Out 25

Estes endireitas e estes canhotos ascenderam ao celestial estado da bonzice galinácea…..

O percurso da direita em Portugal, no pós-abrilismo, nessa estúpida tentação que a levou a procurar como líderes personalidades marcadas pela volubilidade das ideias, crenças e princípios. Os tais que, para justificarem os adesivismos e os viracasaquismos, quase sempre situados nas raias da traição, consideram que o espaço político que lhes permitiu a personalização do poder, sempre foi mais estreito que as respectivas ambições predadoras. Esta falta de espinha, habitual nas lideranças de grupos como o ex-CDS, levam a que muitos direitistas tenham de reconhecer que o povo dessa faixa sociológica teve razão quando puniu eleitoralmente tais primas-donas que, depois de muitos discursos do pé-atrás optaram pela desvergonha de se colocarem em bicos-de-pés, na disputa de uma qualquer prebenda ofertável pelos antigos adversários. Também não é coincidência o facto de tais antigos marechais da direita não terem, no respectivo curriculum, qualquer espécie de militância doutrinária e política durante toda a juventude. Assim, cereberalizando o que deviam ser crenças, transformaram os valores e princípios em hábeis canalizações piramidais de uma engenharia conceitual. Acresce que os mesmos marechais sempre usaram das armas da feudalidade na respectiva vida académica, transformando as coutadas catedratícias numa procissão de vaidades decretinas e nomeativas que apenas merecem muitos arrotos de tédio. Porque nestes domínios não interessa a obra nem o sermão, bastando o hábito da designação oficial para que um qualquer leigo, sem vocação, preparação ou ordens menores, ascenda ao autoritaritarismo do monge. Basta lermos de soslaio o curriculum remetido por certos membros das comissões de honra e alguns mandatários das candidaturas presidenciais, para notarmos esse oportunismo predador, de um situacionismo assente em intelectuários e em filósofos da traição.