As semelhanças entre Alberto João e Silvio Berlusconi

As semelhanças entre Alberto João e Silvio Berlusconi resultam de ambos serem um excelente exemplo da democrática personalização do poder, embora o primeiro tenha continuado a vencer eleições e o segundo esteja a digerir uma recente derrota nas regionais. Quando as notícias são apenas conclusões que já estão previamente escritas, de nada valem os preâmbulos históricos da verdade e, muito menos, as permisssas, não vá o diabo da realidade tecê-las. Quando se é missionário da “agit-prop”, não há factos, mas apenas interpretação dos factos. Quando os grupos, movimentos políticos ou partidos viram à direita ou à esquerda apenas para se fulanizarem, sem deixarem, nos mecanismos internos, qualquer tipo de pluralidade e eliminando as resistências dos contrapoderes, eles correm o risco de nem sequer repararem nos dejectos não recicláveis que outras entidades para aí possam emitir. Por outras palavras, a personalização do poder, mesmo a nível das paróquias, leva a que tais grupos, movimentos ou partidos, se transformem em comissões de candidatura do sol que os conduz, e apenas virarão para onde os conduzir os caprichos da eficácia. Empanturrados pelo tacticismo, perdem estratégia, durando até que sejam apanhados por uma qualquer lei dos dinossauros. Muito semelhante é a posição de certos intelectuais lusitanos que, de antigos incendiários do PREC, viraram circunspectos bombeiros dos fogos que ajudaram a atear, graças às avenças que antigos companheiros, feitos conservadoríssimos ministros de governos do extremo-centro, lhes vão prodigalizando, só porque assumem a imagem de reformadores oficiosos das golpadas revolucionárias que introduziram no sistema. Entre eles e os oligopólios da advocacia, subsidiados pela mesma fonte, venha o Sílvio ou o Alberto João e escolham. Os patinhas não são patetas.

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