Onde fica o exílio adequado para um português que quer continuar à solta, contra os fantasmas do absolutismo?O poder nu é, em qualquer regime marcado pelo arendtiano modelo de governo dos espertos. E quando alguém faz um discurso, em público, olhos nos olhos, criticando o poder, o melhor é sair da sala, para, depois, quando o visado não está presente, no silêncio da alcatifa, se dizer que ele o achincalhou e até insinuar que uma das respostas deveria ser a da pancadaria, ao mesmo tempo que também se insinua que ele é o autor de todos os blogues do mundo, de todos os mails anónimos do mundo, de todo os incómodos do mundo, porque ele, um dia, é do Opus e, no outro, da Maçonaria. Julgo que a mistura de omnisciência com omnipotência, incluindo a filiação no partido que está no poder, mas que não o elevou a secretário de estado da reforma administrativa, bem como a consultadoria da reforma da região autónoma da Madeira não são ingredientes que podem fazer a boa via. Porque não é boa via ser o dito o caminho e a verdade. E sempre deveríamos fugir do concentracionarismo, nesta encruzilhada que aconselha a unidade na diversidade e a manutenção da pluralidade de paradigmas. Continuo a não temer estar em desacordo com a maioria dos outros, para poder estar de acordo comigo mesmo e integrar aquela minoria onde não temo ser o único integrante. Quero viver como penso, sem pensar como depois irei viver. Por favor, onde fica o exílio adequado para um português que quer continuar à solta, à solta contra os fantasmas de um absolutismo, enredado nas teias da ignorância, do fanatismo e da intolerância?