Assisti, atenta e civicamente, à entrevista de um primeiro-ministro que pretendeu assumir a imagem do chefe sóbrio de um governo sóbrio, não emitiu, de forma calculista, qualquer espécie de “soundbyte”. Disse apenas o que era previsível, comentando e glosando o que já se sabia. Isto é, não disse nada, apesar de falar muito. Proclamou que não era comentador político, mas actor político. E que “só se fala quando se tem alguma coisa para dizer e não por espalhafato ou para comentário político”. Mais acrescentou que “não é função deste Governo fazer a autópsia do passado”. Isto é, a primeira maioria absoluta do PS acabou com o regime da “picarenta falante”. Resta saber se o tal actor político já tem peça a representar, ou se quer assumir-se como autor político, para além daquela parte do guião que levou à proposta de redução para metade das férias judiciais e da anunciada extinção de 117 dinossauros autárquicos, num universo de 308 concelhos.