Saiu o “ranking” anual da corrupção da “Transparency International”. Por cá tudo como dantes, isto é, continuamos na cauda da Europa, apesar de abundarem os discursos ditos de “ética republicana” sobre matéria onde, dos vinte e cinco que estão à nossa frente, treze são monarquias, Por isso, recordei que passei grande parte da minha vida como técnico superior e dirigente da velha área da concorrência e preços, quando havia preços tabelados e margens máximas de lucro. E recordei velhos tempos, principalmente o ter aprendido a ser liberal nessas andanças, mas a nunca ser parvo, até porque cheguei a ser eleito vice-presidente da comissão de práticas comerciais restritivas da UNCTAD, em representação da CEE e, depois, da OCDE, e a ser nomeado subdirector-geral da concorrência, antes de me doutorar. E tenho saudades desses velhos tempos da Maria Belmira Martins, da Teresa Ricou e do Barreira da Ponte, ou de ministros como o Magalhães Mota, para citar os mais esquecidos. A minha velha carreira que começou na base do “cursus honorum” de técnico superior e terminou como assessor, letra A, ainda na década de oitenta do século XX, permite-me, pelo menos, dizer três coisinhas: 1) Nesse tempo, nunca houve corrupção nem fuga de informação por cima nem por baixo nessa zona, porque os directores-gerais e subdirectores-gerais eram mesmo de carreira, os ministros inspiravam confiança e os técnicos superiores misturavam comunistas e direitistas em camaradagem profissional e até amizade; 2) O Estado não andava à espera da morte da bezerra e tinha alguns instrumentos de eficácia. Eu próprio fui proponente da fixação de preços máximos para um cartel de fornecimento de gás aos hospitais que levou à imediata prática da justiça nos preços e ao consequente destabelamento, tal como fui um lutador consequente pela liberalização dos preços e do comércio, sendo um dos primitivos defensores e redactores dos primeiros projectos de lei da concorrência, bem como da extinção de regimes Pombalistas de fixação de preços, nomeadamente do “pão político”. 3) Como liberal, pouco neo e até anti-neocon, mantenho a ideia de que um Estado da nossa dimensão deve poder manter a possibilidade de intervenção extraordinária na actividade económica, nomeadamente pelas requisições e pelos tabelamentos, sem necessidade de delongas judiciais e parajudiciais, assim os aparelhos administrativos sejam competentes e livres. Qualquer dia vou contar aqui algumas histórias reais, mas prescritas, sobre esse universo de intervencionismo administrativo na economia, quando ainda sabíamos gerir as nossas dependência, com vontade de sermos independentes, nas primeiras décadas de reconstrução da democracia, antes de chegarem os “patos bravos” banco-burocráticos. Apenas digo que, só depois de muitos anos de recruta como técnico superior de matérias comerciais é que comecei a teorizar o Estado, porque vale mais experimentá-lo antes de o julgar. Apenas acrescento que já era liberal na prática, quando alguns dos nossos mediáticos liberais “neocons” ainda andavam pela extrema-esquerda. Mas, por isso mesmo, é que detesto negocismo e corrupção. Basta ver como no quadro da “Transparency International” são os países tradicionalmente liberais que estão nos lugares cimeiros dos bons princípios. Porque, na prática, a teoria não é posta na gaveta.
Daily Archives: 18 de Outubro de 2005
Universidades, gripe das aves, peseiros e severianos
Terça-feira, mais um dia no meu regresso à rotina das aulas, dos reitores, dos conselhos directivos, dos conselhos científicos, da alteração curricular por causa de Bolonha e de quase todos se esquecerem que, para sermos bons professores, temos que seguir o lema de Hernâni Cidade: primeiro a aula, depois o capítulo. Por isso reparo nas notícias do dia: que os contribuintes portugueses vão pagar mais 3000 milhões de euros em impostos e contribuições para a segurança social em 2006, um acréscimo de 6 por cento face a 2005; que das 2.400 crianças que frequentam o ensino pré-escolar de Coimbra e sujeitas a um estudo populacional, 10,5% são obesas. Recomecei aos aulas e até decidi publicar os esquemas na blogosfera, como o faço há três anos consecutivos. E consegui fazer vingar na minha escola o princípio do efectivo concurso público sem fotografia, no acesso e desenvolvimento da carreira de professor.
Prefiro reler Camilo, ao ritmo do “Jornal de Notícias”, e reparar em duas parangonas: motivações passionais deverão estar na origem do crime que chocou a região da Bairrada no passado fim-de-semana. Fonte da Policia Judiciária (PJ) de Aveiro, que ontem anunciou a detenção do presumível autor do homicídio, adiantou ao JN que a namorada da vítima poderá estar no meio de uma história de ciúmes que terminou da pior maneira; um homem, de 53 anos, foi detido, na noite de sábado, na localidade de Volta da Pedra, concelho de Palmela, por alegadamente ter ameaçado a mulher e os dois filhos, de 11 e 19 anos, com uma arma de fogo e estar na posse de armamento ilegal.
Mais preocupado ando com o meu gavião dado que um cisne com anticorpos para a gripe das aves foi detectado na Roménia, perto da fronteira com a Ucrânia, o que renova as preocupações naquele país e também nas vizinhas Ucrânia e Moldávia. Até porque um primeiro caso de gripe das aves confirmado na Grécia, pelo que uma especialista em virologia entende que a Itália poderá, em breve, ter casos de gripe das aves, uma vez que o vírus já chegou à Grécia.
Vale-nos que o ex-assessor de Imprensa de Pedro Santana Lopes quando este antigo líder do PSD desempenhou funções de primeiro-ministro, entre Julho de 2004 e Fevereiro de 2005, é o novo responsável pelos contactos com os jornalistas na candidatura de Mário Soares à Presidência da República. E fiquei esclarecido com as originais palavras de Nuno Severiano Teixeira: em momentos de crise nacional, Mário Soares sempre soube transformar esses momentos numa oportunidade para o País e interpretar os desígnios nacionais. Notei que, na sala da comissão política do velho leão, estava Dias da Cunha, mas não José Peseiro, notando as ausências de Veiga Simão e de Adriano Moreira. Em vez de Bárbara Carrilho, estava Joana Amaral Dias que, ao menos, sempre tem um blogue.
Reparei também que nenhum ministro educativo, incluindo os catedráticos que estão nos gabinetes socratistas, clamaram contra a endogamia da universidade portuguesa que parece não querer chegar à excelência através dos conceitos de sociedade aberta, competição e igualdade de oportunidades, terminando de vez com os concursos públicos com fotografia e requerimento prévio do interessado. Que tal copiarmos os modelos da Espanha e da França, ou inspirar-nos no modelo norte-americano? Isto é, percebermos a razão pela qual no “ranking” das quinhentas principais universidades do mundo apenas temos uma na cauda do pelotão? Qualquer gestor com bom senso mandaria proceder a operações de concentração de recursos escassos, salvaguardando o princípio da luta contra a desertificação do interior e das periferias. E rir-se-iam com os anúncios publicados nos semanários e nos “spots” televisivos, tipicamente terceiromundistas…