Set 15

Meter a ideologia na gaveta

Todos os partidos do nosso arco da governança quando estão no poder metem a ideologia na gaveta e só a usam como preconceito de esquerda ou fantasma de direita quando fazem jogos florais de oposição ao irmão-inimigo com quem acabam por repartir o bolo do estadão. Prefiro a fisioterapia que, dia a dia, me recorda o respirar em pleno da velha liberdade de me pôr as andar…

Set 14

Registo

Ontem entreguei, através de minha filha, junto da entidade patronal tanto os atestados como o livro que contratualmente me comprometi a escrever na sabática. Mas a “rentrée” ainda vai demorar, num país que me parece embriagado pelos comprimidos de “agenda setting” e pelo óleo de fígado de bacalhau do propagandismo situacionista.

Enquanto vou acordando da anestesia e da faca que me salvaram, são breves estes meus devaneios de teclado pela manhã, antes da fisioterapia e não apetece falar nos enredos carlistas que nos deviam envergonhar (do cruz ao queiroz). Só quando voltar à escrita manuscrita que precede o qwerty poderei pôr o gavião a sobrevoá-los e a dar-lhes bicadas.

Set 13

Registo

Ontem um foi dia de dar grande passeio, por ser domingo, por ser dia de sol, por ter que treinar o corpo para além das voltas de cem metros. Custou mas foi. O ar livre sabe tão bem! Claro que a caixa serrada do meu peito ainda não aguenta um simples espirro, mas faz tudo parte da recuperação. Viver apetece! Uma fresta de mar, uma árvore ou a liberdade voada de pássaro no céu da tarde.

 

Set 11

Registo

Eis a primeira vez que coloco o portátil nos joelhos e uso um teclado qwerty. Isto vai andando grão a grão, dia a dia. Os fármacos vão diminuindo para metade. A fisioterapia é todos os dias para que a caixa de ar regresso. Já dei umas voltas pela rua, mas é tudo devagar, devagarinho. Para agradecer todas as mansagens de apoio de meus amigos. Apenas o título do meu último livro-poema “Spera, Sphera, Sperança”

Set 11

Portas contra Louçã

Portas, o esteta politizado, está para Sócrates, como Louçã, o revolucionário institucional, para Manuela. O primeiro gostaria que a direita lusitana fosse mais “gaullista” e menos confessional, mas não o diz. O segundo, depois de considerar a IV Internacional trotskista como herdeira legítima de Robespierre,  tem uma coligação com os restos m.l. da UDP, o neojacobinismo humanista de Rosas e o pós-comunismo do outro Portas. Os dois foram mesuras em jogo táctico unipessoal, tentando escapar estrategicamente aos vizinhos predadores. Se um ainda vive numa tensão de dúvida metódica, onde a pulsão reaccionária e populista continua a enevoar um amadurecimento liberalizante, que confunde com a tentação ministerialista, já o outro duvida em seguir o lema  de Xico Martins Rodrigues, para quem um revolucionário não podia ser humanista. Portas pode cair e levantar-se, arrependendo-se e perdoando. Louçã ainda não consegue disfarçar o uso e abuso da guilhotina retórica, mesmo que cite Fátima Missionária.

Set 04

Registo

Antes de novos exames ca do musculo cardiaco e das tres novas canalizacoes com que o enganaram la vou dando uns passitos para me cortarem o cabelo nestes pequenos grandes gestos de olhar a cidade de janelas escancaradas com a minha filha a levar me pela mao mas temendo a euforia de sentir me recuperar…ainda nao consigo ir ao computador nem me apetece ler o jornal…prefiro espreitar a rua olando por mim dentro

 

Set 04

Depoimento a Semanário

José Adelino Maltez
“Ferreira Leite fica feliz quando lhe chamam Cavaquista”
“O artigo do Passos Coelho é para marcar a agenda, tanto podia pedir uma maioria absoluta ao PSD, como podia pedir que Ferreira Leite descobrisse a Índia. Ela ainda nem assegurou a maioria relativa quanto mais a maioria absoluta. Isso é um bom jogo dialético para continuarmos a falar dele. Não acho que uma maioria absoluta libertasse Ferreira Leite do peso do Cavaquismo. Em primeiro lugar, parece que a coitada da dr. Manuela Ferreira Leite tem o Cavaquismo a persegui-la, quando foi ela que inventou o cavaquismo sem Cavaco – até lhe interessa. As razões dos eventuais êxitos que Ferreira Leite possa ter é precisamente porque ela se assume com um cavaquismo sem cavaco. Há, pelo contrário, uma colagem dela à imagem de Cavaco. Cavaco tem uma indiscutível confiança popular como se manifesta em todas as sondagens muito mais do que ela, não sei se o dobro se o triplo. Tudo o que seja insinuação subliminar como está patente em todos os discursos de Ferreira Leite é bom para ela. Tudo o que seja um ataque a chamar-lhe cavaquista ela fica feliz. Quem sai prejudicado no meio disto tudo é o dr. Cavaco porque fica com um espaço (reduzido) onde pode ser atacado por ver o seu nome envolvido na discussão político partidária. O artigo do Passos Coelho é uma provocação ao sistema que não é aleatória, porque aquele artigo é aquele que não se estava à espera e é aquela que mais atrapalha. Não é um artigo de impulso é um artigo político de provocação ao sistema.”

Set 04

Depoimento à Visão

Segundo as declarações que prestei à revista Visão, publicadas hoje,  o Chefe de Estado quer revisitar «o cavaquismo em versão presidencial, reabilitando a teoria do homem comum de sucesso e do tecnocrata com desprezo pelos políticos». Acrescentei que, com tal fórmula, Cavaco não consegue ser «suprapartidário». É, alegoriza, «um árbitro que não resiste a dar uns pontapés na bola».

Até porque que José Sócrates «foi incrivelmente ingénuo, ao pensar que o bom relacionamento com o Presidente estava para durar e não previu o tacticismo de Cavaco que, mais cedo ou mais tarde, lhe iria tirar o tapete». Com Mário Soares na chefia de Governo, «isto jamais teria acontecido». E também achei que Cavaco «corre o risco de ficar para a História como o PR que ressuscitou o conflito entre a política e a religião», embora verifique que certas decisões do Presidente têm recebido alguns surpreendentes apoios «Até o PCP já o aplaudiu».

Finalmente, advogo ser desnecessária qualquer mexida no regime semipresidencialista, mesmo num cenário de governabilidade precária saído das próximas legislativas. «Se isso acontecer, os dois maiores partidos vão ter de arranjar energia para expulsarem Ferreira Leite e Sócrates das lideranças. Há uma criatividade na democracia que a partidocracia do eucalipto ainda não secou.»

Set 03

Os Donos do Poder

Os Donos do Poder

 

por José Adelino Maltez

 

Mesmo quem não seja um fã de M. M. Guedes e da restrita companhia da tribo “independente” que Moniz elevou a grandes educadores do nosso proletariado intelectual não deve hesitar: a liberdade exige plenitude de acção a propagandistas da situação e da oposição! Quando a entidade capitalista se desculpa com ordens vindas da patroa espanhola, mais se lamentam as anteriores palavras usadas pos Sócrates sobre a “campanha negra”, não sendo possível justificar o corte de pio com casos anteriores, como a cena dos santanistas com Marcelo Rebelo de Sousa. Não há evidentemente censura, mas liberdade do mercado, neste socialismo a retalho, que é interventor nos dias pares e licencioso nos dias ímpares, conforme os heterónimos convenientes dos donos do poder. Mas Sócrates, a partir de agora, deixa de ter debates, passa a ser o bombo da festa, a não ser que tenha a hipocrisia de mandar um porta-voz defender a liberdade de expressão da M. M. Guedes, para se assumir como bode expiatório. Julgo que alguns, mais papistas do que o papão, continuam a fazer golos na própria baliza, pensando que ter o poder é ter a palavra. Talvez acabem por comunicar ao país que a peça sobre o Freeport será emitida pelos tempos de antena do PS. De outra maneira, darão razão a todos os que acham que esse elemento é o calcanhar de Aquiles do ministerialismo. Por mim, gostava mais  que não “desviassem a atenção” da política, nesta campanha eleitoral!

Set 02

Regresso

A maquina que me fez quebrar la vai recordando o respirar e passo a passo voltando a preparar se para que possa cumprir a missao de viver o que tiver de viver olhando o sol de frente sem torcer. Estas palavras ja sao directamente tecladas por mim mas do telemovel. Obrigado companheiros desta procura que e apenas passagem