Jun 06

Depoimento à Reuters

Da Reuters, há bocado: Adelino Maltez, a political analyst in Lisbon, said the election “puts Portugal in the normal European groove of centre-right governments, which deserves more investor confidence.” He said the PSD and CDS-PP should be able to agree on ministerial portfolios quickly, perhaps this week.

 

But he said a new government might have a better chance of riding out a popular backlash over the austerity measures if it was broadened out to include the outgoing Socialists, and this might take longer” (Telegrama da Reuters).

 

“The solution should go via a regime pact with the Socialists, the party that negotiated the bailout. Maybe the government could include one of their ministers, say Luis Amado staying on as foreign minister,” Maltez said. Analysts say President Anibal Cavaco Silva may push for such a solution during talks with the parties this week” (idem…apenas uma ideia agitadora da estabilidade).

 

“This election marks the end of a minority government and will allow for a Parliamentary agreement that is inevitable and essential,” said José Adelino Maltez, a political-science professor at the University of Lisbon. “We have to create confidence that we can meet our obligations,” he added. (Wall Street)

Jun 06

A arriscada missão do PSD

O PSD tem a arriscada missão de liderar a pós-revolução e tem de o fazer, em aliança com o CDS, através de um pacto de regime com o novo-velho Partido Socialista. O programa de consenso está nos discursos de Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, no passado 25 de Abril. E tudo deveria estar firmado para ser anunciado em 10 de Junho!

 

Quando a sociologia mais conservadora do eleitoral demonstrou não ter medo do programa de mudança de Passos Coelho e não sufragou os reflexos condicionados de medo, emitidos em exagero pela propaganda socrática, os principais agentes políticos cá da república não podem agora apenas conservar o que está do lado daquela direita dos interesses, tradicionalmente viracacaquista!

 

Estou particularmente curioso quanto ao modelo de segurança que vai ser ministerializado. Temo que optem pelas teses de certo Estado de Segurança Nacional de certa espionagem que unem PSD e PS, ou que, em reacção se fiquem pelo sindicalismo securitário que inebria o CDS. Vali mais recorrerem aos velhos modelos da fundação da nossa democracia, sem se iludirem com os generais e ministros do “ancien régime”.

Jun 06

Novos deputados

Vários antigos alunos meus foram eleitos deputados: no PSD, no PS, no PCP. Não reparei ter algum ex-aluno no CDS. E os que tenho no Bloco foram relegados. Estou feliz por eles, especialmente pelos que se vão estrear. Um grande abraço ao Meirinho, à Nilza, à Mónica, ao Duarte e à Isabel. Há alunos que são bem melhores que os professores. Sinal de boa escola!

 

Um abraço de grande solidariedade aos meus amigos socialistas e anti-socráticos que ontem acabaram por votar no partido de sempre, o PS. Vocês são mesmo necessários à democracia.

 

Um abraço, do lado dos vencedores, aos que, andando na semana anterior com ilusões de voto fora da área, acabaram por confluir na grande corrente que repôs o PSD como gigante.

 

Apenas não posso dar os parabéns aos bloquistas que têm de reconhecer o PS, mais uma vez, como o grande reciclador da esquerda revolucionária e o PCP como a pedra firme de uma certa religião laica.

Jun 06

Análise eleitoral a quente. Depoimentos aos jornais

“This election marks the end of a minority government and will allow for a Parliamentary agreement that is inevitable and essential,” said José Adelino Maltez, a political-science professor at the University of Lisbon. “We have to create confidence that we can meet our obligations,” he added.

 

Ontem, os politólogos, nomeadamente o meu nome, falaram para televisões da Estónia, da Eslovénia, para o “Wall Street Journal”, tal como antes avisaram para a Reuters e hoje comentaram na Radio Nacional de Espanha. Ontem, foram os comentadores-actores e muito bem. Hoje, a mudança começa a mostrar forma.

 

“Depois deste breve intervalo urneiro, em que a ilusão de soberania residiu em a nação, conforme as palavras constitucionais de 1822, confirmou-se que o Presidente Cavaco não perdeu as eleições. Pena terem demorado tanto tempo a realizar-se”(JAM, DN)

 

“Infelizmente, o que estará em cima, na governação e na necessidade de acordos parlamentares para o aprofundamento maioritário, pode ser mera consequência do paralelograma de forças deste arquipélago de sub-situacionismos, onde reside a capilaridade social dos grandes partidos sistémicos, integrados nas principais multinacionais partidárias da Europa” (JAM DN)

 

“Mas o brio nacional, que, apesar de difuso, ainda é a principal chama desta encruzilhada, exige que, depois da liderança de pretensos homens de génio, em sucedâneos messiânicos, se entre num novo ciclo de liderança de homens comuns, capazes de organização colectiva do trabalho nacional.”(JAM DN)

 

“Por outras palavras, o regresso ao ciclo da governança dita de direita impõe um estilo centrista, liberto do centrão mole e difuso dos blocos centrais da partidocracia e do mero consenso de interesses. De outra maneira, poderemos pedir desculpa por essa interrupção, dado que o mais do mesmo continuará dentro de momentos” (JAM DN).

 

“Mas há, de certeza, homens de bem na meritocracia de Portugal que vão fazer pontes e talvez haja efectivas promessas de cooperação para que a aritmética parlamentar se transforme numa maioria social. Nem que seja um acordo sobre o que estão em desacordo, com cláusulas condicionais de cooperação. (JAM DN).

 

“Depois de já estarem todas escritas as frases que comentaram as sondagens, teremos agora de concluir que os programas eleitorais já foram todos escritos e que apenas nos falta um governo capaz de pilotar o futuro, depois de devidamente “troikado” (JAM DE)

 

” Com efeito, mais de 90% da programação da governança já está pré-definida, enquanto os primeiros resultados analíticos demonstram a incapacidade que as sondagens tiveram quando não conseguiram medir o nível das abstenções”(JAM DE)

 

“Por outras palavras, estas eleições não tiveram o ritmo de mobilização heróico, nomeadamente das eleições para a Assembleia Constituinte de 25 de Abril de 1975… O povão não sentiu a “pátria em perigo” e não se mostrou disposto a passar um cheque em branco ao sistema. Por outras palavras, o normal continua a ser o haver destes anormais” (JAM DE)

 

“O chamado derrotado, o PS, para além da tradicional cura de oposição, está condenado a entrar na era pós-socrática e a encontrar uma liderança de transição com a tralha aparelhística, numa co-optação com o modelo da troika, por ele negociado.”(JAM DE)

 

“Por outras palavras, há o risco de uma certa clausura auto-reprodutiva, onde dominarão factores de poder que já não são maioritariamente domésticos, ou intra-nacionais, com a consequente gestão de dependências e inevitáveis manobras de navegação na interdependência, sobretudo na política europeia e na sucessão de acasos da geofinança.” (JAM DE)

 

“A democracia não pode ser um jogo de soma zero, mas um jogo mobilizador, de soma variável, com lideranças regeneradoras e congregadoras. Tenho esperança.”(JAM DE)

Jun 06

Notas eleitorais

Quando a sociologia mais conservadora do eleitoral demonstrou não ter medo do programa de mudança de Passos Coelho e não sufragou os reflexos condicionados de medo, emitidos em exagero pela propaganda socrática, os principais agentes políticos cá da república não podem agora apenas conservar o que está do lado daquela direita dos interesses, tradicionalmente viracacaquista!

 

O PSD tem a arriscada missão de liderar a pós-revolução e tem de o fazer, em aliança com o CDS, através de um pacto de regime com o novo-velho Partido Socialista. O programa de consenso está nos discursos de Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, no passado 25 de Abril. E tudo deveria estar firmado para ser anunciado em 10 de Junho!

 

Apenas não posso dar os parabéns aos bloquistas que têm de reconhecer o PS, mais uma vez, como o grande reciclador da esquerda revolucionária e o PCP como a pedra firme de uma certa religião laica.

 

Tudo como dantes. A habitual palha de Abrantes. Isto é, o centrão sociológico que abandonou o PS e se passou para o PSD, como dantes se tinha passado do PSD para o PS. E com o Bloco de Esquerda a entrar em ritmo de “pê-erre-dização”…

 

Maioria absoluta em Portugal para o Partido Popular Europeu. Apesar dos esforços da Senhora Merkl no apoio à secção portuguesa dos socialistas europeus. Até nos pepinos ibéricos que, afinal, eram rebentos germânicos de soja.

 

Lá se foi a noite eleitoral. Com vitória formal da abstenção. Isto é, fomos derrotados. Desejo boa sorte para que da próxima vez possamos mesmo escolher um programa de governo pela via eleitoral, quando restaurarmos os mínimos de independência nacional. Até lá, protectorado, como disse um dos futuros parceiros da coligação.

 

A abstenção pode significar uma atitude de superior desprezo, em protesto contra a usurpação da democracia por um “l’État c’est lui” de uma oligarquia.

 

Quem cala (eleitoralmente) tanto pode consentir como nada dizer (quis tacet nihil dicit). De qualquer maneira, há movimentos e partidos que podem assumir-se como vozes tribunícias, promovendo um esforço de integração no sistema dos marginais ou excluídos.

 

A democracia abrileira conseguiu ser a mais inclusiva das três que tivemos, desde que em finais de 1979 os marginais conquistaram o poder evitando o sonho de mexicanização. Superou-se o modelo de clausura do partido sistema (PRP, contemporâneo do PRI), ou do rotativismo devorista (equivale ao bloco central onde o PSD se assemelha aos regeneradores e o PS aos progressistas).

Jun 05

PASSOS, OU CENTRISMO SEM CENTRÃO

 

PASSOS, OU CENTRISMO SEM CENTRÃO

José Adelino Maltez

 

Depois deste breve intervalo urneiro, onde a ilusão de soberania residiu em a nação, conforme as palavras constitucionais de 1822, confirmou-se que o presidente Cavaco não perdeu as eleições. Pena, terem demorado tanto tempo a realizar-se. Infelizmente, o que estará em cima, na governação e na necessidade de acordos parlamentares para o aprofundamento maioritário, pode ser mera consequência do paralelograma de forças deste arquipélago de sub-situacionismos, onde reside a capilaridade social dos grandes partidos sistémicos, integrados nas principais multinacionais partidárias da Europa. Mas o brio nacional que, apesar de difuso, ainda é a principal chama desta encruzilhada, exige que, depois da liderança de pretensos homens de génio, em sucedâneos messiânicos, se entre num novo ciclo de liderança de homens comuns, capazes de organização colectiva do trabalho nacional. Por outras palavras, o regresso ao ciclo da governança dita de direita, impõe um estilo centrista, liberto do centrão mole e difuso dos blocos centrais da partidocracia e do mero consenso de interesses. De outra maneira, poderemos pedir desculpa por essa interrupção, dado que o mais do mesmo continuará dentro de momentos. Mas há, de certeza, homens de bem na meritocracia de Portugal que vão fazer pontes e talvez haja efectivas promessas de cooperação, para que a aritmética parlamentar se transforme numa maioria. Nem que seja um acordo sobre o que estão em desacordo, com cláusulas condicionais de cooperação. Porque só é novo aquilo que se esqueceu. E só há o verdadeiro fora do tempo. Mesmo que, normalmente, tenha razão antes do tempo.

 

A ERA PÓS-SOCRÁTICA

por José Adelino Maltez

Depois de já estarem todas escritas as frases que comentaram as sondagens, teremos agora de concluir que os programas eleitorais já foram todos escritos e que apenas nos falta um governo capaz de pilotar o futuro, depois de devidamente “troikado”. Com efeito, mais de 90% da programação da governança já está pré-definida, enquanto os primeiros resultados analíticos demonstram a incapacidade que as sondagens tiveram quando não conseguiram medir o nível das abstenções. Por outras palavras, estas eleições não tiveram o ritmo de mobilização heróico, nomeadamente das eleições para a Assembleia Constituinte de 25 de Abril de 1975… O povão não sentiu a “pátria em perigo” e não se mostrou disposto a passar um cheque em branco ao sistema. Por outras palavras, o normal continua a ser o haver destes anormais. O chamado derrotado, o PS, para além da tradicional cura de oposição, está condenado a entrar na era pós-socrática e a encontrar uma liderança de transição com a tralha aparelhística, numa co-optação com o modelo da troika, por ele negociado. Por outras palavras, há o risco de uma certa clausura auto-reprodutiva, onde dominarão factores de poder que já não são maioritariamente domésticos, ou intra-nacionais, com a consequente gestão de dependências e inevitáveis manobras de navegação na interdependência, sobretudo na política europeia e na sucessão de acasos da geofinança. A democracia não pode ser um jogo de soma zero, mas um jogo mobilizador, de soma variável, com lideranças regeneradoras e congregadoras. Tenho esperança.

 

Jun 03

Farpas

Cavaco corre o risco de não perder as eleições de domingo…os resultados das presidenciais podem repetir-se. Pena, terem demorado tanto tempo a realizar-se.

Se o PS sair do governo, um qualquer líder pode dizer, com toda a justiça que o partido não assinou nenhum acordo com a troika. Partidos troikados foram só o PSD e o CDS. Porque o governo de Portugal não é nem era o PS. Não é problema de forma. É de fundo. Era a mesma coisa que dizermos que Cavaco representa o PSD, o CDS e o MEP.

Não tarda que o PS teorize a tralha socrática…

Ontem, depois dos telejornais, foi patético demais aquele debate onde o MEP aparecia ao mesmo tempo em quatro televisões, no deferimento de um diferido com que cumpriram uma providência cautelar. Resta saber se vai haver outra para a nulidade das eleições ou para a inconstitucionalidade do acordo da troika…

Belmiro deve ter mais peso do que Basílio e Manel Pinho juntos, mas nenhum deles é minimamente povo.

O largo espaço que vai das empresas de regime às escolas de regime, depois de afogar os socialistas, prepara-se para liquidar as esperanças de Passos, através das velhas técnicas do congreganismo dos carreiristas cobardes que, há muito, investiram nos próximos ministeriáveis e nas viúvas do costume, com seus discursos de rapina resiliente…

Até no carreirismo universitário isso é frequente nos transportadores de pasta do profe… visando garantir o sindicato das citações mútuas que nos leva a atrasos seculares, filhos da inquisição, da censura e das modaas que passam de moda

O situacionismo é mera consequência do arquipélago corrupto de sub-situacionismos que nos vão sufocando em rede, a dos comadres e compadres que abocanharam a mesa do orçamento num fartar vilanagem de “outsourcing”, consultadoria e falta de vergonha, através de uma ampla coligação de padrinhos que vai do salazarismo aos arrependidos da extrema-esquerda, com PSD e PS no núcleo distribuidor das prebendas…

O que estará em cima é o que já está em baixo, nas quintarolas sub-estatais do regabofe. Ainda ontem, lia discurso de um destruidor institucional, até há pouco ministeriável, onde, sentado no poder, invocava o regresso ao modelo so situacionismo anterior. Exactamente aquele que o dito da dita carreirística espatifou. Está à espera que o subchefe compadre vá mesmo a ministro.

Se, pessoalmente, continuo sem saber onde votar, reparo como o vento mudou e a corrente dominante até arrasta o próprio Sócrates para subliminares discursos onde abundam formas verbais só em pretérito. Por outras palavras, até Sócrates já é pós-socrático, sem que o PSD se torne pós-cavaquista, devido à sombra mediática de Portas…

Tempos de antena: quem os viu e quem os vê

O tvi24.pt percorreu os filmes dos partidos e percebeu tendências entre o melhor e o pior: da esquerda caviar bloquista à força das imagens iconográficas do CDS

 

PorSérgio Pereira2011-06-01 20:06

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Os tempos de antena já não são o que foram: é impossível esquecer a época em que a falta de opções obrigava famílias inteiras a acompanhar quatro ou cinco minutos de mensagens propagandísticas na televisão estatal. O cabo e os canais informativos centraram a mensagem nos comícios, nas arruadas e nos discursos com tempo de antena, sim, mas nos noticiários.

 

Os tempos de antena verdadeiros, os que são obrigatórios por lei, sobrevivem com esforço. Por vezes até acompanham a mudança. Um olhar sobre todos eles destaca por exemplo a sofisticação dos tempos de antena do CDS. «São tempos de antena muito profissionais», diz José Adelino Maltez ao tvi24.pt. «Têm uma imagem forte, cuidada, que transporta uma mensagem forte.»

 

No caso do CDS a mensagem assenta numa ideia simples: «Este é o momento». O que surge embrulhado numa representação sóbria, mas animadora: entre cores moderadas e o sorriso. «Paulo Portas dizia há uns temos que os jornalistas são preguiçosos, tem de se lhe dar a papinha toda numa folha e de preferência no primeiro parágrafo. Os tempos de antena do CDS são sobretudo isso.»

 

 

 

Mais à esquerda, no partido do governo, não há mais sucessos dos Vangelis, é verdade, mas continua a haver música de orquestra. A imagem iconográfica é moderada, sobre tons claros. «E o veículo de passagem da mensagem central de um partido muito centrado em si», atira o politólogo. «O PS tem menos apoio autárquico do que o PSD. Por isso passa uma mensagem centralizada.»

 

 

 

Ao contrário do PSD, está bom de ver. Os tempos de antena social-democratas dividem-se em quatro episódios semelhantes: têm músicas alegres, cores fortes, antigos líderes do partido, palavras como «esperança», «mudar» e sobretudo uma mensagem centrada em Passos Coelho. «Os tempos de antena de PS e PSD são o reflexo de um partido que é governo e outro que quer ser.»

 

«O PSD é um partido federalista, muito assente nas autarquias e nas forças distritais. Para o PS, infelizmente, nem todo o país é Matosinhos: a força que tem nas autarquias depende muito de um ou outro nome forte. Por isso o PSD passa uma mensagem alegre, de congregação à volta do líder. Apela à união dos focos distritais como base da vitória e passa uma mensagem de mudança.»

 

 

 

A viagem pela criatividade faz passagem obrigatória nas mensagens do Bloco Esquerda. São vários filmes e passam por duas rubricas: Retratos da Geração à Rasca e o Bê-á-Bá da Renegociação. Todos eles têm uma imagem cuidada, por detrás de uma história de sensibilidade, sentimento e alguma saudade. «É um mainstream entre Deolinda e Homens da Luta», diz José Adelino Maltez.

 

O politólogo adianta que os tempos de antena reflectem «a esquerda caviar». A esquerda dos catedráticos e dos artistas. «Louçã é o único candidato a primeiro-ministro que ainda é catedrático», refere. Os tempos de antena reflectem essa forma de estar. Defendem as ideias de esquerda, mas embrulham tudo na melhor qualidade de som, imagem ou criatividade.

 

Em contrapartida os tempos de antena da CDU raramente mudam. Reflectem a mesma imagem, assente nos mesmos ideais e no mesmo discurso. Durante décadas. «Podiam ser a preto e branco que ninguém reparava na diferença», garante. «Acho que não é preciso dizer mais nada.» Só uma coisa, talvez: os tempos de antena dizem também eles cada vez menos.

Jun 03

Farpas pré-eleitorais

Se, pessoalmente, continuo sem saber onde votar, reparo como o vento mudou e a corrente dominante até arrasta o próprio Sócrates para subliminares discursos onde abundam formas verbais só em pretérito. Por outras palavras, até Sócrates já é pós-socrático, sem que o PSD se torne pós-cavaquista, devido à sombra mediática de Portas…

O que estará em cima é o que já está em baixo, nas quintarolas sub-estatais do regabofe. Ainda ontem, lia discurso de um destruidor institucional, até há pouco ministeriável, onde, sentado no poder, invocava o regresso ao modelo so situacionismo anterior. Exactamente aquele que o dito da dita carreirística espatifou. Está à espera que o subchefe compadre vá mesmo a ministro.

O situacionismo é mera consequência do arquipélago corrupto de sub-situacionismos que nos vão sufocando em rede, a dos comadres e compadres que abocanharam a mesa do orçamento num fartar vilanagem de “outsourcing”, consultadoria e falta de vergonha, através de uma ampla coligação de padrinhos que vai do salazarismo aos arrependidos da extrema-esquerda, com PSD e PS no núcleo distribuidor das prebendas…

O largo espaço que vai das empresas de regime às escolas de regime, depois de afogar os socialistas, prepara-se para liquidar as esperanças de Passos, através das velhas técnicas do congreganismo dos carreiristas cobardes que, há muito, investiram nos próximos ministeriáveis e nas viúvas do costume, com seus discursos de rapina resiliente…

Cavaco corre o risco de não perder as eleições de domingo…os resultados das presidenciais podem repetir-se. Pena, terem demorado tanto tempo a realizar-se.

As frases que comentam as sondagens já estão todas as escritas. Só falta uma coisa, a votação. Os programas eleitorais já foram todos escritos. Só faltam uma coisa, troiká-los…

 

Jun 03

O dia da reflexão

Dito à bruta: as sondagens não conseguem acertar na abstenção. Mesmo que em dez portugueses, dois não sejam urneiros, poderemos dizer que o nosso problema político está nisto: há um dedo para o CDS, um para o PCP, um para o Bloco, dois para o PS e dois para o PSD. O dedo que falta é o decisivo, costuma passar do PSD para o PS e do PS para o PSD.

 

Dos nossos dez dedos, talvez só quatro é que trabalhem e um está desempregado, mas seis estão dependentes do aparelho de Estado. Infelizmente, os três a quatro dedos da emigração activa, praticamente, nenhum vota. Isto é, estamos deprendentes dos dependentes do ministerialismo.

 

A democracia não pode ser um jogo de soma zero, mas um jogo mobilizador, de soma variável. Logo, como quase todas as maiorias aritméticas parlamentares são socialmente minoritárias, só como lideranças regeneradoras e congregadoras pode haver governos efectivamente nacionais. Tenho esperança.

 

Não me apetece um governo desta direita, nem um governo desta esquerda. Serão sempre de esquerda com temperamento de direita, ou vice-versa. Prefiro um governo do centro excêntrico, contra o centrão mole e difuso que nos fez tornar indiferentes e permitiu a corrupção.

 

Odeio a cobardia das modas que passam de moda e estão sempre disponíveis para a saudação subserviente face ao vencedor. Porque só é novo aquilo que se esqueceu. E só há o verdadeiro fora do tempo. Mesmo que, normalmente, tenha razão antes do tempo.

 

Há, de certeza, homens de bem na meritocracia de Portugal que vão fazer pontes e talvez haja efectivas promessas de cooperação entre as principais forças políticas. Nem que seja um acordo sobre o que estão em desacordo, com cláusulas condicionais de cooperação. Foi assim que Soares e Mota Pinto nos governaram com Ernâni Lopes. A fórmula não vai repetir-se, mas pode inspirar

 

No preciso momento em que começa o dia de reflexão, estarei a votar com saudades de futuro.

Jun 03

Na véspera das eleições

Cavaco corre o risco de não perder as eleições de domingo…os resultados das presidenciais podem repetir-se. Pena, terem demorado tanto tempo a realizar-se.

 

Se o PS sair do governo, um qualquer líder pode dizer, com toda a justiça que o partido não assinou nenhum acordo com a troika. Partidos troikados foram só o PSD e o CDS. Porque o governo de Portugal não é nem era o PS. Não é problema de forma. É de fundo. Era a mesma coisa que dizermos que Cavaco representa o PSD, o CDS e o MEP.

 

Não tarda que o PS teorize a tralha socrática…

 

Ontem, depois dos telejornais, foi patético demais aquele debate onde o MEP aparecia ao mesmo tempo em quatro televisões, no deferimento de um diferido com que cumpriram uma providência cautelar. Resta saber se vai haver outra para a nulidade das eleições ou para a inconstitucionalidade do acordo da troika…

 

Belmiro deve ter mais peso do que Basílio e Manel Pinho juntos, mas nenhum deles é minimamente povo.

 

O largo espaço que vai das empresas de regime às escolas de regime, depois de afogar os socialistas, prepara-se para liquidar as esperanças de Passos, através das velhas técnicas do congreganismo dos carreiristas cobardes que, há muito, investiram nos próximos ministeriáveis e nas viúvas do costume, com seus discursos de rapina resiliente…

 

Até no carreirismo universitário isso é frequente nos transportadores de pasta do profe… visando garantir o sindicato das citações mútuas que nos leva a atrasos seculares, filhos da inquisição, da censura e das modaas que passam de moda

 

O situacionismo é mera consequência do arquipélago corrupto de sub-situacionismos que nos vão sufocando em rede, a dos comadres e compadres que abocanharam a mesa do orçamento num fartar vilanagem de “outsourcing”, consultadoria e falta de vergonha, através de uma ampla coligação de padrinhos que vai do salazarismo aos arrependidos da extrema-esquerda, com PSD e PS no núcleo distribuidor das prebendas…

 

O que estará em cima é o que já está em baixo, nas quintarolas sub-estatais do regabofe. Ainda ontem, lia discurso de um destruidor institucional, até há pouco ministeriável, onde, sentado no poder, invocava o regresso ao modelo so situacionismo anterior. Exactamente aquele que o dito da dita carreirística espatifou. Está à espera que o subchefe compadre vá mesmo a ministro.

 

Se, pessoalmente, continuo sem saber onde votar, reparo como o vento mudou e a corrente dominante até arrasta o próprio Sócrates para subliminares discursos onde abundam formas verbais só em pretérito. Por outras palavras, até Sócrates já é pós-socrático, sem que o PSD se torne pós-cavaquista, devido à sombra mediática de Portas…