Neste segundo aniversário de uma governação que não é carne nem peixe, mas “action man” do Bloco Central de interesses, em luta contra o défice, em regime de pilotagem automática, conforme a ameaça de défice, para uso da comissão europeia, precisávamos que outros dois endireitas, no desemprego mediático, viessem aos holofotes dos telejornais. O pretexto chamou-se “estados gerais da direita”, o local foi o eterno seminário dos sucessivos regimes. As ideias não foram nenhumas, a não ser a ameaça do ex-primeiro-ministro quanto à necessária reorganização do espaço dito do centro-direita. O povo ouviu e continuou a seguir as comemorações do meio século de vida da RTP. Eu não ouvi, já ando a ouvir, há muito, esses restos de música celestial, com os constantes bailados da tal direita que convém à esquerda. E, na prática, tais notícias são não-notícias. São meros factos políticos de criadores e criaturas. Entretanto, os jornais anunciam que há 150 000 funcionários públicos em risco, que o governo fez 2 373 nomeações na área livre para a partidocracia e que o Estado a que chegámos, com tanta obesidade, sem músculo forte nem osso calcificado, se fica assim pelo dinamismo da propaganda e das sucessivas reformas administrativas, desde que Marcello Caetano criou a moda, na segunda parte da década de cinquenta do século XX. Na prática, hoje, não há mesmo notícias. Mas apenas comentários sobre os comentários da vida política, feitos pelos eternos bonzos da situacionismo, onde também querem entrar os endireitas e os canhotos, neste crescente ditadura da incompetência que nos rege.