Papandreou em directo do Parlamento ateniense. Nenhuma das nossas televisões se muniu de um intérprete da helénica língua. Os bárbaros somos nós. Aconselho o Euronews, para seguirem o as cenas finais desta telenovela. Para quem não gostar de política, que mudem para a casa dos segredos…
Agora, em Atenas, já é amanhã. Tudo continua sem sonhos. Seja qualquer for o resultado do jogo parlamentar. Evangelos Vanizelos discursa agora. Nem a Skynews lhe dá directo.
Papandreou passou. Vencer é ser vencido. A confiança não é uma moção apenas.
Li algures que os chinocas não querem dar cobres ao afundamento europeu porque trabalha três vezes mais e ganham dez vezes menos. Ou de como certa demagogia germânica ficou de olhos em bico. Quando é que a pororoca desagua no Tejo?
A frase cimeira de Dilma: “Eu não tenho intenção de contribuir para o fundo europeu. Nem eles têm, como é que eu tenho?”. Grande Brasil, que disse tudo! O que alguns dos grandes desta Europa ainda, há uma década, diziam do Brasil! É por isso que tenho esperança. Pode ser que a história deixe de ser escrita pelos pretensos vencedores. Até os vencidos de hoje, no plano europeu, podem deixar de ser vencidos. O último a rir é que ri melhor.
Há quantos anos é que tudo isso era uma verdade? Há dez? Há quinze? Demora por décadas a descoberta do óbvio. E adoramos ver que quem as fez as venha agora denunciar, como se a questão fosse técnica e não política. Até empatou por causa da politiqueirice, do clientelismo e do carreirismo, como os avaliólogos ajudando.Falo porque denunciei a coisa quando ela estava no ovo do guterrismo que continuou com o PSD e o socratismo. Que continua, aliás, porque o corte cego, em percentagem, é o mesmo, mas apenas com menos.
A Associação Europeia para a Defesa dos Asininos, Muares e mais Bestas de Carga acaba de denunciar uma proposta neogonçalvista que indicou, como alternativa ao encerramento do metro, o regresso à tracção animal, em nome da sustentabilidade. Uma alta figura mediática, ligada ao presente regime dos grupos de trabalho. garantiu não parecer útil que a associação seja ouvida no parlamento, à semelhança do que aconteceu com a KGB. “Todas as medidas serão objecto de um adequado estudo de impacto ambiental, nomeadamente contra o mau cheiro que possam provocar”
Só quem consegue fazer interpretações hierarquizadas é que não subscreve esta evidência. Basta que mudem a norma constitucional em causa. A maioria troikista pode fazê-lo
Qual Papandreou, qual cimeira do G20! Somos o país com mais botas de oiro na Europa. Até superministro lá foi, para compensar a falta que fazemos em Cannes. Só falta proclamarmos que foi em português que a Senhora comunicou com o mundo. E um bom fadinho para animar a malta. Pelos menos, de directos, não consigo safar-me, em todas as televisões bem informadas.
Durante uma década vivi a menos de dez quilómetros de um centro urbano e o último transporte público que tinha era às oito da noite. Fui obrigado a comprar uma motoreta, para não fazer como os meus avós, que tinham de ir e vir a pé. Felizmente, há agora um ministro que diz tomar em linha de conta as necessidades das populações, afirmando que “se não faz sentido fechar o metro às 23.00, ele não fechará” a essa hora. É o mesmo que na véspera deixou cair a informação sobre o seu exacto contrário.
A democracia representativa dos directórios partidários não esgota a cidadania, nem a própria representatividade. Com uma sociedade civil desertificada e uma opinião canalizada pelas correntes do pensamento dominante e a respectiva teatrocracia de prós e contras, na unanimidade de irmãos-inimigos, não seremos país, poderemos ser gado.
Diedrick Stapel, um dos mais eminentes cientistas do empírico-analítico, na psicologia social, acaba de confessar que os seus estudos se basearam em provas inventadas. Isto é, na prática, a teoria é outra. O efeito Dona Branca dos sindicatos da citação mútua podem levar a muitos cortes de subsídios e a outras tantas destitularizações. Bolas, eles até citavam um holandês que escrevia em inglês e os “refereeaa”
Nada de novo na frente ocidental. Depois da descoberta da Índia, ficámos todos desempregados. Nem sabemos que as doze estrelas eram o signo de V Império, conforme o sonho inquirido a António Vieira. Costumam chamar doido a quem o recorda. Utilizam, suavemente, o eufemismo de poeta, coisa que é mais verdadeira, no sentido de filosófica, do que a própria história.
PS vai abster-se. Isto é, vai ter de abster-se. Em nome do interesse dito nacional. Esperemos que, depois, não venha pedir desculpa. Mas parece que tudo foi combinado em encontros de passos seguros. Felizmente, o líder da oposição dialoga, sem testemunhas, com o chefe do governo.
Claro que, por trás do espectáculo mediático da política e da economia, há bastidores, nomeadamente grupos de pressão e grupos de interesse, bem como corruptores e corruptos, bem como agências de descodificação. Mas isso estuda-se e pode impedir-se, através de adequada estratégia e de boa informação. Sempre foi assim. E há-de continuar a ser.