O dito Bloco Central foi coisa que aconteceu há mais de um quarto de século e que explodiu em Dona Branca, antes de chegar a época do primeiro Cavaco e de Delors. Por mim, apenas recordo que foi sob tal Bloco que partidariamente militei, na evidente oposição, como seria natural, para continuar em oposição depois de ele ter sido escavacado. Aliás, entre no fim da militância partidária logo após a queda do Muro e da chegada do novo partido-sistema, o cavaquismo laranja, a mãe efectiva do actual cavaquismo socrático. Apenas recordo que, mesmo na história política portuguesa, há mais coligações governamentais pós-eleitorais do que coligações pré-eleitorais, como foi a AD. O primeiro Bloco Central não foi o de Mário Soares (PS) com Mota Pinto, Rui Machete e João Salgueiro (PSD). O primeiro foi o do governo FMI de Soares com Freitas do Amaral, o chamado governo PS/CDS, com Constâncio a ministro das finanças. Logo, o povo é quem mais ordena e os resultados eleitorais que tivermos é que vão determinar que tipo de bloco surgirá.