Fev 16

Há uma certa geração viagra

Há uma certa geração viagra que, de forma revisionista, julga que apenas se registarão os epitáfios que todos os dias vão esculpindo, julgando que controlam a mera história dos vencedores. Como se ela fosse uma espécie de biografia autorizada pelos autores, onde apenas se irão ler as actas que eles próprios escreveram…. Suas ministeriais excelências são muitos infernos cheios de boas intenções que o raio das cotações, das taxas e dos mercados, dia a dias, nos desmentem, mesmo que se vistam de zorrinho e se conjuguem à manel pinho, no “dominus vobiscum”… Berlusconi vai mesmo ser submetido a um tribunal. Nem tudo o que o príncipe diz tem valor de lei; e o príncipe está sujeito à própria lei que edita… Deixem-no lá estar. Assim não teremos, por cá, as direitas e as esquerdas mais estúpidas do mundo. Apenas confirmaremos que ele é um dos rostos da Europa a que chegámos. Não é porreiro, pá! É uma vergonha… O povo são as camionetas de turismo para a terceira idade com que vão enchendo de figurantes as récitas capitaleiras do sindicato do elogio mútuo e os sucessivos cenários das homilias com que reelegem a oposição que lhes convém… A razão de Estado, sem Estado-razão, continua no tem-te, não caias. Têm o apoio das oligarquias que, por eles, continuam a facturar, a legislar, a regulamentar e a interpretar as vírgulas com que conjugam o pretenso monopólio do interesse nacional… Os adjuntos de certos descendentes dos negreiros pensam que o povão apenas come e cala, enquanto o pau vai e vem e lhe folgam as costas. Mas há quem não queira ser gladiador de certas castas que se vão adaptando ao devorismo dos vários regimes, entre música celestial e discursos de fazerem chorar as pedras da calçada. Por cá continua a gestão de interesses e pressões que tentam fazer dos intelectuários meros decoradores de salão de uma decadência típica dos fins de regime, onde feitores de ricaços alienígenas continuam a instrumentalizar adesivos e viracasacas, esses porta-vozes dos donos de seus costumes que nos continuam a escravizar.

Fev 13

13 de Fevereiro de 2011 FB

Um qualquer nostálgico do império de Afonso de Albuquerque deve hoje ter-se esquecido da fatídica data do meu décimo aniversário (18 de Dezembro de 1961). O ministro dessa grande potência da pátria do Mahatma, saudando outra potência emergente, a do Reino Unido, e lendo papéis vindos de Lisboa, foi uma bela homenagem à era gâmica da história… Desde que descobrimos tal caminho marítimo, ficámos desempregados!

Abram as janelas, contra o bafio situacionista. Prefiro que a aragem constipe os coveiros do sistema, impedindo que eles se transformem nos coveiros do regime… São precisos mais críticos da democracia, para que não triunfem os habituais inimigos da democracia. Isto precisa mesmo de uma seara nova que vá além dos situacionismos, presidencial e governamental

Resta o teleponto da governança sem governo em política externa, onde o ministro indiano, na ONU, até nem reparou que estava a ler o discurso de Luís Amado, porque o guião é escrito pela pilotagem automática dos donos do poder da globalização.

O PS é situacionismo porque já esteve casado com o CDS (dantes, Basílio era ministro, agora é o alto-comissário para os investimentos) e com o PSD (o ex-presidente da distrital laranja é estrela dos estados gerais de Sócrates), com vários recrutamentos no PCP (Mendonça, Lino, Pina Moura, Vital) e sucessivas uniões de facto com o Bloco (o ex-partido dos directores-gerais de Guterres).

Liberdade é o sistema partidocrático mais reaccionário da Europa Ocidental, com dois idosos da continuidade sem evolução, sentados nas margens, com Louçã a copiar os “soundbytes” e o “agenda setting” de Portas, em sucessivas conspirações de avós e netos.

Igualdade é a geração parva, promovida pela geração dos nostálgicos do Maio 68 que são os mais idosos dos ministros continuadores de Veiga Simão, onde apenas escolhem os que são escolhidos pela casta banco-universitária e que planeiam pretensas profissões, sem flexibilidade nem humanismo, mas com muita publicidade enganosa.

Fraternidade é esta sociedade de porcos-espinhos, onde há 390 000 pessoas com mais de 65 anos em regime de multidão solitária, sem direito a vizinhança, por causa dos patos-bravos, dos gaioleiros e do financiamento partidário para o mais do mesmo, neste deserto de solidariedade.

Liberdade, igualdade e fraternidade, ou de como, na prática, a teoria é outra, neste regime que se diz contra o fado, futebol e fátima e se enreda na imagem, sondagem e sacanagem.

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Fev 10

Agostinho, Fernando e Camossa

Quando a pressão tem raiz, a ministra cede. O mal não está no consentimento às manifestações de rua que sejam justas. Está precisamente na falta de governo, isto é, no vazio de pilotagem de futuro, com muitas estratégias de caixeiro viajante e sucessivas manobras de delegado de propaganda médica. Pedimos desculpa por esta interrupção, a penhora segue-se dentro de momentos.

 

Por outras palavras, se estes termos são esotéricos para as nossas elites, isso significa que elas não querem aperfeiçoar-se no “abc” da estratégia nacional que sempre nos permitiu a vontade de sermos independentes…

Acordo. Sem vontade de escrever mais frases que finjam salvar o sistema político, para que quem manda nos continue a manter a canga. Prefiro ir visitar um velho mestre na Rua do Abarracamento de Peniche e saudar, com ele, o império do poder dos sem poder, o do Espírito Santo, onde os coroados são as crianças.

 

Depois, vou calcorrear a Rua dos Douradores e dar um abraço a um certo empregado de escritório que, de vez em quando, me traz os papéis que guarda na arca. Foi com ele que me iniciei e visitei o fundo do tempo, com o Tejo a levar-me ao templo, em circum-navegação.
Finalmente, sigo a rota que me deu o João Camossa em seu peripatético a que chamavam radical e anarco-comunalista, no partido dos velhos crentes, com o rei e os sovietes, para que chegasse o império do poder dos sem poder, onde coroávamos as crianças, nisso a quem chamamos Portugal.
Fev 09

Sistema político, baralhar de novo

O sistema político não precisa apenas de reformas, mas de um “new deal” contra as vacas sagradas da constitucionalite. Em síntese, em vez de mais um penso rápido: apenas cinquenta deputados; uma segunda câmara; e vários parlamentos regionais (desde que, tudo somado, se gastasse menos).

Em 22 de Setembro de 2006, numa entrevista a Pedro Correia, do DN, dei a minha opinião sobre a redução do número de deputados: “a questão não é matemática, mas política”. Muito menos deputados, mas com a criação de um Senado e de parlamentos regionais. “Reduzir o número de deputados é reforçar o poder da AR”, com “abandono da tradição da delegação de competências parlamentares no Governo”.

Sempre defendi, publicamente, e até em intervenções numa comissão parlamentar, como convidado, uma redução drástica para cinquenta parlamentares, cada qual com um gabinete equivalente ao de um ministro. Mas, desde que se gastasse mais, com a criação de parlamentos regionais, para eliminarmos tantas segundas e terceiras filas em São Bento.” (Agosto de 2008, entrevista a Ana Clara).

O sistema político não precisa apenas de reformas, mas de um “new deal” contra as vacas sagradas da constitucionalite. Em síntese, em vez de mais um penso rápido: apenas cinquenta deputados; uma segunda câmara; e vários parlamentos regionais (desde que, tudo somado, se gastasse menos).

Fev 06

Novo fulcro na balança do poder

As parangonas do semanário do regime prometiam, qualificando as cedências ao eixo de Merkl e de Sarkozy, como a não vinda do FMI. E assim pareciam ocultar-se as manobras de Jerónimo, ao procurar indisciplinar o situacionismo e assumir-se como fulcro da balança do poder, desorientando os pratos do rotativismo. Até Passos não disse, como Rajoy: “no me gusta que desde fuera me digan lo que tengo que hacer”. Mas a sublimação da vaidade recalcada, a do cordeiro obediente aos grandes da Europa, logo o fez vingar-se como animal feroz, malhando em fantasmas, com aquele tique da mãozinha a ir e vir, por cima do palanque. Ficou-nos o sabor birrento de quem já não pode recorrer ao Bloco como charneira, nem copiar Soares, através de uma aliança com o CDS. O homónimo do último dos apaches pode ser aguilhão para que os bois mansos, de brandos costumes, se livrem desta canga de propaganda. Por mim, apenas preferia que se envasassem os eucaliptos, com um PSD mais pós-cavaquista e um PS, finalmente, pós-socrático

Fev 04

CPLP

Os acasos da história não me fizeram combatente, mas desejo que se cumpra a honra com adequada inteligência, para que os cobardes e os traidores nunca sejam os vencedores nas brumas da memória. Os mortos de todas estas guerras, pelos muitos lados de tais combates, bem merecem que as respectivas mortes não tenham sido em vão. E os heróis que ainda resistem, de um lado e de outro, exigem a adequada paz dos bravos. Sem deserção dos homens bons, dos homens livres e dos homens de boa vontade. Ai das pátrias que não respeitam os que morreram pelas suas próprias pátrias.

 

Os massacres e as chacinas de ambos os lados não são para esquecer, mas para guardar por dentro da memória.

 

Quase todas as descolonizações da imperial Europa que Deus tem foram, quase todas levadas a cabo por governos ditos de direita. Com efeito, mesmo em França, as esquerdas que não obedeciam aos patrões da guerra fria, ainda tinham, nos anos quarenta e cinquenta, obediência ao impulso do patriotismo imperial.

 

O mesmo que marcou a nossa Primeira República e que o salazarismo traiu com a gestão de merceeiro do Acto Colonial, que não seguiu os planos monárquicos de Paiva Couceiro, ou os sonhos republicanos das missões laica, implantados por Paiva Couceiro ou Álvaro de Castro.

 

Mesmo a oposição de esquerda ao salazarismo só muito no crepúsculo da Ditadura é que abandonou essa perspectiva da nação una, ainda bem agitada pelo capitão Henrique Galvão, antes e depois da aventura do Santa Liberdade. Mas também foi este inspector colonial que, em pleno Palácio de São Bento, como deputado salazarista, teve a ousadia de, num relatório, denunciar os resquícios de escravatura que se mantinham no chamado trabalho forçado em Angola.

 

Na época da denúncia, as colónias ainda não tinham voltado ao velho nome de províncias ultramarinas, como vai acontecer com o primeiro ministro do Ultramar, um ilustre maçon que já veio tarde demais para o sonho imperial da integração, quando fracas eram nossas forças e já não podíamos livrar-nos da pressão internacional.

 

Mesmo o que a propaganda salazarista balbuciava em tempo de guerra, da nação una e indivisível, segundo velho desenho de Galvão, apenas visava adiar aquilo que ele considerava inevitável: uma terceira guerra mundial, onde o Ocidente pagaria a Lisboa esse esforço de resistência.

 

Pena que tenha tardado essa corrida contra o tempo, abolindo o indigenato e praticano o pluri-racial e o pluri-continental. Os portugueses e os povos que estavam sob formal soberania portuguesa acabaram como simples peças de um xadrez de guerras por procuração, com que se disfarçou a guerra fria.

 

Os resultados foram dramaticamente consequentes, com o revigorar dos conflitos armados em Angola e Moçambique, já depois da saída de cena da república dos portugueses.

 

É evidente que não posso ter saudades de futuro de um modelo que produziu colonialismo, escravatura e racismo, o lado sombrio de um outro luminoso sonho que o tempo não quer cumprir. E tenho de agradecer a todos esses povos o facto de quererem ser independentes.

 

A melhor forma de continuarmos a procurar Portugal fora de Portugal passa pelo universal dos futuros laços qye se tecerem entre essas diversas comunidades de várias pátrias da mesma pátria de uma língua comum que há-de ser mátria. Uma super-nação de várias nações, a caminho de uma super-nação futura que tenha o Brasil como líder.

 

Aquilo a que chamam CPLP é imperfeito esboço de um mais vasto sonho que, dia a dia, as plurais identidades e culturas podem referendar pela comunidade das coisas que se amam, com saudades de futuro.