012

A dita questão das secretas a que alguns ligaram coisas maçónicas, ao produzir listas de ilustres deputados que proclamaram não pertencer a grupos que representam 0,0004% da população portuguesa contribuíram para que, os nomes de 90% dos honrosos declarantes da não pertença aparecessem pela primeira vez num jornal. Agora ameaçam listas idênticas para jornalistas, enquanto outros já defendem a divulgação pública dos clientes dos deputados que são advogados, patos bravos e consultores. Estamos na época da caça aos gambozinos.

A garbosa barcoleta virou mesmo, assim à vista de costa. Há muitos baixios que dão naufrágio. Não apenas com “icebergs”. Maus pilotos e excesso de prosápia é no que dão. Mesmo em bonança.

Ontem, um ilustre gambozino enviou-me carta dizendo, de fora, que tinha tantas maneiras de saber o que se passava numa instituição de que faço parte que até hesitava na que me poderia ser mais útil. Logo lhe respondi, reconhecendo a superioridade, e dizendo ter ficado esclarecido quanto ao sistema informativo. Porque se os gambozinos voassem, eles formariam nuvens que nos tapariam o sol. E a luz do astro, nos dias que correm, é, de facto um bem escasso. Até de noite, instrumentalizam o luar.

Desde quando é que eu tenho de agradecer a um qualquer membro de um órgão de soberania a mercê que ele pensa dar-me ao dizer que me deixa exercer os meus direitos fundamentais? Os direitos naturais e originários são coisa do indivíduo e não da concessão estadualizante de qualquer funil de direitos civis. Pelo menos, para mim, que sou mais por Locke do que Robespierre ou pela Constituição de 1933 que, desde que entrou formalmente em vigor, logo suspendeu de forma provisoriamente definitiva os direitos que hipocritamente discriminou.

Antes de haver Estado, constituição, parlamentos e governos, o indivíduo já tinha coisas tão básicas, como o direito à liberdade de andar, o primeiro dos direitos, ao livre pensamento e até à propriedade. Mas cuidado, sou um perigoso liberal, favorável à libertação do terrorismo, incluindo o velho terrorismo de Estado.

Qual é bandeira do sítio onde puseram a seguinte estátua?

Eis uma bandeira que ainda tremula em África. Desde 1415.

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fatuo encerra.
Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a Hora!
10-12-1928

As três últimas linhas d “Os Lusíadas”:

Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.

 

Jan 14

Farpas de 14 de Janeiro de 2012

Os olhos em bico só queriam caras conhecidas. Uma questão de popularidade. Só não sabe é como ela apareceu. A vista entre pilosidades. Por outras palavras, somos todos lixo, mas há alguns que são mais lixados do que outros. Os que pagam a factura. Enoja a falta de vergonha de quem comanda quintarolas do Estado como se elas não passassem de uma cabana de férias aposentadas. Agora entendo o que D. Pedro V quis dizer quando falou em canalhocracia.

Posso dizer uma coisita? Sempre gostei mais do Cardeal Saraiva, do D. António Alves Martins e do Betsaida. Ao menos, não eram rolhas do “mainstream” e remaram contra a corrente da ignorância, do fanatismo e da intolerância. Sobretudo, numa sexta-feira, dia treze. Essa do De Mollay.

Há dias de tanto trabalho que nem tempo tenho para o trabalho que no Facebook exerço. É um prazer cumprir o meu dever de homem institucional em serviço de cidadania. Parafraseando mestre Pessoa, no fim do sábado, sempre posso dizer que quanto mais a percepção das parangonas parece dizer que a muitos a alma falta, mais nossa alma de pátria, através da procura da perfeição, individualmente se exalta.

Há tiros aos pratos que acabam por ser meros tiros nos pés, dos patos, isto é, os que metem suas patas nas poças. Nem é preciso insinuar. O que é obvio, obviamente se regista.

 

Jan 13

Farpas 13 de Janeiro 2012

Ainda conheci velhas tascas abrileiras, com saudades do convívio da ética republicana com o fado carbonário, por onde velhos pides ainda estacionavam, na recolha da bufaria e da espuma do vinho verde. Agora, a malandrice é bem mais fina, a dos salamaleques salazarentos onde os convidados são trotskistas e maoístas arrependidos, saudosos das orgias ideológicas, mas cada vez mais longe dos povos e do espírito que os pode regenerar.

Para os devidos efeitos, declaro, de pública e espontânea vontade, que, para ser aquilo que sou, nunca nenhuma entidade estranha à minha convicção me convidou. Sou, não estou. Quando alguém tem uma concepção do mundo e da vida, vive-a, isto é, vive como pensa, sem pensar, depois, como vai viver. Pobre país, o nosso, quando desfilam os exemplos dos que dizem ser independentes só porque confidenciam que receberam convites de fantasmas polarizados por preconceitos.

“Se cuidas que a popularidade é coisa diferente da justiça e da moral austera te enganas” (Mouzinho da Silveira em 13 de Dezembro, depois de se demitir de ministro da fazenda, não aceitando ceder à ilegalidade de uma extorsão fiscal, em conselho ao sucessor)

Um ilustre deputado, sentado no hemicilo, levantou os olhos e confirmou como a casa onde está tem este retrato lá no cimo. Logo elaborou coisa de lei para o escavacar…sempre podia mandar colocar um pano negro, bem diáfano…

Um dos mais mediáticos magistrados lusitanos acaba de lançar a suspeita sobre colegas magistrados, proclamando expressamente: se eu tivesse de julgar” alguém do mesmo grupo “não sei se seria isento, imparcial e independente”. Tem responsabilidades públicas tais que não pode apenas insinuar. Muito menos ser discriminatório, isto é, fazer campanha por uma flagrante violação da constituição. Porque, se houver alguém que ele tenha de julgar e seja do grupo que ele discrimina, ele pode ser objecto do legalíssimo instrumento da suspeição, por discriminação confessada.

Mais outro, querendo banir tudo o que é rito, quer limpar mais este quadro que lá meteram secretamente. É que quase não escapa ninguém.

Outro ilustre deputado vai tentar que façam imediato agendamento, visando alterar a terminologia maçónica que dá nome a este pátio interior. Quer chamar-lhe apenas corredor, mas em inglês: “Lobby”.

Os parvos entram onde os anjos temem entrar. Mas nem todos somos anjinhos. Porque os anjos sempre tiveram esse problema com o sexo. Por isso caiu Bizâncio. Primeiro, com os Cruzados. Depois, com os turcos.

Para ascendermos um pedacinho mais e sairmos do rasteiro. Ou de como se faz parte da pátria.

Repito: faço parte de uma sociedade secreta iniciática que levantou colunas em 1140.

rgumento fatal: Portugal é o isso foi no passado. Quase novecentos anos de vida. Logo, nada como o eliminar. Nada mais eficaz para evitarmos os lixos das agências de ratação. Ainda não compreenderam o processo de niilismo em curso?

Jan 13

Declaro, de pública e espontânea vontade

Para os devidos efeitos, declaro, de pública e espontânea vontade, que, para ser aquilo que sou, nunca nenhuma entidade estranha à minha convicção me convidou. Sou, não estou. Quando alguém tem uma concepção do mundo e da vida, vive-a, isto é, vive como pensa, sem pensar, depois, como vai viver. Pobre país, o nosso, quando desfilam os exemplos dos que dizem ser independentes só porque confidenciam que receberam convites de fantasmas polarizados por preconceitos. Não gosto de ser pressionado a usar sinal distintivo obrigatório de minoria de gente da nação, seja estrela, compasso e esquadro, sinal da cruz, crescente, cinco chagas ou um simples adjectivo diabolizante ou honrado, onde se condensem as minhas convicções. Prefiro assumi-las por pensamento, palavras e obras. Não pelo método clássico da confissão, rainha das provas, mesmo que pintado de doce assédio social torturante. O processo inquisitorial já não está em vigor desde que as Cortes vintistas suprimiram a besta.

Jan 12

Farpas 12 de Janeiro de 2012

O Gmail ainda não fez o adequado registo de interesses.

O Zé Povinho, de 1875, também ainda não registou os respectivos interesses. À atenção da senhora ministra da justiça.

Prova de que ele apenas está adormecido.

O grande Raul, com um gesto que diz tudo. Ou o Zé Povinho em seu eterno.

Alguns aristocráticos da nossa praça, que por aí derramam os restos de sua soberba de “inteligentíssima”, são, quase todos, da mesma geração que circulou por idênticos quintais, visitou as mesmas fontes, tabernas e alfurjas e correu pela mesma estrada de Damasco. Conservam também quase todos o merecido êxito de confundirem a Nuvem com Juno, porque não podem falar de Mafoma nem do Toucinho. Por outras palavras, com outros nomes, eles próprios são a coisa nomeada da caça aos hereges, isto é, todos aqueles que a perspectiva do seu paroquiaríamos nunca conseguiu captar.

Certos aristocretinos que julgam deter o monopólio da casta, depois de abandonarem certo provincianismo, de esquerda e de direita, aquele com que confundiam o prazer das viagens à volta da parvónia da eurolândia, ei-los que, trocando os passos com os paços da sociedade de corte, registam ao atavismo da discriminação, do preconceito e do sãobentinho do atiça a bruxa e o supliciado, só porque têm a soberba de se considerarem anjos papudos de um certo situacionismo mental, o que já não consegue disfarçar a manutenção da intolerância, do fanatismo e da ignorância, agora contra outros cristãos novos e outras gentes ditas da nação que, grão a grão, poderemos ser todos, isto é, qualquer um de nós.

Há muitos desleixos de senectude que cargas de séculos depositaram nas cabecilhas tontas dos habituais aristocretinos da empregomania e da subsidiocracia. Basta ler qualquer manual da luta contra o racismo, a discriminação ou a lista de procedimentos das associações de apoio à vítima e à violência doméstica. O reaccionário de esquerda e de direita nunca souber o que era a tradição. É antiquado, mas não tem o privilégio de ser antigo.

Homem de um só parecer,
Dum só rosto, uma só fé,
Dantes quebrar que torcer,
Ele tudo pode ser,
Mas de corte homem não é.

Tudo seu remédio tem
E que assim bem o sabeis,
E ao remédio também;
Querei-los conhecer bem,
No fruto os conhecereis.
Obras, que palavras não:
Porém, senhor, somos muitos,
E entre tanta multidão
Tresmalham-se-vos os frutos,
Que não sabeis cujos são.
Um que por outro se vende,
Lança a pedra, e a mão esconde;
O dano longe se estende;
Aquele a quem dói e entende,
Com só suspiros responde.
A vida desaparece,
E entretanto geme e jaz
O que caiu: e acontece,
Que dum mal, que se lhe faz,
Outro mor se lhe recresce.
Pena e galardão igual
O mundo a direito tem,
A uma regra geral;
Que a pena se deve ao mal,
E o galardão ao bem.

Sempre foi, sempre há de ser,
Que onde uma só parte fala,
Que a outra haja de gemer:
Se um jogo a todos iguala,
As leis que devem fazer?
Pensamentos nunca cheios,
Não têm fundo aqueles sacos;
Inda mal, porque têm meios
Para viver dos mais fracos,
E dos suores alheios.
Que eu vejo nos povoados
Muitos dos salteadores,
Com nome e rosto de honrados?
Andar quentes e forrados
Das peles dos lavradores.
E, senhor, não me creiais
Se as não acham mais finas,
Que as de lobos cervais,
Que arminhos, que zebelinas,
Custam menos, cobrem mais.
Ah senhor! que vos direi
Que acode mais vento às velas;
Nunca se descuide o rei;
Que inda não é feita a lei,
Já lhe são feitas cautelas.
Então tristes das mulheres,
Tristes dos órfãos coitados,
E a pobreza dos misteres,
Quem nem falar são ousados
Diante os mores poderes.
Os quais quem os assim quer,
Quem os negocia assim,
Que fará quando os tiver?
Nossos houveram de ser;
Tomaram-nos para si.
Ora já que as consciências
O tempo as levou consigo,
Venhamos às penitências,
Senhor, se eu vira castigo
Boas são as residências.

Todos nós revolveremos,
Os que tanto não podemos,
E aqueles que podem mais.

Do vosso nome um grão rei
Neste reino lusitano,
Se pôs esta mesma lei,
Que diz o seu pelicano:
Pola lei, e pola grei.

Jan 11

Farpas de 11 de Janeiro de 2012

Registo de autenticidade: há muitos anos que cumpro sempre uma regra moral mínima quando qualquer jornalista me pede uma opinião sobre uma instituição de que seja membro – ele fica sempre a saber previamente se dela sou ou não sou. Mas alguns ditos jornalistas, que até me podiam encontrar no mesmo corredor do sítio comum onde trabalhávamos, nem sequer me contactaram quando me listaram como inimigo público. Uns estão pela verdade, outros por aquilo que todos podem qualificar como servicinho.

O tudólogo é o exacto contrário do especialista em assuntos gerais, que é uma das mais difíceis especialidades. Nomeadamente a do conhecimento modesto sobre coisas supremas. Especialmente naquele Portugal onde há muitos homens eruditos e poucos homens cultos. Daí que ninguém a ninguém admire e todos a determinados idolatrem.

Antigamente, havia os tudólogos, agora há os nadólogos, esse misto de niilismo com prosápia. Isto é, os que comentam publicamente assuntos, confessando, expressamente, e sobre os ditos, que “há assuntos sobre os quais eu não sei absolutamente nada”. Entre o tudo e o seu nada, há um “tertium genus”, o tudo que é absolutamente nada.

 

Jan 10

Farpas de 10 de Janeiro de 2012

Nos tempos do laicismo e da secularização, quando, nalguns Estados, chegou a admitir-se a não existência da religião no espaço público, certas polémicas teriam algum sentido de arqueologia ideológica. Num tempo já pós-secular, traduzir em calão dispositivos legislativos iranianos soa a tiro na alma daquele modelo ocidental e europeu que foi edificado através da aliança do humanismo cristão com o humanismo laico.

Ao contrário do que alguns por aí dizem, não estamos a assistir a nenhuma campanha antimaçónica. Porque, uns, os da teoria arqueológica, “a vêem como um grupo de velhos inofensivos que gostam de brincar aos disfarces”. Outros, contudo, preferem a teoria da conspiração e “referem-na como uma cabala secreta de agentes do poder que governam o mundo”, para repetirmos palavras de Dan Brown. D. José Policarpo, em superior divergência, colocou a questão no plano mais ascendente, para além do título da parangona que emite a declaração.

 

Jan 10

Económico 10 de Janeiro de 2012

O Governo já mudou de ideias quanto a coisas bem mais graves“, lembra o politólogo Adelino Maltez, referindo-se ao aumento de impostos, ou ao corte da TSU. Mas inverter o rumo faz “aumentar a falta de autenticidade do poder, que é a distância entre aquilo que se proclama e o que se pratica”, adianta. Por outro lado, é certo que “houve líderes políticos que utilizaram o facto de não haver acordo para ter mais apoio social” – como foi o caso de José Sócrates, no primeiro mandato, recorda – mas agora “há alguma falta de geometria social”, avisa o professor. Esta medida era uma forma de pedir um esforço ao privado, depois dos cortes salariais aplicados à função pública.