São 10 500 entidades das administrações central, local e regional, 1500 empresas públicas, cerca de 350 institutos e 1100 fundações e associações, com que o estadão se disfarça e nos vai sugando… O bom e velho estado. Desde as afundações aos pés de barro. Muita banha, pouco nervo e ossos descalcificados. O mostrengo resulta de acrescentarem órgãos para que se cumpram funções, pondo o carro à frente dos bois, marrando uns contra os outros e ninguém vendo os palácios diante das palhas, porque o aguilhão nos cega… Não vale a pena reformar muito do que deve apenas ser extinto. Muito menos seguir o conselho daquele economista, segundo o qual o problema reside nos funcionários e que apenas devemos esperar que eles morram… Se, segundo um cultor da ilustre ciência, é verdade que a longo prazo estamos todos mortos, seria preferível meter mãos à obra e determinar que, mesmo a curto prazo, podemos pôr o carro a andar em automobilização. Basta que o músculo movimente a banha e que o nervo seja superior à pança e que não voltem os fantasmas do velho Estado Novo que já não serve para o que foi criado. Desde logo porque há vários estados dentro do Estado e outros Estados acima do Estado. E que o Estado não são eles, devemos ser nós, os que efectivamente pagam…O mal volta a estar na manipulação do poder de sufrágio onde aqueles que, do monstro recebem, enganam os que continuam a ser impostados…O poder instalado já não resulta apenas da coacção directa dos que estão em cima sobre os que estão em baixo, mas antes da manha com que os persuadem e que está na face invisível da política, misturando ideologia com autoridade. Só voltará a democracia de confiança quando não nos deixarmos enganar quanto à prossecução dos nossos próprios interesses, desconstruindo a farsa que vai tramando o chamado interesse público, o que devia seguir de baixo para cima, em pública horizontalidade.