Mai 06

Troika

Olhando as últimas sondagens, porque há serpentes que costumam devorar a própria cauda… Isto é, em termos de sondajocratura, eu não existo. Há cerca de 85% de portugueses troikianos, porque não são pró-comunistas. Por outras palavras, a dita branda é eficaz.

 

Além de levar com a troika e os discursos de Sócrates e Cavaco, sou benfiquista… Isto vai mal, mas parabéns aos arsenalistas e aos tripeiros!

 

O troikiano programa não passa de mais uma ditadura das finanças. Este vem de fora para dentro, só porque, por dentro, falta o mínimo de organização do trabalho nacional e a própria vontade de sermos independentes. Somos, definitivamente, mero quintal de provincianos que já não sabem pensar-se pelas próprias cabeças…

 

Para uns, um impulso para se livrarem de Sócrates, com a ajuda do árbitro. Para outros, uma espécie de seguro contra a chegada do neoliberalismo e o neoconservadorismo. Para mim, uma humilhação pintade de grito épico…em regime de ópera bufa.

 

Lendo e ouvindo o nacional-conformismo face ao programa troikiano, quem sou eu para não o considerar como superior aos decretos de Mouzinho da Silveira e ao programa do MFA? Por momentos até parece que valeu a pena o regabofe de incompetência e propagandismo que nos levou ao endividamento…porque para termos o pastelão que vai fundir tudo, tudo valeu a pena, mesmo a alma pequena!

 

O governo pode ser isto ou aquilo, mas não tem programa nascido da autonomia dos cidadãos. Antes de ter uma ideologia, tenho pátria.

 

E vai ser difícil a restauração. Tudo se assemelha ao apoio das elites do reino a Filipe II ou às saudações que elas fizeram da por ocasião da chegada de Junot e da sua “bela ordem” importada. Sou mais por 1640 e 1808…

 

À troika continuamos a responder com truques e tricas…

 

Perante a conferência de imprensa da troika, confirma-se a existência de uma alternativa entre a mentira compulsiva e a fraude obsessiva. Pelo menos sou totalmente favorável a movimentos de liberalização, dos que nos tornem livres. Até sou mais radical: além de liberalizar, sou pela libertação.

 

Os problemas económicos apenas se resolvem com medidas económicas. Mas não apenas com medidas económicas. Se assim fosse, Portugal deveria ser apenas mero centro de imputação de receitas e despesas e a troika poderia substituir toda a nossa governança. Incluindo a presidência.

 

O próximo parlamento e o próximo governo vão ser apenas subempreiteiros de um sistema abstracto e exógeno que trimestralmente vão medir, linha a linha, a execução da obra. E tudo num esquema de inicial custo sem dor para o pagante. Ai de quem subir ao poder. Logo, têm que ser todos.

 

A Associação Nacional dos Constitucionalistas, reunida extraordinariamente, anuncia invocar o óbvio: a manifesta inconstitucionalidade do acordo entre a troika, o governo e os partidos. Um porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa já comentou: “é preciso dar a Deus o que é de Deus e à Constituição adequado sustento financeiro”!

 

A mudança do sistema partidário vai ser resolvida por uma troika constituída pelas três principais multinacionais partidárias da Europa. As três vão pôr num papel meia dúzia de verdades que muitos dizem, mas ninguém ouve. As negociações decorrerão na Fundação Mário Soares. As refeições serão fornecidas pelos nossos principais hipermercados no Tavares Rico e a hotelaria a cargo de um cartel de bancos lusitanos.

 

Se eu pudesse engenheirar um qualquer esquema partidário no espaço não comunista, diria que precisávamos urgentemente de um partido republicano, à esquerda, de um partido liberal, ao centro, e de um partido conservador, à direita, bem como de um efectivo partido de extrema-direita, para que tudo ficasse clarificado. O resto dos existentes, depois de saldadas as dívidas, iria para o museu da pós-revolução.

 

O PS foi fundado na Alemanha num edifício do SPD. O PPD quis ser o SPD depois deste abandonar o marxismo. O CDS pretendeu ser fotocópia da CDU. Isto é, os três são de inspiração germânica para um país latino. Até o PCP recebia papel da RDA… Sou de parecer favorável à nossa desgermanização partidocrática. Prefiro o cartesianismo.

 

Quem efectivamente manda em Portugal não é o PS, o PSD ou o CDS. Foram os sistemas de decisão simbolizados por Vítor Constâncio, Durão Barroso e Aníbal Cavaco Silva, bem como as forças vivas que se federaram de forma satélite em torno desses pólos, com a posterior literatura de justificação, sobretudo dos terinadores de bancada, depois do apito final da troika. O resto é campanha para papalvo.

 

Há que ter a coragem de construir, no espaço não comunista, de uma nova esquerda, de um novo centro de uma nova direita. As actuais vão andar, nos primeiros tempos do acordo, a fingir que são verdades as mentiras que os fizeram sobreviver nesta sucessão de ditaduras da incompetência! Chega de bonzos, canhotos e endireitas!

 

Antigamente, os Parodiantes de Lisboa tinham um programa que resume a nossa próxima escolha eleitoral “Sim, Chefe! Contrariado, mas vou!”. Por outras palavras, vamos ter a servidão voluntária, com espírito fraudulento. Pena que o baralhar e dar de novo não imponha uma revolução de atitude básica, o que só pode ser conseguido com um novo caminho, isto é, de uma alternativa menos cobarde!

 

HABEMUS AKORDUM! E há três acordantes que se candidatam a feitores destes capatazes, sem se arrependerem e nos pedirem desculpa. Infelizmente, quem não é comunista ou da esquerda revolucionária não tem alternativa a quem não tem emenda e só funciona pela coacção externa de “o empréstimo ou a vida!”.

 

A troika só fala amanhã. E hoje, eu já disse tudo o que me apetecia sobre a questão. Fiquei de mal com gregos e com troianos, por amor da minha verdade. E estou a preparar a apresentação de um livro sobre um general do 28 de Maio, para daqui a bocado, na Feira do Livro. Vou meter esta viola no saco.

 

Apesar de não me chamar João, reconheço-me: “É um país esquizofrénico. Ontem dizia-se que Sócrates vencia as eleições. Amanhã pode dizer-se que perde”, depois de serem efectivamente conhecidas as medidas da troika”. Sócrates pode aproveitar “e renascer das cinzas”.

 

Sócrates é chefe do governo e no caso da troika negociou em nome do Estado português. Portanto, desprezou o Partido Socialista. Ou então acumulou clandestinamente. Por outras palavras, desta nem fingiu ter uma reunião com a Edite Estrela. Institucionalmente, é mau.

 

Só um português minoritário. Não acredito em Sócrates e não subscrevo Catroga. Nem com Blackberry.

 

não me lembro de ter votado PS, PSD ou PP…e vou continuar renitente

 

Tenho a leve sensação que hoje ocorreu na intimidade de um milhão de portugueses uma espécie de “tsunami” eleitoral…Pode ser que me engane, mas…

Mai 05

subempreiteiros de um sistema abstracto e exógeno

O próximo parlamento e o próximo governo vão ser apenas subempreiteiros de um sistema abstracto e exógeno que trimestralmente vão medir, linha a linha, a execução da obra. E tudo num esquema de inicial custo sem dor para o pagante. Ai de quem subir ao poder. Logo, têm que ser todos.

Hoje, o grau zero de política, enquanto cidadania e participação. Um Filipe II financeiro acabou de ser aclamado nas Cortes de Tomar. Foram os nossos erros que o chamaram.

Os problemas económicos apenas se resolvem com medidas económicas. Mas não apenas com medidas económicas. Se assim fosse, Portugal deveria ser apenas mero centro de imputação de receitas e despesas e a troika poderia substituir toda a nossa governança. Incluindo a presidência.

Perante a conferência de imprensa da troika, confirma-se a existência de uma alternativa entre a mentira compulsiva e a fraude obsessiva. Pelo menos sou totalmente favorável a movimentos de liberalização, dos que nos tornem livres. Até sou mais radical: além de liberalizar, sou pela libertação.

Lendo e ouvindo o nacional-conformismo face ao programa troikiano, quem sou eu para não o considerar como superior aos decretos de Mouzinho da Silveira e ao programa do MFA? Por momentos até parece que valeu a pena o regabofe de incompetência e propagandismo que nos levou ao endividamento…porque para termos o pastelão que vai fundir tudo, tudo valeu a pena, mesmo a alma pequena!

O troikiano programa não passa de mais uma ditadura das finanças. Este vem de fora para dentro, só porque, por dentro, falta o mínimo de organização do trabalho nacional e a própria vontade de sermos independentes. Somos, definitivamente, mero quintal de provincianos que já não sabem pensar-se pelas próprias cabeças…

 

 

Mai 04

Quem efectivamente manda em Portugal

Quem efectivamente manda em Portugal não é o PS, o PSD ou o CDS. Foram os sistemas de decisão simbolizados por Vítor Constâncio, Durão Barroso e Aníbal Cavaco Silva, bem como as forças vivas que se federaram de forma satélite em torno desses pólos, com a posterior literatura de justificação, sobretudo dos terinadores de bancada, depois do apito final da troika. O resto é campanha para papalvo.

Se eu pudesse engenheirar um qualquer esquema partidário no espaço não comunista, diria que precisávamos urgentemente de um partido republicano, à esquerda, de um partido liberal, ao centro, e de um partido conservador, à direita, bem como de um efectivo partido de extrema-direita, para que tudo ficasse clarificado. O resto dos existentes, depois de saldadas as dívidas, iria para o museu da pós-revolução.

Mai 03

O anúncio do acordo com a troika

O Primeiro ministro anuncia às 20h30 em comunicação ao país o acordo a que Portugal chegou com a delegação da Troika (FMI, BCE e UE) para concessão de um apoio ao país. Amanhã delegação da Troika comunicará pormenores do acordo.

 

Os comentadores do jogo Barcelona-Real anunciam: “a não perder, ao intervalo, a comunicação do Senhor Primeiro Ministro sobre a ajuda”. Entretanto, o árbitro não marca grande penalidade. O treinador recebeu cartão vermelho e não pode orientar a equipa. A de futebol. Aqui só o Teixeira dos bancos…

 

Teixeira dos Santos foi autorizado pelo arbitroika a assistir à conferência de imprensa que anuncia a nossa eliminação da eliminatória. Ainda pensavam que isto era só bolas. Usem a relva!

 

“O governo conseguiu um bom acordo…”

 

“O meu primeiro dever é tranquilizar os portugueses”

 

“Não vai haver revisão constitucional”

 

“Não vai haver privatização da Caixa”

 

Por outras palavras, “não posso entrar em muitos detalhes” (ele apenas quer dizer que a troika subscreveu o programa de governo do PS, mas fingiu que o não disse)

 

Só falta dizer que o FMI, o BCE e a UE vão votar no PS, mesmo sem Teixeira dos Santos a candidato.

 

“Nenhuma nação vence sem confiança em si própria”.

 

“Nós vamos vencer esta crise”. Pum!

Só um português minoritário. Não acredito em Sócrates e não subscrevo Catroga. Nem com Blackberry.

Mai 02

Portas e Relvas, a propaganda pura

Quem assistiu pela televisão, em directo, ao concentrado de Portas no sábado, repara como ele é mestre em demagogia, dizendo agora o mesmo em coloquial de entrevista, sem responder a nenhuma das questões que lhe apresentam, um pouco à maneira de Sócrates. Pura propaganda, mas bem engravatada. O PSD deixa esse esquema para Miguel Relvas.

Mai 02

Morte de Bin Laden

 

Ontem foi beatificado João Paulo II, um dos melhores do meu tempo. Hoje foi morto em acto de guerra, à velha maneira da vindicta, Bin Laden. Gostei mais de ontem. Pelo menos, houve um pedacinho de além e conjugámos paz com coragem.

 

O sistema norte-americano de justiça ainda é marcado pelos modelos da vindicta privada, especialmente quando o processo da guerra não é controlado pelo direito da guerra. O critério do sucesso é o grande soberano, embora venham à memória outros assassinatos políticos ordenados pelo Estado. Dos falhados (Fidel de Castro) aos concretizados (Trotski). A Rambo, prefiro a paz pelo direito…

 

Um kantiano, como eu, rejeita todos os processos de Razão de Estado, dos vitoriosos, que todos aplaudem, aos derrotados, que logo teriam adequadas críticas dos treinadores de bancada, incluindo os nossos comentadores da luta contra o terrorismo. Devemos ser o país do mundo com maiores letrados “per capita” na matéria, num espaço inversamente proporcional ao nosso poderio.

Mai 01

O bloco central mental

Ontem o “Mais Sociedade”, procurando mobilizar os pensadores da economia, da política, da história e da literatura, que são do agrado do situacionismo das nossas forças vivas, mostrou-se disponível para um reformismo que mova o presente movediço. Temeram ser e parecer liberais, chamando-lhe pré-vitorianos, e mantiveram-se no mais do mesmo, do consenso social-democrata.

 

O militante número um do PSD, Balsemão, na linha dos discursos do Pátio dos Bichos, confirma o “nihil obstat” desta sucessão de situacionismos em que se tornou o regime, contra a esquerda irresponsável que não quer negociar e os liberais assumidos que poderiam pôr em causa o equilíbrio pós-vitoriano, isto é, pós-salazarista.

 

Confirma-se que há um bloco central mental, entre a direita dos interesses e a esquerda que se vai dizendo moderna. Outrora invocavam Bernstein (como o fez Balsemão, Cavaco e Sócrates). Agora dizem que são pelo regresso de Keynes, conforme Obama. Desde que se respeitem os preceitos da doutrina social da Igreja. É a cartilha do pensamento único dos que dizem ser o caminho, nesta encruzilhada provocada pelos próprios.

 

O bloco central mental, este centrão mole e difuso, já chegou a invocar Marx, o do revisionismo social-democrata, tal como agora gosta de clamar que, do liberalismo, só o político e, eventualmente, o dos costumes. Eis a fronteira: eu sou mesmo liberal, o do político a mandar no liberalismo económico e no liberalismo social.

Mai 01

Os protectores e o tratamento de choque

Tal como no dito pós-comunismo, dos países da Europa Central e do Leste, depois da queda do Muro, vêm aí os especialistas em tratamento de choque, os que aqui vão aplicar a bela ordem exógena. Não virão como invasores, à maneira de el-rei Junot, mas como amigos e protectores, como o Marechal Beresford. Está na hora de refundarmos o Sinédrio!

 

Ser liberal em Portugal começa pela fidelidade aos Mártires da Pátria. Pela adequada resistência organizativa e pelo posterior grito no 24 de Agosto de 1820, a libertação contra os protectores! Mesmo que eles depois se encostem à Santa Aliança!

 

Há pretensos liberais ditos decepados, coxos e de cabeça arrancada, pelo que põem os pés no sítio do coração ou do cérebro. Porque no princípio deve estar o fim e a experimentação. Ora, ninguém pode negar que foram, até agora, os países de mais continuidade e crença liberais que nos deram melhores Estados, mais autonomia das sociedades e mais liberdade às pessoas concretas, de carne, sangue e sonhos.

 

Contra as crenças bem práticas, sempre se insurgiram os cultores do sem lugar (utopistas), os tecnocratas e os negoceiros. Especialmente em coisas mentais como a nossa, cercadas de fantasmas de direita (sobretudo do socialismo de direita salazarento, defensor de uma economia privada que seja economia de mercado) e preconceitos de esquerda (o Estado Social foi nome inventado por Marcello Caetano).

 

Devemos é voltar ao velho conceito de serviço público de marca liberal, à Mouzinho da Silveira. Aventura de carácter ideológico foi pôr “boys” para defenderem a ideologia como directores-gerais, sem carreira e sem educação de serviço públic…

 

O consenso situacionista é juntar a direita dos interesses à dita esquerda moderna. E eu, que não sou de esquerda, que sou liberal, até me sinto bem à esquerda dessa hipócrita esquerda. Basta ser liberal à europeia, à americana, ou à oitocentista, que é como mais sou.

 

Até a nossa direita mais à direita, faz parte do socialismo de direita, como dela diria Hayek. Eu chamo-lhe mais salazarenta, de acordo com as linhas gerais do catecismo da OPAN, que bem me tentaram enfiar no sexto e no sétimo ano de liceu, no manual do Martins Afonso, que era livro único…

 

Marcello Caetano, o efectivo criador do Estado Social, se estivesse vivo e ouvisse os discursos do 1º de Maio da CGTP, diria: como eles me repetem! Qualquer ministro das corporações diria: dizem o mesmo, pena não festejarem o São José Operário! Veiga Simão, Silva Pinto e Basílio Horta, os que andaram pelo Congresso de Tomar, devriam ensinar tal coisa aos discípulos do PS.