Muitos mistérios de colaboracionismo seriam desfeitos

Julgo que muitos mistérios de colaboracionismo seriam desfeitos, incluindo subidas na carreira e protecção  nas subidas de familiares directos dos protocolantes, bem como certas indicações para alguns cargos, todas essas clandestinidades que têm a mesma natureza das zonas ocultas do financiamento partidário, dado que participam, de forma indirecta, neste sistema de compra de poder em sentido amplo. Basta recordar que já Alves dos Reis comprou para o respectivo banco ilustres e catolicíssimos professores universitários, conforme podemos ler no processo, onde um deles se safou graças aos magníficos depoimentos de António de Oliveira Salazar e D. Manuel Gonçalves Cerejeira. O nosso querido sistema derramou as suas faltas de autenticidade não apenas entre deputados e partidocratas, mas por todo o regime, numa operação de desinstitucionalização que sugou a autonomia tanto dos grandes corpos de Estado como das velhas autonomias da sociedade civil. Quem consultar a lista dos membros dos conselhos fiscais e das mesas das assembleias gerais de certos bancos e de importantes grupos económicos confirma a hipocrisia de uma sistema de gamela devorista, onde o público e o privado, irmanados pela empregomania, vivem em conúbio de economia mística, estendendo as suas nebulosas por todos os campos, incluindo o universitário, com este modelo dos conselhos gerais, onde os hierarcas instalados escolhem determinadas figuras da banca e do grande empresariado, para que o Bloco Central escolha quem os escolheu, em regime de endogamia, é quase tão pouco transparente quantos certos concursos públicos com fotografia. Actualizando um dito de certo general espanhol contra Unamuno, não direi, como ele disse, que, quando me falam de inteligência, puxo logo da pistola. Agora, puxam logo do livro de cheques e do cartão de crédito…

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