Andam por aí inúmeros seres de intolerância

Andam por aí inúmeros seres de intolerância que me vão arrepelando a alma, desde jacobinos não reciclados, militantemente anti-religião, muitos pelos complexos e frustrações qye receberam em seminários e colégios religiosos, a permanentes ratos de sacristia, pintados de beatos. Ambos assumem a espionite da viperina língua, não disfarçando os salamaleques da diplomacia do croquete dos que se entretêm a espalhar o veneno da intriga neopidesca. E lá nos vamos estreitando em pedinchice de uma barataria que nos reduz a um entupido portugalório. Há muitas capelinhas que preferem actuar pela calada dos passos perdidos. Há muitos que continuam a fabricar aquelas cumplicidades que lhes permitiram ganhar a vida como pretensos donos daquilo que formalizam como inteligência, mas que assumem a intolerância típica dos inquisidores e sargentos da censura. Há muitos que apenas toleram que sejam eles próprios os fabricantes da intolerância, da difamação e do insulto. E ai de quem ousar pisar-lhes as calosidades opinativas, rejeitando seguir-lhes os ditames que emitem sobre a partidocracia que os protege e prebenda, ou ofender-lhes os meandros apoiantes do respectivo benefício situacionista. Têm sempre disponível matilhas de raivosos canídeos, que logo ribombam num eco multitudinários do mata e esfola. Claro que, graças às barrosadas e portadas de quem fostes servidores, atentos, reverendos e obrigados, haveis ido daquela para outra melhor, bem cobertos misticamente, e melhor subsidiados bancariamente, para que se cumprissem os objectivos da criação da tal direita que convém à esquerda. Vós sois os eternos críticos e oficiosos biografadores daqueles que, em troca, vos elogiam, irmanados que estais no sindicato das citações mútuas, nesses doces enlevos que vos fizeram encartados homens de cultura. Até esperais que mais doce ainda possa ser a vossa caminhada no “cursus honorum” das barretices e borladas de capelo olímpico, que vos hão-de doirar em retratos a óleo na sala de estar e em muitos bustos com ar de brutos. Porque, como cães de fila e vozes de dono, nunca passareis de engraxadores do ditirambo, visando subir mais alto, aos etéreos vértices donde, finalmente, podereis clamar o “cheguei, vi e venci”. Pois, continuai a falar em doutrinas como justificação para o insulto e a mentira, como outros disseram pátria e humanidade, para disfarçarem crimes de assasinato físico e moral. Eu não me calarei, enquanto a voz puder ser comunicada aos outros. Apenas me apetece recordar uma bela frase de Henrique Paiva Couceiro: “vocês não imaginam o quanto trabalho me deu na vida continuar pobre”.

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