Mai 17

Propaganda e sondajocracia, o o urneirismo sem cidadania

Estudo do Expressso comentado por um catedrático de Direito jubilado diz que os processos de primeira instância em Portugal demoram em média 15 vezes mais tempo a chegar ao fim do que na Finlândia. Freitas do Amaral corre o risco de ser chamado a substituir o eterno sentenciador do nosso Observatório da Justiça, outro catedrático aposentado, mas de economia, e guru do Bloco de Esquerda.

O memorando de entendimento assinado entre o Governo de gestão e a troika não está publicado na íntegra em português nem no portal do Governo, nem no portal do Ministério das Finanças, ao contrário do que José Sócrates disse pensar existir…

Governo só publicou em português resumo de 15 páginas do acordo com a troika

As tradições democráticas portuguesas têm uma história pouco contada. Durante o primeiro governo de maioria relativa do PSD de Cavaco Silva (de 29%), esboçou-se uma alternativa oposicionista maioritária com o PS (de Vítor Constâncio), o PRD (de Eanes) e o CDS (de Adriano Moreira). O presidente de então, Mário Soares, recusou. Preferiu dissolver.

Segundo as sondagens de ontem, os partidos da troika têm 84,1%. Em segundo lugar, vem a multinacional partidária europeia do PPE, com 48,7%. O PS está em terceiro, com 36,1%. Se reeditássemos a primeira coligação com o FMI, de 1978, PS e CDS teriam 48%. Se se fizesse uma coligação PS/PCP, 42,9%. Só a união das esquerdas (PS, PCP, BE) teria 49, 1% e seria esmagadora.

Quando acabar a propaganda pura em que nos vão ilusionando e o acordo de resgate for traduzido para medidas de austeridade do quotidiano, o cinto do regabofe que nos apertar pode servir para chicote de revolta. E se tivermos um governo minoritário de cabrais, apenas clamando pela vitória no jogo urneiro, a patuleia será inevitável. Vale mais regeneração, já, mesmo sem D. Maria II.

Um urneirismo sem cidadania pode não dar obediência pelo consentimento. Isto é, pode ser legal e formal, mas tornar-se rapidamente ilegítimo. A legitimidade do título pode não confundir-se com a legitimidade do exercício. E não me apetece ter razão antes do tempo.

Mai 17

Entre a aritmética das sondagens e a geometria política

Segundo as sondagens de ontem, os partidos da troika têm 84,1%. Em segundo lugar, vem a multinacional partidária europeia do PPE, com 48,7%. O PS está em terceiro, com 36,1%. Isto é, caso se reeditasse a primeira coligação com o FMI, de 1978, PS e CDS teriam 48%. Mas se fosse possível uma coligação PS/PCP, já haveria 42,9%. Só a união das esquerdas (PS, PCP, BE) teria o auge dos 49, 1%. Por outras palavras, em termos de aritmética imaginativa, até podemos ter um governo exclusivamente CDS, com apoio do PS e do PSD, mesmo que Sócrates, Passos e Portas não ministerializem. Aliás, encontraríamos entre prováveis deputados socialistas um democrata-cristão que vem de governos com o PS e o PSD. O problema não é da aritmética politiqueira da sondajocracia, é da geometria social de apoio da democracia. Um urneirismo sem cidadania pode não dar obediência pelo consentimento. Isto é, pode ser legal e formal, mas tornar-se rapidamente ilegítimo. A legitimidade do título pode não confundir-se com a legitimidade do exercício.

Mai 16

Campanha. Em dia de debate Jerónimo vs. Sócrates

Novas pinga-sondagens. Trovoada de empatas. Para que tudo continue um “zero sum game”. Como se a democracia não devesse ser um jogo de soma variável. Onde todos os jogadores competem para que todos ganhemos. Porque a concorrência pode gerar mais valias do que a paz dos cemitérios de uma união dita nacional…

O CDS quer. O PSD põe. O PS dispõe. O resto esgana. A “troika” quer, o eleitor já não dispõe. Só em sonho, a obra nasce. Em metapolítica que seja política.

Afinal, a chamada “cassette” mudou de cabeçona. Agora é mera “pen stick” na ranhura do nosso primeiro.

Jerónimo defende a pesada herança do Estado Social. Como se o dito “Welfare State” tivesse nascido do sovietismo…

Mansa não era a tia de nenhum…

A política patriótica e de esquerda não se mede aos custos…

A grande virtude do PCP é que mantém o Manifesto de 1848, de Karl e de Friedrich…

A diferença entre estatização e nacionalização é música celestial para fazer chorar as pedras da calçada…

Olhem que não… aos dois

Quem nacionalizou o BPN foi Vossa Senhoria!

As nacionalizações do PCP são 51 mil milhões. O custo da incompetência é capaz de ser bem maior…

O cheque-bébé e o complmento solidário para a taxação das pensões…

São Pedro continua a protestar pelo trovão…

Porque o PCP não cumpriu a sua missão de ter apoiado o PS. E Jerónimo a dançar o tango…

Levam os dois gravata monárquica desmaiada…

Estou convencido que há uma tradução portuguesa… O nariz cresceu…

A “penstick” acabou de virar a minha memória “ram”…

O computador do PC ainda não aderiu ao “Windows”…continua engasgado

“Portugal não é um país pobre…” (onde é que eu já ouvi isto?)

E o vinho dá de comer a um milhão de portugueses…

Jerónimo adere ao neoliberalismo: diz que é contra o proteccionismo. Subscrevo.

Jerónimo dança, mas quem dá a música é o Zé.

Não fui eu que abri os hipermercados ao domingo… O pingo doce é amargo e o continente está zangado.

O debate é mesmo chato…

Só a Clara de Sousa tenta dar murros na mesa… do orçamento.

A autoridade da concorrência faz o seu melhor….Olhe que não, veja as petrolíferas dos malandros…

Um chumbava, o outro não passa de sofrível mais… Ambos são tédio militante.

Uff…já acabou

Pedimos desculpa por esta interrupção. O debate vai fingir que começa agora com os que o têm de comentar

Mai 16

Entre a aritmética das sondagens e a geometria política (Diário Económico)

Entre a aritmética das sondagens e a geometria política

por José Adelino Maltez

 

Segundo as sondagens de ontem, os partidos da troika têm 84,1%. Em segundo lugar, vem a multinacional partidária europeia do PPE, com 48,7%. O PS está em terceiro, com 36,1%. Isto é, caso se reeditasse a primeira coligação com o FMI, de 1978, PS e CDS teriam 48%. Mas se fosse possível uma coligação PS/PCP, já haveria 42,9%. Só a união das esquerdas (PS, PCP, BE) teria o auge dos 49, 1%. Por outras palavras, em termos de aritmética imaginativa, até podemos ter um governo exclusivamente CDS, com apoio do PS e do PSD, mesmo que Sócrates, Passos e Portas não ministerializem. Aliás, encontraríamos entre prováveis deputados socialistas um democrata-cristão que vem de governos com o PS e o PSD. O problema não é da aritmética politiqueira da sondajocracia, é da geometria social de apoio da democracia. Um urneirismo sem cidadania pode não dar obediência pelo consentimento. Isto é, pode ser legal e formal, mas tornar-se rapidamente ilegítimo. A legitimidade do título pode não confundir-se com a legitimidade do exercício.

 

Mai 15

Da falta de um programa liberal

Somos o único país do espaço político da União Europeia, onde um eventual programa liberal está à direita do programa do PPE, dos conservadores e dos democratas-cristãos. O propagandismo do socialismo e das esquerdas comunistas consegue este milagre. Qualquer observador independente e liberal poderá também confirmar que o programa de Passos Coelho não é liberal. Está bem mais à direita.

Mai 15

Da propaganda

A melhor propaganda é a propaganda que não parece propaganda. Uma velha ideia de Goebbels. Que aqui deu em serões para trabalhadores e em política de espírito. Agora, há quem se gaste pelo mau uso. E quase se prostitua pelo abuso. Até pretensos independentes. Apenas respondem a velhos e futuros ajustes directos.

 

Se alguém começar a pesquisar em demasia, muda-se o filtro. Porque a hiper-informação apenas serve para que alguns controlem melhor a informação, dizendo que a dão toda.

 

Um quarto de hora antes da execução das primeiras medidas da troika, já sem truques nem tricas…

 

Dois meses antes do 5 de Outubro de 1910, os monárquicos situacionistas esmagaram os republicanos. Um ano antes do 28 de Maio, os republicanos bonzos obtiveram uma exuberante vitória. É costume. Um quarto de hora antes, está tudo vivo…

Para muitos adeptos do chamado pragmatismo, um bom governo de Portugal p.f. poderia ser o tal do CDS, aprovado maioritariamente por PS e PSD, mas desde que todos os ministros adesivos pudesse inserir-se na categoria mais lucrativa da nossa politiqueirice: a do viracasaquismo!

Alguns analistas explicam a encruzilhada por causa da máquina de propaganda do PS que até faria mais de uma conferência de imprensa por dia. Não sou desses. Sou mesmo do contra. Até contra os que agora estão no contra os do contra, para poderem saudar quem quer que for o vencedor. E facturar.

 

Presidente Cavaco não comenta sondagens no seu “Facebook”. Por mim, apenas me recordo do que prometeu para depois de 5 de Junho: um governo com apoio maioritário. Até pode ser um governo exclusivamente CDS, com apoio do PS e do PSD. Pelo menos, seria inédito.

A pressão dos cenários propagandísticos da partidocracia em campanha é forte demais e qualquer semelhança entre este espectáculo de récitas suburbanas e a cidadania activa é pura coincidência. O palanque dos líderes já cansa e a personalização do poder enjoa.

Mai 14

PASSOS COELHO vs. PORTAS. Correio da Manhã

 

Ambos são dois parceiros da mesma multinacional partidária da Europa e subscritores do sistema de resgate do protectorado dos credores, mas ambos tentaram apresentar fingir um “mix” feito de metáforas onde entram coxos e muletas. O jogo teve duas partes: na primeira, Portas manobrou e teve bom domínio de argumentos, mas, na parte final e no prolongamento, deslumbrado pela retórica, acabou por assumir, como propostas suas, reformas que, constitucionalmente, só podem ser asumidas, pelo menos, com o acordo entre os três partidos do arco da “troika”. Mas ambos demonstraram que apenas são uma das faces da moeda do situacionismo

 

 

PASSOS COELHO

 

POSITIVO

 

Soube demonstrar o irrealismo das propostas de Portas, sem o acusar de clientelismo ou de caciquismo

 

NEGATIVO

Deixou enredar-se num moderação defensiva que quase nos fez parecer que tinha comandado o gobernó nos últimos seis anos

 

 

PAULO PORTAS

 

POSITIVO

Conseguiu aproveitar os argumentos antipassistas vindos do PS e atacar o PSD à esquerda, ao centro e à direita

 

 

NEGATIVO

Não foi capaz de olhar de frente para o adversário quando teve conciencia de ter ultrapassado os limites da prudência

 

In Correio da Manhã

Mai 14

A pressão dos cenários propagandísticos da partidocracia

Enquanto não volver a confiança pública, todas as palavras que os líderes políticos emitem são palavras sem sentido, porque a comunidade já concluiu que os nomes invocados não correspondem ás coisas nomeadas.

 

A pressão dos cenários propagandísticos da partidocracia em campanha é forte demais e qualquer semelhança entre este espectáculo de récitas suburbanas e a cidadania activa é pura coincidência. O palanque dos líderes já cansa e a personalização do poder enjoa.

 

Presidente Cavaco não comenta sondagens no seu “Facebook”. Por mim, apenas me recordo do que prometeu para depois de 5 de Junho: um governo com apoio maioritário. Até pode ser um governo exclusivamente CDS, com apoio do PS e do PSD. Pelo menos, seria inédito.

 

Alguns analistas explicam a encruzilhada por causa da máquina de propaganda do PS que até faria mais de uma conferência de imprensa por dia. Não sou desses. Sou mesmo do contra. Até contra os que agora estão no contra os do contra, para poderem saudar quem quer que for o vencedor. E facturar.

 

Para muitos adeptos do chamado pragmatismo, um bom governo de Portugal p.f. poderia ser o tal do CDS, aprovado maioritariamente por PS e PSD, mas desde que todos os ministros adesivos pudessem inserir-se na categoria mais lucrativa da nossa politiqueirice: a do viracasaquismo!

 

Dois meses antes do 5 de Outubro de 1910, os monárquicos situacionistas esmagaram os republicanos. Um ano antes do 28 de Maio, os republicanos bonzos obtiveram uma exuberante vitória. É costume. Um quarto de hora antes, está tudo vivo…

 

Um quarto de hora antes da execução das primeiras medidas da troika, já sem truques nem tricas…

Mai 14

O micro-autoritarismo sub-estatal

O micro-autoritarismo sub-estatal, que alguns qualificam como corporativismo, tanto vem das forças vivas que pretendem transformar o poder político em feitor de algumas forças económicas, como dos ocupantes dos interstícios tecnocráticos da mesa do orçamento, onde, como dizia Rodrigo da Fonseca, oposicionistas se transformam em alegres convivas…

 

Entre o país real e o país oficial, há sempre os intermediários, os comadres e os compadres de que falava Alexandre Herculano. Alguns deles passeiam-se por estes dias como os habituais emplastros dos líderes dos partidos dominantes nas suas visitas á província, entre jantaradas e feirinhas. São quase sempre irmãos-inimigos do mais do mesmo: o bloqueio do centrão mole e difuso…

 

A autoclausura reprodutiva de certas pretensas elites, as que fornecem fichas para os programáticos tecnocráticos, que os líderes tentam explicar, mas não conseguem comunicar. Porque lhe falta uma simples ideia de obra, não conseguem gerar manifestações de comunhão, dado que todos entendem as normas como hipocrisia, a do “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”.

Mai 13

O programa educativo do PSD

Santana Castilho, ao alertar ontem para os programáticos que costumam assaltar o PS e o PSD, entre a reencarnação de Maria de Lurdes Rodrigues e uma Isabel Alçada de saias, confirmou a parte mais incompetente dos programas actuais das duas principais forças do Bloco Central na parte educativa, baseados na tecnocratice do educacionês, herdeiras de Veiga Simão e Roberto Carneiro.

 

Catroga, como avô de si mesmo, foi fiel, no programa do PSD, ao maior erro do cavaquismo, cedendo aos avaliólogos e educacionólogos e as que se visionam como ministros, só porque os escrevinhadores das alíneas sobre educação e universidade adoram o novo deus da economia como rainha das ciências sociais. Ao ceder ao conservadorismo do que está, demonstrou a total incapacidade de reforma.

 

A educação e as universidades, marcadas por dezenas de anos de incompetências ministeriais cimeiras e pelos jogos corporativos que às mesmas e entre si se estiolam, nunca serão capazes de sair da encruzilhada com as alíneas das forlhas de “Excel” subscritas por Catroga ou pelos restos programáticos do PS. A não ser para gáudio dos ministeriáveis, reitores, educacionólogos e avaliólogos que se querem vingar.

 

A seita dos irmãos-inimigos do educacionês, os donos daquele discurso hermético dos seminários e consultadorias onde se beijocam pss, psds e cdss do mais do mesmo, ainda não compreendem que gastamos demais para aquilo que devíamos fazer, onde deveríamos fazer muito mais, com professores que professam e escolas livres dos tecnocratas e das sucessivas ditaduras da incompetência dos controladores que nunca fizeram.

 

A catrogueirice educativa enxameou-nos as escolas e as universidades de bloqueios centrais e cartéis de votos e carreirirsmos, onde os dissidentes são escorraçados e processados, porque eles querem ter o estúpido monopólio do desastre, manuseando a mesa do orçamento. Todos gaguejam! Incluindo os que se dizem antigagos, só para o poderem substituir ou dele se vingar!

 

Já não comento mais catroguices e desmentidos de ajudantes de catroga sobre as respectivas prestações. São directamente proporcionais à ultrapassagem do prazo de validade dos remédios socráticos e cavaqueiros. Quando o PS devia ser pós-socrático e o PSD, pós-cavaquista. Entre a banha da cobra e as folhas “Excel” do planeamentismo antiplaneamentista, venha o diabo e escolha!